quinta-feira, 26 de março de 2009

A identidade iguaçuense

Desde que cheguei à Foz, faz aproximadamente quatro anos, imaginei o dia em que poderia compartilhar minha visão sobre o amor do iguaçuense pela sua cidade. Antes que sofra algum tipo de objeção, deixo claro que me baseio nas minhas experiências de convívio direto e indireto com os habitantes de Foz, e que não tenho o intuito de generalizar ou rotular o comportamento de um povo que aprendi a gostar bastante, e justamente por isso, sinto-me na obrigação de alertá-los do quanto é importante sua valorização.
Identifiquei ao longo desse tempo, uma tremenda falta de orgulho, de identidade de grande parte das pessoas nascidas na cidade. É notório que há uma influência enorme das mais de setenta diferentes etnias aqui existentes, porém vejo que essa diversidade é o grande charme das pessoas daqui. O crescimento em meio a tantas idéias e costumes ajuda a minimizar preconceitos, agregar conhecimentos, ser aberto às mais exóticas culturas, enfim, tudo o que dificilmente cidadãos de outras cidades possuem. As grandes capitais sofrem tanto com o stress e correria diários que dificilmente lhes sobra espaço, seu mundo é restrito às obrigações, são escravos do tempo. Outras, principalmente de cunho turístico, eventualmente recebem visitantes, de inúmeros lugares, mas não compartilham de tanta diversidade.
Muitas pessoas com quem convivo ou tive a oportunidade de me relacionar, seja num ambiente presente à minha rotina, ou em cinco minutinhos de conversa enquanto tomava um café, não souberam me explicar o porquê da falta de auto-estima dos “nativos”. Em muitos casos, ouvi a seguinte réplica ao fato de ter escolhido viver aqui: “Você é louco, trocar o Rio de Janeiro por Foz?” geralmente seguido de: “Não vejo a hora para sair deste lugar”.
Entendo que haja uma vontade coletiva, principalmente por parte dos jovens, em qualquer lugar do mundo, de sair, viajar, conhecer lugares, expandir idéias. É uma fase a qual todos passam e todos têm o direito e devem vivenciar. Só não acho que isso deve estar associado à falta de carinho e orgulho pela cidade. Desvalorizar Foz do Iguaçu, supervalorizar outros centros, é ao meu entender, a desvalorização da própria identidade.
Se há algo que eu e os inúmeros “forasteiros” os quais já encontrei por essa “terra” sentimos falta, é essa energia e orgulho de seu próprio povo.
Ainda jovem, tive a experiência de viver em diferentes lugares, no Brasil, e na Europa, aonde há toda uma reputação de primeiro mundo. Digo que na minha visão atual, apesar de diferenças sócio-econômicas, é possível se equiparar a qualidade de vida, sim. Há diferentes estilos e costumes, porém, não necessariamente melhores. Cidades da Europa como do Brasil têm problemas semelhantes.
E sou enfático ao dizer que Foz do Iguaçu é uma das melhores em que vivi.
Violência, diferenças sociais, alguma dificuldade de infra-estrutura e até o calor fazem parte do contexto de muitas cidades, é normal. Um povo tão pluralizado e lindo, convivendo em paz, deixando de lado preconceitos e rivalidades estúpidas, uma cidade que possui um verde farto e preservado, escasso e invejado em todo o Mundo, que abriga um dos mais belos cenários vivos do planeta, as Cataratas do Iguaçu, aonde julgo que todo ser humano deve estar pelo menos uma vez na vida antes de morrer, poucos lugares possuem, e são alguns dos argumentos que uso para “chacoalhar” o ego dos iguaçuenses.
Não aceito ser taxado de louco por ter escolhido Foz, pelo contrário, acredito ter feito uma escolha interessante. Aos que vivem dizendo que querem ir embora, é possível que encontrem muitos bons lugares, de fato. Mas levem o sentimento, o orgulho de serem nascidos num dos mais belos lugares.
E aos que ficarem, que emanem esse sentimento, para que os que vêm de fora sintam-se ainda melhores e seguros de que vieram ao lugar certo!

quinta-feira, 19 de março de 2009

O brasileiro e o acesso a cultura

Muito discute-se em nosso país os níveis culturais de grande parte da população brasileira, argumentados por fatores como falta de incentivo público, disparidade de poderio econômico e uma sócio elitização de certos segmentos como o teatro,o cinema e as bibliotecas.
Cultura por definição, no contexto abordado, engloba o conjunto de padrões de comportamento de certo grupo social, desenvolvimento intelectual, civilização. Comumente, usa-se o termo “ter cultura”, para pessoas que acumulam as mais diversas experiências de vida, ou aquele sujeito intelecto, de gosto refinado para música, arte, literatura e gastronomia, por exemplo.
Seguindo esta linha de raciocínio, costuma-se dizer que o brasileiro não tem acesso à cultura, por esta ser destinada às camadas mais ricas da sociedade. De fato, eventos como peças de teatro ainda são remotos às classes média e baixa. Tanto pela oferta quanto pelos preços dos ingressos. O cinema é outro exemplo. A maioria das salas de exibição de filmes estão concentradas nas grandes capitais Rio de Janeiro e São Paulo, porém ainda restritas por preços e localização inacessíveis à maioria. As salas têm capacidade limitada, o que dificulta a possibilidade de redução de custos dos assentos. A indústria do cinema nacional previa para 2009 investimento pesado com o intuito de incentivar o hábito do cinema, ao mesmo tempo que pudesse reduzir preços dos tickets. Porém com a crise, possivelmente haverá a retenção de tais incentivos financeiros.As produções nacionais são promovidas e vendidas com a mesma magnitude dos filmes “Holywoodianos”. Mas ainda há uma dificuldade de inserção dos títulos nacionais no mercado em detrimento ao mercado estrangeiro.
Outro agravante é a comercialização de títulos pirateados no mercado. Enquanto não há solução para isso, as pessoas conseguem adquirir por menos de cinco reais, lançamentos cinematográficos ainda em cartaz nos cinemas. Uma vez que com uma média de quinze reais a entrada para um filme, transporte, mais pipoca e refrigerante, um casal chega a gastar cinqüenta reais, ficando impraticável a freqüência de pessoas de baixa renda. Concorrência desleal.
Porém, cultura não está limitada apenas a teatro e cinema, como muitos associam. A leitura é por exemplo, tanto de títulos literários, fictícios e até mesmo de jornais e periódicos, desprezada, e agravou-se com o advento da internet. O hábito da leitura é raro, as bibliotecas públicas são basicamente freqüentadas por um grupo específico, estudantes ou professores. “Mal-acostumado” culturalmente, nem a recente inclusão digital alavanca esperança de que haja uma mudança comportamental do brasileiro, já que mesmo com todo o mundo disponível a ser explorado virtualmente, muitos se restringem a sites de relacionamentos ou inutilidades.
Conseqüência deste conjunto de fatores, o brasileiro abastece-se da televisão aberta, artefato “obrigatório” até nas mais humildes residências do país afora. Com programação limitada e muitas vezes tendenciosa e formadora de opinião, a massa se abstêm de um desenvolvimento intelectual. A qualidade “cultural”, sendo assim, fica diretamente ligada ao que se oferece e se incentiva ao público.
Um povo com tanta diversidade étnica e cultural poderia ser razoavelmente rico em informação. Temos uma história musical peculiar, uma literatura vasta, porém pouco aprofundada pela maioria, toda uma história a ser explorada.
Não é a toa que o Brasil é conhecido por ser o país do futebol, das novelas (“soap-operas”), do samba e do sexo.
Infelizmente não é difícil compreender o porquê ...