quarta-feira, 31 de março de 2010

O dia mais verdadeiro

Imaginem o dia em que todos os problemas se resolvem. É, este dia chegou.
A ONU acaba de emitir um comunicado oficial dizendo que o Mundo não está mais em perigo. Os índices de poluição já são inofensivos ao meio ambiente. O tão temido aquecimento global já não ameaça mais. As temperaturas estão estáveis e o planeta respira o mais puro ar.
As maiores potências econômicas assinam hoje um acordo de apoio incondicional aos países miseráveis na África, Ásia e América do Sul. Este apoio prevê combate à fome e a erradicação de doenças como a AIDS. Ainda há no acordo, intenções de suporte educacional desde os primeiros anos de vida até a graduação.
Judeus e Palestinos, Norte e Sul Coreanos, Irlandeses do Sul e do Norte perdoam uns aos outros e se abraçam em prol do bem.
Geólogos noticiam que não há mais riscos de terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas pelos próximos mil anos pelo menos.
A indústria farmacêutica dispõe-se a fornecer todo o tipo de medicamento, aos mais graves problemas de saúde existentes. O câncer e a diabetes deixarão de existir em pouco tempo. A liberação de pesquisas com células-tronco finalmente aconteceu e mais que isso, haverá todo o suporte governamental às pesquisas.
No Brasil, a justiça finalmente fecha o cerco a corrupção, e nossos governantes agora, agem com transparência e honestidade. O salário mínimo triplica e há vagas no mercado de trabalho, a todos os níveis.
O país reduziu sua carga tributária e hoje figura entre os primeiros na lista dos que cobram menos impostos no Mundo.
A desigualdade social reduz abruptamente após projetos sociais associados e a ajuda da iniciativa privada.
O tráfico de drogas praticamente não existe mais, e com ele, à violência é cada vez mais rara.
As rodovias agora são perfeitamente pavimentadas e sinalizadas e o número de acidentes automobilísticos é irrisório.
O transporte público melhora muito, e ir ao trabalho já não é penoso. O carro fica na garagem para o fim de semana. Não há mais tanto trânsito e ainda se economiza combustível.
A expectativa de vida do brasileiro aumenta, uma vez que o sistema de saúde público é perfeito. Todos têm direito a assistência médica com dignidade.
Seu Banco te liga e diz que aquela dívida do empréstimo já amortizou e que você na verdade ganhou um dinheiro extra num fundo de aplicação que você contratou a 2 anos sem saber.
A torcida do Corinthians finalmente ultrapassou a do Flamengo, como eles sempre sonharam, e parece que o time finalmente vai ganhar a Libertadores, com o Ronaldo incrivelmente em forma.
Olha só, até o Dunga resolveu tirar da sua lista o Josué, Gilberto Silva, Felipe Melo e o Julio Baptista, para levar o Ronaldinho Gaúcho, o Neymar e o Paulo Henrique Ganso. É difícil de acreditar não é mesmo?
É gente, hoje é dia de textos como esse. Textos de 1˚de Abril. A única e não muito surpreendente verdade desta resenha é que um troglodita com sobrenome de peixe se tornou o mais novo mito popular nacional. Belo exemplo.
Aproveite pra sacanear alguém hoje e se divirta.
Bom Café.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Sinal amarelo

Sempre me pego na dúvida entre escrever algo atual, que está em evidência na mídia, ou coisas que apesar de não estarem sendo pautadas, nos massacram tanto quanto as repetidas notícias dos telejornais mais assistidos do país.
No momento, a “novela” que mais parece “Vale a pena ver de novo” na televisão brasileira é o julgamento do casal Nardoni. Há dois anos na época do crime foi aquela lavagem cerebral com direito a entrevista encenada e patética e tudo. A história se repete e somos obrigados e engolir toda a trama novamente. Esperando que pelo menos haja justiça, não é verdade? Crimes ocorrem diariamente, talvez tão cruéis ou piores que esse. Mas esse tem roteiro cinematográfico. Enfim, justiça seja feita, e não é sobre isso que pretendo escrever.
Queria abordar um tema que por tão comum que se tornou nas maiores cidades deste país, já foi absorvido pela sociedade como algo normal e corriqueiro. E não era pra ser assim, aliás, é um problema maior e mais urgente do que muitos sequer têm idéia.
O trânsito de veículos. Talvez em sua cidade este problema tenha menor intensidade, mas ainda duvido que não exista. Os problemas de trânsito no Brasil são crônicos e presentes em todo o território. Em alguns lugares por falta de infra-estrutura, em outros por uma quantidade desenfreada de veículos e até pela falta de educação da população. Certamente um número que fugiu aos estudos e às expectativas passadas.
O crescimento demográfico e de certa forma econômico, aliado à falta de planejamento público quanto ao transporte em todas as suas “entranhas”, faz com que hoje, tenhamos números negativos absurdos relacionados ao trânsito.
Fica a nítida impressão que não houve um sincronismo entre mercado e o Estado quanto às facilidades em que as montadoras que produzem, a cada dia mais veículos, proporcionaram aos consumidores cada vez de menor poderio.
Há mais pessoa, há mais capacidade de compra, há mais produção, há mais veículos nas ruas.
Não há estudo de impacto, não há obras de reestruturação rodoviária e pavimentar, não há espaço. Congestionamentos, poluição, perda de tempo, transtornos mis.
O reflexo é a manifestação da violência gerada no trânsito por todos estes fatores abordados. O trânsito se torna uma via de escape (irônico não?) para a expressão da mais pura ignorância entre a comunicação entre os indivíduos de uma mesma sociedade.
Comunicação não é feita apenas com palavras, gestos e escrita. A forma como você se expressa nas mais simples atividades do seu cotidiano dizem muito sobre você.
E o que vemos no submundo caótico dos congestionamentos deste país e nas auto-estradas mal administradas é o reflexo da mais pura agressividade.
Certamente já ouvira falar que no Brasil morrem mais pessoas por acidentes no trânsito do que pessoas na guerra contra o terror no Oriente Médio, por exemplo. E não é mentira. Na verdade, estima-se que mentira ainda são os números que apesar de já serem altos, são na verdade maiores dos que os divulgados. Isso porque uma vítima que não morre no local, mas morre na ambulância já não é mais contabilizada como vítima de acidente de trânsito, acredita?
Outra curiosidade que vale ser dita, é que uma pessoa que leva em média uma hora pra ir e outra para chegar em casa (o que é pouco no Rio e São Paulo por exemplo), passa cerca de 60 horas dentro do carro por mês. Em um ano, ela passou cerca de um mês dentro do carro. E em sua vida inteira de trabalho, mais de 3 anos. Isso para pessoas que possuem seus próprios autos. Imagina quem depende de transporte público?
A você que se irrita com o trânsito bagunçado de Foz, com os argentinos e paraguaios e aquele “fuzuê” da Avenida Brasil próximo ao meio dia, relaxe. Foz ainda está longe dos maiores inconvenientes ocasionados pelo trânsito.
Mas não custa nada pensar no futuro.

Bom café...

quinta-feira, 18 de março de 2010

Exemplo se escolhe

Quem nunca foi julgado ou advertido por possuir vínculos com pessoas ditas controversas? Aquele famoso ditado, “diga-me com quem andas, e direi quem és.”
Há tempos que vasculhar hábitos das pessoas virou uma febre popular, sendo estas famosas ou não. Haja visto a forma como a maioria se utiliza das famosas redes de relacionamento virtuais. Quem nunca deu uma remexida nas fotos do vizinho, do colega do trabalho ou da ex-namorada que atire a primeira pedra. Todo mundo quer saber de todo mundo.
E as páginas principais dos sites e jornais dividem notícias importantes como o andamento das investigações sobre as falcatruas de Arruda, ou a divisão dos royalties sobre a exploração de petróleo no Rio, com notícia sobre o sedentarismo dentro de uma casa artificial dividida por indivíduos incógnitos e suas necessidades fisiológicas. Aquele “zoológico humano” se é que se cabe a expressão.
O que me traz ao tema é a polêmica do momento envolvendo jogadores do Flamengo, que foram a um baile funk no Rio e apareceram ao lado de traficantes armados.
Direto e objetivo: eu não me surpreendo e não dou a mínima para os hábitos dos jogadores fora do campo. A maioria deles é de origem humilde, da favela. Eu me surpreenderia se não conhecessem alguém ligado ao tráfico.
Há uma discussão quanto à imagem que serve de exemplo. Pode ser que faça algum sentido. Mas exigir de um adulto com pouca instrução, que cresceu em um ambiente hostil, e que mal sabe falar ou escrever, que se porte como exemplo positivo para meio mundo, sendo que foi preparado apenas para colocar aquela esfera dentro daquele arco retangular, é uma expectativa infundada.
Outra opinião da qual faço uso: exemplos existem aos montes, bons e ruins. Nós filtramos os exemplos que julgamos positivos para absorver. As crianças podem não ter discernimento para isso, mas a forma como as coisas são expostas a elas, impossibilita o controle deste filtro. Os pais têm o papel de mostrar quais exemplos são positivos e negativos.
Esperar de Adriano e Vagner Love posturas de gentleman é como esperar chover dinheiro. Impossível, pois eles simplesmente não são.
Há também um preconceito enrustido em toda esta questão, sem demagogia.
É fácil falar que jogadores humildes, favelados e porque não, “negros”, têm envolvimento com o crime. É cultural, infelizmente. Mas é difícil para a mídia e até para a sociedade em geral, questionar que o camisa 10 da seleção, é, aquele menino bonitinho, “branco”, educado e bem sucedido, criado nos mais finos moldes, tem suspeita de ligação direta e transações (doações exorbitantes em dinheiro) aos líderes religiosos de uma Igreja, que por sinal estão presos por evasão de divisas e outras “cositas más”.
Julgar exemplos dos ídolos do futebol é um péssimo parâmetro para determinar comportamento. Os jogadores mais importantes da história do país já se envolveram em inúmeras polêmicas, desde envolvimento com travestis à negativa de paternidade comprovada por DNA. Estes inclusive, maiores nomes da história do futebol mundial. Nem por isso deixaram de ser ídolos no campo.
Explorar a vida de cidadãos de cultura humilde que cresceram sob influências não tão boas, e cobra-los a serem exemplos para gerações e gerações, é insensato.
Existem inúmeras pessoas públicas com muito mais responsabilidade em dar exemplo à sociedade, como políticos. Estes sim, têm a obrigação de serem ícones, afinal, se preparam para isso, e são postos lá por nós. E a maioria não cumpre essa obrigação.
E nós que julgamos isso, que consumimos estas notícias e demonstramos estarrecimento, damos os melhores exemplos?
Não escrevi para defender os jogadores citados, usei este exemplo para questionar o que realmente é importante.
É como se Adriano e V. Love fossem à causa do tráfico, da violência, das mazelas da cidade do Rio de Janeiro. Eles os usam para desvio de atenção, e o povo cai nessa. Tolos. Uma visão micro, comum à maioria ignorante no país do “BBB”.

Bom café...

domingo, 14 de março de 2010

Gentileza gera gentileza

Já dizia o poeta José Datrino, o “profeta Gentileza”, conhecido por espalhar sua arte nas ruas do Rio de Janeiro há algumas décadas atrás. Apesar de comportamento controverso, Gentileza poderia usar a máxima, “não faça o que eu faço, faça o que eu digo”. E era bem assim, sua missão era transmitir mensagens de bondade entre as pessoas, independente do seu grau de sanidade. O fato é que seus atos e sua obra são reconhecidos hoje. Incitar a gentileza é um ótimo caminho para que algumas coisas comecem a mudar.

Isso começa em casa. Você acorda e deseja um bom dia a todos, com um sorriso, as pessoas mesmo que estejam mal-humoradas não conseguirão reagir de forma áspera. Se reagirem mal, com o hábito de ser gentil, pessoas vão se acostumando e tornando-se mais amenas.

O que é mais interessante nisso tudo é que a gentileza não custa nada, é como um investimento garantido. Abre portas, faz de você uma pessoa agradável, as pessoas gostarão de se relacionar com você pois transmitirá uma sensação de acolhimento. Um sentimento raro hoje entre as pessoas.

Sair de casa ao trabalho com seu fone de ouvido, ou do celular conectados ao ouvido, caminhar olhando para frente ou para baixo, apenas cumprindo o trajeto, sem estar aberto aos sorrisos em meio a multidão, aos “bom dias” e “boa tardes” que aparentam soar tão estranhos vindo de pessoas que não conhece.

O convívio social é essencial para a evolução pessoal. E estar em meio a um mar de gente sem que interaja com elas é um desperdício. Cada pessoa é uma oportunidade, seja ela profissional, pessoal, enfim. E a forma como está suscetível a isso é a chave para abrir tais oportunidades.

Usar a gentileza para si, nunca soará egoísmo. Porque sendo gentil você está fazendo bem a todos a sua volta, mesmo involuntariamente. E sabe-se lá o quanto sua mãe ou seu colega de trabalho precisam do seu sorriso, do seu carinho, do seu bom humor? As pessoas são carentes. A maioria delas, acredite.

Há uma grande diferença de tratamento e educação entre as pessoas em várias regiões do país. Há aquele rótulo do carioca ser feliz e receptivo, que o paulista é trabalhador e fechado, que o curitibano é frio e arrogante e que o baiano é mole e preguiçoso, e assim vai.

De fato há características marcantes de determinadas regiões, mas obviamente não há como generalizar.

As pessoas podem ser agradáveis umas com as outras em qualquer lugar. E isso melhoraria muito o convívio.

Sinto falta do aspecto interiorano, ainda que Foz seja uma cidade de interior com características de capital, principalmente pela miscigenação popular. Você andar na rua e saudar uma aqui, outro acolá. Tomar um café e conversar com a balconista, com o cliente ao lado. Cultivem isso.

Aqui no Rio, cidade com a fama de receptiva e feliz, já não é bem assim. As pessoas entraram naquele ritmo corrido e indiferente, imposto pelo peso do dia-a-dia e da queda da qualidade de vida ao longo dos anos. A famosa alegria carioca hoje é ferramenta institucional. Há uma distância grande entre isso, e ser gentil e educado.

Justamente por isso, fui instigado a escrever sobre a gentileza. O bem estar contagia. E todo mundo precisa disso. Eu, você, e a pessoa ao seu lado agora, seja lá quem ela for.

Bom café...

sábado, 6 de março de 2010

Sensação de abandono

O jornal e o blog ficaram largados esta semana. Prometo um texto digno na próxima.