quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Os “malas” e as malas.

Você é dono de uma empresa e mantém um quadro razoável de funcionários a um custo elevado, em condições adequadas ou até acima da média da realidade atual, e obtêm um desempenho aceitável anual em relação às expectativas. Em determinado momento resolve incentivar seus funcionários a um resultado acima do esperado e se surpreende com a capacidade dos mesmos. Deram mais de si, se empenharam, demonstraram uma capacidade muito maior daquela que você conhecia e estava acostumado. A que conclusão você chega? Seus funcionários trabalham na “meia-boca” apenas com seu salário que já é muito bom? Não seria sua remuneração suficiente para que dessem tudo de si? Seriam eles corruptos?
Aonde quero chegar? Entendo que uma empresa com uma política de incentivo, inclusão dos colaboradores nas cotas de lucro, remuneração satisfatória, obtêm resultados melhores.
Agora transfira este raciocínio ao futebol. O assunto do momento são as “malas-brancas”, os “bichos” e seus efeitos no desempenho dos times e jogadores. Sabe-se que os valores que envolvem grande parte dos profissionais da elite do futebol brasileiro são irreais ante a maioria dos outros profissionais do país. Um jogador mediano, semi-analfabeto ganha mais do que um médico.
Estes mesmos jogadores são funcionários do clube pelo qual jogam. O trabalho deles, na teoria, é entrar em campo e ir em busca da vitória, objetivo claro do jogo. Porém, o ano já está no fim, a empresa (neste caso o clube) já atingiu suas pretensões anuais, e os funcionários (jogadores), já não tem motivação para jogar e ir em busca da vitória. Raciocinemos. O jogador (funcionário) está sem motivação para ir atrás do seu objetivo, que é a vitória no jogo. Mesmo assim, seu salário “astronômico” continua sendo depositado em sua conta corrente. Mas isso não é mais suficiente. Agora, para que ele desenvolva o seu trabalho com o mínimo de eficiência, é necessário que entre um “extra”. Veja bem, a pessoa começa a desempenhar seu trabalho de forma desleixada, e ao invés de ser multada por isso, ela ganha mais?
É isso que acontece no futebol. Esporte que envolve muito dinheiro, e por outro lado envolve muito sentimentalismo por parte das pessoas que o acompanham.
Corrupção, como em vários outros segmentos político-econômicos deste país.
O pagamento de incentivo de um clube a outro para que o mesmo endureça a partida contra um adversário indireto, é de certa forma, manipulação de resultados. Não é dever de todo o time de futebol, entrar em campo para defender sua instituição, sua empresa. O clube que entra sem esta obrigação básica é de alguma forma cúmplice de manipulação, uma vez que o resultado de seu jogo interfere em todo o resultado final do campeonato.
E outra, um clube sem maiores pretensões que recebe tal “incentivo” para jogar com seriedade contra determinado adversário, pode muito bem aceitar dinheiro para jogar com mais desinteresse ainda. E não há um mecanismo que coíba tal prática. A lei não é muito clara e sempre há brechas.
Sabe-se que isso ocorre há anos, e nada é feito. Desta forma, todo o brilho de uma conquista, todo o empenho dos jogadores durante o ano, de nada valem uma vez que os mesmos se desvirtuam de suas obrigações esportivas em prol de benefícios alheios ao esporte.
Além de tudo isso, há ainda a conotação preconceituosa em relação às malas.
A mala preta que seria a ilegal, e a mala branca a qual julgam não haver nada de errado. Independentemente das cores das malas e das notas que vão dentro delas, quem perde mais são os que gostam do esporte.
E a culpa é do caráter corrupto e ganancioso do brasileiro em geral.
A maioria responderia positivamente a um incentivo extra em qualquer atividade que exerça, sendo ilegal ou não, enquanto que dar o máximo de si em seu trabalho não passa de uma obrigação.

Bom café.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

É o fim do mundo mesmo

Você que esta hora está diante do computador do trabalho, com inúmeras planilhas de Excel à sua frente, de saco cheio ainda de manhã, pensando que as férias deste ano serão apertadas, que sua remuneração é baixa, que chegará em casa e terá mais um monte de pepinos de ordem pessoal para resolver, seus problemas acabaram! Como assim?

Simples, mais uma vez, o Fim do Mundo bate à sua porta! Largue tudo, mande seu chefe para o quinto... E rume em direção a um cenário paradisíaco, ou o local dos seus sonhos. Curta seus últimos anos de vida. Este é o primeiro e simplório pensamento que vem à cabeça de todo ser humano ao se falar em apocalipse, não é mesmo?

Ou o pânico generalizado.

Mas não estou aqui para profetizar, e sim para falar de cinema. Conversava eu com meu amigo e diretor de cinema Marcelo Cypreste, aqui no Rio de Janeiro, quando surgiu a seguinte questão: Hollywood sabe fazer cinema?

Qualquer criança de cinco anos riria de nossas caras ao ouvir tal questionamento. Hollywood é alma do cinema, dirão alguns. Quando se fala em produções cinematográficas, qual é o primeiro nome que vem em mente? Sim, exato.

Mas mesmo que muitos de nós não sejamos profissionais ou estudiosos no assunto, é algo que intriga e incomoda a quem vive no meio.

Eu no alto da minha ignorância cinematográfica ouso dizer que Hollywood é sim uma máquina de dinheiro. De produzir e de gastar. E isso é inegável. Mas há um abismo entre uma produção caríssima e uma boa obra.

Porque seria o Festival de Cannes o mais respeitado entre os profissionais de cinema no Mundo todo? E porque os filmes que mais se destacam em Cannes às vezes sequer chegam ao público em massa? Não é tão difícil responder.

Quem realmente faz cinema, gosta, se importa com boas obras, boas atuações, boas direções, sabe a diferença entre os dois tipos de produtos. Ou melhor, a diferença entre uma obra e um produto.

De qualquer forma, não há como ignorar a presença de Hollywood e suas criações, algumas até muito boas, mas a maioria aquelas que nos enfiam goela abaixo.

Quantas vezes nas últimas semanas, ouviu-se falar em final dos tempos? Não, não foi um grupo de religiosos que espalhou tal notícia via internet. A “mega” divulgação do filme 2012 atingiu o objetivo. A promoção foi tão forte que até o “apagão” da última semana foi relacionado a premiére do filme, que estreou, por “coincidência” na sexta-feira 13.

Quantos filmes apocalípticos você já assistiu em sua vida? Uns dez? Não duvido.

“2012”é mais um filme de efeitos especiais respeitáveis, muita destruição e pouco enredo. As causas da extinção do planeta, como em diversas outras produções, são mal explicadas, talvez um pouquinho mais original por não ser um simples pedregulho que viaja em direção a Terra.

Clichês mis, no final de quase três horas de agonia (para quem entrou no clima), sempre resta uma esperança. O homem americano adora desafiar E.T.s, monstros e a própria natureza. E vence.

O que todos já sabemos, é que o Mundo precisa de uma reeducação de costumes, para que se preserve o planeta a fim de que se retardem os efeitos catastróficos causados pela condição humana de desenvolvimento.

Mas 2012 é só mais um produto americano que conseguirá sim, arrecadar uma grana violenta ao redor do Mundo. E só.

E você que está na frente do computador, com a planilha do Excel, cheio de preocupações, esqueça o paraíso e volte a trabalhar, para que em 2013, você esteja numa melhor posição e quem sabe com menos dores de cabeça.



Bom café

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Órfãos da energia

Quantas vezes, nós, moradores de Foz do Iguaçu e vizinhos da maior Hidrelétrica em fornecimento de energia do Mundo a Itaipu, nos perguntamos em casos de queda de energia na cidade como seria isso possível?

A resposta que costumamos ouvir é que apesar de estarmos ao lado da hidrelétrica, não somos diretamente abastecidos por ela.

De fato, e vos digo, agradeçam por isso!

A noite de ontem nas maiores cidades do país foi de calor, desordem e mosquitos. Pelo menos aqui no Rio de Janeiro.

Cerca de 10 estados do país foram afetados pelo mais novo histórico apagão ocorrido em nosso território. Um período mínimo de 40 minutos e máximo de até 6 horas de falta de energia em determinados locais.

De todos os problemas imagináveis numa situação como esta, praticamente todos concretizaram-se. Trânsito caótico, acidentes, pessoas presas em elevadores, trens e metrôs e o pior deles, a violência urbana.

Várias questões ainda são postas à mesa uma vez que até o momento presente, o qual escrevo este texto, por volta de 11 da manhã de quarta, não há uma versão oficial e convincente para às causas do “black-out”.

Ontem, assim que ocorreu a queda, como ao maioria, imaginei ser um problema local. Mas logo recebi uma ligação de São Paulo, aonde vive meu irmão, relatando o problema. Sintonizei o rádio no celular, e comecei a ouvir as possíveis causas e explicações.

Estas já são de conhecimento de todos, não há aqui espaço e nem intenção de repeti-las, e sim debatê-las.

Das mais importantes declarações dadas, as principais são do nosso conhecido diretor geral da Itaipu Jorge Samek, que explicou a todos num primeiro momento, a razão pela qual a Usina deixou de fornecer a energia, e os fatos que levaram a isso. Questões de segurança, nada mais justo e correto.

Horas mais tarde, Samek provavelmente recebendo todo o tipo de informação e solicitação, foi ao ar para deixar claro que o problema não foi da hidrelétrica, que estava cumprindo seu papel de produzir energia, e que a mesma não os faltava, e sim das linhas de transmissão, responsabilidade de Furnas. Acrescentou que há cerca de mil quilômetros de linhas e que justamente por isso seria difícil identificar o foco do problema.

Antes de expor minhas dúvidas, gostaria de dizer que assim como grande parte dos que lêem este texto, conheço a Usina, e apesar de leigo, sou muito seguro quanto a eficiência de Itaipu e seus profissionais.

As duvidas levantadas por vários desde ontem, é quanto à fragilidade mostrada pelas tais linhas de transmissão de energia, caso esta tenha sido de fato a razão do ocorrido. De que adianta possuir toda uma tecnologia de produção quando sua distribuição demonstra falhas? É algo intrigante e difícil de acreditar.

Hoje pela manhã, Furnas se pronunciou dizendo que não houve grandes avarias em suas torres e cabos de transmissão. Dando a entender que a causa não foi essa.

Sabe-se que o Oeste do Paraná vem sofrendo com muitos fenômenos climáticos, ventos, chuvas fortes, enfim. Porém isso já ocorreu antes, e não causou apagões.

Até o momento, o que fica claro é que um país como o Brasil não pode ser refém de um sistema de fornecimento de energia único e isolado. Deve haver alternativas.

Sobre às explicações à população, entende-se que para que não haja pânico e desordem, até que se saiba o que houve, ponha-se panos quentes. Mas caso haja sabotagem ou invasão por hackers, a situação realmente preocupa.

Para fechar, lembro-vos que uma das principais candidatas à presidência da República nas eleições de 2010, Dilma Roussef, declarou à duas semanas: “O Brasil não corre mais riscos de apagão".

Bom Café...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Turista não é otário. Respeite-o!

Turista não é otário, respeite-o!



No Rio de Janeiro, nas merecidas e fugazes férias anuais, priorizei obviamente matar a saudade da família e das atividades as quais tinha o hábito de fazer quando aqui vivia. Antes de prosseguir, gostaria de deixar claro que tenho propriedade em relatar o cenário carioca como natural da cidade, crescido e habituado com a cultura local. Não é perseguição muito menos difamação. O problema do Rio se estende às grandes capitais e cidades de mais evidência e apelo econômico, em suas proporções.

Ao descer no Galeão no sábado à tarde, dei um beijo na mãe e a pedi que levasse minhas malas para casa e me largasse nas imediações do Maracanã. Jogo do Flamengo sempre foi minha terapia. Ganhando ou perdendo eu ia a todo jogo, nem que fosse para ficar rouco de tanto xingar e descarregar minhas frustrações semanais. Minhas primeiras impressões não foram das melhores. Na verdade, nada muito diferente do que sempre foi. Sob o clima tenso das constantes operações policiais, muita algazarra e confusão ao redor do estádio.

Ingresso nas bilheterias? Impossível. Para adquirir um ticket e ver a partida, somente nas mãos do cambista. Cambista é a figura que trabalha para alguém grande, revendendo uma carga de ingressos “X” a um preço 500 % maior do que o original. Isso é crime, claro. Mas ocorre desde que me entendo por gente, aqui e na China. Abordado por um rapaz simpático, eu sem muita alternativa, e com muita vontade de entrar logo no estádio, comprei meu bilhete e para minha surpresa, fui cordialmente levado até a roleta eletrônica aonde o vendedor me garantia a veracidade do seu produto. No meio do caminho cumprimentou uns “rapazes fardados” na maior camaradagem. Desejou um bom jogo e ali se encerrava a falcatrua.

Sob a áurea da magnética torcida, e o lindo Maracanã lotado, curti o jogo numa boa. Porém pensava comigo: “Imagina numa Copa do Mundo, nos Jogos Olímpicos?”.

Jogo encerrado, a maioria do público feliz, aquela zoeira na saída, fui atrás de um táxi, para voltar tranqüilo para casa aonde “mamãe” me esperava com uma comidinha recém preparada.

No mesmo passo, notei a presença de turistas estrangeiros ao lado, também procurando pelo serviço. Ao abordarem um taxista, fiquei chocado com o que ouvi. Os turistas disseram o destino e o taxista foi sucinto: R$ 150,00. Na lata. Os “gringos” contestaram. O rapaz replicou: “Se quiser é assim, e já lhe aviso, que todos fazem o mesmo preço”.

Uma máfia.

Fiquei “p” da vida com aquilo e fui atrás do meu, quando obtive o mesmo tipo de resposta. Ficamos, eu e os turistas rodeando e procurando um táxi que pudesse realizar o serviço de forma honesta. Não encontramos. O resultado, eles pegaram o táxi naquelas condições, e eu andei 2 km até sair do raio de abrangência do estádio. Peguei um táxi e me custou R$ 8,00 até minha casa.

Moral da história: o país pode conquistar prestígio internacional na economia, na política, pode ter riquezas naturais que garantam o futuro da república para mais 500 anos. Mas ainda sim necessitamos de uma reeducação.

Turista não é otário. Eles, inclusive, têm uma cultura de pesquisarem bastante antes de suas viagens, são precavidos, e por mais que tenham poderio econômico, não jogam dinheiro para o alto. Tratá-los como idiotas, é uma idiotice “macro”. Ele leva uma decepcionante memória para casa e não volta. Além de fazer uma propaganda negativa do destino.

Foz do Iguaçu tem características semelhantes ao Rio, em vários aspectos. Recebemos turistas o ano inteiro. E este tipo de comportamento é inaceitável. Compartilho deste exemplo negativo aos que servem turistas na nossa cidade.

Este episódio me envergonhou, e sinto que falta muito para recebermos bem eventos da magnitude da Copa e das Olimpíadas.

Reclamamos da corrupção dos governos, mas grande parte da população age da mesma forma. Tornam-se cúmplices uns dos outros. Desta forma nunca seremos uma sociedade de primeiro mundo.

Falta-nos civilidade.



Bom Café.