Você que esta hora está diante do computador do trabalho, com inúmeras planilhas de Excel à sua frente, de saco cheio ainda de manhã, pensando que as férias deste ano serão apertadas, que sua remuneração é baixa, que chegará em casa e terá mais um monte de pepinos de ordem pessoal para resolver, seus problemas acabaram! Como assim?
Simples, mais uma vez, o Fim do Mundo bate à sua porta! Largue tudo, mande seu chefe para o quinto... E rume em direção a um cenário paradisíaco, ou o local dos seus sonhos. Curta seus últimos anos de vida. Este é o primeiro e simplório pensamento que vem à cabeça de todo ser humano ao se falar em apocalipse, não é mesmo?
Ou o pânico generalizado.
Mas não estou aqui para profetizar, e sim para falar de cinema. Conversava eu com meu amigo e diretor de cinema Marcelo Cypreste, aqui no Rio de Janeiro, quando surgiu a seguinte questão: Hollywood sabe fazer cinema?
Qualquer criança de cinco anos riria de nossas caras ao ouvir tal questionamento. Hollywood é alma do cinema, dirão alguns. Quando se fala em produções cinematográficas, qual é o primeiro nome que vem em mente? Sim, exato.
Mas mesmo que muitos de nós não sejamos profissionais ou estudiosos no assunto, é algo que intriga e incomoda a quem vive no meio.
Eu no alto da minha ignorância cinematográfica ouso dizer que Hollywood é sim uma máquina de dinheiro. De produzir e de gastar. E isso é inegável. Mas há um abismo entre uma produção caríssima e uma boa obra.
Porque seria o Festival de Cannes o mais respeitado entre os profissionais de cinema no Mundo todo? E porque os filmes que mais se destacam em Cannes às vezes sequer chegam ao público em massa? Não é tão difícil responder.
Quem realmente faz cinema, gosta, se importa com boas obras, boas atuações, boas direções, sabe a diferença entre os dois tipos de produtos. Ou melhor, a diferença entre uma obra e um produto.
De qualquer forma, não há como ignorar a presença de Hollywood e suas criações, algumas até muito boas, mas a maioria aquelas que nos enfiam goela abaixo.
Quantas vezes nas últimas semanas, ouviu-se falar em final dos tempos? Não, não foi um grupo de religiosos que espalhou tal notícia via internet. A “mega” divulgação do filme 2012 atingiu o objetivo. A promoção foi tão forte que até o “apagão” da última semana foi relacionado a premiére do filme, que estreou, por “coincidência” na sexta-feira 13.
Quantos filmes apocalípticos você já assistiu em sua vida? Uns dez? Não duvido.
“2012”é mais um filme de efeitos especiais respeitáveis, muita destruição e pouco enredo. As causas da extinção do planeta, como em diversas outras produções, são mal explicadas, talvez um pouquinho mais original por não ser um simples pedregulho que viaja em direção a Terra.
Clichês mis, no final de quase três horas de agonia (para quem entrou no clima), sempre resta uma esperança. O homem americano adora desafiar E.T.s, monstros e a própria natureza. E vence.
O que todos já sabemos, é que o Mundo precisa de uma reeducação de costumes, para que se preserve o planeta a fim de que se retardem os efeitos catastróficos causados pela condição humana de desenvolvimento.
Mas 2012 é só mais um produto americano que conseguirá sim, arrecadar uma grana violenta ao redor do Mundo. E só.
E você que está na frente do computador, com a planilha do Excel, cheio de preocupações, esqueça o paraíso e volte a trabalhar, para que em 2013, você esteja numa melhor posição e quem sabe com menos dores de cabeça.
Bom café
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