quinta-feira, 29 de julho de 2010

Desvio de atenção: Túnel fechado

Todos estavam errados, sem exceção.
Pronto, essa é a minha opinião final quanto ao episódio fatídico envolvendo um jovem filho de uma famosa artista brasileira.
O primeiro e mais concreto argumento é que o túnel estava fechado. Fechado para carros, fechado para pedestres, ciclistas, skatistas, equilibristas, macumbeiros, ou qualquer outro tipo de indivíduo não pertinente à lei ou ao órgão responsável pelo fechamento do mesmo, como a CET Rio.
Esporte considerado radical, por não ser considerado algo tradicional, é associado por muitos à rebeldia e a uma forma independente de expressão, culturalmente falando. No exterior, usa-se o termo extreme, ou somente X, para esportes com grau de dificuldade elevado e de alto risco.
Quem anda de skate, já andou, ou conhece pessoas que praticam, sabe do risco de lesão. Há poucos lugares específicos para a prática do esporte e na verdade, a modalidade street, pede que se ande e se realize as manobras nas ruas, calçadas e nos vários obstáculos urbanos.
Aonde quero chegar? Tanto o rapaz quanto amigos e família, sabiam que ele andava de skate e não podem alegar que desconheciam o risco.
Quanto ao veículo que atropelou o jovem e seu condutor, noticia a mídia que era um homem de classe média alta, ou seja, da mesma camada social da vítima, e praticava um racha, ou pega, com seu amigo, no túnel fechado. Errado? Sim, muito. Mais errado ou menos errado que a vítima? Vai de cada um de nós interpretar. Tudo bem que apostar corrida em via pública não é esporte, mas há quem possa dizer que andar de skate em via pública também não é.
Uma das coisas que me incentivou a escrever foi um discurso de um famoso cronista em horário nobre no mais famoso telejornal. Sempre gostei das opiniões dele. Mas a hipocrisia que se criou ao entorno deste episódio e a capacidade que a imprensa tem de transformar sua opinião coletiva, pura e tão somente pelo fato de ser um filho de uma famosa atriz da mesma emissora, me revoltam. Qualquer outro jovem poderia ser chamado de vagabundo ou drogado por estar andando de skate num túnel fechado às 2 da madrugada e não haveria todo essa comoção nacional que não passa do sensacionalismo barato que se vende há tempos. Uma novela subsidiada pelo choque e sofrimento. Os telejornais têm reservado 50% dos seus programas para esta matéria, e nem 1% para coisas sérias como a Operação Tapete Persa que prendeu cerca de 20 pedófilos em um dia no Brasil. Eu sofro muito ao saber que crianças indefesas estão nesse momento sendo violentadas por “monstros” ao longo do país. Precisamos caçar mais desses “monstros”. Há um intencional e evidente desvio de atenção.
Já escrevi aqui nesta coluna sobre o quanto é violento o trânsito neste país. Não defendo nenhum dos lados. Acho que a família e amigos estão profundamente tristes, e a carismática atriz, neste caso é apenas uma mãe que sofre pela perda do filho, como qualquer mãe naturalmente o faz.
Agora cobrar justiça, cobrar mudanças nas leis de trânsito, fazer campanha nacional e discurso moralista, me parece tarde. Muitos jovens já morreram incógnitos neste país em condições muito mais cruéis, injustas e brutais, e nem eu, nem você e nem ninguém ouviu sequer um “a” da mídia.
Bom café...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Diretrizes da Informação

O meio define a cultura de uma sociedade, ou a sociedade imprime a sua cultura de forma independente ao meio?
Há tempos penso em como abordar este assunto relativamente complexo, uma vez que escrevo para um importante veículo de Foz do Iguaçu, uma das principais cidades do segmento turístico do país. Minhas idéias referem-se a mídia de maneira ampla, generalizada, logo, não direciono a nenhum foco específico.
Tudo parte do pressuposto de que as pessoas são livres e consomem o tipo de informação que lhes é conveniente, e que vivemos num país democrático que adota a liberdade de expressão como o direito de todos. Essa justificativa sustenta todas as outras, como priorizar o lucro independente de qualquer outra coisa. Óbvio que não há como dizer que emissora “X”, revista “Y”, ignoram o conteúdo que fornecem, sem escrúpulos e preocupações com o que há de importante a ser dito, discutido e posto a conhecimento do grupo social.
Mas é perceptível que alguns veículos o fazem.
Hoje por exemplo, parei em uma banca de jornal e de cinco diários expostos, quatro falavam sobre assassinatos, mortes brutais, violência, “Caso Bruno”, “Caso Mércia”, enfim, incluindo fotografias e detalhes exagerados. Agora a pouco, antes de começar a escrever, abri os principais portais de notícias brasileiros, e todas as principais manchetes falam sobre os mesmos temas.
Qual é o limite entre a informação e a banalização dos fatos com intuitos distintos?
As prioridades que devem ser discutidas pela sociedade ficam em segundo plano, como por exemplo, o avanço nas pesquisas para a cura da AIDS. É um assunto de importância imensa que tenho certeza que poucos saberiam dizer sobre o que foi descoberto.
O nosso país à beira das eleições presidenciais, e o povo sequer sabe quem são os candidatos, seus vices, suas intenções. Depois de oito anos de governo petista, de uma figura que gostemos ou não, mudou a posição do Brasil no cenário mundial, mesmo que subsidiado pelas estatais, mesmo que omisso em alguns casos de corrupção, ele consegui o rótulo de ser “O cara” do momento. Essa sucessão é uma das mais importantes da história política do Brasil, e o que se sabe ou o que se espera por parte dos brasileiros?
Se não é de responsabilidade dos veículos de comunicação “educar” sua sociedade, e concordo em parte que não, eles são os mais capazes de contribuir culturalmente, já que suas pautas e grades são determinados pelos mesmos. Óbvio que em muitos casos, os contratos de publicidade que mantêm estes veículos os obrigam a tomar essa linha de jornalismo, porém deve-se procurar alternativa a isso, sem a necessidade de excluir de seu conteúdo.
Há interesse pelo bárbaro, até por instinto. Mas somos suficientemente adaptáveis e a inserção da cultura pode trazer qualidade e elevar o nível intelectual de qualquer grupo social.
Não falo de Foz, de Paraná. Falo de Rio, de São Paulo, de Porto Alegre, de Salvador, Curitiba, enfim, capitais que servem de modelo e todos os aspectos comportamentais. E este texto se refere ao que acontece em todo o País.
Bom café...

domingo, 18 de julho de 2010

Ouro Negro

Nunca estivemos com uma perspectiva tão boa no aspecto da economia, principalmente com as recentes descobertas da abundante quantidade de petróleo sob domínio nacional. Diria que em meio há tanta polêmica, tantos escândalos vindos à tona e tanta controvérsia e aparente omissão, Lula consolidou seus mandatos e sua forte popularidade mundial às custas do “ouro negro”.
Quem vai para uma negociação sem trunfos? Quem aposta muito numa rodada de pôquer sem as cartas certas? Há quem blefe, mas no caso do presidente do Brasil, muito do que foi construído e depositado em seu nome, deve-se ao grande poderio petrolífero do país, principalmente em tempos em que a oferta cresce no sentido inversamente proporcional ao do famoso mercado do Oriente Médio. Quem nunca ouviu falar de aproximação por interesse? Isso é comum nas relações mais primárias entre cidadãos de uma sociedade, o que diremos então na política. Estar bem com o governo brasileiro hoje é garantir negociações vantajosas num futuro aonde quem dará as cartas seremos nós.
Quem hoje consegue uma relação amistosa com o Iran, país declarado inimigo número um do resto do Mundo, adotar uma política de boa vizinhança com os loucos ditadores do Equador eda Venezuela, e ainda assim, ter uma relação estreita com os Estados Unidos? Tudo bem, o Brasil é país simpático, boa praça e tal, mas ninguém é criança nesse jogo político. Nós somos a bola da vez. Imaginem cães famintos presos por uma coleira a 30 centímetros de um pote de comida. Agora transponham a alusão.
Copa do Mundo, Olimpíadas, cadeira no G10, papel relevante na OPEP, crescimento do respeito internacional, nada disso se conquistou apenas por simpatia, carisma de uma figura simplória, popular e muito menos por estratégia governamental. É mais simples.
Já ouviram falar da expressão “You got the Green, we got the goods” ? É o que acontece. O Brasil tem o objeto de desejo, o tesouro, neste caso, o óleo. Eles têm o dinheiro, “the Green”, referência ao dólar.
Se muitos ambientalistas se preocupam com as conseqüências drásticas que a exploração de petróleo e derivados têm proporcionado ao planeta, e o fazem com toda a razão, o horizonte não parece animador. O número de sondas que vêm sendo construído em larga escala, a custo baixo, na China, por exemplo, é enorme. A perspectiva é de que haja até 2012 cerca de cem novas plataformas operando na costa “tupiniquim”, perfurando e deixando milhares de poços prontos para a coleta do líquido.
Quanto à escassez de recursos energéticos, neste caso específico, o petróleo parece algo com o qual não há preocupações. Ainda há muita coisa a ser explorada.
E em virtude dessa grande quantidade de oferta e demanda, o mercado ferve. Poucos sabem, principalmente fora dos estados que participam ativamente desse segmento, o quanto de capital que é disponibilizado e movimentado acerca da atividade.
Cursos técnicos são mais valiosos do que os de nível superior, e há vagas transbordando. As empresas agregadas à Petrobrás estão sedentas por mão de obra com a mínima capacitação. Uma vez dentro, o aprimoramento é remunerado, o plano de carreira é promissor e sólido. Fica a dica.

Bom café...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Passando mais Café fresquinho

Foram algumas semanas parado. O café tinha acabado, como decretei aqui neste espaço. Engano meu.
Trataram de sair para comprar mais, e já voltaram a "passá-lo" semanalmente.

Como disse no precoce "epitáfio",nunca deixarei de escrever,logo, abaixo segue a continuação do blog e da coluna semanal no Jornal do Iguaçu, com o texto A Bela e a Fera.

Bom Café fresquinho...

A Bela e a Fera

Tentei buscar algo diferente para escrever nesse meu retorno desse breve recesso, mas fica difícil fugir deste acontecimento infeliz e bárbaro envolvendo um famoso jogador de futebol e a jovem com a qual o mesmo se envolveu.
Delicado tocar neste assunto, afinal, trata-se de uma investigação que não se dá por concluída, além do que sou ignorante aos procedimentos legais atados à seqüência do episódio.
Desde já registro meu respeito pela família da vítima,que por sinal é de Foz do Iguaçu, deixando claro que minhas próximas palavras não referem-se diretamente aos envolvidos em questão, e sim a um questionamento generalizado em torno de escolhas que determinados jovens tomam e a influência direta exercida por status social e ascensão efêmera.
É sabido que grande parte dos atletas, especialmente jogadores de futebol provêm de origem humilde, de comunidades aonde os caminhos futuros postos à disposição são mínimos e até únicos. A educação infantil é deficitária, o que reflete diretamente na formação do caráter do indivíduo. A marginalização, no sentido literário e não pejorativo, já cresce com ele.
O esporte, neste caso o futebol, surge como um trampolim de salvação a milhares de crianças. É tentador a eles ver como um jogador de sucesso é famoso e respeitado, bem remunerado e cercado de mulheres bonitas. E muitos tentam esse caminho. É claro que uma porcentagem mínima atinge o patamar que no início desejou. Aos que chegam, falta base e orientação para suportar uma vida completamente diferente da qual estava acostumado.
A oportunidade de ter muito, ou até tudo, usando o termo mais comum, “sobe à cabeça” e os mesmos distorcem a realidade achando ter poder de fazer tudo o que quiser, sem nenhum senso.
Se apoiar na figura de ídolo de esporte achando que deixou de ser um cidadão comum que deve respeitar as leis, como qualquer estudante, médico, advogado, professor, etc.
Ele é só um homem passível dos mais absurdos erros.
De outro lado, fica outra intrigante pergunta. O que leva uma jovem bonita, que independente do que faça ou tenha feito profissionalmente, a se envolver com pessoas que demonstram claramente não ser dignas de serem levadas a sério?
Sem hipocrisia, mulheres jovens e bonitas com o mínimo de educação e informação têm inúmeras oportunidades de serem bem sucedidas profissionalmente. A quantidade de portas que se abre é muito maior.
Não digo tenha sido isto que tenha acontecido neste caso específico, mas será que vale a pena um envolvimento com alguém em troca de rápido enriquecimento, fama ou status-social? Alguém que não se sabe aonde é capaz de ir, que não tem senso de realidade para limitar suas ações dentro de um padrão de comportamento aceitável.
O resultado pode ser catastrófico. Duas vidas se acabaram. Uma por inocência e menosprezo aos mais bizarros instintos, outra por total falta de equilíbrio e caráter, provenientes da ausência de orientação e educação.
Espero que os culpados sejam penalizados, e que a família se recupere da melhor forma.
Bom Café...