Ótima semana para dúvidas não? Domingo era para ser um dos dias mais esperados pela população brasileira. De quatro em quatro anos, às vezes demora até mais, como é o caso atual, temos a chance de expressar os anseios e insatisfações gerais, através do voto. Mas será mesmo que as eleições no Brasil retratam essa capacidade democrática de supostamente decidirmos pelo que é melhor para o país? É uma das coisas que não sei.
Se fosse tender para um lado, diria que isso absolutamente não se aplica. Mas já aviso logo: não sou de lado nenhum, uma vez que não enxergo argumentos que me dêem segurança para apoiar qualquer movimento político neste Brasil. Sou o que as crianças chamam de “café com leite” nas brincadeiras de infância, para a política. Não faço diferença.
Acho a democracia tão utópica quanto a paz no Mundo. Fale o que pensa para o seu vizinho e pode simplesmente processado por ele. Somos julgados por cada movimento que fazemos, e qualquer deles que te desenquadre do sistema, ou seja, do que “querem” que você seja, ou como “querem” que você aja, e serás reprimido.
Logo, a eleição que serviria de ferramenta de mudança, de revolução em caso de necessidade, não passa de protocolo. Somos “obrigados” pela lei a votar, e em muitos casos, não há boas opções a serem escolhidas. Aí você se desloca de sua casa para votar em branco ou nulo. É como abrir seu guarda roupas de manhã, não encontrar nenhuma roupa que lhe agrade, e ter que sair nu de casa. Seria mais fácil, em caso de dúvida ou desinteresse em qualquer das opções, se eximir de tal obrigação, e que ficasse para a que entende e realmente acha que pode decidir algo, fazer tais escolhas.
Na minha simplória e realista visão, grande parte da massa sem instrução é facilmente manipulada por falsas propostas deslavadas. E é essa grande parte, propositalmente alienada através de estratégias minuciosamente estudadas de incentivo ao consumo fútil e um falso poder de aquisição, é quem decide por todos, no fim.
Não as culpo pela falta de instrução, apenas as responsabilizo pelo resultado. E de fato é o que ocorre na maioria dos casos. Garantindo a maior porcentagem dos votos por intermédio de práticas chulas, algumas “ínguas” perpetuam-se na política em prol individual e “mamam nas tetas” de todos por anos, dos que nele votaram e até nos que não o escolheram. Processo injusto.
Vale lembrar que para toda regra, há exceção, e acredito haver pessoas capazes de fazer o bem e com boas intenções.
Mas quando há qualquer movimento que tente clarear e transparecer tal processo, ao menos torná-lo mais limpo, o acaso e a coincidência se apressam em “anestesiá-lo”. 11 decidem, um não comparece, de 10, a única coisa que pode adiar uma decisão, um empate. O que acontece? Comédia pastelão, show de circo, passa o processo eleitoral, pronto, de que adiantou? Desilusão.
Eu faço parte do que denominam hoje classe média, e tive razoável preparo e confesso que se tivesse que votar neste Domingo, precisaria de muitos dias de reflexão. Por questões geográficas e profissionais, escapei de tal “encruzilhada”.
A impressão que tenho é que paira sobre as cabeças das pessoas no país é um grande ponto de interrogação.
Não é nem questão de avaliação sobre o quanto e em que sentido o Brasil evoluiu nos últimos 8 anos, se a posse da “esquerda” que virou direita trouxe mais justiça social, se o povo tem mais trabalho ou mais comida em casa, enfim, não é isso. É mais simples. As pessoas simplesmente parecem não saber completamente o que se passa, o que está por vir, o que poderemos perder e ganhar se candidato X , Y ganhar as próximas eleições.
Arrisco em dizer que diante de tal despreparo e até desconhecimento de propostas e de possibilidades acima dos que se dispõem a representar a república, seremos apenas espectadores do que está por vir, meio omissos e meio atados, mesmo que isso seja contraditório.
Bom café...
Espaço voltado para as publicações dos textos da coluna de quinta-feira de "A Gazeta do Iguaçu".
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
A bola é minha!
Tenho certeza que todos nós já tivemos, pelo menos uma vez na vida, a vontade de mandar o chefe para algum destino abstrato. E a diferença entre ter essa vontade e concretizá-la é abissal. Principalmente no que diz respeito às conseqüências. Se for realmente fazer isso, tenha em mãos um currículo atualizado e alguns bons contatos.
A não ser que ... A não ser que você seja uma grande promessa do futebol brasileiro e jogue no Santos Futebol Clube. Nesse caso, faça o que lhe der vontade, afinal, és intocável.
Brincadeiras à parte, por enquanto, o assunto do momento é o moleque travesso da Vila Belmiro, aquele de nome unissex e cabelo de rabo de quati.
Tido como uma das grandes revelações do futebol nacional nos últimos anos, e com a fugaz e super valorização, num esporte cada vez menos esporte e muito mais negócio, o menino é hoje o spot da mídia, tendo mais espaço, pasmem que assuntos sérios como as traquinagens na Casa Civil pré-eleições. É verdade que não é surpresa nenhuma o futebol ter prioridade para a maioria dos brasileiros. Aliás, retificando, o futebol é tudo na vida de um cidadão tupiniquim quando seu time está nas cabeças, e nada quando está prestes a ser rebaixado. O sujeito chega a padaria de manhã após a goleada sofrida pelo seu time e diz: “Nada, nem estava assistindo, tinha que acordar cedo para o trabalho, tenho coisas mais importantes para fazer nessa vida rapaz”... E na final do campeonato paga uma excursão para ir ver seu time a mais de 800 quilômetros de distância num ônibus velho e sem ar, com um monte de homem fedorento, deixando a mulher em casa e arrumando uma folguinha suada com o chefe no dia seguinte. E “neguinho” continua de travessura na Casa Civil.
Mas deixa eu voltar ao caso do rapaz que mandou seu superior tomar suco de caju na semana passada, na frente de milhares de torcedores, e de milhões de telespectadores.
Tirando as conseqüências de toda a história, com a suspensão do rapaz pelo técnico, com intuito de repreender e demonstrar autoridade, seguido de sua demissão e tudo o que já se conhece, o fato é que há realmente uma distorção de valores na relação do jovem com o Mundo real.
No caso dele, nem dá para dizer que ele cresceu na pobreza e ascendeu muito depressa. Foi criado em família de classe média, e sempre com a presença dos pais. Pai ex-jogador que criou o filho dentro do Santos. Menino que viu um futebol já muito mais voltado para o marketing do que propriamente para o jogo, que com 18 anos ganha um salário de 6 dígitos antes da vírgula à direita, e que não joga nem 1/10 dos craques que vi jogar na minha humilde existência. Muitos podem me contrariar, mas meus argumentos são simples e baseados em números, em história concreta. Esses driblezinhos sem objetivos que ele dá, os moleques aqui da rua dão todo dia na “peladinha” de fim de tarde, e nesse Brasil adentro, deve haver vários outros muito mais habilidosos e até melhores tecnicamente, que nunca terão a oportunidade que este menino está tendo.
Um sacrilégio vê-lo postar em seu twitter que “está cansado de tudo”. A maioria dos jovens de 18 anos com a mínima instrução neste país, a esta altura da vida profissional, ganha um salário mínimo e meio mais vale transporte, trabalha todo dia 8 horas e pega condução lotada, para no final do mês não sobrar quase nada.
Este certamente seria o destino deste garoto se não houvesse quem lhe apresentasse o caminho do futebol, e alavancasse sua carreira.
Sobre o treinador e a decisão do clube, é óbvio que a instituição com administração amadora de modelo empresarial vai dar prioridade ao seu produto de maior investimento. Por mais que a tendência do resultado em campo seja o decréscimo, a venda do jogador num futuro próximo por cifras inimagináveis será mais importante do que qualquer título que puder ser conquistado.
É um paradoxo com o qual os clubes têm que conviver cada vez mais. Empresa visa lucros. Agremiação futebolística visa conquistas desportivas.
Quem perde são os que gostam do espírito lúdico do esporte.
Bom café...
A não ser que ... A não ser que você seja uma grande promessa do futebol brasileiro e jogue no Santos Futebol Clube. Nesse caso, faça o que lhe der vontade, afinal, és intocável.
Brincadeiras à parte, por enquanto, o assunto do momento é o moleque travesso da Vila Belmiro, aquele de nome unissex e cabelo de rabo de quati.
Tido como uma das grandes revelações do futebol nacional nos últimos anos, e com a fugaz e super valorização, num esporte cada vez menos esporte e muito mais negócio, o menino é hoje o spot da mídia, tendo mais espaço, pasmem que assuntos sérios como as traquinagens na Casa Civil pré-eleições. É verdade que não é surpresa nenhuma o futebol ter prioridade para a maioria dos brasileiros. Aliás, retificando, o futebol é tudo na vida de um cidadão tupiniquim quando seu time está nas cabeças, e nada quando está prestes a ser rebaixado. O sujeito chega a padaria de manhã após a goleada sofrida pelo seu time e diz: “Nada, nem estava assistindo, tinha que acordar cedo para o trabalho, tenho coisas mais importantes para fazer nessa vida rapaz”... E na final do campeonato paga uma excursão para ir ver seu time a mais de 800 quilômetros de distância num ônibus velho e sem ar, com um monte de homem fedorento, deixando a mulher em casa e arrumando uma folguinha suada com o chefe no dia seguinte. E “neguinho” continua de travessura na Casa Civil.
Mas deixa eu voltar ao caso do rapaz que mandou seu superior tomar suco de caju na semana passada, na frente de milhares de torcedores, e de milhões de telespectadores.
Tirando as conseqüências de toda a história, com a suspensão do rapaz pelo técnico, com intuito de repreender e demonstrar autoridade, seguido de sua demissão e tudo o que já se conhece, o fato é que há realmente uma distorção de valores na relação do jovem com o Mundo real.
No caso dele, nem dá para dizer que ele cresceu na pobreza e ascendeu muito depressa. Foi criado em família de classe média, e sempre com a presença dos pais. Pai ex-jogador que criou o filho dentro do Santos. Menino que viu um futebol já muito mais voltado para o marketing do que propriamente para o jogo, que com 18 anos ganha um salário de 6 dígitos antes da vírgula à direita, e que não joga nem 1/10 dos craques que vi jogar na minha humilde existência. Muitos podem me contrariar, mas meus argumentos são simples e baseados em números, em história concreta. Esses driblezinhos sem objetivos que ele dá, os moleques aqui da rua dão todo dia na “peladinha” de fim de tarde, e nesse Brasil adentro, deve haver vários outros muito mais habilidosos e até melhores tecnicamente, que nunca terão a oportunidade que este menino está tendo.
Um sacrilégio vê-lo postar em seu twitter que “está cansado de tudo”. A maioria dos jovens de 18 anos com a mínima instrução neste país, a esta altura da vida profissional, ganha um salário mínimo e meio mais vale transporte, trabalha todo dia 8 horas e pega condução lotada, para no final do mês não sobrar quase nada.
Este certamente seria o destino deste garoto se não houvesse quem lhe apresentasse o caminho do futebol, e alavancasse sua carreira.
Sobre o treinador e a decisão do clube, é óbvio que a instituição com administração amadora de modelo empresarial vai dar prioridade ao seu produto de maior investimento. Por mais que a tendência do resultado em campo seja o decréscimo, a venda do jogador num futuro próximo por cifras inimagináveis será mais importante do que qualquer título que puder ser conquistado.
É um paradoxo com o qual os clubes têm que conviver cada vez mais. Empresa visa lucros. Agremiação futebolística visa conquistas desportivas.
Quem perde são os que gostam do espírito lúdico do esporte.
Bom café...
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
In Attesa
Nunca tinha parado para pensar no quão inútil se torna o momento entre estar pronto para determinado compromisso e dar início a tal ação. Comumente chamado, espera.
Certamente já ouviu de algum amigo, do seu pai, da sua namorada, uma reclamação do tipo, “ se tem uma coisa que eu detesto é ficar esperando.” Da próxima vez que te falarem isso, arrisque desafiar a pessoa com a seguinte pergunta: “Me diga alguém que goste de esperar”, e aí se prepare...
Na sala de espera da clínica de fisioterapia, aguardei por uns 15 minutos. Procurando não ter que passar pela agonia dos inúteis minutos que antecediam minha sessão, cheguei exatamente na hora. Sorte, pois planejei o tempo certinho. Comumente chego atrasado. De qualquer forma, eles se atrasaram hoje. Enfim, lá eu estava com aquelas revistas antigas ao meu lado, uma televisão de 14 polegadas a 10 metros de distância, com o som baixo e com a imagem péssima. Tudo bem, transmitiam uma entrevista com um candidato desses quaisquer. Preferi a distancia mesmo. O dilema agora era escolher entre a revista de saúde de 1997 ou outra de decoração, de 1999. Acho que o cenário descrito é comum a todos nós, foi só para ilustrar a idéia na imaginação de cada um. Remetê-los a momentos de espera. Fila de banco, ponto de ônibus, aquela loja em liquidação no shopping, aquele amigo que há meses está fora e vem lhe visitar.
Dizem que passamos um terço de nossas vidas dormindo. Até aí tudo bem, dormir é uma necessidade fisiológica. Agora eu me arrisco a dizer que passamos outro terço desses esperando por algo.
Pode ser por uma consulta, por um aumento no salário e pelo amor da sua vida, não importa. O fato é que alguém plantou a idéia de que em certos momentos devemos esperar pelas coisas.
Por quê?
Minhas experiências só me mostram o contrário.
Os melhores momentos que vivi foram inesperados, surpreendentes. E as maiores decepções vieram das coisas as quais tinha confiança de que seriam boas, das quais criei enorme expectativa.
Saindo muito da simples espera física relatada acima, que realmente é um saco, mas é a menos danosa delas, a espera pelas realizações que ditarão o ritmo da sua vida, é a mais ofensiva.
Ouso desafiar aquele ditado, “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Se você correr, o bicho tem que correr atrás, e nessa, você está mais preparado e ele se cansa, ou tropeça em algum obstáculo, sei lá. O fato é que se correr, você aumenta suas chances. Experimente ficar parado e se submeta à espera do que pode acontecer.
Devemos ter iniciativa sempre, buscar o que se pretende. Se há uma data, um horário estipulado, o ideal é ser pontual. Sendo pontual com seus compromissos, suas metas e seus ideais, você está pulando a inútil fase da espera.
Meus textos muitas vezes parecem com trechos de livros de auto-ajuda. Não gosto muito disso. Não sou fã destes livros apesar de ter lido alguns. Acho prepotência e até oportunismo usado diante de dificuldade alheia. Mas isso é apenas uma opinião. Assim como mais esse texto, baseado puramente nas minhas próprias experiências e idéias. A diferença é que não as vendo a ninguém, apenas compartilho.
Sobre a palavra em si, acho que a espera e seus inúmeros significados só perdem para o teimoso “se”. O “se” destrói tudo, até a espera, “se” tudo se antecipar, ou “se” uma surpresa acontecer, por exemplo.
Bom café...
Certamente já ouviu de algum amigo, do seu pai, da sua namorada, uma reclamação do tipo, “ se tem uma coisa que eu detesto é ficar esperando.” Da próxima vez que te falarem isso, arrisque desafiar a pessoa com a seguinte pergunta: “Me diga alguém que goste de esperar”, e aí se prepare...
Na sala de espera da clínica de fisioterapia, aguardei por uns 15 minutos. Procurando não ter que passar pela agonia dos inúteis minutos que antecediam minha sessão, cheguei exatamente na hora. Sorte, pois planejei o tempo certinho. Comumente chego atrasado. De qualquer forma, eles se atrasaram hoje. Enfim, lá eu estava com aquelas revistas antigas ao meu lado, uma televisão de 14 polegadas a 10 metros de distância, com o som baixo e com a imagem péssima. Tudo bem, transmitiam uma entrevista com um candidato desses quaisquer. Preferi a distancia mesmo. O dilema agora era escolher entre a revista de saúde de 1997 ou outra de decoração, de 1999. Acho que o cenário descrito é comum a todos nós, foi só para ilustrar a idéia na imaginação de cada um. Remetê-los a momentos de espera. Fila de banco, ponto de ônibus, aquela loja em liquidação no shopping, aquele amigo que há meses está fora e vem lhe visitar.
Dizem que passamos um terço de nossas vidas dormindo. Até aí tudo bem, dormir é uma necessidade fisiológica. Agora eu me arrisco a dizer que passamos outro terço desses esperando por algo.
Pode ser por uma consulta, por um aumento no salário e pelo amor da sua vida, não importa. O fato é que alguém plantou a idéia de que em certos momentos devemos esperar pelas coisas.
Por quê?
Minhas experiências só me mostram o contrário.
Os melhores momentos que vivi foram inesperados, surpreendentes. E as maiores decepções vieram das coisas as quais tinha confiança de que seriam boas, das quais criei enorme expectativa.
Saindo muito da simples espera física relatada acima, que realmente é um saco, mas é a menos danosa delas, a espera pelas realizações que ditarão o ritmo da sua vida, é a mais ofensiva.
Ouso desafiar aquele ditado, “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Se você correr, o bicho tem que correr atrás, e nessa, você está mais preparado e ele se cansa, ou tropeça em algum obstáculo, sei lá. O fato é que se correr, você aumenta suas chances. Experimente ficar parado e se submeta à espera do que pode acontecer.
Devemos ter iniciativa sempre, buscar o que se pretende. Se há uma data, um horário estipulado, o ideal é ser pontual. Sendo pontual com seus compromissos, suas metas e seus ideais, você está pulando a inútil fase da espera.
Meus textos muitas vezes parecem com trechos de livros de auto-ajuda. Não gosto muito disso. Não sou fã destes livros apesar de ter lido alguns. Acho prepotência e até oportunismo usado diante de dificuldade alheia. Mas isso é apenas uma opinião. Assim como mais esse texto, baseado puramente nas minhas próprias experiências e idéias. A diferença é que não as vendo a ninguém, apenas compartilho.
Sobre a palavra em si, acho que a espera e seus inúmeros significados só perdem para o teimoso “se”. O “se” destrói tudo, até a espera, “se” tudo se antecipar, ou “se” uma surpresa acontecer, por exemplo.
Bom café...
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Portadores de necessidades essenciais
Certamente já ouviste aquele ditado, “quando a água bate na bunda é que se aprende a nadar”. Ou aquele outro, “pimenta nos olhos dos outros é refresco”.
Este feriado prolongado me trouxe um presente no dia da independência do Brasil. Fiquei fisicamente dependente, após um acidente doméstico que agravou um quadro clinico ao qual estava dando início ao tratamento.
Estou imobilizado da perna para baixo escrevendo este texto deitado, com um pouco de dificuldade. Além de tudo confesso que essa dor constante controlada por medicamentos me prejudica na concentração e conseqüentemente na inspiração para a escrita.
Isso tudo me faz pensar no quanto seria difícil viver com determinadas limitações físicas. A minha no caso, hoje, de não poder me locomover sem a ajuda de alguém, apesar de temporária, me faz ter uma breve noção do quão difícil é a vida das pessoas que possuem necessidades especiais. E olha que não são poucas. Talvez não as vejamos por aí justamente pelo fato de não haver condições adequadas para tal.
Não são muitas as cidades, quiçá alguma, que contam com uma pavimentação adequada a este grupo de pessoas neste país. Muitas pessoas capacitadas penam com a falta de estrutura urbana sofrendo acidentes por conta de inúmeros inconvenientes e obstáculos encontrados nas ruas e calçadas, imagina as pessoas que precisam de espaço, de indicação, de guias, de rampas...
Quantos ônibus você já pegou que possuem o espaço reservado a um portador? Eu até vejo alguns aqui no Rio, mas aí entra o problema da falta de educação. Aqui por exemplo, andar de ônibus é como entrar num carro de corrida, aonde motoristas são pilotos, e os pontos de ônibus são boxes aonde o “pitsop” tem que ser rápido. Imagina agora um portador dependendo da cidadania de um sujeito que não respeita nem as normas de segurança adequadas às pessoas capacitadas. É complicado.
No shopping, no mercado, não respeitam a vaga exclusiva do estacionamento, não há escadas e às vezes nem elevadores adaptados.
Além de tudo isso, há o preconceito social.
Não pesquisei sobre isso, tampouco conheço pessoas próximas que passem por esta situação, mas como citei no início do texto através dos ditos populares, a gente só passa a enxergar certas situações vivenciando-as. Passei o feriado numa cadeira de rodas, tendo sequer forças para empurrá-las. Em casa, meu dia tem sido 90% na horizontal, tendo que ser carregado ao banheiro e receber comida na boca. Imagino que em breve estarei bom, através de tratamento ou sei lá, cirurgia, mas passando por isso, me pergunto: e se eu tivesse que ficar permanentemente assim?
Nós seres humanos temos uma capacidade desconhecida de adaptação, e essa é a resposta das pessoas que convivem com a dependência física.
Pensando assim, sinto-me envergonhado por reclamar de uma topada na quina da mesa, de uma dorzinha de cabeça, ou por me sentir cansado ao fim do dia, condução lotada, trânsito, ou uma chuva inesperada.
Tentemos não ser egoístas, e olhemos por diferentes prismas. Isso pode nos ajudar a nos tornarmos pessoas melhores, e fazer bem mais aos que realmente têm dificuldades.
Este texto é uma humilde solidariedade a todos estes.
Bom Café.
Este feriado prolongado me trouxe um presente no dia da independência do Brasil. Fiquei fisicamente dependente, após um acidente doméstico que agravou um quadro clinico ao qual estava dando início ao tratamento.
Estou imobilizado da perna para baixo escrevendo este texto deitado, com um pouco de dificuldade. Além de tudo confesso que essa dor constante controlada por medicamentos me prejudica na concentração e conseqüentemente na inspiração para a escrita.
Isso tudo me faz pensar no quanto seria difícil viver com determinadas limitações físicas. A minha no caso, hoje, de não poder me locomover sem a ajuda de alguém, apesar de temporária, me faz ter uma breve noção do quão difícil é a vida das pessoas que possuem necessidades especiais. E olha que não são poucas. Talvez não as vejamos por aí justamente pelo fato de não haver condições adequadas para tal.
Não são muitas as cidades, quiçá alguma, que contam com uma pavimentação adequada a este grupo de pessoas neste país. Muitas pessoas capacitadas penam com a falta de estrutura urbana sofrendo acidentes por conta de inúmeros inconvenientes e obstáculos encontrados nas ruas e calçadas, imagina as pessoas que precisam de espaço, de indicação, de guias, de rampas...
Quantos ônibus você já pegou que possuem o espaço reservado a um portador? Eu até vejo alguns aqui no Rio, mas aí entra o problema da falta de educação. Aqui por exemplo, andar de ônibus é como entrar num carro de corrida, aonde motoristas são pilotos, e os pontos de ônibus são boxes aonde o “pitsop” tem que ser rápido. Imagina agora um portador dependendo da cidadania de um sujeito que não respeita nem as normas de segurança adequadas às pessoas capacitadas. É complicado.
No shopping, no mercado, não respeitam a vaga exclusiva do estacionamento, não há escadas e às vezes nem elevadores adaptados.
Além de tudo isso, há o preconceito social.
Não pesquisei sobre isso, tampouco conheço pessoas próximas que passem por esta situação, mas como citei no início do texto através dos ditos populares, a gente só passa a enxergar certas situações vivenciando-as. Passei o feriado numa cadeira de rodas, tendo sequer forças para empurrá-las. Em casa, meu dia tem sido 90% na horizontal, tendo que ser carregado ao banheiro e receber comida na boca. Imagino que em breve estarei bom, através de tratamento ou sei lá, cirurgia, mas passando por isso, me pergunto: e se eu tivesse que ficar permanentemente assim?
Nós seres humanos temos uma capacidade desconhecida de adaptação, e essa é a resposta das pessoas que convivem com a dependência física.
Pensando assim, sinto-me envergonhado por reclamar de uma topada na quina da mesa, de uma dorzinha de cabeça, ou por me sentir cansado ao fim do dia, condução lotada, trânsito, ou uma chuva inesperada.
Tentemos não ser egoístas, e olhemos por diferentes prismas. Isso pode nos ajudar a nos tornarmos pessoas melhores, e fazer bem mais aos que realmente têm dificuldades.
Este texto é uma humilde solidariedade a todos estes.
Bom Café.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
"Pior do que tá não fica"
Antes de qualquer palavra digitada, que possa induzir alguém imaginar que o texto a seguir possa ser tendencioso, explico: não chego a ser anarquista, acho que deva haver ordem sim, de alguma forma ainda não descoberta. Mas sou anti-politicagem. Não tenho partido e nem candidatos. Sou um leigo no assunto. Não que eu ache que os que estão lá sejam entendidos, porque se fossem certamente tudo estaria muito melhor. Diria que aqueles que lá estão se interessam, ou tem algum interesse.
Esses dias andando pela cidade não consegui fugir daqueles rostos céticos cheio de números e frases feitas pedindo voto, poluindo visualmente o trajeto da minha casa até o trabalho. Olhei para um cartaz de um candidato com uma foto na qual sorria amareladamente, e dizia que era a voz do povo. Ora bolas, pensei, que povo seria esse? Eu olho para um cara com um sorriso amarelo misturado com uma cara de nojo, e ele diz para mim, “Sou a sua Voz”. Como assim? “Peraí , minha voz não, nem te conheço rapaz.”
Aí pensei, esse cara deve aparecer uns 15 segundos na televisão hoje a noite falando alguma coisa do tipo, saúde educação e segurança, vote em mim. Se baixasse um anjo na minha frente agora e falasse assim: “vou acabar com a pobreza, com a violência, com o desemprego e com o trânsito” eu diria para ele: “Seu anjo, chega mais aqui, deixa eu te mostrar o que é o Brasil”. Agora quem dirá um indivíduo qualquer com a gravata meio desajeitada, lendo um tele-pronto e me prometendo a resolução dos problemas da sociedade em 15 segundos. Tá, você está complacente, acha aquele rapaz sincero e dá um crédito, vai atrás da história política dele. Não demora muito e descobre que ele esteve envolvido em “maracutaia” X, no ano Y. A maioria é assim.
Sem conseguir fugir da atmosfera eleitoral, recebo um e-mail com a ficha de alguns ilustres candidatos. Artistas incluindo músicos, jogadores, atores e ex-prostitutas que se dizem dançarinas ou modelos, enfim, uma penca de gente que não faz a mínima idéia do que está fazendo. Ou será que fazem?
O Tiririca ao menos foi honesto. Diz que não faz idéia do que faz um deputado, senador, seja lá o qual for o cargo para o qual se candidata. Ele já está na frente de muitos, falando a verdade. Alguns acham que ele debocha da democracia. Eu acho que o deboche existe há anos pelos tradicionais engravatados.
Uma mulher com nome de fruta, em sua descrição, tem como formação acadêmica, ou nível de instrução: Lê e escreve. Isso seria ensino fundamental pelo menos? Ah, sei lá, acho que nem se as leguminosas do horti-fruti votassem, essa mulher seria eleita. Na verdade como é o povo brasileiro que vota, ainda há esperança a “frutífera” mulher-alguma fruta. Povo que se alimenta de big-brother e barbárie e é facilmente comprado e corruptível não tem direito a reclamar de seus políticos. Omisso e acomodado só quer que haja cerveja gelada na geladeira no fim de semana, que seu time de futebol ganhe, e que seu salário entre na conta no final do mês. Cobrar sem atitude? Votar em incógnitos que só aparecem de 4 em 4 anos com os dentes a mostra e com cestas básicas, ou asfaltando a rua da sua casa?
Falta muito ainda para eu começar a acreditar em política séria. Não vejo horizonte algum nesse sentido.
O dia em que um político se encorajar e deixar de alienar sua sociedade dando educação a essa nação, para que todos tenham discernimento necessário a buscar seus direitos, eu acreditarei em mudança.
Por enquanto, fico com o Papai Noel e com o coelhinho da Páscoa.
Bom Café.
Esses dias andando pela cidade não consegui fugir daqueles rostos céticos cheio de números e frases feitas pedindo voto, poluindo visualmente o trajeto da minha casa até o trabalho. Olhei para um cartaz de um candidato com uma foto na qual sorria amareladamente, e dizia que era a voz do povo. Ora bolas, pensei, que povo seria esse? Eu olho para um cara com um sorriso amarelo misturado com uma cara de nojo, e ele diz para mim, “Sou a sua Voz”. Como assim? “Peraí , minha voz não, nem te conheço rapaz.”
Aí pensei, esse cara deve aparecer uns 15 segundos na televisão hoje a noite falando alguma coisa do tipo, saúde educação e segurança, vote em mim. Se baixasse um anjo na minha frente agora e falasse assim: “vou acabar com a pobreza, com a violência, com o desemprego e com o trânsito” eu diria para ele: “Seu anjo, chega mais aqui, deixa eu te mostrar o que é o Brasil”. Agora quem dirá um indivíduo qualquer com a gravata meio desajeitada, lendo um tele-pronto e me prometendo a resolução dos problemas da sociedade em 15 segundos. Tá, você está complacente, acha aquele rapaz sincero e dá um crédito, vai atrás da história política dele. Não demora muito e descobre que ele esteve envolvido em “maracutaia” X, no ano Y. A maioria é assim.
Sem conseguir fugir da atmosfera eleitoral, recebo um e-mail com a ficha de alguns ilustres candidatos. Artistas incluindo músicos, jogadores, atores e ex-prostitutas que se dizem dançarinas ou modelos, enfim, uma penca de gente que não faz a mínima idéia do que está fazendo. Ou será que fazem?
O Tiririca ao menos foi honesto. Diz que não faz idéia do que faz um deputado, senador, seja lá o qual for o cargo para o qual se candidata. Ele já está na frente de muitos, falando a verdade. Alguns acham que ele debocha da democracia. Eu acho que o deboche existe há anos pelos tradicionais engravatados.
Uma mulher com nome de fruta, em sua descrição, tem como formação acadêmica, ou nível de instrução: Lê e escreve. Isso seria ensino fundamental pelo menos? Ah, sei lá, acho que nem se as leguminosas do horti-fruti votassem, essa mulher seria eleita. Na verdade como é o povo brasileiro que vota, ainda há esperança a “frutífera” mulher-alguma fruta. Povo que se alimenta de big-brother e barbárie e é facilmente comprado e corruptível não tem direito a reclamar de seus políticos. Omisso e acomodado só quer que haja cerveja gelada na geladeira no fim de semana, que seu time de futebol ganhe, e que seu salário entre na conta no final do mês. Cobrar sem atitude? Votar em incógnitos que só aparecem de 4 em 4 anos com os dentes a mostra e com cestas básicas, ou asfaltando a rua da sua casa?
Falta muito ainda para eu começar a acreditar em política séria. Não vejo horizonte algum nesse sentido.
O dia em que um político se encorajar e deixar de alienar sua sociedade dando educação a essa nação, para que todos tenham discernimento necessário a buscar seus direitos, eu acreditarei em mudança.
Por enquanto, fico com o Papai Noel e com o coelhinho da Páscoa.
Bom Café.
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