quarta-feira, 16 de março de 2011

Ausência

Aos que eventualmente passam por aqui, fica claro a ausência de novos textos. Realmente não escrevo ha meses. Não devo escrever mais, ao menos tão cedo.
Obrigado aos que leram e deram atenção às minha idéias, e aos que emitiram opiniões.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Ih, choveu...

O termo usado é forte e de certa forma chocante: É a maior tragédia climática da história do país.Há controvérsias, é verdade, mas é assim que a mídia tem tratado.
Obviamente esse adjetivo é diretamente ligado ao número de vítimas fatais decorrentes dos deslizamentos provocados pelas chuvas no Rio de Janeiro. Não temos terremotos de magnitude considerável, não temos nevasca, nem furacão e nem vulcões entrando em erupção. Pelo menos ainda não. Mas os recentes acontecimentos envolvendo as fortes chuvas que caem no Estado evidenciam a fragilidade na qual se encontra a população.
Quem conhece a região serrana do Rio sabe que trata-se de um lugar de características peculiares. O clima é ameno, as belezas naturais evidentes e até mesmo a cultura dos que vivem ali, mesmo estando apenas a pouco mais que uma hora da caótica capital fluminense, é muito diferente. É como uma fuga do stress e do calor comuns ao Rio 40º.
É notório que a qualidade de vida é elevada, até sócio-economicamente falando.
Mesmo assim, a cidade não conseguiu escapar do crescimento desordenado e da loucura climática atual. Na verdade, a soma destes dois fatores foi fatal desta vez.
Tirando que neste caso, os deslizamentos atingiram áreas que não eram consideradas de risco, a maioria atingida ainda foi de pessoas que viviam em locais impróprios.
Quando os órgãos ligados as previsões meteorológicas obterão o merecido respeito e estrutura necessários para atuarem com prevenção?
Por que aquelas pessoas se instalaram ali? Por que ficaram? Por que as deixaram?
E por que o brasileiro paga tanto tributo e num momento destes, é convocados a fazer doações de roupas, alimentos e dinheiro para ajudar estas pessoas?
Quanto ao aumento das chuvas, das mudanças climáticas e de suas conseqüências, há evidências suficientes para levarmos em conta que o mundo mudou, e que fatos deste tipo ocorrerão com mais freqüência. Não há como evitar um dilúvio, mas deve-se alertar e proteger-se quanto ao pior que possa acontecer. As pessoas que tem esse preparo recebem o devido suporte e são levadas em consideração?
Quanto às vitimas, muitos vão dizer que são pessoas sem oportunidades, que vivem à margem da sociedade, que não tem alternativa. Aí a discussão se estende aos maiores problemas sociais da nação, desde o êxodo na década de 70. É um problema similar ao fenômeno da favelização e do crescimento horizontal das grandes metrópoles.
Sobre ser solidário, acho incrível como o brasileiro conhecido povo sofrido e trabalhador, acha tempo para tirar do seu e dar ao próximo. Isso é louvável. Mas considero um abuso os apelos por doações, sendo que o que se paga de impostos deveria servir para garantir a todos o mínimo de civismo por parte do Estado. Não só falta estrutura quanto não há fiscalização dos órgãos pertinentes para proibirem ou realocarem famílias que correm riscos.
Não estou me abstendo da ajuda, não faço campanha contra, aliás, até já mandei minha contribuição. Mas jogar para o peito do povo a responsabilidade por reerguer a vida destas pessoas, sendo que o valor que é recolhido em impostos é absurdo, é piada ou mesmo achar que artista X, jogador Y tem o coração enorme, é ingenuidade. Alguns até fazem, mas outros querem mesmo é a dedução do IR. E "pagam" de bonzinhos.
Bom Café.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Meu ídolo argentino

De tempos em tempos falo de futebol. Hoje, o futebol é coincidentemente citado no meu texto, por ser o mecanismo revelador de uma personalidade digna de homenagem.
Não me sinto nem um pouco desconfortável em falar de um argentino com tanta satisfação, até porque essa rivalidade escancarada deve se limitar às brincadeiras saudáveis. Somos povos irmãos, países vizinhos e principalmente em Foz do Iguaçu isso é sentido. A Argentina faz parte do dia-a-dia do brasileiro que vive na fronteira, assim como o contrário. Se os dois países exercessem uma diplomacia mais esperta, conseguiriam consolidar uma representatividade muito mais sólida em relação ao Mundo, mas enfim, isso é outra história.
Estou aqui para falar de Lionel Andrés Messi.
Imagine você, na sua profissão, ser considerado o melhor do Mundo, receber um prêmio, uma medalha, uma placa, enfim, ser reconhecido como o melhor no que faz. É gratificante, obviamente. Talvez nem todos tenham essa ambição, apenas querem fazer seu papel com eficiência, e é aí que surge o reconhecimento. Não que a ambição seja ruim, mas se isso torna obsessão, tudo vai por água abaixo. Ou mesmo com o reconhecimento devido, seu desempenho muda diante de como absorve toda essa gratificação.
E foi ha dois dias atrás que assistindo a premiação do melhor jogador de futebol do mundo no ano de 2010, descobri que sou o mais novo grande fã desta figura, quando involuntariamente abri um sorriso ao ser anunciado o seu nome, em detrimento aos favoritos espanhóis.
Quem me conhece sabe que adoro futebol. Acompanho, jogo, leio sobre, enfim, sou louco mesmo, característica comum aos brasileiros, por sinal.
Mas essa minha admiração vai além do esporte.
Hoje em dia é tão difícil encontrarmos exemplos nas figuras públicas. Se usarmos o Brasil como campo de busca e observação mesmo, percebemos que há uma tendência ao estrelismo, uma preocupação com a exposição, com a forma como se porta diante da mídia e do povo, com uma falta de responsabilidade moral. Não é incomum ver jogadores ostentando ouro nos pescoços e orelhas Brasil afora, empinando o nariz e se destacando muitas vezes das suas origens.
O jogador argentino me surpreende por ser simplesmente o melhor, e isso é consenso, para quem entende de futebol, e até para quem não costuma ver muito, mas acompanha alguns lances. Acaba de ganhar o prêmio de melhor do mundo pela segunda vez, com apenas 23 anos, e se nenhum imprevisto ocorrer, ele tem tudo para ganhar mais vezes, e se tornar o recordista. E por tudo isso, me surpreende a discrição, o carisma, a responsabilidade e o respeito que ele tem com os que o cerca. Fãs, mídia, torcedores e até os brasileiros, ditos maiores rivais.
Sobre a comparação com Maradona, mesmo com a resistência dos saudosistas, eu acho perfeitamente possível que Messi ultrapasse seu desempenho. Ao menos em exemplo de comportamento e postura ele já está à frente. Dizem que para se consagrar, um jogador tem que levar uma Copa do Mundo. Maradona usa esse argumento, inclusive, para proteger seu status de ídolo e até Deus, como é considerado pelos “hermanos”. Mas vos digo: Zico nunca ganhou uma Copa, em contrapartida Paulo Sérgio já ganhou, em 1994. Sabem quem é Paulo Sérgio? E Zico? Logo...
À Lionel “Leo” Messi minha manifestação sincera de admiração àquele que merece todo status de um verdadeiro ídolo.
E bom café...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Viagem Cilada

Provavelmente grande parte das pessoas já teve a oportunidade de assistir a pelo menos um episódio da série nacional transmitida num canal por assinatura, de nome “Cilada”. Um sujeito que relata os diversos inconvenientes ocorridos no cotidiano da maioria das pessoas, de forma inteligente, sarcástica e critica. É impressionante como todos nos identificamos com as histórias contadas por ele neste programa televisivo.
Final de ano, festas, viagens... Já imaginam. Acho que pelo menos 65% da população passa pelos inconvenientes proporcionados por períodos festivos no Brasil. O que seria isso, mais especificamente?
Desde filas em supermercados até atraso nos aeroportos e o principal deles, transito louco nas cidades alvo.
Tenho o costume de fugir do fluxo, prefiro usar os dias de festas que geralmente resultam em folgas prolongadas, como descanso e só. Como o Rio de Janeiro infesta de turistas por questões já conhecidas, preferi a capital paulista. Deu certo até, afinal, a maioria dos paulistanos despenca para os litorais adjacentes.
Consegui um ótimo vôo na ida, vazio, sem atraso, descendo em Congonhas. Mas na volta, por ser no segundo dia do ano e um Domingo, não encontrei bilhetes a preço razoável e tive que vir de ônibus. Nada demais, para quem sempre viaja de ônibus. Rio – São Paulo, cinco horas, estrada razoável.
É aí que começa minha história.
Bem acomodado, ônibus prestes a partir, entram as duas senhoras. Exatamente sentadas ao lado de nossos assentos, as indiscretas senhoras se puseram a falar. Ou seria melhor usar o termo, gritar? E elas não só conversavam entre si. Cada uma de posse de dois celulares, totalizando quatro aparelhos, ligava incessantemente para todos os conhecidos e familiares no Brasil, para desejar-lhes boas entradas e não só isso, tricotavam todo o tipo de fofocas das mais indiscretas em alto e bom som ecoando carroceria do ônibus adentro.
Uma natural revolta abateu-se sobre muitos, e eu esbocei uma manifestação. Mas fui logo contido pela minha companheira que contra-argumentou com algum sentido e conseguiu me fazer mudar de idéia.
Pessoas sem o bom senso suficiente em um ambiente de uso coletivo, provavelmente não reagiriam bem a um pedido, mesmo que educado, para fazerem menos barulho.
Já escrevi sobre telefonia móvel aqui neste espaço e sabem o quanto aprecio este serviço essencial na vida das pessoas. Essas mega-promoções que inventam fazem com que senhoras como estas, liguem para Deus e o Mundo e perturbem a paz dos outros pobres passageiros por 5 horas a fio. Um celular com créditos dá a sensação de poder a quem não costuma ter. E um dos trechos curiosos destas ligações foi num momento em que a outra pessoa atendeu o telefone e a senhora 2 disse em timbre agudo “Feliz Ano novo! É a Fulana que está falando, não tá reconhecendo? Ah te acordei? Desculpa, mas olha só, sabe quem morreu?...” E continuou falando, falando, falando... Sete e pouca da manhã. E a mulher pergunta se acordou? Claro que ela acordou o pobre do outro lado do telefone, e manteve acordados a viagem inteira 40 outros sonolentos passageiros.
“I-pod comeu solto a viagem toda”, competindo com as “sopranos”.
Que cilada...