Há dias em que simplesmente queremos ficar sós. Quem nunca desejou isso após uma jornada intensa de trabalho, ou num dia de algum desgaste emocional e estresse? Vivemos rodeados de pessoas, cada vez mais, e a interferência desse convívio nem sempre é algo que nos acrescenta algo. Em alguns casos isso é apenas causa de uma distração prolongada que retarda o crescimento intelectual, espiritual e de autoconsciência. O convívio social é essencial a todos, mas o real desenvolvimento do indivíduo está na forma como absorve tudo a sua volta e transforma em valores, em comportamento. O que esperaria de você, sozinho em meio ao mar imenso, com bilhões de estrelas “mudas” te olhando, te cobrando e colocando sua sanidade à prova? É nesse momento que tudo tende a tornar-se claro para o homem. No momento em que se encontra e se questiona.
A forma sutil como o homem, como espécie, é capaz de atingir uma sensibilidade extrema, sem que sequer note. Como é capaz de aprender a valorizar cada forma de vida aqui existente. Realizar que em meio à tão grande mar e abaixo do infinito céu, ele é simplesmente nada como matéria.
Tenho relatos de um homem que conheci em 1988, quando não éramos sequer donos de nossas escolhas.
Nossa primeira paixão platônica foi a mesma menina no colégio. Inocentes como crianças que éramos, e amigos, nos permitíamos dividi-la.
Rodamos o mundo, passamos muito tempo afastados. Mas tudo parece ainda como naquele início da década de noventa.
O Segundo Oficial de Náutica Paul Nuernberg, me relata as condições climáticas, a direção dos ventos e a força das águas. Diz em que costa está, que domínio territorial acabou de cruzar, e me conta as histórias de marinheiro. Lugares lindos, pessoas de diferentes culturas, cervejas mais fortes e mais amargas. Tem o mundo a seus pés, ou melhor, à sua proa.
Mas dois ou três meses longe daqueles a quem ama, do seu lugar de origem, da sua casa... ao longo de alguns anos, é provação transformada em crescimento.
E nós aqui, em terra firme, querendo ficar a sós e desejando o Mundo.
O paralelo traçado entre o que temos e o que queremos geralmente é grande. E é quando nos conhecemos mais, é que descobrimos aonde realmente queremos ir, e estreitamos este paralelo.
As histórias são incríveis. Desde conflitos psicológicos pesados a vários golfinhos te acompanhando viagem. O desespero mental beirando o êxtase da natureza. O “Third” como é chamado a bordo é um baú de enredo literário.
Suas histórias me fazem refletir como a relação entre as pessoas é mesquinha, e como não damos a mínima para nossos próprios questionamentos e anseios.
Passados mais de vinte anos, descobrimo-nos dividindo a paixão da escrita. Seu diário de bordo será transformado em livro um dia. Escreveremos.
Pretendo compartilhar ao menos uma aventura dessas aqui neste espaço.
Se algum de vocês quiserem se exilar por alguns momentos, sentindo-se em meio ao imenso oceano, ou coberto pelos astros luminosos, busquem-no neste blog: http://paulnuernberg.blogspot.com.
E bom café...
Espaço voltado para as publicações dos textos da coluna de quinta-feira de "A Gazeta do Iguaçu".
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Os bons vinte e poucos anos
Foi-se o tempo em que “mamãe” achava me achava bonito de qualquer jeito, por mais acabado e mal vestido que eu estivesse. Até acordando de ressaca com o cabelo bagunçado era o mais lindo. Agora as críticas são árduas e sinceras. Deu para me cobrar quanto aos meus textos. Disse que não estão mais como antes. Escrevo por prazer, em meio a uma quantidade enorme de telefonemas e e-mails do trabalho, geralmente às Quartas a 30 minutos do fechamento da edição do jornal. Mas tudo bem, eu prefiro assim, afinal não sou mais o filhinho predileto, já estou a mais perto dos 30 do que dos 20.
Por sinal, e nessa deixa que começo a história de hoje. A década da verdade. Sempre pensei que seria. Bom, meus pais com vinte e poucos anos eram casados e tinham filhos. Suas profissões eram estáveis. Tanto que minha mãe, por exemplo, ainda é professora do município do Rio de Janeiro até hoje. E grande parte dos meus tios e pais dos meus amigos, também já tinham situação parecida.
Vivendo em meio a este exemplo, a idéia que tinha de amadurecimento era a de que o tempo e a idade me trariam naturalmente essa condição de vida. Mas não hoje.
É redundante dizer que é uma época e geração diferentes. Avanços tecnológicos consideráveis que mudaram e muito as relações sociais e até a questão da religião e do conceito de família hoje muito mais discutidos, formam uma nova perspectiva de amadurecimento e acaba nos confundindo no que se refere ao limite da juventude.
A cobrança e a competição entre as pessoas no campo profissional e até no pessoal de certa forma força uma tendência individualista que reflete num comportamento voltado para a conquista estabilidade financeira em detrimento a princípios antes vistos como essenciais.
A quantidade de homens e mulheres já acima da faixa dos trinta que vivem sozinhos, não possuem compromisso afetivo e que ainda vivem sob os domínios de seus pais é enorme.
A pergunta que remete a idéia do texto: estamos nos tornamos adultos mais tarde?
Penso que sim baseado nos argumentos acima. Isso é bom ou ruim?
Ninguém quer envelhecer, ou a maioria das pessoas não quer. Se fosse basicamente por isso, ótimo. Mas há questões embutidas nesta discussão que nos obriga a olhar por diferentes aspectos. Um destes aspectos que me chama a atenção é a do preparo para a vida. O espaço entre a independência e o momento em que nossos pais tornam-se nossos dependentes é aonde você é o protagonista, é o “diretor”, e vai ter que andar sozinho, apanhar sozinho, se dar bem sozinho, enfim. E este retardo em “se tornar adulto” nem sempre significa melhor preparo. Soa como falsa conveniência.
Vivemos a geração das mudanças generalizadas. E estar no meio deste processo nos dificulta muito. Temos um modelo comportamental desatualizado e não possuímos um manual de como será amanhã, daqui a um ano ou a dez.
A vantagem talvez seja estar subsidiado pela versatilidade e o improviso. Nem tudo é tão certo e nem tão errado quanto era há poucos anos atrás.
Sendo a década da verdade ou não, os “vintões” que aproveitem, pois é o período em que nos apaixonamos loucamente, abusamos dos nossos corpos tinindo de saúde e justificamos as “cagadas” pela juventude.
Bom Café...
Por sinal, e nessa deixa que começo a história de hoje. A década da verdade. Sempre pensei que seria. Bom, meus pais com vinte e poucos anos eram casados e tinham filhos. Suas profissões eram estáveis. Tanto que minha mãe, por exemplo, ainda é professora do município do Rio de Janeiro até hoje. E grande parte dos meus tios e pais dos meus amigos, também já tinham situação parecida.
Vivendo em meio a este exemplo, a idéia que tinha de amadurecimento era a de que o tempo e a idade me trariam naturalmente essa condição de vida. Mas não hoje.
É redundante dizer que é uma época e geração diferentes. Avanços tecnológicos consideráveis que mudaram e muito as relações sociais e até a questão da religião e do conceito de família hoje muito mais discutidos, formam uma nova perspectiva de amadurecimento e acaba nos confundindo no que se refere ao limite da juventude.
A cobrança e a competição entre as pessoas no campo profissional e até no pessoal de certa forma força uma tendência individualista que reflete num comportamento voltado para a conquista estabilidade financeira em detrimento a princípios antes vistos como essenciais.
A quantidade de homens e mulheres já acima da faixa dos trinta que vivem sozinhos, não possuem compromisso afetivo e que ainda vivem sob os domínios de seus pais é enorme.
A pergunta que remete a idéia do texto: estamos nos tornamos adultos mais tarde?
Penso que sim baseado nos argumentos acima. Isso é bom ou ruim?
Ninguém quer envelhecer, ou a maioria das pessoas não quer. Se fosse basicamente por isso, ótimo. Mas há questões embutidas nesta discussão que nos obriga a olhar por diferentes aspectos. Um destes aspectos que me chama a atenção é a do preparo para a vida. O espaço entre a independência e o momento em que nossos pais tornam-se nossos dependentes é aonde você é o protagonista, é o “diretor”, e vai ter que andar sozinho, apanhar sozinho, se dar bem sozinho, enfim. E este retardo em “se tornar adulto” nem sempre significa melhor preparo. Soa como falsa conveniência.
Vivemos a geração das mudanças generalizadas. E estar no meio deste processo nos dificulta muito. Temos um modelo comportamental desatualizado e não possuímos um manual de como será amanhã, daqui a um ano ou a dez.
A vantagem talvez seja estar subsidiado pela versatilidade e o improviso. Nem tudo é tão certo e nem tão errado quanto era há poucos anos atrás.
Sendo a década da verdade ou não, os “vintões” que aproveitem, pois é o período em que nos apaixonamos loucamente, abusamos dos nossos corpos tinindo de saúde e justificamos as “cagadas” pela juventude.
Bom Café...
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
O sócio-comediante
Qual é o preço de uma piada? Depende de como ela é contada, e de onde ela é contada, certo?
No Brasil a piada vale muito, e vivemos uma época em que nunca se pagou e se investiu tanto em humor.
Tudo bem que se você entrevistar um artista deste segmento hoje, ele vai dizer que batalhou muito, que o meio artístico é para poucos, que a estrada é árdua e eles dificilmente são reconhecidos.
Imagino que deva ser difícil viver da atuação cômica, da piada, do deboche, da palhaçada, principalmente num país de desigualdades sociais bruscas, o que faz com que qualquer tipo de brincadeira possa gerar reações adversas. É contraditório e peculiar, já que brasileiro têm o dom de rir da desgraça, do errado, da corrupção, do bárbaro. Talvez seja uma característica que explique a falta de atitude em relação aos problemas e a fraqueza democrática da massa.
E é neste momento de humor crítico que crescem os grandes comediantes, afinal, eles descobriram uma ótima fórmula de cutucar as mais antigas e “cascudas” mazelas políticas sociais do país. Se até hoje a sociedade não consegue saciar-se de justiça aos corruptos, ao menos tem o prazer de vê-los em uma “sinuca de bico”, eu “beco sem saída”, desmoralizados e ridicularizados em rede nacional.
Os rapazes de terno que correr a produzir matérias sérias, transferem a graça que os maus políticos acham de suas “traquinagens” para o vexatório e mudo inexplicável dos mesmos ante a câmera. Que estas reportagens não resultem em providências imediatas, mas já é um grande dever democrático prestado. Nós podemos ver e conhecer o que imaginamos que acontece e quem os faz. Aliás, nada melhor que ano de eleições para nos enchermos de informação, afinal até aonde sabemos, só nosso voto pode mudar alguma coisa.
Não é propaganda a este ou aquele grupo de artistas, até porque a quantidade de patrocínio que estes atuais programas obtêm é absurda. Nem sempre eles são geniais, o que é compreensível. Inúmeros artistas e suas comédias em pé usam a graça como instrumento de indagação e por isso se arriscam mais. Seus públicos pedem cultura e suas piadas necessitam de cultura para sua compreensão. Mas a simplicidade aparente dos temas abordados é justamente o segredo. Falar de coisas do cotidiano sem tabus, relacionamento, política, racismo e religião, por exemplo, sem se prender a falsos princípios, cria uma relação de proximidade com público que se vê em muitas daquelas situações.
Até mesmo o humor banal descobriu uma forma de se consolidar. Fazer o que qualquer um teve vontade de fazer um dia, expor personalidades arrogantes, fazer perguntas jamais feitas, caçoar do galã e da musa e mostrá-los que apesar de toda fama e dinheiro, são pessoas normais. Tirar um pouco do glamour. Uma forma de igualdade de status social.
A forma como se produz tais programas, sem scripts, sem um aparente planejamento nas reportagens, são marcas da espontaneidade.
E o público cansou da informação pré-fabricada, do “fale o que eu te pago para falar”. Além do que quanto mais acesso à informação, mais sedento por questionamentos. Assim, o humor independente vem batendo a formalidade e se tornando muito mais produtivo do que muito material dito séria.
Palmas para os bobos.
Bom Café...
No Brasil a piada vale muito, e vivemos uma época em que nunca se pagou e se investiu tanto em humor.
Tudo bem que se você entrevistar um artista deste segmento hoje, ele vai dizer que batalhou muito, que o meio artístico é para poucos, que a estrada é árdua e eles dificilmente são reconhecidos.
Imagino que deva ser difícil viver da atuação cômica, da piada, do deboche, da palhaçada, principalmente num país de desigualdades sociais bruscas, o que faz com que qualquer tipo de brincadeira possa gerar reações adversas. É contraditório e peculiar, já que brasileiro têm o dom de rir da desgraça, do errado, da corrupção, do bárbaro. Talvez seja uma característica que explique a falta de atitude em relação aos problemas e a fraqueza democrática da massa.
E é neste momento de humor crítico que crescem os grandes comediantes, afinal, eles descobriram uma ótima fórmula de cutucar as mais antigas e “cascudas” mazelas políticas sociais do país. Se até hoje a sociedade não consegue saciar-se de justiça aos corruptos, ao menos tem o prazer de vê-los em uma “sinuca de bico”, eu “beco sem saída”, desmoralizados e ridicularizados em rede nacional.
Os rapazes de terno que correr a produzir matérias sérias, transferem a graça que os maus políticos acham de suas “traquinagens” para o vexatório e mudo inexplicável dos mesmos ante a câmera. Que estas reportagens não resultem em providências imediatas, mas já é um grande dever democrático prestado. Nós podemos ver e conhecer o que imaginamos que acontece e quem os faz. Aliás, nada melhor que ano de eleições para nos enchermos de informação, afinal até aonde sabemos, só nosso voto pode mudar alguma coisa.
Não é propaganda a este ou aquele grupo de artistas, até porque a quantidade de patrocínio que estes atuais programas obtêm é absurda. Nem sempre eles são geniais, o que é compreensível. Inúmeros artistas e suas comédias em pé usam a graça como instrumento de indagação e por isso se arriscam mais. Seus públicos pedem cultura e suas piadas necessitam de cultura para sua compreensão. Mas a simplicidade aparente dos temas abordados é justamente o segredo. Falar de coisas do cotidiano sem tabus, relacionamento, política, racismo e religião, por exemplo, sem se prender a falsos princípios, cria uma relação de proximidade com público que se vê em muitas daquelas situações.
Até mesmo o humor banal descobriu uma forma de se consolidar. Fazer o que qualquer um teve vontade de fazer um dia, expor personalidades arrogantes, fazer perguntas jamais feitas, caçoar do galã e da musa e mostrá-los que apesar de toda fama e dinheiro, são pessoas normais. Tirar um pouco do glamour. Uma forma de igualdade de status social.
A forma como se produz tais programas, sem scripts, sem um aparente planejamento nas reportagens, são marcas da espontaneidade.
E o público cansou da informação pré-fabricada, do “fale o que eu te pago para falar”. Além do que quanto mais acesso à informação, mais sedento por questionamentos. Assim, o humor independente vem batendo a formalidade e se tornando muito mais produtivo do que muito material dito séria.
Palmas para os bobos.
Bom Café...
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