terça-feira, 22 de junho de 2010

O "Café" acabou.

Aos que esporadicamente me acompanham através deste blog, provavelmente ficou perceptível a falta de atualização.
Depois de mais de ano e cerca de setenta publicações colaborando com a Gazeta do Iguaçu, em Foz, Paraná, deixo de fazer parte do periódico pela atual distância dos assuntos de interesse dos que participam e lêem aliada a minha própria indisponibilidade de tempo devido a minha atual atividade profissional.
O paixão pela escrita é natural e não se perderá. Essa experiêcia me fez crescer muito. Apesar de se tratar de uma cidade do interior do Paraná, Foz tem características de cidade cosmopolita, pela sua miscigenada população. A Gazetinha como é carinhosamente conhecida, é o veículo de maior credibilidade comunicativa na região. Cerca de 50 mil exemplares são lidos todos os dias, e todas as Quintas lá estavam meus textos na coluna então conhecida pelo nome "Café Expresso". Textos estes que ficarão aqui guardados, aos que quiserem recordar.
O Blog que costumava ser atualizado semanalmente, ficará ativo, porém com textos aleatoriamente postados de acordo com a minha disponibilidade de tempo e também com minha inspiração para a escrita.
Agradeço à direção do jornal e as pessoas que me confiaram o espaço semanal, e aos redatores com os quais tinha contato.
Aos que sempre acessam o blog, a maioria amigos, familiares e conhecidos, um grande agradecimento. Recebi alguns belos elogios nos comentários em alguns textos.
É pessoal, o café acabou ...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O patriota

Nada como uma Copa do Mundo para evidenciar o que com muita discrição seguramos por quatro anos dentro de nós. O notório patriotismo. O brasileiro ama sua bandeira, sabe seu hino de cor, e morre pelo país. Tá, já deu pra ver que to forçando a barra, claro.
Você sabe que sua rua não está toda enfeitada por causa do sentimento nacionalista, pelo amor a pátria. Ela é fruto da alegria do povo em sair mais cedo do trabalho, ou mesmo enforcar a lida diária. Diria que a maioria do povo adora futebol e isso é verídico, mas existe outra grande parte que simplesmente não dá a mínima. O time, por exemplo, é o menos empolgante dos últimos tempos.
As cores, verde e amarelo por toda parte são mais uma alusão ao clima festeiro do que torcida em si.
O evento é realmente de magnitude imensa, principalmente este especificamente, por ser realizado num país que ha algumas décadas vivia a violência alimentada pela segregação racial. Tá certo que a cessão da realização por parte da FIFA à África do Sul tem muito cunho político. Mas é um avanço a ser considerado.
Política que mesmo disfarçada, nunca para por traz do pano em nosso Brasil. Aliás, a Copa do Mundo serve muito de cortina para o segundo semestre do ano, aonde viveremos aí sim, um momento de real importância nacional. Eleições presidenciais. Esta muito mais tensa pela possível mudança de toda uma ideologia, e do fim de um longo mandato, aonde tivemos o mais popular representante da história. Não digo o melhor ou o pior, e sim o mais popular.
E é nesse evento, aonde deveríamos sim ir às ruas para fazermos valer a tal democracia cantada, nos recuamos em omissão. O joguinho está sendo transmitido? Sua cervejinha está gelada na geladeira? Então está tudo bem né “Guerreiro”?
Concordo que assim como o time de futebol que nos representa este ano, as opções para a liderança da nossa República, desanimam. Mas enquanto cada um pensa dessa forma, seremos sempre 180 milhões de ilhotas que se unem de quatro em quatro anos para festejar um ex-esporte que virou circo. Só que desta vez os palhaços estão na platéia.
Não é porque escrevo que me excluo. Eu adoro futebol, desde que me entendo por gente e certamente assistirei a maior quantidade de jogos que conseguir. Beberei minha cerveja e zoarei um pouco. O problema é se alienar e imaginar que um bom jogo cure os problemas existentes no nosso dia-a-dia no plano tupiniquim. Tem muita coisa errada aqui.
E o país vai vivendo este falso clima de festa, em um mês de dormência as coisas que realmente importam.
Muitas camisas serão vendidas a duzentos reais pela multinacional americana, e outras muitas outras vendidas a dez, pela industria nacional da pirataria. O território fica alegre e colorido. As pessoas felizes. Cantos exaltarão a pátria, o hino será ouvido e aquele locutor chato da TV de bobo vai extrair de você um patriotismo ilusório. Não engane a si. Nem force gostar mais do seu pais. Ele precisa de muito mais que gols para nos fazer orgulhar. Principalmente por parte dos próprios nativos, ou seja, nós mesmos.
À partir do final deste final de semana, somos brasileiros, com muito orgulho, com muito amor. São as férias quadrienais da vida real.
Mas não esqueçamos, o final de ano cinza está por vir. E este sim pode mudar alguma coisa em sua vida.
Vida normal, só ao final de Julho.
Bom Café...