Nada como uma Copa do Mundo para evidenciar o que com muita discrição seguramos por quatro anos dentro de nós. O notório patriotismo. O brasileiro ama sua bandeira, sabe seu hino de cor, e morre pelo país. Tá, já deu pra ver que to forçando a barra, claro.
Você sabe que sua rua não está toda enfeitada por causa do sentimento nacionalista, pelo amor a pátria. Ela é fruto da alegria do povo em sair mais cedo do trabalho, ou mesmo enforcar a lida diária. Diria que a maioria do povo adora futebol e isso é verídico, mas existe outra grande parte que simplesmente não dá a mínima. O time, por exemplo, é o menos empolgante dos últimos tempos.
As cores, verde e amarelo por toda parte são mais uma alusão ao clima festeiro do que torcida em si.
O evento é realmente de magnitude imensa, principalmente este especificamente, por ser realizado num país que ha algumas décadas vivia a violência alimentada pela segregação racial. Tá certo que a cessão da realização por parte da FIFA à África do Sul tem muito cunho político. Mas é um avanço a ser considerado.
Política que mesmo disfarçada, nunca para por traz do pano em nosso Brasil. Aliás, a Copa do Mundo serve muito de cortina para o segundo semestre do ano, aonde viveremos aí sim, um momento de real importância nacional. Eleições presidenciais. Esta muito mais tensa pela possível mudança de toda uma ideologia, e do fim de um longo mandato, aonde tivemos o mais popular representante da história. Não digo o melhor ou o pior, e sim o mais popular.
E é nesse evento, aonde deveríamos sim ir às ruas para fazermos valer a tal democracia cantada, nos recuamos em omissão. O joguinho está sendo transmitido? Sua cervejinha está gelada na geladeira? Então está tudo bem né “Guerreiro”?
Concordo que assim como o time de futebol que nos representa este ano, as opções para a liderança da nossa República, desanimam. Mas enquanto cada um pensa dessa forma, seremos sempre 180 milhões de ilhotas que se unem de quatro em quatro anos para festejar um ex-esporte que virou circo. Só que desta vez os palhaços estão na platéia.
Não é porque escrevo que me excluo. Eu adoro futebol, desde que me entendo por gente e certamente assistirei a maior quantidade de jogos que conseguir. Beberei minha cerveja e zoarei um pouco. O problema é se alienar e imaginar que um bom jogo cure os problemas existentes no nosso dia-a-dia no plano tupiniquim. Tem muita coisa errada aqui.
E o país vai vivendo este falso clima de festa, em um mês de dormência as coisas que realmente importam.
Muitas camisas serão vendidas a duzentos reais pela multinacional americana, e outras muitas outras vendidas a dez, pela industria nacional da pirataria. O território fica alegre e colorido. As pessoas felizes. Cantos exaltarão a pátria, o hino será ouvido e aquele locutor chato da TV de bobo vai extrair de você um patriotismo ilusório. Não engane a si. Nem force gostar mais do seu pais. Ele precisa de muito mais que gols para nos fazer orgulhar. Principalmente por parte dos próprios nativos, ou seja, nós mesmos.
À partir do final deste final de semana, somos brasileiros, com muito orgulho, com muito amor. São as férias quadrienais da vida real.
Mas não esqueçamos, o final de ano cinza está por vir. E este sim pode mudar alguma coisa em sua vida.
Vida normal, só ao final de Julho.
Bom Café...
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