Outro dia chegando em casa, passando em frente à casa de um dos meus vizinhos, fiquei observando o comportamento dos cachorros dele. Um filhote de Rottweiler, daqueles robustos, e seu velho porém não pequeno e bonito Labrador misturado com alguma outra raça. Os dois rolavam no chão mostrando os caninos e rosnando. O mais novo sempre tomando a iniciativa, e o cão adulto só administrando. Lembrei da relação entre irmãos. Por mais que os animais naquele caso não fossem filhos dos mesmos pais e sequer sejam da mesma raça, eles estão vivendo no mesmo meio, e essa convivência justifica a minha alusão à fraternidade. Lembro que sempre fui de iniciativa, mais agitado, mais impulsivo e enérgico, e meu irmão sempre sereno, colocando a mão na minha testa enquanto eu tentava “atacá-lo”, me evitando com seus braços compridos. Foi isso que vi na minha memória quando olhei os dois cães rolando e “brigando” no quintal da casa ao lado. O mais velho ensinando o mais novo, impondo o respeito, mas nunca o machucando de verdade.
Não me lembro bem, obviamente, mas minha mãe conta que nos primeiros anos da minha vida, meu irmão foi essencial. Ele ajudava com tudo, desde troca de fraldas a ficar me olhando dormir no berço. E adorava. Não tinha ciúmes. Parecia que cultivava o novo amigo que estava por crescer.
As primeiras e mais consideráveis lições foram sobre um esporte o qual aprendi a amar por sua causa. Ele me ensinou a chutar com efeito, com a parte interna do pé, e de “trivela”, o famoso “três dedos”. Na verdade estes fundamentos não são os meus melhores ainda hoje, mas ele o fazia muito bem. Aliás, tenho orgulho de dizer que meu irmão é ambidestro, e que não conheço ninguém que jogue assim. Ele tem o domínio, dribla e chuta com a mesma eficácia tanto com a direita como com a esquerda. Você nunca sabe como ele vai bater na bola. De quebra, como qualidade extra, ele possui uma incrível habilidade no basquete. Roube uma bola dele no basquete e te pago dez “mangos”.
Minha paixão pelo Flamengo foi fomentada por ele. Quantas tardes de Maracanã vivenciamos juntos?
Um senso cultural apurado, me apresentou a boa música. Fã do Arsenal e dos costumes britânicos. Talvez seja uma influência involuntária vinda dos nossos ancestrais. Um galanteador nato. Neste quesito eu perco de goleada para ele.
A diferença de quatro anos na idade só começou a ser sentida na adolescência. Enquanto ele começava a se interessar pelas garotas e freqüentar as matinês eu ainda estava na fase dos carrinhos. Foi o período em que nossas prioridades se desviaram. Mas essa fase não durou muito, e logo estávamos em São Paulo, morando juntos, dividindo um minúsculo Flat em Moema, aonde só havia uma cama de casal a qual tínhamos que dividir. Um cara de quase dois metros de um lado, e eu que não sou pequeno, do outro. E um fazendo massagem no pé do outro. Imaginem a cena. Coisa que só pode ser feita entre irmãos mesmo.
Para relatar nossos momentos, precisaria de um livro. Mas esse cara, de nome Marcelo, meu irmão, me deu muito do que sou hoje. Uma das maiores contas que pago vivendo aqui é a de estar longe dele.
Conheci poucas pessoas na vida as quais não consigo encontrar uma objeção ao descrevê-los. Um deles é o Celo. E quem o conhece dificilmente encontrará alguma característica negativa. Ou melhor, não encontrará.
Encontrou sua forma peculiar de reverter uma situação de vida em que muitos julgavam difícil de ser superada. Sozinho.
Sonhador e passional é daqueles que apostam todas as fichas por um momento incrível. Se por acaso perder, não hesitará em começar de novo, do zero.
Dia 31 para todo mundo é o dia do reveillon. Para mim não, é o aniversário do meu irmão. Ele sempre reclamou de estar sozinho neste dia. Eu sempre lhe disse: não, toda essa festa e fogos são para você. Parabéns.
Bom Café, e Feliz 2010 à todos.
Espaço voltado para as publicações dos textos da coluna de quinta-feira de "A Gazeta do Iguaçu".
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Do inquieto aos acomodados
Tempo de reflexão, de reciclagem de pensamento e projeção de novas metas. Chegou a hora de pedir, de desejar, de sonhar e ter esperança.
Mas antes disso, sugiro que se pergunte: Eu estou feliz com a minha vida?
Sim, não, mais ou menos?
Por mais bem sucedido profissionalmente e pessoalmente, sempre vai haver uma coisinha. Mas não queria tudo. Não é saudável. Afinal o tudo já não será mais tudo quando atingi-lo e aí pode ser que fique frustrado com a sensação de insatisfação permanente.
Em contrapartida, se vive uma vida apenas cômoda, se mexa. A maior armadilha na qual podemos cair é a da acomodação. “Não é o que eu sonhava, mas pelo menos não me oferece riscos.” E os anos passarão como flecha e de repente estará velho demais para tentar recuperar certas coisas.
A vida é muito fugaz para que nos acomodemos com o mediano. Há bilhões de pessoas neste planeta e muitas dela correndo atrás de algo notável. Você se acha pior do que estas pessoas, menos capaz, mais indefeso? Somos todos mortais e pessoas nascidas em ambientes muito mais hostis encontram força para vencer.
Quando pensamos isso nos sentimos até ligeiramente envergonhados não é mesmo?
Portanto, neste final de ano, não espere que o Papai Noel traga todos os seus desejos em sua sacola, e os dê de mão beijada. Na verdade sugiro um pé atrás com o Papai Noel porque pelo que li hoje ele está tão em crise que anda assaltando bancos por aí. Trocadilhos à parte, o que quero dizer é que nós somos os responsáveis pela nossa própria história. Há mecanismos que nos guiam, nos impulsionam até certo ponto, mas de lá, é você quem deve guiar.
Ninguém é tão importante a ponto de ser responsável pela sua felicidade plena.
O risco existe para o mais corajoso, na mesma proporção que para o mais covarde. Viver fugindo do que é arriscado é abdicar da vida.
Não aceite a inexperiência nem a falta de dinheiro, tampouco o medo como obstáculos daqui para frente. São mais artifícios motivadores do que qualquer outra coisa. Ao inexperiente sobra audácia, a quem não possui dinheiro suficiente, sobra determinação para ir atrás do necessário, e o medo deve ser interpretado como juízo. Quem teme respeita, e respeito nunca é demais.
Aos que lêem meus textos, ou estão lendo pela primeira vez, imagino que paire a pergunta: Quem é esse cara para sugerir isto ou aquilo? Não sou um escritor renomado, não sou doutor em nada, e nem pregador de qualquer religião ou seita. Sou um cara comum. Mais comum do que você, provavelmente. Mas veja o lado interessante disso. Não é legal, ao menos diferente, pensar em coisas que um cara comum escreve? Ao menos compartilhamos de situações cotidianas semelhantes. Os exemplos simplesmente se encaixam.
Escrevo aqui há quase um ano, por hobby, e confesso que ainda não estou perto de algo que me satisfaça plenamente. Nem sei se um dia encontrarei isso.
Acho que posso passar a vida atrás e viver procurando me proporciona muita coisa boa. Como estar aqui hoje, nesta cidade linda, tendo visto tudo o que vi e conhecendo tantos que conheci. A busca é compensatória. As experiências ruins neste meio tempo só te engrandecem.
Portanto, em 2010 “mexa seu traseiro gordo” e vá atrás do que quer! Por mais que se ferre todo, ainda sim terá ganhado muito mais.
Todos merecem seus sonhos. Mas ninguém irá te trazer.
Esse texto poderia ser para a próxima Quinta-Feira, 31, mas para mim é um dia mais especial do que o dia da virada.
É o dia do aniversário do meu irmão, e escreverei pra ele.
Bom Café...
Mas antes disso, sugiro que se pergunte: Eu estou feliz com a minha vida?
Sim, não, mais ou menos?
Por mais bem sucedido profissionalmente e pessoalmente, sempre vai haver uma coisinha. Mas não queria tudo. Não é saudável. Afinal o tudo já não será mais tudo quando atingi-lo e aí pode ser que fique frustrado com a sensação de insatisfação permanente.
Em contrapartida, se vive uma vida apenas cômoda, se mexa. A maior armadilha na qual podemos cair é a da acomodação. “Não é o que eu sonhava, mas pelo menos não me oferece riscos.” E os anos passarão como flecha e de repente estará velho demais para tentar recuperar certas coisas.
A vida é muito fugaz para que nos acomodemos com o mediano. Há bilhões de pessoas neste planeta e muitas dela correndo atrás de algo notável. Você se acha pior do que estas pessoas, menos capaz, mais indefeso? Somos todos mortais e pessoas nascidas em ambientes muito mais hostis encontram força para vencer.
Quando pensamos isso nos sentimos até ligeiramente envergonhados não é mesmo?
Portanto, neste final de ano, não espere que o Papai Noel traga todos os seus desejos em sua sacola, e os dê de mão beijada. Na verdade sugiro um pé atrás com o Papai Noel porque pelo que li hoje ele está tão em crise que anda assaltando bancos por aí. Trocadilhos à parte, o que quero dizer é que nós somos os responsáveis pela nossa própria história. Há mecanismos que nos guiam, nos impulsionam até certo ponto, mas de lá, é você quem deve guiar.
Ninguém é tão importante a ponto de ser responsável pela sua felicidade plena.
O risco existe para o mais corajoso, na mesma proporção que para o mais covarde. Viver fugindo do que é arriscado é abdicar da vida.
Não aceite a inexperiência nem a falta de dinheiro, tampouco o medo como obstáculos daqui para frente. São mais artifícios motivadores do que qualquer outra coisa. Ao inexperiente sobra audácia, a quem não possui dinheiro suficiente, sobra determinação para ir atrás do necessário, e o medo deve ser interpretado como juízo. Quem teme respeita, e respeito nunca é demais.
Aos que lêem meus textos, ou estão lendo pela primeira vez, imagino que paire a pergunta: Quem é esse cara para sugerir isto ou aquilo? Não sou um escritor renomado, não sou doutor em nada, e nem pregador de qualquer religião ou seita. Sou um cara comum. Mais comum do que você, provavelmente. Mas veja o lado interessante disso. Não é legal, ao menos diferente, pensar em coisas que um cara comum escreve? Ao menos compartilhamos de situações cotidianas semelhantes. Os exemplos simplesmente se encaixam.
Escrevo aqui há quase um ano, por hobby, e confesso que ainda não estou perto de algo que me satisfaça plenamente. Nem sei se um dia encontrarei isso.
Acho que posso passar a vida atrás e viver procurando me proporciona muita coisa boa. Como estar aqui hoje, nesta cidade linda, tendo visto tudo o que vi e conhecendo tantos que conheci. A busca é compensatória. As experiências ruins neste meio tempo só te engrandecem.
Portanto, em 2010 “mexa seu traseiro gordo” e vá atrás do que quer! Por mais que se ferre todo, ainda sim terá ganhado muito mais.
Todos merecem seus sonhos. Mas ninguém irá te trazer.
Esse texto poderia ser para a próxima Quinta-Feira, 31, mas para mim é um dia mais especial do que o dia da virada.
É o dia do aniversário do meu irmão, e escreverei pra ele.
Bom Café...
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Preconceito enrustido
Quando se fala em Argentina, qual é a primeira coisa que lhe vêm em mente? Ta bom, não fale alto porque pode ser constrangedor, se estiver perto de uma senhora, ou num ambiente público, afinal, sair por aí falando palavrão não é legal. Isto poderia ser roteiro de mais uma piadinha besta sobre nossos “hermanos” argentinos, de fato. Mas minhas palavras hoje vêm em tom de protesto.
Não sou o tipo de pessoa que prega e alimenta preconceitos, na minha utópica visão de Mundo perfeito todos deveriam se gostar e se possível tratar-se como se fossemos parte de apenas um povo. Somos todos homens com as mesmas habilidades e sentidos providos da espécie. Mas a verdade é que a história nos separa numa complexa cadeia de fatores.
E a história tratou de criar entre os vizinhos sul-americanos uma das mais intensas rivalidades mundiais.
Se fosse só futebol tudo bem, apesar de já haver tanta competição envolvendo os dois países, é apenas um esporte, mas a rivalidade transcende o jogo, passa pela política, economia, cultura e por aspectos de socialização.
Nós que vivemos à fronteira entre os dois países sentimos isso com mais clareza. Há brasileiros e argentinos que se comportam mal, que isso seja justamente posto, o que faz parte da educação individual.
Como brasileiro, seria fácil descer a lenha sem base alguma e alimentado por uma rixa que aprendemos desde criança. Não é do meu feitio.
A maioria dos moradores de Foz têm como hábito visitar a feirinha de Puerto Iguazu, freqüentar alguns restaurantes, clubes noturnos ou mesmo abastecer seus veículos naquele país.
Mesmo que seja visível a não cordialidade entre os moradores daqui e os de lá, ambos se beneficiam desta rotina. Diria que no aspecto comercial, apesar de Puerto Iguazu ser uma cidade também turística, eles dependem muito dessa presença do brasileiro e do iguaçuense.
O que é incompreensível é o descarado desinteresse deles ante a nossa presença.
Já não bastassem atitudes estúpidas como fechar a ponte de “pirraça”, dificultar a entrada de brasileiros cobrando taxas estranhas e fazer piada com os tapetinhos verdes os quais tínhamos que limpar nossas “patas” para entrar, o mais sério é o desuso da lei para o brasileiro especificamente.
Há vários relatos de pessoas que estiveram nesta situação.
Agora, o inaceitável é a intolerante violência. Mais uma vez um iguaçuense é espancado a frente de dezenas, covardemente, por seguranças de uma casa noturna bastante freqüentada por brasileiros. A polícia pôs panos quentes, afinal, o segurança era um policial. Queriam levá-lo preso, e senão fosse sua família, sabe lá o que haveria acontecido.
Podem até pensar que o rapaz fez por merecer, o que não foi o caso, mas nenhuma atitude justifica o espancamento. E tenho absoluta certeza de que se fosse um turista americano ou europeu, nada disso teria acontecido.
Aí é que se expõe a rivalidade que muitos acham que fica apenas no futebol e nas piadas.
Agora esta família busca solução para o caso. Como conseguir justiça na Argentina, sendo brasileiro?
Importante que seja dito é que o Brasil não é modelo de justiça, nem de comportamento, há corrupção na política, nos órgãos de proteção ao cidadão, há todo o tipo de violência. Tem muita coisa errada aqui. E como pagamos? Com a má fama e com a exposição negativa. É o mínimo e é merecedor.
Portanto, o mínimo que devo fazer, é dizer que você que é brasileiro, vive em Foz e costuma ir a Puerto Iguazu, pode, um belo dia, ser vítima de um intolerante preconceito e terminar espancado, extorquido, enfim. Você precisa mesmo disso?
Eu prefiro ficar por aqui...
Bom Café.
Não sou o tipo de pessoa que prega e alimenta preconceitos, na minha utópica visão de Mundo perfeito todos deveriam se gostar e se possível tratar-se como se fossemos parte de apenas um povo. Somos todos homens com as mesmas habilidades e sentidos providos da espécie. Mas a verdade é que a história nos separa numa complexa cadeia de fatores.
E a história tratou de criar entre os vizinhos sul-americanos uma das mais intensas rivalidades mundiais.
Se fosse só futebol tudo bem, apesar de já haver tanta competição envolvendo os dois países, é apenas um esporte, mas a rivalidade transcende o jogo, passa pela política, economia, cultura e por aspectos de socialização.
Nós que vivemos à fronteira entre os dois países sentimos isso com mais clareza. Há brasileiros e argentinos que se comportam mal, que isso seja justamente posto, o que faz parte da educação individual.
Como brasileiro, seria fácil descer a lenha sem base alguma e alimentado por uma rixa que aprendemos desde criança. Não é do meu feitio.
A maioria dos moradores de Foz têm como hábito visitar a feirinha de Puerto Iguazu, freqüentar alguns restaurantes, clubes noturnos ou mesmo abastecer seus veículos naquele país.
Mesmo que seja visível a não cordialidade entre os moradores daqui e os de lá, ambos se beneficiam desta rotina. Diria que no aspecto comercial, apesar de Puerto Iguazu ser uma cidade também turística, eles dependem muito dessa presença do brasileiro e do iguaçuense.
O que é incompreensível é o descarado desinteresse deles ante a nossa presença.
Já não bastassem atitudes estúpidas como fechar a ponte de “pirraça”, dificultar a entrada de brasileiros cobrando taxas estranhas e fazer piada com os tapetinhos verdes os quais tínhamos que limpar nossas “patas” para entrar, o mais sério é o desuso da lei para o brasileiro especificamente.
Há vários relatos de pessoas que estiveram nesta situação.
Agora, o inaceitável é a intolerante violência. Mais uma vez um iguaçuense é espancado a frente de dezenas, covardemente, por seguranças de uma casa noturna bastante freqüentada por brasileiros. A polícia pôs panos quentes, afinal, o segurança era um policial. Queriam levá-lo preso, e senão fosse sua família, sabe lá o que haveria acontecido.
Podem até pensar que o rapaz fez por merecer, o que não foi o caso, mas nenhuma atitude justifica o espancamento. E tenho absoluta certeza de que se fosse um turista americano ou europeu, nada disso teria acontecido.
Aí é que se expõe a rivalidade que muitos acham que fica apenas no futebol e nas piadas.
Agora esta família busca solução para o caso. Como conseguir justiça na Argentina, sendo brasileiro?
Importante que seja dito é que o Brasil não é modelo de justiça, nem de comportamento, há corrupção na política, nos órgãos de proteção ao cidadão, há todo o tipo de violência. Tem muita coisa errada aqui. E como pagamos? Com a má fama e com a exposição negativa. É o mínimo e é merecedor.
Portanto, o mínimo que devo fazer, é dizer que você que é brasileiro, vive em Foz e costuma ir a Puerto Iguazu, pode, um belo dia, ser vítima de um intolerante preconceito e terminar espancado, extorquido, enfim. Você precisa mesmo disso?
Eu prefiro ficar por aqui...
Bom Café.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Informe
Ao pessoal que costuma ler meus textos publicados no jornal, peço desculpas, já que esta semana devido à inúmeros imprevistos, não pude redigir um texto novo.
É a primeira vez em 10 meses de coluna semanal. Espero que seja a única.
Até a próxima semana.
É a primeira vez em 10 meses de coluna semanal. Espero que seja a única.
Até a próxima semana.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
O início do fim do ano
Brasileiro deixa tudo para a última hora? A maioria sim. Eu faço parte dela. Confesso que não gosto, mas geralmente trabalho sobre pressão. Os textos desta coluna são sempre escritos no último momento. Portanto, peço a compreensão aos que lêem, afinal, é uma atividade paralela a qual faço questão de encontrar espaço para encaixá-la. Uma semana cheia e de muitas preocupações. Não sucumbi a falar de futebol, principalmente neste momento, pelo qual espero ansiosamente. O Domingo será o divisor de águas. Ou eu largo mão de vez, ou fico mais apaixonado pelo esporte.
Reservo meu curto espaço de tempo, e minha cabeça repleta de obrigações, darei um breve "Boas Vindas" ao melhor mês do nosso calendário.
O mês aonde ao menos tentamos esquecer o que há de ruim no cenário atual de nossas vidas. Aonde ganhamos mais, e gastamos mais. Ganhamos presentes, e vemos amigos e familiares distantes.
Se fosses comparar os meses do ano, com os dias da semana, qual deles seria Dezembro?
O início do fim de mais um ano, este primeiro texto do Mês inspira o sentimento cíclico que no toma conta. O sentimento de começo de festa. Por mais que para aqueles que não fazem parte de um calendário sazonal regular, em suas profissões ainda estejam a todo vapor, é inevitável deixar-nos contagiar pelo clima.
Religiosidade à parte, o espírito a qual me refiro é o individual, da auto-reflexão, da análise e dos projetos futuros. Para os que foram mal, a esperança de que tudo será melhor no ano seguinte. Aos que realizaram bons feitos, a sensação de gratidão e a expectativa de que tudo possa ser no mínimo igual.
O Sol vêm, a economia esquenta, o trabalho se torna menos penoso, as pessoas mais sorridentes, e vai por aí... Por mais que saibamos que nos lamentemos que os anos passem e mesmo depois de tantos "Dezembros" felizes e esperançosos, temos o velho e suado ano, não abrimos mão de vivenciarmos a felicidade, pelo menos no último mês do ano. E isso é legal. Nem ligamos para as músicas natalinas repetitivas que tocam em todos os estabelecimentos comercias do país. Talvez faça parte da hipnose necessária para entrarmos no clima natalino. Ou seria uma tática de influência de consumo? Não duvido que haja estudos realizados nessa área. Nesta época costumamos comprar Panetones que duram até Março do próximo ano, e nunca nos perguntamos o por quê. Pode ser a musiquinha.
Voltando ao foco e respondendo à minha própria pergunta acima, eu diria que estamos numa Sexta-Feira. O dia que antecede o fim de semana, que saímos do trabalho e tomamos uma cerveja sem culpa, o dia em que saímos para "festar" à noite, um dia eu diria, sempre eufórico. Como Dezembro, o mês festeiro, que antecede algo que esperamos ser bom, ou melhor do que o que passou. A diferença, ou a vantagem, é que não há meses com cara de "Segundas-Feiras".
Que todos saibam aproveitar este Mês diferente e fugaz. Que em meio aos planos e as festas, as pessoas exagerem na boa conduta, no crescimento do caráter, no fazer bem. É essa harmonia que Dezembro nos proporciona.
Reservo meu curto espaço de tempo, e minha cabeça repleta de obrigações, darei um breve "Boas Vindas" ao melhor mês do nosso calendário.
O mês aonde ao menos tentamos esquecer o que há de ruim no cenário atual de nossas vidas. Aonde ganhamos mais, e gastamos mais. Ganhamos presentes, e vemos amigos e familiares distantes.
Se fosses comparar os meses do ano, com os dias da semana, qual deles seria Dezembro?
O início do fim de mais um ano, este primeiro texto do Mês inspira o sentimento cíclico que no toma conta. O sentimento de começo de festa. Por mais que para aqueles que não fazem parte de um calendário sazonal regular, em suas profissões ainda estejam a todo vapor, é inevitável deixar-nos contagiar pelo clima.
Religiosidade à parte, o espírito a qual me refiro é o individual, da auto-reflexão, da análise e dos projetos futuros. Para os que foram mal, a esperança de que tudo será melhor no ano seguinte. Aos que realizaram bons feitos, a sensação de gratidão e a expectativa de que tudo possa ser no mínimo igual.
O Sol vêm, a economia esquenta, o trabalho se torna menos penoso, as pessoas mais sorridentes, e vai por aí... Por mais que saibamos que nos lamentemos que os anos passem e mesmo depois de tantos "Dezembros" felizes e esperançosos, temos o velho e suado ano, não abrimos mão de vivenciarmos a felicidade, pelo menos no último mês do ano. E isso é legal. Nem ligamos para as músicas natalinas repetitivas que tocam em todos os estabelecimentos comercias do país. Talvez faça parte da hipnose necessária para entrarmos no clima natalino. Ou seria uma tática de influência de consumo? Não duvido que haja estudos realizados nessa área. Nesta época costumamos comprar Panetones que duram até Março do próximo ano, e nunca nos perguntamos o por quê. Pode ser a musiquinha.
Voltando ao foco e respondendo à minha própria pergunta acima, eu diria que estamos numa Sexta-Feira. O dia que antecede o fim de semana, que saímos do trabalho e tomamos uma cerveja sem culpa, o dia em que saímos para "festar" à noite, um dia eu diria, sempre eufórico. Como Dezembro, o mês festeiro, que antecede algo que esperamos ser bom, ou melhor do que o que passou. A diferença, ou a vantagem, é que não há meses com cara de "Segundas-Feiras".
Que todos saibam aproveitar este Mês diferente e fugaz. Que em meio aos planos e as festas, as pessoas exagerem na boa conduta, no crescimento do caráter, no fazer bem. É essa harmonia que Dezembro nos proporciona.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Os “malas” e as malas.
Você é dono de uma empresa e mantém um quadro razoável de funcionários a um custo elevado, em condições adequadas ou até acima da média da realidade atual, e obtêm um desempenho aceitável anual em relação às expectativas. Em determinado momento resolve incentivar seus funcionários a um resultado acima do esperado e se surpreende com a capacidade dos mesmos. Deram mais de si, se empenharam, demonstraram uma capacidade muito maior daquela que você conhecia e estava acostumado. A que conclusão você chega? Seus funcionários trabalham na “meia-boca” apenas com seu salário que já é muito bom? Não seria sua remuneração suficiente para que dessem tudo de si? Seriam eles corruptos?
Aonde quero chegar? Entendo que uma empresa com uma política de incentivo, inclusão dos colaboradores nas cotas de lucro, remuneração satisfatória, obtêm resultados melhores.
Agora transfira este raciocínio ao futebol. O assunto do momento são as “malas-brancas”, os “bichos” e seus efeitos no desempenho dos times e jogadores. Sabe-se que os valores que envolvem grande parte dos profissionais da elite do futebol brasileiro são irreais ante a maioria dos outros profissionais do país. Um jogador mediano, semi-analfabeto ganha mais do que um médico.
Estes mesmos jogadores são funcionários do clube pelo qual jogam. O trabalho deles, na teoria, é entrar em campo e ir em busca da vitória, objetivo claro do jogo. Porém, o ano já está no fim, a empresa (neste caso o clube) já atingiu suas pretensões anuais, e os funcionários (jogadores), já não tem motivação para jogar e ir em busca da vitória. Raciocinemos. O jogador (funcionário) está sem motivação para ir atrás do seu objetivo, que é a vitória no jogo. Mesmo assim, seu salário “astronômico” continua sendo depositado em sua conta corrente. Mas isso não é mais suficiente. Agora, para que ele desenvolva o seu trabalho com o mínimo de eficiência, é necessário que entre um “extra”. Veja bem, a pessoa começa a desempenhar seu trabalho de forma desleixada, e ao invés de ser multada por isso, ela ganha mais?
É isso que acontece no futebol. Esporte que envolve muito dinheiro, e por outro lado envolve muito sentimentalismo por parte das pessoas que o acompanham.
Corrupção, como em vários outros segmentos político-econômicos deste país.
O pagamento de incentivo de um clube a outro para que o mesmo endureça a partida contra um adversário indireto, é de certa forma, manipulação de resultados. Não é dever de todo o time de futebol, entrar em campo para defender sua instituição, sua empresa. O clube que entra sem esta obrigação básica é de alguma forma cúmplice de manipulação, uma vez que o resultado de seu jogo interfere em todo o resultado final do campeonato.
E outra, um clube sem maiores pretensões que recebe tal “incentivo” para jogar com seriedade contra determinado adversário, pode muito bem aceitar dinheiro para jogar com mais desinteresse ainda. E não há um mecanismo que coíba tal prática. A lei não é muito clara e sempre há brechas.
Sabe-se que isso ocorre há anos, e nada é feito. Desta forma, todo o brilho de uma conquista, todo o empenho dos jogadores durante o ano, de nada valem uma vez que os mesmos se desvirtuam de suas obrigações esportivas em prol de benefícios alheios ao esporte.
Além de tudo isso, há ainda a conotação preconceituosa em relação às malas.
A mala preta que seria a ilegal, e a mala branca a qual julgam não haver nada de errado. Independentemente das cores das malas e das notas que vão dentro delas, quem perde mais são os que gostam do esporte.
E a culpa é do caráter corrupto e ganancioso do brasileiro em geral.
A maioria responderia positivamente a um incentivo extra em qualquer atividade que exerça, sendo ilegal ou não, enquanto que dar o máximo de si em seu trabalho não passa de uma obrigação.
Bom café.
Aonde quero chegar? Entendo que uma empresa com uma política de incentivo, inclusão dos colaboradores nas cotas de lucro, remuneração satisfatória, obtêm resultados melhores.
Agora transfira este raciocínio ao futebol. O assunto do momento são as “malas-brancas”, os “bichos” e seus efeitos no desempenho dos times e jogadores. Sabe-se que os valores que envolvem grande parte dos profissionais da elite do futebol brasileiro são irreais ante a maioria dos outros profissionais do país. Um jogador mediano, semi-analfabeto ganha mais do que um médico.
Estes mesmos jogadores são funcionários do clube pelo qual jogam. O trabalho deles, na teoria, é entrar em campo e ir em busca da vitória, objetivo claro do jogo. Porém, o ano já está no fim, a empresa (neste caso o clube) já atingiu suas pretensões anuais, e os funcionários (jogadores), já não tem motivação para jogar e ir em busca da vitória. Raciocinemos. O jogador (funcionário) está sem motivação para ir atrás do seu objetivo, que é a vitória no jogo. Mesmo assim, seu salário “astronômico” continua sendo depositado em sua conta corrente. Mas isso não é mais suficiente. Agora, para que ele desenvolva o seu trabalho com o mínimo de eficiência, é necessário que entre um “extra”. Veja bem, a pessoa começa a desempenhar seu trabalho de forma desleixada, e ao invés de ser multada por isso, ela ganha mais?
É isso que acontece no futebol. Esporte que envolve muito dinheiro, e por outro lado envolve muito sentimentalismo por parte das pessoas que o acompanham.
Corrupção, como em vários outros segmentos político-econômicos deste país.
O pagamento de incentivo de um clube a outro para que o mesmo endureça a partida contra um adversário indireto, é de certa forma, manipulação de resultados. Não é dever de todo o time de futebol, entrar em campo para defender sua instituição, sua empresa. O clube que entra sem esta obrigação básica é de alguma forma cúmplice de manipulação, uma vez que o resultado de seu jogo interfere em todo o resultado final do campeonato.
E outra, um clube sem maiores pretensões que recebe tal “incentivo” para jogar com seriedade contra determinado adversário, pode muito bem aceitar dinheiro para jogar com mais desinteresse ainda. E não há um mecanismo que coíba tal prática. A lei não é muito clara e sempre há brechas.
Sabe-se que isso ocorre há anos, e nada é feito. Desta forma, todo o brilho de uma conquista, todo o empenho dos jogadores durante o ano, de nada valem uma vez que os mesmos se desvirtuam de suas obrigações esportivas em prol de benefícios alheios ao esporte.
Além de tudo isso, há ainda a conotação preconceituosa em relação às malas.
A mala preta que seria a ilegal, e a mala branca a qual julgam não haver nada de errado. Independentemente das cores das malas e das notas que vão dentro delas, quem perde mais são os que gostam do esporte.
E a culpa é do caráter corrupto e ganancioso do brasileiro em geral.
A maioria responderia positivamente a um incentivo extra em qualquer atividade que exerça, sendo ilegal ou não, enquanto que dar o máximo de si em seu trabalho não passa de uma obrigação.
Bom café.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
É o fim do mundo mesmo
Você que esta hora está diante do computador do trabalho, com inúmeras planilhas de Excel à sua frente, de saco cheio ainda de manhã, pensando que as férias deste ano serão apertadas, que sua remuneração é baixa, que chegará em casa e terá mais um monte de pepinos de ordem pessoal para resolver, seus problemas acabaram! Como assim?
Simples, mais uma vez, o Fim do Mundo bate à sua porta! Largue tudo, mande seu chefe para o quinto... E rume em direção a um cenário paradisíaco, ou o local dos seus sonhos. Curta seus últimos anos de vida. Este é o primeiro e simplório pensamento que vem à cabeça de todo ser humano ao se falar em apocalipse, não é mesmo?
Ou o pânico generalizado.
Mas não estou aqui para profetizar, e sim para falar de cinema. Conversava eu com meu amigo e diretor de cinema Marcelo Cypreste, aqui no Rio de Janeiro, quando surgiu a seguinte questão: Hollywood sabe fazer cinema?
Qualquer criança de cinco anos riria de nossas caras ao ouvir tal questionamento. Hollywood é alma do cinema, dirão alguns. Quando se fala em produções cinematográficas, qual é o primeiro nome que vem em mente? Sim, exato.
Mas mesmo que muitos de nós não sejamos profissionais ou estudiosos no assunto, é algo que intriga e incomoda a quem vive no meio.
Eu no alto da minha ignorância cinematográfica ouso dizer que Hollywood é sim uma máquina de dinheiro. De produzir e de gastar. E isso é inegável. Mas há um abismo entre uma produção caríssima e uma boa obra.
Porque seria o Festival de Cannes o mais respeitado entre os profissionais de cinema no Mundo todo? E porque os filmes que mais se destacam em Cannes às vezes sequer chegam ao público em massa? Não é tão difícil responder.
Quem realmente faz cinema, gosta, se importa com boas obras, boas atuações, boas direções, sabe a diferença entre os dois tipos de produtos. Ou melhor, a diferença entre uma obra e um produto.
De qualquer forma, não há como ignorar a presença de Hollywood e suas criações, algumas até muito boas, mas a maioria aquelas que nos enfiam goela abaixo.
Quantas vezes nas últimas semanas, ouviu-se falar em final dos tempos? Não, não foi um grupo de religiosos que espalhou tal notícia via internet. A “mega” divulgação do filme 2012 atingiu o objetivo. A promoção foi tão forte que até o “apagão” da última semana foi relacionado a premiére do filme, que estreou, por “coincidência” na sexta-feira 13.
Quantos filmes apocalípticos você já assistiu em sua vida? Uns dez? Não duvido.
“2012”é mais um filme de efeitos especiais respeitáveis, muita destruição e pouco enredo. As causas da extinção do planeta, como em diversas outras produções, são mal explicadas, talvez um pouquinho mais original por não ser um simples pedregulho que viaja em direção a Terra.
Clichês mis, no final de quase três horas de agonia (para quem entrou no clima), sempre resta uma esperança. O homem americano adora desafiar E.T.s, monstros e a própria natureza. E vence.
O que todos já sabemos, é que o Mundo precisa de uma reeducação de costumes, para que se preserve o planeta a fim de que se retardem os efeitos catastróficos causados pela condição humana de desenvolvimento.
Mas 2012 é só mais um produto americano que conseguirá sim, arrecadar uma grana violenta ao redor do Mundo. E só.
E você que está na frente do computador, com a planilha do Excel, cheio de preocupações, esqueça o paraíso e volte a trabalhar, para que em 2013, você esteja numa melhor posição e quem sabe com menos dores de cabeça.
Bom café
Simples, mais uma vez, o Fim do Mundo bate à sua porta! Largue tudo, mande seu chefe para o quinto... E rume em direção a um cenário paradisíaco, ou o local dos seus sonhos. Curta seus últimos anos de vida. Este é o primeiro e simplório pensamento que vem à cabeça de todo ser humano ao se falar em apocalipse, não é mesmo?
Ou o pânico generalizado.
Mas não estou aqui para profetizar, e sim para falar de cinema. Conversava eu com meu amigo e diretor de cinema Marcelo Cypreste, aqui no Rio de Janeiro, quando surgiu a seguinte questão: Hollywood sabe fazer cinema?
Qualquer criança de cinco anos riria de nossas caras ao ouvir tal questionamento. Hollywood é alma do cinema, dirão alguns. Quando se fala em produções cinematográficas, qual é o primeiro nome que vem em mente? Sim, exato.
Mas mesmo que muitos de nós não sejamos profissionais ou estudiosos no assunto, é algo que intriga e incomoda a quem vive no meio.
Eu no alto da minha ignorância cinematográfica ouso dizer que Hollywood é sim uma máquina de dinheiro. De produzir e de gastar. E isso é inegável. Mas há um abismo entre uma produção caríssima e uma boa obra.
Porque seria o Festival de Cannes o mais respeitado entre os profissionais de cinema no Mundo todo? E porque os filmes que mais se destacam em Cannes às vezes sequer chegam ao público em massa? Não é tão difícil responder.
Quem realmente faz cinema, gosta, se importa com boas obras, boas atuações, boas direções, sabe a diferença entre os dois tipos de produtos. Ou melhor, a diferença entre uma obra e um produto.
De qualquer forma, não há como ignorar a presença de Hollywood e suas criações, algumas até muito boas, mas a maioria aquelas que nos enfiam goela abaixo.
Quantas vezes nas últimas semanas, ouviu-se falar em final dos tempos? Não, não foi um grupo de religiosos que espalhou tal notícia via internet. A “mega” divulgação do filme 2012 atingiu o objetivo. A promoção foi tão forte que até o “apagão” da última semana foi relacionado a premiére do filme, que estreou, por “coincidência” na sexta-feira 13.
Quantos filmes apocalípticos você já assistiu em sua vida? Uns dez? Não duvido.
“2012”é mais um filme de efeitos especiais respeitáveis, muita destruição e pouco enredo. As causas da extinção do planeta, como em diversas outras produções, são mal explicadas, talvez um pouquinho mais original por não ser um simples pedregulho que viaja em direção a Terra.
Clichês mis, no final de quase três horas de agonia (para quem entrou no clima), sempre resta uma esperança. O homem americano adora desafiar E.T.s, monstros e a própria natureza. E vence.
O que todos já sabemos, é que o Mundo precisa de uma reeducação de costumes, para que se preserve o planeta a fim de que se retardem os efeitos catastróficos causados pela condição humana de desenvolvimento.
Mas 2012 é só mais um produto americano que conseguirá sim, arrecadar uma grana violenta ao redor do Mundo. E só.
E você que está na frente do computador, com a planilha do Excel, cheio de preocupações, esqueça o paraíso e volte a trabalhar, para que em 2013, você esteja numa melhor posição e quem sabe com menos dores de cabeça.
Bom café
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Órfãos da energia
Quantas vezes, nós, moradores de Foz do Iguaçu e vizinhos da maior Hidrelétrica em fornecimento de energia do Mundo a Itaipu, nos perguntamos em casos de queda de energia na cidade como seria isso possível?
A resposta que costumamos ouvir é que apesar de estarmos ao lado da hidrelétrica, não somos diretamente abastecidos por ela.
De fato, e vos digo, agradeçam por isso!
A noite de ontem nas maiores cidades do país foi de calor, desordem e mosquitos. Pelo menos aqui no Rio de Janeiro.
Cerca de 10 estados do país foram afetados pelo mais novo histórico apagão ocorrido em nosso território. Um período mínimo de 40 minutos e máximo de até 6 horas de falta de energia em determinados locais.
De todos os problemas imagináveis numa situação como esta, praticamente todos concretizaram-se. Trânsito caótico, acidentes, pessoas presas em elevadores, trens e metrôs e o pior deles, a violência urbana.
Várias questões ainda são postas à mesa uma vez que até o momento presente, o qual escrevo este texto, por volta de 11 da manhã de quarta, não há uma versão oficial e convincente para às causas do “black-out”.
Ontem, assim que ocorreu a queda, como ao maioria, imaginei ser um problema local. Mas logo recebi uma ligação de São Paulo, aonde vive meu irmão, relatando o problema. Sintonizei o rádio no celular, e comecei a ouvir as possíveis causas e explicações.
Estas já são de conhecimento de todos, não há aqui espaço e nem intenção de repeti-las, e sim debatê-las.
Das mais importantes declarações dadas, as principais são do nosso conhecido diretor geral da Itaipu Jorge Samek, que explicou a todos num primeiro momento, a razão pela qual a Usina deixou de fornecer a energia, e os fatos que levaram a isso. Questões de segurança, nada mais justo e correto.
Horas mais tarde, Samek provavelmente recebendo todo o tipo de informação e solicitação, foi ao ar para deixar claro que o problema não foi da hidrelétrica, que estava cumprindo seu papel de produzir energia, e que a mesma não os faltava, e sim das linhas de transmissão, responsabilidade de Furnas. Acrescentou que há cerca de mil quilômetros de linhas e que justamente por isso seria difícil identificar o foco do problema.
Antes de expor minhas dúvidas, gostaria de dizer que assim como grande parte dos que lêem este texto, conheço a Usina, e apesar de leigo, sou muito seguro quanto a eficiência de Itaipu e seus profissionais.
As duvidas levantadas por vários desde ontem, é quanto à fragilidade mostrada pelas tais linhas de transmissão de energia, caso esta tenha sido de fato a razão do ocorrido. De que adianta possuir toda uma tecnologia de produção quando sua distribuição demonstra falhas? É algo intrigante e difícil de acreditar.
Hoje pela manhã, Furnas se pronunciou dizendo que não houve grandes avarias em suas torres e cabos de transmissão. Dando a entender que a causa não foi essa.
Sabe-se que o Oeste do Paraná vem sofrendo com muitos fenômenos climáticos, ventos, chuvas fortes, enfim. Porém isso já ocorreu antes, e não causou apagões.
Até o momento, o que fica claro é que um país como o Brasil não pode ser refém de um sistema de fornecimento de energia único e isolado. Deve haver alternativas.
Sobre às explicações à população, entende-se que para que não haja pânico e desordem, até que se saiba o que houve, ponha-se panos quentes. Mas caso haja sabotagem ou invasão por hackers, a situação realmente preocupa.
Para fechar, lembro-vos que uma das principais candidatas à presidência da República nas eleições de 2010, Dilma Roussef, declarou à duas semanas: “O Brasil não corre mais riscos de apagão".
Bom Café...
A resposta que costumamos ouvir é que apesar de estarmos ao lado da hidrelétrica, não somos diretamente abastecidos por ela.
De fato, e vos digo, agradeçam por isso!
A noite de ontem nas maiores cidades do país foi de calor, desordem e mosquitos. Pelo menos aqui no Rio de Janeiro.
Cerca de 10 estados do país foram afetados pelo mais novo histórico apagão ocorrido em nosso território. Um período mínimo de 40 minutos e máximo de até 6 horas de falta de energia em determinados locais.
De todos os problemas imagináveis numa situação como esta, praticamente todos concretizaram-se. Trânsito caótico, acidentes, pessoas presas em elevadores, trens e metrôs e o pior deles, a violência urbana.
Várias questões ainda são postas à mesa uma vez que até o momento presente, o qual escrevo este texto, por volta de 11 da manhã de quarta, não há uma versão oficial e convincente para às causas do “black-out”.
Ontem, assim que ocorreu a queda, como ao maioria, imaginei ser um problema local. Mas logo recebi uma ligação de São Paulo, aonde vive meu irmão, relatando o problema. Sintonizei o rádio no celular, e comecei a ouvir as possíveis causas e explicações.
Estas já são de conhecimento de todos, não há aqui espaço e nem intenção de repeti-las, e sim debatê-las.
Das mais importantes declarações dadas, as principais são do nosso conhecido diretor geral da Itaipu Jorge Samek, que explicou a todos num primeiro momento, a razão pela qual a Usina deixou de fornecer a energia, e os fatos que levaram a isso. Questões de segurança, nada mais justo e correto.
Horas mais tarde, Samek provavelmente recebendo todo o tipo de informação e solicitação, foi ao ar para deixar claro que o problema não foi da hidrelétrica, que estava cumprindo seu papel de produzir energia, e que a mesma não os faltava, e sim das linhas de transmissão, responsabilidade de Furnas. Acrescentou que há cerca de mil quilômetros de linhas e que justamente por isso seria difícil identificar o foco do problema.
Antes de expor minhas dúvidas, gostaria de dizer que assim como grande parte dos que lêem este texto, conheço a Usina, e apesar de leigo, sou muito seguro quanto a eficiência de Itaipu e seus profissionais.
As duvidas levantadas por vários desde ontem, é quanto à fragilidade mostrada pelas tais linhas de transmissão de energia, caso esta tenha sido de fato a razão do ocorrido. De que adianta possuir toda uma tecnologia de produção quando sua distribuição demonstra falhas? É algo intrigante e difícil de acreditar.
Hoje pela manhã, Furnas se pronunciou dizendo que não houve grandes avarias em suas torres e cabos de transmissão. Dando a entender que a causa não foi essa.
Sabe-se que o Oeste do Paraná vem sofrendo com muitos fenômenos climáticos, ventos, chuvas fortes, enfim. Porém isso já ocorreu antes, e não causou apagões.
Até o momento, o que fica claro é que um país como o Brasil não pode ser refém de um sistema de fornecimento de energia único e isolado. Deve haver alternativas.
Sobre às explicações à população, entende-se que para que não haja pânico e desordem, até que se saiba o que houve, ponha-se panos quentes. Mas caso haja sabotagem ou invasão por hackers, a situação realmente preocupa.
Para fechar, lembro-vos que uma das principais candidatas à presidência da República nas eleições de 2010, Dilma Roussef, declarou à duas semanas: “O Brasil não corre mais riscos de apagão".
Bom Café...
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Turista não é otário. Respeite-o!
Turista não é otário, respeite-o!
No Rio de Janeiro, nas merecidas e fugazes férias anuais, priorizei obviamente matar a saudade da família e das atividades as quais tinha o hábito de fazer quando aqui vivia. Antes de prosseguir, gostaria de deixar claro que tenho propriedade em relatar o cenário carioca como natural da cidade, crescido e habituado com a cultura local. Não é perseguição muito menos difamação. O problema do Rio se estende às grandes capitais e cidades de mais evidência e apelo econômico, em suas proporções.
Ao descer no Galeão no sábado à tarde, dei um beijo na mãe e a pedi que levasse minhas malas para casa e me largasse nas imediações do Maracanã. Jogo do Flamengo sempre foi minha terapia. Ganhando ou perdendo eu ia a todo jogo, nem que fosse para ficar rouco de tanto xingar e descarregar minhas frustrações semanais. Minhas primeiras impressões não foram das melhores. Na verdade, nada muito diferente do que sempre foi. Sob o clima tenso das constantes operações policiais, muita algazarra e confusão ao redor do estádio.
Ingresso nas bilheterias? Impossível. Para adquirir um ticket e ver a partida, somente nas mãos do cambista. Cambista é a figura que trabalha para alguém grande, revendendo uma carga de ingressos “X” a um preço 500 % maior do que o original. Isso é crime, claro. Mas ocorre desde que me entendo por gente, aqui e na China. Abordado por um rapaz simpático, eu sem muita alternativa, e com muita vontade de entrar logo no estádio, comprei meu bilhete e para minha surpresa, fui cordialmente levado até a roleta eletrônica aonde o vendedor me garantia a veracidade do seu produto. No meio do caminho cumprimentou uns “rapazes fardados” na maior camaradagem. Desejou um bom jogo e ali se encerrava a falcatrua.
Sob a áurea da magnética torcida, e o lindo Maracanã lotado, curti o jogo numa boa. Porém pensava comigo: “Imagina numa Copa do Mundo, nos Jogos Olímpicos?”.
Jogo encerrado, a maioria do público feliz, aquela zoeira na saída, fui atrás de um táxi, para voltar tranqüilo para casa aonde “mamãe” me esperava com uma comidinha recém preparada.
No mesmo passo, notei a presença de turistas estrangeiros ao lado, também procurando pelo serviço. Ao abordarem um taxista, fiquei chocado com o que ouvi. Os turistas disseram o destino e o taxista foi sucinto: R$ 150,00. Na lata. Os “gringos” contestaram. O rapaz replicou: “Se quiser é assim, e já lhe aviso, que todos fazem o mesmo preço”.
Uma máfia.
Fiquei “p” da vida com aquilo e fui atrás do meu, quando obtive o mesmo tipo de resposta. Ficamos, eu e os turistas rodeando e procurando um táxi que pudesse realizar o serviço de forma honesta. Não encontramos. O resultado, eles pegaram o táxi naquelas condições, e eu andei 2 km até sair do raio de abrangência do estádio. Peguei um táxi e me custou R$ 8,00 até minha casa.
Moral da história: o país pode conquistar prestígio internacional na economia, na política, pode ter riquezas naturais que garantam o futuro da república para mais 500 anos. Mas ainda sim necessitamos de uma reeducação.
Turista não é otário. Eles, inclusive, têm uma cultura de pesquisarem bastante antes de suas viagens, são precavidos, e por mais que tenham poderio econômico, não jogam dinheiro para o alto. Tratá-los como idiotas, é uma idiotice “macro”. Ele leva uma decepcionante memória para casa e não volta. Além de fazer uma propaganda negativa do destino.
Foz do Iguaçu tem características semelhantes ao Rio, em vários aspectos. Recebemos turistas o ano inteiro. E este tipo de comportamento é inaceitável. Compartilho deste exemplo negativo aos que servem turistas na nossa cidade.
Este episódio me envergonhou, e sinto que falta muito para recebermos bem eventos da magnitude da Copa e das Olimpíadas.
Reclamamos da corrupção dos governos, mas grande parte da população age da mesma forma. Tornam-se cúmplices uns dos outros. Desta forma nunca seremos uma sociedade de primeiro mundo.
Falta-nos civilidade.
Bom Café.
No Rio de Janeiro, nas merecidas e fugazes férias anuais, priorizei obviamente matar a saudade da família e das atividades as quais tinha o hábito de fazer quando aqui vivia. Antes de prosseguir, gostaria de deixar claro que tenho propriedade em relatar o cenário carioca como natural da cidade, crescido e habituado com a cultura local. Não é perseguição muito menos difamação. O problema do Rio se estende às grandes capitais e cidades de mais evidência e apelo econômico, em suas proporções.
Ao descer no Galeão no sábado à tarde, dei um beijo na mãe e a pedi que levasse minhas malas para casa e me largasse nas imediações do Maracanã. Jogo do Flamengo sempre foi minha terapia. Ganhando ou perdendo eu ia a todo jogo, nem que fosse para ficar rouco de tanto xingar e descarregar minhas frustrações semanais. Minhas primeiras impressões não foram das melhores. Na verdade, nada muito diferente do que sempre foi. Sob o clima tenso das constantes operações policiais, muita algazarra e confusão ao redor do estádio.
Ingresso nas bilheterias? Impossível. Para adquirir um ticket e ver a partida, somente nas mãos do cambista. Cambista é a figura que trabalha para alguém grande, revendendo uma carga de ingressos “X” a um preço 500 % maior do que o original. Isso é crime, claro. Mas ocorre desde que me entendo por gente, aqui e na China. Abordado por um rapaz simpático, eu sem muita alternativa, e com muita vontade de entrar logo no estádio, comprei meu bilhete e para minha surpresa, fui cordialmente levado até a roleta eletrônica aonde o vendedor me garantia a veracidade do seu produto. No meio do caminho cumprimentou uns “rapazes fardados” na maior camaradagem. Desejou um bom jogo e ali se encerrava a falcatrua.
Sob a áurea da magnética torcida, e o lindo Maracanã lotado, curti o jogo numa boa. Porém pensava comigo: “Imagina numa Copa do Mundo, nos Jogos Olímpicos?”.
Jogo encerrado, a maioria do público feliz, aquela zoeira na saída, fui atrás de um táxi, para voltar tranqüilo para casa aonde “mamãe” me esperava com uma comidinha recém preparada.
No mesmo passo, notei a presença de turistas estrangeiros ao lado, também procurando pelo serviço. Ao abordarem um taxista, fiquei chocado com o que ouvi. Os turistas disseram o destino e o taxista foi sucinto: R$ 150,00. Na lata. Os “gringos” contestaram. O rapaz replicou: “Se quiser é assim, e já lhe aviso, que todos fazem o mesmo preço”.
Uma máfia.
Fiquei “p” da vida com aquilo e fui atrás do meu, quando obtive o mesmo tipo de resposta. Ficamos, eu e os turistas rodeando e procurando um táxi que pudesse realizar o serviço de forma honesta. Não encontramos. O resultado, eles pegaram o táxi naquelas condições, e eu andei 2 km até sair do raio de abrangência do estádio. Peguei um táxi e me custou R$ 8,00 até minha casa.
Moral da história: o país pode conquistar prestígio internacional na economia, na política, pode ter riquezas naturais que garantam o futuro da república para mais 500 anos. Mas ainda sim necessitamos de uma reeducação.
Turista não é otário. Eles, inclusive, têm uma cultura de pesquisarem bastante antes de suas viagens, são precavidos, e por mais que tenham poderio econômico, não jogam dinheiro para o alto. Tratá-los como idiotas, é uma idiotice “macro”. Ele leva uma decepcionante memória para casa e não volta. Além de fazer uma propaganda negativa do destino.
Foz do Iguaçu tem características semelhantes ao Rio, em vários aspectos. Recebemos turistas o ano inteiro. E este tipo de comportamento é inaceitável. Compartilho deste exemplo negativo aos que servem turistas na nossa cidade.
Este episódio me envergonhou, e sinto que falta muito para recebermos bem eventos da magnitude da Copa e das Olimpíadas.
Reclamamos da corrupção dos governos, mas grande parte da população age da mesma forma. Tornam-se cúmplices uns dos outros. Desta forma nunca seremos uma sociedade de primeiro mundo.
Falta-nos civilidade.
Bom Café.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
O superestimado e sua vítima
Na busca “sedenta” por assuntos interessantes, um leque de sensacionalismo estampado nas capas dos principais portais do Mundo. Violência, corrupção, fofocas e futebol.
Nunca escondi que o futebol é minha maior paixão e falaria sobre o tema todas as quintas-feiras se este espaço fosse destinado a isto. Na verdade o espaço é livre, mas minha intenção é debater sobre tudo um pouco.
Nesta semana, peço licença ao Jornal e ofereço minha coluna a meu irmão, Marcelo Tupper. É de família, amamos escrever.
O texto que seguirá é de sua autoria, e fala sobre a valorização da “marca” Brasil, o fortalecimento de sua economia, e o contraditório comportamento dos burocratas dinossauros que administram nossa república.
O Brasil está na moda, fama traz visibilidade, e consequentemente, expõe muito mais o mecanismo funcional do Governo. E expondo o Governo, há um grande risco de aparecerem coisas nada agradáveis, além do que tais fragilidades podem resultar a queda da “crista da onda” que o Brasil está posicionado hoje, ante o cenário global.
Nas linhas abaixo, meu brother:
“É notório percebermos o quanto o Brasil tem caminhado a passos largos em direção a uma política econômica salutar e estável, basta recapitularmos os últimos acontecimentos que nos inseriram como um país de firmeza e consistência em tal setor.
Para os que não se recordam, há pouco tempo atrás, ocorreu uma espécie de “recessão mundial”, em que grande parte das grandes potências mundiais foram prejudicadas.
Avesso à isso , o Brasil seguiu adiante dando os ombros para tal crise e mostrando de uma vez por todas um grande amadurecimento financeiro e um forte sistema bancário. A conseqüência: Grande demanda de capital estrangeiro investido no país, afinal, tais garantias o tornam como a grande saída para os países envolvidos naquela crise recessiva. Porém de maneira contrária caminha o nosso ministro da economia Guido Mantega , que num ato de puro tirocínio , resolve taxar de maneira reguladora a entrada de capital estrangeiro no país através do outrora já conhecido IOF , captando 2% do montante investido no país. Mas você, leigo como eu , se pergunta: Mas isso não vai contra o crescimento do país? A tributação de capital estrangeiro investido não irá diminuir ao ponto de frear esse avanço tupiniquim rumo ao status de nova potência do século XXI?
Como citou o jornal El País: “a primeira grande crise da globalização deixa, até o momento, dois grandes ganhadores: os emergentes asiáticos e o Brasil".
Sim, no popular, o Brasil é a bola da vez, o país do momento para quem quer investir e se dar bem e essa taxação do IOF veio para controlar os ânimos dos mais empolgadinhos e oportunistas. Vítima do seu próprio sucesso, o Brasil vê nesse marco regulador uma maneira de diminuir o excesso de aplicações especulativas dos outros países sobre o mercado de capitais, evitando o que se poderia se chamar de bolha na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F ) ou seja ,uma volatilidade , assim como percebemos nos mercados externos.
Somando-se a isso o nosso ministro Mantega ressaltou que a taxação tem como objetivo desestimular a sobrevalorização da moeda brasileira a fim de que as exportações e os empregos não sejam atingidos negativamente.
Quanto a esta certeza do ministro de que tal medida irá refletir de maneira positiva no mercado de ações só posso reagir com ceticismo.”
Marcelo Tupper escreve para o blog http://saladediscussoes.blogspot.com focando a política e a economia.
Bom Café.
Nunca escondi que o futebol é minha maior paixão e falaria sobre o tema todas as quintas-feiras se este espaço fosse destinado a isto. Na verdade o espaço é livre, mas minha intenção é debater sobre tudo um pouco.
Nesta semana, peço licença ao Jornal e ofereço minha coluna a meu irmão, Marcelo Tupper. É de família, amamos escrever.
O texto que seguirá é de sua autoria, e fala sobre a valorização da “marca” Brasil, o fortalecimento de sua economia, e o contraditório comportamento dos burocratas dinossauros que administram nossa república.
O Brasil está na moda, fama traz visibilidade, e consequentemente, expõe muito mais o mecanismo funcional do Governo. E expondo o Governo, há um grande risco de aparecerem coisas nada agradáveis, além do que tais fragilidades podem resultar a queda da “crista da onda” que o Brasil está posicionado hoje, ante o cenário global.
Nas linhas abaixo, meu brother:
“É notório percebermos o quanto o Brasil tem caminhado a passos largos em direção a uma política econômica salutar e estável, basta recapitularmos os últimos acontecimentos que nos inseriram como um país de firmeza e consistência em tal setor.
Para os que não se recordam, há pouco tempo atrás, ocorreu uma espécie de “recessão mundial”, em que grande parte das grandes potências mundiais foram prejudicadas.
Avesso à isso , o Brasil seguiu adiante dando os ombros para tal crise e mostrando de uma vez por todas um grande amadurecimento financeiro e um forte sistema bancário. A conseqüência: Grande demanda de capital estrangeiro investido no país, afinal, tais garantias o tornam como a grande saída para os países envolvidos naquela crise recessiva. Porém de maneira contrária caminha o nosso ministro da economia Guido Mantega , que num ato de puro tirocínio , resolve taxar de maneira reguladora a entrada de capital estrangeiro no país através do outrora já conhecido IOF , captando 2% do montante investido no país. Mas você, leigo como eu , se pergunta: Mas isso não vai contra o crescimento do país? A tributação de capital estrangeiro investido não irá diminuir ao ponto de frear esse avanço tupiniquim rumo ao status de nova potência do século XXI?
Como citou o jornal El País: “a primeira grande crise da globalização deixa, até o momento, dois grandes ganhadores: os emergentes asiáticos e o Brasil".
Sim, no popular, o Brasil é a bola da vez, o país do momento para quem quer investir e se dar bem e essa taxação do IOF veio para controlar os ânimos dos mais empolgadinhos e oportunistas. Vítima do seu próprio sucesso, o Brasil vê nesse marco regulador uma maneira de diminuir o excesso de aplicações especulativas dos outros países sobre o mercado de capitais, evitando o que se poderia se chamar de bolha na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F ) ou seja ,uma volatilidade , assim como percebemos nos mercados externos.
Somando-se a isso o nosso ministro Mantega ressaltou que a taxação tem como objetivo desestimular a sobrevalorização da moeda brasileira a fim de que as exportações e os empregos não sejam atingidos negativamente.
Quanto a esta certeza do ministro de que tal medida irá refletir de maneira positiva no mercado de ações só posso reagir com ceticismo.”
Marcelo Tupper escreve para o blog http://saladediscussoes.blogspot.com focando a política e a economia.
Bom Café.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
É difícil servir bem?
Dias atrás lembro de ter saído de um restaurante prometendo nunca mais voltar. Acabei voltando. Em muitos lugares o produto “se vende”, e talvez a singularidade de tal, o faça ponderar a péssima prestação de serviço pela satisfação de consumi-lo.
Não me julgo capaz de propor através deste espaço um boicote às pessoas que são pessimamente tratadas por um serviço de atendimento “aleijado”. Mas posso sugerir que sejam mais exigentes e atentas aos que têm o dever de vos proporcionarem ao menos o bem estar naquele ambiente.
Não é de hoje que vivencio experiências inacreditáveis de descaso de funcionários com seus clientes, de forma explícita e revoltante.
Imaginar que numa cidade como Foz do Iguaçu, que recebe turistas do mundo todo, que tem uma população permanente exigente e consumidora, contempla em vários segmentos comerciais uma prestação de serviços tão mal preparada.
Um problema que parte da própria administração do local à consciência do colaborador quanto ao seu papel não só ate ao empregador, e sim ao cliente, a principal fonte de manutenção de seu próprio emprego e estabelecimento respectivamente.
Sabe-se que o investimento em treinamentos e a valorização do funcionário são fundamentais para que o mesmo desempenhe sua função com excelência. E valorização não significa simplesmente elevar salários. Eu falo em motivação, reconhecimento, condições ideais de trabalho. Pois certamente um funcionário satisfeito presta um atendimento melhor e o resultado disso é a cadeia de satisfação completa. Proprietário, colaborador e cliente.
Não é a toa que as maiores empresas do Brasil e do Mundo adotam periódicos programas de treinamento nos quais dá-se aos seus funcionários além do conhecimento pleno de como desempenhar seu papel na empresa, incentivo e reconhecimento inclusive nos cargos de menor nível hierárquico.
Este tipo de investimento é fundamental, mesmo que haja contratempos. Obviamente por razão ou outra existem extensões de determinadas empresas que evidenciam falhas em seu contato com o cliente e a forma como o produto é entregue, principalmente as maiores cadeias, pelo fato de alguns de seus responsáveis em determinadas localidades não administrarem da forma correta, colocando interesses particulares à frente dos interesses da empresa.
Quem sofre novamente é o consumidor.
Por isso, cabe ao maior atingido pelo mau profissionalismo, cobrar destas pessoas uma melhora. De que forma? Expondo a insatisfação. Geralmente saímos do local prometendo não voltar, como iniciei o texto, mas o fato é que a maioria das pessoas simplesmente esquece e volta, e só relembra o fato ao ser abordado novamente pela equipe do estabelecimento.
As maiores empresas possuem um canal direto de comunicação, enquanto nas menores geralmente se tem uma maneira de transmitir ao gerente e ou até ao próprio proprietário.
Converse, deixe uma anotação, sempre de forma educada.
Eu tenho certeza que alguns lugares específicos logo apresentarão mudanças, uma vez que seu serviço demonstra-se tão evidentemente insatisfatório.
É preciso que nossa cidade receba bem. Aliás, este é o “be a ba” do anfitrião. Não consigo mais acreditar que nesta cidade existam pessoas servindo tão mal a população e seus turistas.
É sabido que se trabalha muito para construir-se uma boa imagem e que um deslize qualquer suja esta mesma imagem com muita facilidade.
E considero injusto aos que trabalham bem e as empresas que investem nisso carregarem o estigma de que a prestação de serviços em Foz do Iguaçu é ruim.
E isso acontece.
Os setores de comunicação direta à população e turistas necessitam de um serviço excelente.
Bom café.
Não me julgo capaz de propor através deste espaço um boicote às pessoas que são pessimamente tratadas por um serviço de atendimento “aleijado”. Mas posso sugerir que sejam mais exigentes e atentas aos que têm o dever de vos proporcionarem ao menos o bem estar naquele ambiente.
Não é de hoje que vivencio experiências inacreditáveis de descaso de funcionários com seus clientes, de forma explícita e revoltante.
Imaginar que numa cidade como Foz do Iguaçu, que recebe turistas do mundo todo, que tem uma população permanente exigente e consumidora, contempla em vários segmentos comerciais uma prestação de serviços tão mal preparada.
Um problema que parte da própria administração do local à consciência do colaborador quanto ao seu papel não só ate ao empregador, e sim ao cliente, a principal fonte de manutenção de seu próprio emprego e estabelecimento respectivamente.
Sabe-se que o investimento em treinamentos e a valorização do funcionário são fundamentais para que o mesmo desempenhe sua função com excelência. E valorização não significa simplesmente elevar salários. Eu falo em motivação, reconhecimento, condições ideais de trabalho. Pois certamente um funcionário satisfeito presta um atendimento melhor e o resultado disso é a cadeia de satisfação completa. Proprietário, colaborador e cliente.
Não é a toa que as maiores empresas do Brasil e do Mundo adotam periódicos programas de treinamento nos quais dá-se aos seus funcionários além do conhecimento pleno de como desempenhar seu papel na empresa, incentivo e reconhecimento inclusive nos cargos de menor nível hierárquico.
Este tipo de investimento é fundamental, mesmo que haja contratempos. Obviamente por razão ou outra existem extensões de determinadas empresas que evidenciam falhas em seu contato com o cliente e a forma como o produto é entregue, principalmente as maiores cadeias, pelo fato de alguns de seus responsáveis em determinadas localidades não administrarem da forma correta, colocando interesses particulares à frente dos interesses da empresa.
Quem sofre novamente é o consumidor.
Por isso, cabe ao maior atingido pelo mau profissionalismo, cobrar destas pessoas uma melhora. De que forma? Expondo a insatisfação. Geralmente saímos do local prometendo não voltar, como iniciei o texto, mas o fato é que a maioria das pessoas simplesmente esquece e volta, e só relembra o fato ao ser abordado novamente pela equipe do estabelecimento.
As maiores empresas possuem um canal direto de comunicação, enquanto nas menores geralmente se tem uma maneira de transmitir ao gerente e ou até ao próprio proprietário.
Converse, deixe uma anotação, sempre de forma educada.
Eu tenho certeza que alguns lugares específicos logo apresentarão mudanças, uma vez que seu serviço demonstra-se tão evidentemente insatisfatório.
É preciso que nossa cidade receba bem. Aliás, este é o “be a ba” do anfitrião. Não consigo mais acreditar que nesta cidade existam pessoas servindo tão mal a população e seus turistas.
É sabido que se trabalha muito para construir-se uma boa imagem e que um deslize qualquer suja esta mesma imagem com muita facilidade.
E considero injusto aos que trabalham bem e as empresas que investem nisso carregarem o estigma de que a prestação de serviços em Foz do Iguaçu é ruim.
E isso acontece.
Os setores de comunicação direta à população e turistas necessitam de um serviço excelente.
Bom café.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
A parte boa do que somos
Quem nunca falou que a família só é boa em porta-retratos, à distância, que atire a primeira pedra. Eu mesmo já o fiz.
Condenada por alguns especialistas e sociólogos como instituição falida, a família ainda é fator fundamental na formação do indivíduo. Há uma visível mudança sócio-comportamental com o avanço tecnológico e econômico que nos remete a individualidade. Desde a inserção da mulher no mercado de trabalho, aos mais modernos apetrechos eletrônicos que nos dão a ilusória sensação de auto-suficiência. Você fecha negócios via mensagens em seu BlackBerry e comemora o Natal com a família numa vídeo conferência através do Skype. Mantêm-se atualizado quanto aos passos de amigos através de suas redes sociais diariamente atualizadas, e faz um pedido de fast-food via chat. Laptops e aparelhos de telefone celular são o sexto e o sétimo sentido da espécie humana contemporânea.
O Mundo competitivo te oferece poucos espaços. E os espaços coletivos são escassos. E essa afirmação refere-se a todos os âmbitos. Desde o espaço físico, quanto o profissional. A corrida tecnológica e econômica é inversamente proporcional aos recursos que o planeta oferece.
Jovens cada vez mais jovens, sucumbem à pressão imposta por todos ao seu redor. E na maioria das vezes não estão preparados à isso. E tal pressão inicia-se dentro da própria casa.
Porém, o papel de prepará-los não foi substituído por nenhum computador. Ainda é da tão falada instituição falida, a família.
Princípios morais, caráter, autoconfiança, fé, educação e principalmente amor, são alicerces fundamentais para a nossa sobrevivência ante tantos desafios.
Que máquina é capaz de prover tais capacitações?
Sou da geração da transição, e minha família sofreu com o início do processo. Somos cinco membros distantes e isolados geograficamente. Porém tal distância física não nos faz separados. Resistimos a esta nova formação social com o que aprendemos de fundamental dentro do ambiente familiar.
Por isso, aos que ainda convivem em família, é fundamental o cultivo destes princípios para que haja um equilíbrio no futuro. Quando falo em tal ambiente familiar, não me refiro a casa cheia, e sim a sintonia entre os membros. Amem-se, ajudem-se, respeitem-se e sejam justos uns com os outros. Aos mais velhos, transmitam o que de bom lhes foi ensinado, e não façam pagar os mais novos as frustrações passadas. Lembre-se que há a responsabilidade de se manter a essência moral. Todos nós envelheceremos, e caberá aos sucessores transmitir o bem, numa sociedade aonde isso já é raro.
E é justamente pela enorme falta de características as quais aprendemos no inicio da vida, que é muito difícil hoje, encontrar correntes voltadas à preservação ambiental, a pessoas interessadas no agrupamento social, na verdadeira união de raças. A globalização, o rompimento de fronteiras, é de mero interesse político. Enquanto que o real interesse é a segregação individual. Carros compactos, apartamentos menores, computadores de mão, pontos eletrônicos, toda a tecnologia nos remete a uma suposta auto-suficiência ilusória e somente atingível aos de maior poderio econômico. Uma re-edição artificial da teoria da “seleção-natural”.
Ensina-se que o Mundo é dos mais fortes e espertos, e a busca pelo sucesso (poderia dizer, sobrevivência) nos faz homens muito mais pobres de espírito, amargurados e covardes.
E a verdade é que somos seres muito mais dependentes de algo que a evolução tecnológica não é capaz de nos prover. O sentimento recíproco. A união.
A primeira manifestação de união parte de dentro para fora, e é a família. E há muita força de fora para dentro para que ela se desfaça. Cultive a sua se ainda a têm.
E bom café.
Condenada por alguns especialistas e sociólogos como instituição falida, a família ainda é fator fundamental na formação do indivíduo. Há uma visível mudança sócio-comportamental com o avanço tecnológico e econômico que nos remete a individualidade. Desde a inserção da mulher no mercado de trabalho, aos mais modernos apetrechos eletrônicos que nos dão a ilusória sensação de auto-suficiência. Você fecha negócios via mensagens em seu BlackBerry e comemora o Natal com a família numa vídeo conferência através do Skype. Mantêm-se atualizado quanto aos passos de amigos através de suas redes sociais diariamente atualizadas, e faz um pedido de fast-food via chat. Laptops e aparelhos de telefone celular são o sexto e o sétimo sentido da espécie humana contemporânea.
O Mundo competitivo te oferece poucos espaços. E os espaços coletivos são escassos. E essa afirmação refere-se a todos os âmbitos. Desde o espaço físico, quanto o profissional. A corrida tecnológica e econômica é inversamente proporcional aos recursos que o planeta oferece.
Jovens cada vez mais jovens, sucumbem à pressão imposta por todos ao seu redor. E na maioria das vezes não estão preparados à isso. E tal pressão inicia-se dentro da própria casa.
Porém, o papel de prepará-los não foi substituído por nenhum computador. Ainda é da tão falada instituição falida, a família.
Princípios morais, caráter, autoconfiança, fé, educação e principalmente amor, são alicerces fundamentais para a nossa sobrevivência ante tantos desafios.
Que máquina é capaz de prover tais capacitações?
Sou da geração da transição, e minha família sofreu com o início do processo. Somos cinco membros distantes e isolados geograficamente. Porém tal distância física não nos faz separados. Resistimos a esta nova formação social com o que aprendemos de fundamental dentro do ambiente familiar.
Por isso, aos que ainda convivem em família, é fundamental o cultivo destes princípios para que haja um equilíbrio no futuro. Quando falo em tal ambiente familiar, não me refiro a casa cheia, e sim a sintonia entre os membros. Amem-se, ajudem-se, respeitem-se e sejam justos uns com os outros. Aos mais velhos, transmitam o que de bom lhes foi ensinado, e não façam pagar os mais novos as frustrações passadas. Lembre-se que há a responsabilidade de se manter a essência moral. Todos nós envelheceremos, e caberá aos sucessores transmitir o bem, numa sociedade aonde isso já é raro.
E é justamente pela enorme falta de características as quais aprendemos no inicio da vida, que é muito difícil hoje, encontrar correntes voltadas à preservação ambiental, a pessoas interessadas no agrupamento social, na verdadeira união de raças. A globalização, o rompimento de fronteiras, é de mero interesse político. Enquanto que o real interesse é a segregação individual. Carros compactos, apartamentos menores, computadores de mão, pontos eletrônicos, toda a tecnologia nos remete a uma suposta auto-suficiência ilusória e somente atingível aos de maior poderio econômico. Uma re-edição artificial da teoria da “seleção-natural”.
Ensina-se que o Mundo é dos mais fortes e espertos, e a busca pelo sucesso (poderia dizer, sobrevivência) nos faz homens muito mais pobres de espírito, amargurados e covardes.
E a verdade é que somos seres muito mais dependentes de algo que a evolução tecnológica não é capaz de nos prover. O sentimento recíproco. A união.
A primeira manifestação de união parte de dentro para fora, e é a família. E há muita força de fora para dentro para que ela se desfaça. Cultive a sua se ainda a têm.
E bom café.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
ENEM: o "x" da questão!
O processo de seleção para o ingresso nas universidades e faculdades do país nunca foi o ideal, todos sabem.
Em meio à polêmicas quanto ao conteúdo aplicado, considerado retrógrado e ineficiente ao regime de cotas, explicitando um dos maiores problemas sociais deste país, a divergência econômica e a questão da etnia, o tema em pauta hoje é o ENEM, processo que substituirá de vez os vestibulares nacionais, prometendo distribuir de forma mais justa e coerente as vagas tão concorridas nas principais instituições de ensino superior.
Há anos tendo sua importância relegada à segundo plano, hoje o exame nacional do ensino médio é visto como um dos mais importantes concursos do país. Supervalorizado, o material da prova virou objeto de ganância dos impostores. Como uma filha indefesa de pais milionários, foi facilmente seqüestrada por dois larápios funcionários da gráfica "responsável" pela copia dos exemplares.
E como todo seqüestro tem sua motivação financeira, os rapazes espertos, pediram a membros da imprensa a "bagatela" de quinhentos mil reais pelo conteúdo.
Pois bem, o furo já estava caracterizado, e gratuitamente. Se a idéia era expor o frágil sistema de proteção utilizado num procedimento tão importante, o objetivo foi atingido, e sendo assim, fica difícil acreditar que tal furto tenha tido a simples intenção enriquecimento. Parece coisa maior. Interesses difusos, não?
A proposta do ENEM não é de agrado unânime, isso já foi evidenciado assim que o ministro de educação Fernando Haddad manifestou sua vontade de promover o exame ao caminho exclusivo de acesso ao ensino superior em alguns anos.
Meses antes, houvera um problema de caráter documental que já ameaçara a prova de ser realizada em sua data prevista. Agora, dias antes, o material é roubado sem que haja uma motivação clara.
Seria muito mais compreensível se os dois envolvidos diretamente no ato do furto fossem pegos tentando vender o conteúdo da prova à candidatos. Faria algum sentido.
Porque procurar diretamente a imprensa para que se propagasse tal escândalo, senão com uma finalidade moral?
E a dupla de Felipes, os protagonistas do episódio, ousariam se expor por algo tão pequeno, sabendo que havia ali inúmeras câmeras de segurança?
Certamente fizeram tudo respaldados por alguém que os dera garantias de que a pena seria branda e vantajosa no final das contas.
Agora, cerca de quatro milhões de candidatos foram lesados, a nova data prevista para a realização das provas coincide com mais inúmeros vestibulares, e o sistema demonstrou falta de confiabilidade.
A forma como as empresas responsáveis são escolhidas é questionada. Licitações más redigidas dão brecha para que o serviço não seja eficaz. É inaceitável que indivíduos "comuns" manejem documento de tal importância.
O ideal seria a escolha por excelência. As empresas mais capacitadas fazem o serviço. E deve haver fiscalização severa.
Muitas universidades, incluindo a "nossa" Unioeste, ainda não decidiram se mudarão suas datas em virtude da proximidade de aplicação.
Mais que um furo de notícia, este acontecimento mexe com o futuro de milhares de jovens deste país. Sabe-se que o processo seletivo é tenso e concorrido, e qualquer desvio de concentração na reta final pode resultar na perda da vaga, numa prova mal feita, em mais um ano perdido.
Acima de tudo, o revolucionário ENEM sai enfraquecido, com sua credibilidade abalada, e com certeza, os mentores deste crime (que não foram os dois rapazes), com o seu objetivo selado.
Em meio à polêmicas quanto ao conteúdo aplicado, considerado retrógrado e ineficiente ao regime de cotas, explicitando um dos maiores problemas sociais deste país, a divergência econômica e a questão da etnia, o tema em pauta hoje é o ENEM, processo que substituirá de vez os vestibulares nacionais, prometendo distribuir de forma mais justa e coerente as vagas tão concorridas nas principais instituições de ensino superior.
Há anos tendo sua importância relegada à segundo plano, hoje o exame nacional do ensino médio é visto como um dos mais importantes concursos do país. Supervalorizado, o material da prova virou objeto de ganância dos impostores. Como uma filha indefesa de pais milionários, foi facilmente seqüestrada por dois larápios funcionários da gráfica "responsável" pela copia dos exemplares.
E como todo seqüestro tem sua motivação financeira, os rapazes espertos, pediram a membros da imprensa a "bagatela" de quinhentos mil reais pelo conteúdo.
Pois bem, o furo já estava caracterizado, e gratuitamente. Se a idéia era expor o frágil sistema de proteção utilizado num procedimento tão importante, o objetivo foi atingido, e sendo assim, fica difícil acreditar que tal furto tenha tido a simples intenção enriquecimento. Parece coisa maior. Interesses difusos, não?
A proposta do ENEM não é de agrado unânime, isso já foi evidenciado assim que o ministro de educação Fernando Haddad manifestou sua vontade de promover o exame ao caminho exclusivo de acesso ao ensino superior em alguns anos.
Meses antes, houvera um problema de caráter documental que já ameaçara a prova de ser realizada em sua data prevista. Agora, dias antes, o material é roubado sem que haja uma motivação clara.
Seria muito mais compreensível se os dois envolvidos diretamente no ato do furto fossem pegos tentando vender o conteúdo da prova à candidatos. Faria algum sentido.
Porque procurar diretamente a imprensa para que se propagasse tal escândalo, senão com uma finalidade moral?
E a dupla de Felipes, os protagonistas do episódio, ousariam se expor por algo tão pequeno, sabendo que havia ali inúmeras câmeras de segurança?
Certamente fizeram tudo respaldados por alguém que os dera garantias de que a pena seria branda e vantajosa no final das contas.
Agora, cerca de quatro milhões de candidatos foram lesados, a nova data prevista para a realização das provas coincide com mais inúmeros vestibulares, e o sistema demonstrou falta de confiabilidade.
A forma como as empresas responsáveis são escolhidas é questionada. Licitações más redigidas dão brecha para que o serviço não seja eficaz. É inaceitável que indivíduos "comuns" manejem documento de tal importância.
O ideal seria a escolha por excelência. As empresas mais capacitadas fazem o serviço. E deve haver fiscalização severa.
Muitas universidades, incluindo a "nossa" Unioeste, ainda não decidiram se mudarão suas datas em virtude da proximidade de aplicação.
Mais que um furo de notícia, este acontecimento mexe com o futuro de milhares de jovens deste país. Sabe-se que o processo seletivo é tenso e concorrido, e qualquer desvio de concentração na reta final pode resultar na perda da vaga, numa prova mal feita, em mais um ano perdido.
Acima de tudo, o revolucionário ENEM sai enfraquecido, com sua credibilidade abalada, e com certeza, os mentores deste crime (que não foram os dois rapazes), com o seu objetivo selado.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Extraordinário !
Se você leu meu último texto, seja no jornal seja neste blog, provavelmente hoje lembrou-se das minhas palavras.
Posso ser julgado chato, sim, ao invés de torcer por algo inédito e grandioso ao nosso país, preferi me posicionar contra. Sim, porque sou um dos alguns indignados com um país com tanto para ser mais, ser um oasis de corrupção.
Porém hoje confesso, como brasileiro, especialmente como carioca, que foi inevitável me emocionar. Não com os rapazas de terno que nos representavam em Copenhague, sim com o povo, com as nossas belezas, com a nossa alegria, nossa paixão, como dizia o "slogan" da campanha. Apesar de sabermos que inevitavelmente muitos tirarão proveito dos investimentos a serem feitos, que muita coisa ainda não vai mudar desta vez, que o acesso a grande parte dos eventos quando se realizarem será restrito a um seleto grupo, a sensação de grandeza, de vitória, de orgulho é inegável.
Não estou me contradizendo e nem retiro o que escrevi a uns dias atrás.
Mas surpreendi-me com a sensação de felicidade hoje.
Resta agora a esperança de que o lado ruim fique de lado, que as pessoas aproveitem a magnitude e o espírito deste evento para deixar algo de bom a cidade, ao país, aos brasileiros.
Porque na verdade, se formos esperar por um país perfeito para realizarmos coisas grandes, talvez nunca tenhamos nada.
Então vai assim mesmo, fiscalizemos a grana pública e façamos história.
Parabéns Rio.
Posso ser julgado chato, sim, ao invés de torcer por algo inédito e grandioso ao nosso país, preferi me posicionar contra. Sim, porque sou um dos alguns indignados com um país com tanto para ser mais, ser um oasis de corrupção.
Porém hoje confesso, como brasileiro, especialmente como carioca, que foi inevitável me emocionar. Não com os rapazas de terno que nos representavam em Copenhague, sim com o povo, com as nossas belezas, com a nossa alegria, nossa paixão, como dizia o "slogan" da campanha. Apesar de sabermos que inevitavelmente muitos tirarão proveito dos investimentos a serem feitos, que muita coisa ainda não vai mudar desta vez, que o acesso a grande parte dos eventos quando se realizarem será restrito a um seleto grupo, a sensação de grandeza, de vitória, de orgulho é inegável.
Não estou me contradizendo e nem retiro o que escrevi a uns dias atrás.
Mas surpreendi-me com a sensação de felicidade hoje.
Resta agora a esperança de que o lado ruim fique de lado, que as pessoas aproveitem a magnitude e o espírito deste evento para deixar algo de bom a cidade, ao país, aos brasileiros.
Porque na verdade, se formos esperar por um país perfeito para realizarmos coisas grandes, talvez nunca tenhamos nada.
Então vai assim mesmo, fiscalizemos a grana pública e façamos história.
Parabéns Rio.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Rio 2016? Não apóio.
Quem acompanha o noticiário certamente tem notado como intensificou o lobby pela candidatura do Rio de Janeiro à sede dos jogos olímpicos de 2016.
Antes de falar sério, gostaria de dizer que essas escolhas de sedes para Copas do Mundo e Olimpíadas me fazem mal. Porque estamos em 2009 e os “caras” já têm contratos e projetos firmados para eventos daqui há 10 anos. Entendo a necessidade de antecipação das decisões para que haja o preparo necessário e adequado para a realização de tais eventos. Qualquer dia, estarei tratando de datas que sequer terei certeza se estarei vivo.
Comentários pessoais inúteis à parte, esta candidatura, assim como sua possível realização, deve ser vista com diferentes olhos dos que nos passam os interessados.
A Copa do Mundo de 2014 está confirmada, e não há o que fazer, a não ser nos conformarmos e fingir que tudo será muito legal e positivo, para o país, para a sociedade direta e diretamente envolvida. Os Jogos Olímpicos são da mesma, ou até maior proporção do que um evento do porte da Copa. O “x” da questão é: o Brasil têm condições de sediar eventos desta magnitude, sendo carente de outras prioridades, havendo tamanha desigualdade social, violência e falta de infra-estrutura?
O Pan-Americano de 2007 no Rio de Janeiro, foi um “rascunho” da incompetência de planejamento e da incapacidade dos responsáveis de organizarem. Para quem assistiu aos jogos até o último dia, gostou das competições, se divertiu e parou por ali, talvez tenha sido legal. Mas um dos principais argumentos dos defensores da realização destes jogos, o progresso, a melhoria de infra-estrutura, a mobilização da sociedade e o emprego, não têm base alguma.
O Rio de Janeiro possui hoje vários “elefantes brancos” do esporte. As arenas que custaram milhões estão largadas, sem manutenção, obsoletas. A Prefeitura poderia, por exemplo, fornecer determinados espaços para as crianças das comunidades carentes praticarem esportes. Isso não ocorre.
A rede de transportes que teve como promessa uma melhoria considerável, se mantêm problemática.
A segurança que supostamente aumentaria, restringiu-se aos dias de evento, obviamente.
O Brasil por ser um país de características continentais, tem poucos atletas bem sucedidos no esporte, se comparado a pequenas nações européias. Justamente pela falta de estrutura e incentivo.
E essa é mais uma “lorota” que nos contam para que apoiemos tal candidatura. O Brasil se tornará uma potência no esporte. Mentira. Com essa administração, com esses cargos perpétuos e mentalidade retrógrada e oportunista, continuaremos sendo enganados.
Sobre no legado do Pan, até hoje não se conseguiu declarar à União o destino da verba disposta para a realização dos jogos, incluindo as obras de preparação, e as necessidades básicas. E o mais legal disso tudo? O dinheiro é público, ou seja, meu e seu. E mesmo sem conseguir explicar para onde foi tanto dinheiro, o que aconteceu com os “caras”? Se re-elegeram em seus cargos.
O problema é que tais informações não chegam a grande maioria.
Enquanto um monte de gente faz festa para recebem a Copa do Mundo em 2014, e faz campanha para eleger o Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o país continua com seus crônicos problemas postos de lado.
Eu adoro esporte, mas detesto ser tratado como otário.
Se você acha que conseguirá assistir a algum jogo na Copa do Mundo, sem despender de um valor com no mínimo quatro dígitos, acorde. Metade da carga será para políticos, 40% será para patrocinadores, e 10% para o público, provavelmente estrangeiro. Se você acha que a violência vai diminuir, que sua cidade vai ficar um “brinco”, que o transporte será eficaz e que o Brasil será uma potência do esporte, tire o “cavalinho da chuva”. No Brasil é diferente. Agora, se você tem consciência de que o país continuará o mesmo, e os principais envolvidos na realização enriquecerão, você está certo.
Ah, e tudo por nossa conta.
Bom Café.
Antes de falar sério, gostaria de dizer que essas escolhas de sedes para Copas do Mundo e Olimpíadas me fazem mal. Porque estamos em 2009 e os “caras” já têm contratos e projetos firmados para eventos daqui há 10 anos. Entendo a necessidade de antecipação das decisões para que haja o preparo necessário e adequado para a realização de tais eventos. Qualquer dia, estarei tratando de datas que sequer terei certeza se estarei vivo.
Comentários pessoais inúteis à parte, esta candidatura, assim como sua possível realização, deve ser vista com diferentes olhos dos que nos passam os interessados.
A Copa do Mundo de 2014 está confirmada, e não há o que fazer, a não ser nos conformarmos e fingir que tudo será muito legal e positivo, para o país, para a sociedade direta e diretamente envolvida. Os Jogos Olímpicos são da mesma, ou até maior proporção do que um evento do porte da Copa. O “x” da questão é: o Brasil têm condições de sediar eventos desta magnitude, sendo carente de outras prioridades, havendo tamanha desigualdade social, violência e falta de infra-estrutura?
O Pan-Americano de 2007 no Rio de Janeiro, foi um “rascunho” da incompetência de planejamento e da incapacidade dos responsáveis de organizarem. Para quem assistiu aos jogos até o último dia, gostou das competições, se divertiu e parou por ali, talvez tenha sido legal. Mas um dos principais argumentos dos defensores da realização destes jogos, o progresso, a melhoria de infra-estrutura, a mobilização da sociedade e o emprego, não têm base alguma.
O Rio de Janeiro possui hoje vários “elefantes brancos” do esporte. As arenas que custaram milhões estão largadas, sem manutenção, obsoletas. A Prefeitura poderia, por exemplo, fornecer determinados espaços para as crianças das comunidades carentes praticarem esportes. Isso não ocorre.
A rede de transportes que teve como promessa uma melhoria considerável, se mantêm problemática.
A segurança que supostamente aumentaria, restringiu-se aos dias de evento, obviamente.
O Brasil por ser um país de características continentais, tem poucos atletas bem sucedidos no esporte, se comparado a pequenas nações européias. Justamente pela falta de estrutura e incentivo.
E essa é mais uma “lorota” que nos contam para que apoiemos tal candidatura. O Brasil se tornará uma potência no esporte. Mentira. Com essa administração, com esses cargos perpétuos e mentalidade retrógrada e oportunista, continuaremos sendo enganados.
Sobre no legado do Pan, até hoje não se conseguiu declarar à União o destino da verba disposta para a realização dos jogos, incluindo as obras de preparação, e as necessidades básicas. E o mais legal disso tudo? O dinheiro é público, ou seja, meu e seu. E mesmo sem conseguir explicar para onde foi tanto dinheiro, o que aconteceu com os “caras”? Se re-elegeram em seus cargos.
O problema é que tais informações não chegam a grande maioria.
Enquanto um monte de gente faz festa para recebem a Copa do Mundo em 2014, e faz campanha para eleger o Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o país continua com seus crônicos problemas postos de lado.
Eu adoro esporte, mas detesto ser tratado como otário.
Se você acha que conseguirá assistir a algum jogo na Copa do Mundo, sem despender de um valor com no mínimo quatro dígitos, acorde. Metade da carga será para políticos, 40% será para patrocinadores, e 10% para o público, provavelmente estrangeiro. Se você acha que a violência vai diminuir, que sua cidade vai ficar um “brinco”, que o transporte será eficaz e que o Brasil será uma potência do esporte, tire o “cavalinho da chuva”. No Brasil é diferente. Agora, se você tem consciência de que o país continuará o mesmo, e os principais envolvidos na realização enriquecerão, você está certo.
Ah, e tudo por nossa conta.
Bom Café.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Há vagas! Mas só as de sempre...
Com o aparente sentimento de que “o pior já passou”, o que parecia mais um comentário patético e sem relevância acabou ganhando status de definição perfeita para o que acabou sendo a crise para o Brasil, na visão do presidente: “apenas uma marolinha”. O país já recebe novo grau de investimento por agências internacionais e o Pré-Sal nos reserva um futuro jamais tão próspero. Tudo bem, metade das pessoas não faz a mínima idéia do que isto significa. O que acontece na prática é que os números relacionados à economia do país estão voltando ao normal. Oportunistas aproveitam esta tendência para falar em crescimento, mas a verdade é que apenas se trata de uma readaptação, uma suposta volta à normalidade. As empresas e indústrias com seus postos ociosos voltaram a restabelecê-los. O desemprego diminuiu nos últimos meses justamente em virtude disso.
O interessante é que o que era ruim ontem passa a ser maravilhoso hoje. Os melhores percentuais atingidos no Brasil ainda estavam longe de serem os ideais.
A forma como a vaga de trabalho é oferecida ainda é desigual, o que favorece as classes econômicas mais favorecidas nas principais ocupações, nas maiores empresas, limitando a grande maioria a postos de trabalhos nos quais as exigências de qualificações são menores. Ou seja, não há meio termo. A maior parte da população situada nesta faixa econômica mediana, a famosa “classe média”, vê-se distante da realização profissional justa. Há preconceito e segregação nas indicações para cargos importantes e de responsabilidade, assim como há poucos de tais cargos disponíveis no mercado de trabalho. Fala-se de falta de mão de obra qualificada. É oportuno utilizar-se deste argumento num país aonde a educação é pífia e a desigualdade social é latente. Mas é um argumento falho.
O corporativismo afunila as possibilidades do cidadão comum de, por meio de seu próprio esforço, adquirir sua colocação máxima dentro de um patamar hierárquico pré-determinado. A resignação pelo emprego seguro e que garante o ordenado mensal acaba sucumbindo. A conseqüência evidencia a realidade, que é a de pessoas razoavelmente qualificadas realizando funções primárias, em muitos casos sem exigir do intelectual, deixando os trabalhadores com qualificações inferiores sem emprego. E no topo da cadeia, pessoas escolhidas “a dedo”, de acordo com interesses inerentes ao mercado de trabalho, criando um largo espaço entre uma classe e outra.
Característica comum ao Mundo cada vez mais selvagem e capitalista.
Às “cadeiras cativas” das principais referências econômicas nacionais não são de acesso liberado. Em muitos casos forja-se até seleções minuciosas e testes inúmeros, enquanto que já há o escolhido.
É crescente a “opção” dos profissionais pelo trabalho alternativo. Sendo a formação subjetiva para seu desenvolvimento dentro de uma companhia, o indivíduo opta pela diversidade de características. E geralmente essa readaptação foge à sua formação específica.
Outra saída é o ingresso em instituições públicas mediante concursos cuja concorrência é desigual e em alguns casos “desumana”. Passando, o sujeito que estudou a vida inteira determinada habilidade, trabalhará no administrativo de algum segmento do governo em troca da estabilidade inabalável, ganhando um salário mediano mais benefícios. Errado? Claro que não. Mas...
Ou seja, há um desequilíbrio mercadológico no país evidentemente manipulado de forma consciente.
O resultado disso é a formação de algo como um “campo de força” que inviabiliza qualquer suspiro de inovação e abertura.
O sistema é fechado e protegido.
Talvez até meados de 2010 abra-se mais “casas” para peões neste “tabuleiro”, mas as torres, os bispos, o Rei e a Rainha seguirão a “linhagem”.
Bom Café.
O interessante é que o que era ruim ontem passa a ser maravilhoso hoje. Os melhores percentuais atingidos no Brasil ainda estavam longe de serem os ideais.
A forma como a vaga de trabalho é oferecida ainda é desigual, o que favorece as classes econômicas mais favorecidas nas principais ocupações, nas maiores empresas, limitando a grande maioria a postos de trabalhos nos quais as exigências de qualificações são menores. Ou seja, não há meio termo. A maior parte da população situada nesta faixa econômica mediana, a famosa “classe média”, vê-se distante da realização profissional justa. Há preconceito e segregação nas indicações para cargos importantes e de responsabilidade, assim como há poucos de tais cargos disponíveis no mercado de trabalho. Fala-se de falta de mão de obra qualificada. É oportuno utilizar-se deste argumento num país aonde a educação é pífia e a desigualdade social é latente. Mas é um argumento falho.
O corporativismo afunila as possibilidades do cidadão comum de, por meio de seu próprio esforço, adquirir sua colocação máxima dentro de um patamar hierárquico pré-determinado. A resignação pelo emprego seguro e que garante o ordenado mensal acaba sucumbindo. A conseqüência evidencia a realidade, que é a de pessoas razoavelmente qualificadas realizando funções primárias, em muitos casos sem exigir do intelectual, deixando os trabalhadores com qualificações inferiores sem emprego. E no topo da cadeia, pessoas escolhidas “a dedo”, de acordo com interesses inerentes ao mercado de trabalho, criando um largo espaço entre uma classe e outra.
Característica comum ao Mundo cada vez mais selvagem e capitalista.
Às “cadeiras cativas” das principais referências econômicas nacionais não são de acesso liberado. Em muitos casos forja-se até seleções minuciosas e testes inúmeros, enquanto que já há o escolhido.
É crescente a “opção” dos profissionais pelo trabalho alternativo. Sendo a formação subjetiva para seu desenvolvimento dentro de uma companhia, o indivíduo opta pela diversidade de características. E geralmente essa readaptação foge à sua formação específica.
Outra saída é o ingresso em instituições públicas mediante concursos cuja concorrência é desigual e em alguns casos “desumana”. Passando, o sujeito que estudou a vida inteira determinada habilidade, trabalhará no administrativo de algum segmento do governo em troca da estabilidade inabalável, ganhando um salário mediano mais benefícios. Errado? Claro que não. Mas...
Ou seja, há um desequilíbrio mercadológico no país evidentemente manipulado de forma consciente.
O resultado disso é a formação de algo como um “campo de força” que inviabiliza qualquer suspiro de inovação e abertura.
O sistema é fechado e protegido.
Talvez até meados de 2010 abra-se mais “casas” para peões neste “tabuleiro”, mas as torres, os bispos, o Rei e a Rainha seguirão a “linhagem”.
Bom Café.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Qual é o real valor do esporte?
A infusão da tecnologia no esporte influenciou de forma pesada nos rumos da atividade ao longo dos últimos anos, tanto na operacionalização em si quanto em sua divulgação e interesses inúmeros.
A constatação de que o esporte vende, trouxe como conseqüência uma corrida acirrada da mídia e patrocinadores acerca dos principais eventos. Conseqüência esta ainda a ser discutida, quanto a seus benefícios e /ou malefícios.
Numa visão econômica macro, a “transformação” do esporte em produto revelou um potente segmento a ser explorado. Os contratos de patrocínio às ligas européias de futebol ou aos campeonatos de automobilismo como a Fórmula 1 e a Moto GP, por exemplo, possuem números “estratosféricos”. Se os eventos recebem tal aporte monetário, o que dizer de suas estrelas, seus protagonistas? Os “atletas” hoje são muito mais que esportistas, são artistas. Vendem sua imagem por um valor às vezes mais caro que o seu próprio desempenho. A superexposição dos mesmos os subsidia com o direito de imagem concedida.
Eu sempre fui apaixonado por esportes em geral. Claro, como brasileiro é natural que o futebol seja minha fixação, mas adoro por exemplo, o automobilismo e o tênis. Fora que acompanho sempre que posso pela televisão, todos os tipos de eventos esportivos, até torneio de bolinha de gude.
E justamente por acompanhar de perto, percebo o desapego cada vez maior pela essência esportiva. O jogo, a coletividade, a vitória e a derrota.
O mais importante hoje não é mais o espírito, e sim como esse espírito se mostra, que marca estampa e o quanto ela rende.
Se partirmos de um princípio que o esporte “depende” da iniciativa privada para sua manutenção e desenvolvimento, como segregar os ideais dos atletas e suas metas às de seus patrocinadores, da mídia e do público?
Acontecimentos como o ocorrido com Nelson Piquet Jr. Na Formula 1 servem, infelizmente, como sustentação para este texto e o raciocínio o qual pretendo expor.
Não quero questionar a atitude do piloto em si, ou por à prova o caráter do rapaz. Fica claro que existiram pressões por todos os lados. Mas pressupõe-se que um piloto que chega a Fórmula 1 é provido de todos os requisitos que à categoria exige, inclusive estabilidade emocional.
Logo, torna-se injustificável tal atitude. Nelsinho foi precipitado, algo comum aos mais jovens. Entendo que seria muito mais apropriado para ele negar-se a fazer parte de tal farsa. Que perdesse seu posto na equipe, mas fortalecesse sua postura correta. A verdade viria à tona de qualquer forma, e talvez antes, e Nelsinho sairia intacto de toda a trama. Hoje, por mais que ele não seja punido, portas fecharão, e acredito que mesmo que volte, será sob olhares desconfiados.
Para quem gosta do esporte e vê-se ludibriado por armações premeditadas, é uma enorme decepção. Não se trata de um programa de auditório ou de um “reality show” com seus intervalos comerciais incessantes.
O esporte mexe com a vida das pessoas de forma intensa. E a deturpação do conceito desportivo cria esta enorme dúvida quanto ao futuro deste segmento tão apaixonante.
De um lado corações, suor, emoção. Do outro os poderosos, interesses e dinheiro.
Você ainda têm dúvida sobre quem ganha esse jogo?
A constatação de que o esporte vende, trouxe como conseqüência uma corrida acirrada da mídia e patrocinadores acerca dos principais eventos. Conseqüência esta ainda a ser discutida, quanto a seus benefícios e /ou malefícios.
Numa visão econômica macro, a “transformação” do esporte em produto revelou um potente segmento a ser explorado. Os contratos de patrocínio às ligas européias de futebol ou aos campeonatos de automobilismo como a Fórmula 1 e a Moto GP, por exemplo, possuem números “estratosféricos”. Se os eventos recebem tal aporte monetário, o que dizer de suas estrelas, seus protagonistas? Os “atletas” hoje são muito mais que esportistas, são artistas. Vendem sua imagem por um valor às vezes mais caro que o seu próprio desempenho. A superexposição dos mesmos os subsidia com o direito de imagem concedida.
Eu sempre fui apaixonado por esportes em geral. Claro, como brasileiro é natural que o futebol seja minha fixação, mas adoro por exemplo, o automobilismo e o tênis. Fora que acompanho sempre que posso pela televisão, todos os tipos de eventos esportivos, até torneio de bolinha de gude.
E justamente por acompanhar de perto, percebo o desapego cada vez maior pela essência esportiva. O jogo, a coletividade, a vitória e a derrota.
O mais importante hoje não é mais o espírito, e sim como esse espírito se mostra, que marca estampa e o quanto ela rende.
Se partirmos de um princípio que o esporte “depende” da iniciativa privada para sua manutenção e desenvolvimento, como segregar os ideais dos atletas e suas metas às de seus patrocinadores, da mídia e do público?
Acontecimentos como o ocorrido com Nelson Piquet Jr. Na Formula 1 servem, infelizmente, como sustentação para este texto e o raciocínio o qual pretendo expor.
Não quero questionar a atitude do piloto em si, ou por à prova o caráter do rapaz. Fica claro que existiram pressões por todos os lados. Mas pressupõe-se que um piloto que chega a Fórmula 1 é provido de todos os requisitos que à categoria exige, inclusive estabilidade emocional.
Logo, torna-se injustificável tal atitude. Nelsinho foi precipitado, algo comum aos mais jovens. Entendo que seria muito mais apropriado para ele negar-se a fazer parte de tal farsa. Que perdesse seu posto na equipe, mas fortalecesse sua postura correta. A verdade viria à tona de qualquer forma, e talvez antes, e Nelsinho sairia intacto de toda a trama. Hoje, por mais que ele não seja punido, portas fecharão, e acredito que mesmo que volte, será sob olhares desconfiados.
Para quem gosta do esporte e vê-se ludibriado por armações premeditadas, é uma enorme decepção. Não se trata de um programa de auditório ou de um “reality show” com seus intervalos comerciais incessantes.
O esporte mexe com a vida das pessoas de forma intensa. E a deturpação do conceito desportivo cria esta enorme dúvida quanto ao futuro deste segmento tão apaixonante.
De um lado corações, suor, emoção. Do outro os poderosos, interesses e dinheiro.
Você ainda têm dúvida sobre quem ganha esse jogo?
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Flagrante fajuto
Venho de uma família numerosa. Vários tios e primos para todos os lados. Sempre fomos muito carinhosos entre nós, em gestos e palavras. Comportamento comum ao povo latino. Sangue quente, intenso. As manifestações entre seus membros tende a ser fervorosa, tanto nas brigas quanto nos afagos.
Confesso ter achado muito exagerado e estranho num primeiro momento, a prisão do italiano em Fortaleza, por ter beijado sua filha de quatro anos na boca. Não estou me posicionando a favor deste tipo de comportamento. Compreensível parecer chocante e absurdo para muitos, mas deve-se esclarecer a forma como tal beijo foi dado na criança.
Não cabe a nós, desprovidos da real situação do caso, pré-julgar este fato isoladamente. E a minha intenção ao escrever sobre isso não é noticiar nem averiguar o que realmente ocorreu. Independente do que vier a ser comprovado, o que me deixa curioso, é que num país onde um dos principais "atrativos" oferecidos para o estrangeiro, seja em publicidade impressa ou através da internet, seja o sexo fácil e barato, inclui-se neste "pacote" a prostituição infantil, haja todo este alarde. E não menos estranho em uma região aonde é sabido que mães põem suas filhas desde cedo a vulgarizarem seus corpos em troca de dólares e euros ou as trocam por caixas de cerveja ou carteiras de cigarros.
Como “bode expiatório”, um flagrante gravado por uma câmera de segurança, vira um exemplo de como combater esse tipo de violência. No Brasil? “Pra cima de moi?”
Se o cidadão for realmente culpado de molestar sua filha, deve ser julgado, preso, enfim, pagar pelo absurdo que é a violência sexual a menores.
Agora, noticiar mundialmente a moralidade não combina com um Brasil a cada dia mais imoral.
Do senado à polícia militar corrupta no Rio de Janeiro, do mega-empresário ao favelado que rouba e mata pelo tráfico.
É legal argumentar
Semana passada, em meu último texto, coloquei em cheque o que se chama de “liberdade de expressão” neste país. Naquela ocasião, motivado por uma reportagem que li sobre a opressão à “Marcha Verde”, proibida sob alegação de apologia à maconha. O assunto é complexo e cabem semanas de textos e discussões. O fato é que a liberdade de expressão neste país só vale ao que for conveniente aos “poderosos”.
A mesma liberdade que permite a qualquer cidadão sensato exercer a profissão de jornalista, desde que tenha noções básicas da escrita do português e interpretação, cala cidadãos que pretendem pôr seus argumentos em discussão.
O grande problema é a complexidade das leis em nosso país. Há legalidade no consumo e propaganda de drogas lícitas como o álcool e medicamentos. Pessoas são fortemente dependentes deste tipo de droga, e a dificuldade à procura de reabilitação se torna muito mais difícil, (como não seria?), diante do incentivo massivo à sua compra.
Trata-se do alcoolismo e do tabagismo, além da dependência química a medicamentos, com muito menos importância como deveria.
Mas qual seria o interesse em alertar às pessoas aos perigos do exagero de consumo de determinados produtos, sendo eles os mais rentáveis do mercado, tanto para o governo quanto para os grupos responsáveis pela produção? A indústria é poderosa. O povo é frágil, mas a alimenta.
Essas indagações não significam que acho certo que se legalize a maconha sem que haja discussão. A luta por isso, por parte de quem a defende, esbarra na própria lei. Qualquer manifestação que sugira a utilização de uma droga proibida torna-se ilegítima.
Se o tráfico de drogas diminuirá e a violência como conseqüência é outra história. O que defendo é a argumentação, em todos os casos.
Bom Café...
Confesso ter achado muito exagerado e estranho num primeiro momento, a prisão do italiano em Fortaleza, por ter beijado sua filha de quatro anos na boca. Não estou me posicionando a favor deste tipo de comportamento. Compreensível parecer chocante e absurdo para muitos, mas deve-se esclarecer a forma como tal beijo foi dado na criança.
Não cabe a nós, desprovidos da real situação do caso, pré-julgar este fato isoladamente. E a minha intenção ao escrever sobre isso não é noticiar nem averiguar o que realmente ocorreu. Independente do que vier a ser comprovado, o que me deixa curioso, é que num país onde um dos principais "atrativos" oferecidos para o estrangeiro, seja em publicidade impressa ou através da internet, seja o sexo fácil e barato, inclui-se neste "pacote" a prostituição infantil, haja todo este alarde. E não menos estranho em uma região aonde é sabido que mães põem suas filhas desde cedo a vulgarizarem seus corpos em troca de dólares e euros ou as trocam por caixas de cerveja ou carteiras de cigarros.
Como “bode expiatório”, um flagrante gravado por uma câmera de segurança, vira um exemplo de como combater esse tipo de violência. No Brasil? “Pra cima de moi?”
Se o cidadão for realmente culpado de molestar sua filha, deve ser julgado, preso, enfim, pagar pelo absurdo que é a violência sexual a menores.
Agora, noticiar mundialmente a moralidade não combina com um Brasil a cada dia mais imoral.
Do senado à polícia militar corrupta no Rio de Janeiro, do mega-empresário ao favelado que rouba e mata pelo tráfico.
É legal argumentar
Semana passada, em meu último texto, coloquei em cheque o que se chama de “liberdade de expressão” neste país. Naquela ocasião, motivado por uma reportagem que li sobre a opressão à “Marcha Verde”, proibida sob alegação de apologia à maconha. O assunto é complexo e cabem semanas de textos e discussões. O fato é que a liberdade de expressão neste país só vale ao que for conveniente aos “poderosos”.
A mesma liberdade que permite a qualquer cidadão sensato exercer a profissão de jornalista, desde que tenha noções básicas da escrita do português e interpretação, cala cidadãos que pretendem pôr seus argumentos em discussão.
O grande problema é a complexidade das leis em nosso país. Há legalidade no consumo e propaganda de drogas lícitas como o álcool e medicamentos. Pessoas são fortemente dependentes deste tipo de droga, e a dificuldade à procura de reabilitação se torna muito mais difícil, (como não seria?), diante do incentivo massivo à sua compra.
Trata-se do alcoolismo e do tabagismo, além da dependência química a medicamentos, com muito menos importância como deveria.
Mas qual seria o interesse em alertar às pessoas aos perigos do exagero de consumo de determinados produtos, sendo eles os mais rentáveis do mercado, tanto para o governo quanto para os grupos responsáveis pela produção? A indústria é poderosa. O povo é frágil, mas a alimenta.
Essas indagações não significam que acho certo que se legalize a maconha sem que haja discussão. A luta por isso, por parte de quem a defende, esbarra na própria lei. Qualquer manifestação que sugira a utilização de uma droga proibida torna-se ilegítima.
Se o tráfico de drogas diminuirá e a violência como conseqüência é outra história. O que defendo é a argumentação, em todos os casos.
Bom Café...
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Liberdade de quê?
Já fui uma pessoa mais preocupada e esperançosa com o futuro desta república de dimensões continentais, chamada Brasil.
Sinto um desconforto imenso quando leio o noticiário, diariamente, e perco minutos tentando entender como certas coisas ainda acontecem de forma tão simplória, sendo essas de cafajestice usual.
A realidade é de um país aonde a definição da liberdade de expressão e democracia se distorceu completamente.
Os atuais e famosos “atos secretos”, a realização de projetos em prol do desenvolvimento e infra-estrutura nacional tendo como alicerce uma enxurrada de dinheiro público, meu e seu, e o simples fato de sermos obrigados a exercer a “cidadania” do voto, nos tornam falsos liberalistas.
O brasileiro encara como liberdade ter um teto, nem sempre próprio, um emprego provavelmente não remunerado da forma como a merecida, uma televisão na sala aonde possa assistir ao seu futebol no Domingo e um pack com doze latinhas de cerveja na geladeira.
Considero muito pouco para um país com tanta gente brilhante.
Pessoas que exercem tais bons pensamentos em magnitude inversamente proporcional à necessidade que o país tem delas.
Culpadas? Porque deveriam sentir-se?
Quem em sã consciência se propõe a peitar dinossauros burocratas que perpetuam a incompetência e corrupção que se arrastam pela história do poder tupiniquim?
Não se trata de omissão, e sim de delegar seus dotes a atividades que tragam resultados satisfatórios na escalas em que lhes é possível ante o quadro arcaico das políticas públicas.
Essas pessoas ocupam posições importantes e são bem sucedidas em suas ações, idéias e administrações. E estão disponíveis a nós. Busquem-nas.
É a tentativa de resgate da liberdade de expressão de dentro para fora. O brasileiro ainda precisa entender dentro de si o que significa isso, para que defenda seus argumentos de forma correta, almejando obter resultados em suas idéias propostas.
Existem formas de buscar o conhecimento hoje, como nunca houve antes. O conhecimento é a arma para a mudança. Logo, fica pressuposto que há uma boa vontade imensa dos interessados com a manutenção da ignorância da grande camada populacional. Isso não pode se transformar em motivo para continuarmos sendo subdesenvolvidos. Talvez em administração política sim, mas não em cultura e intelectualidade.
Há um “muro” propositalmente construído a frente do que é importante para o desenvolvimento de uma sociedade com tanto potencial.
Tentam nos enfiar goela abaixo uma realidade estagnada. Vendem-nos a desesperança. Anestesiam-nos com novelas, reality shows e futebol. Metade do que acontece no palácio do planalto é disponibilizado da mais incompreensível e monótona forma, para que justamente não haja interesse.
Mal sabe a maioria das pessoas o quão baixo nível são determinados episódios ocorridos em Brasília, equiparando-se às mais patéticas cenas de duas sisters “siliconadas” de um show de horrores destes que passam todo ano na televisão.
Imagino também como seria produtivo se ao menos duas vezes por semana, jornalistas e estudiosos se reunissem para comentar ao vivo, por horas a fio os devaneios providos do senado, da mesma forma que discutem por uma hora se foi pênalti ou não no Joãozinho no jogo de Domingo á tarde.
A cultura do conformismo impera. Fica difícil encontrar um indivíduo que assuma sua responsabilidade.
Bom café.
Sinto um desconforto imenso quando leio o noticiário, diariamente, e perco minutos tentando entender como certas coisas ainda acontecem de forma tão simplória, sendo essas de cafajestice usual.
A realidade é de um país aonde a definição da liberdade de expressão e democracia se distorceu completamente.
Os atuais e famosos “atos secretos”, a realização de projetos em prol do desenvolvimento e infra-estrutura nacional tendo como alicerce uma enxurrada de dinheiro público, meu e seu, e o simples fato de sermos obrigados a exercer a “cidadania” do voto, nos tornam falsos liberalistas.
O brasileiro encara como liberdade ter um teto, nem sempre próprio, um emprego provavelmente não remunerado da forma como a merecida, uma televisão na sala aonde possa assistir ao seu futebol no Domingo e um pack com doze latinhas de cerveja na geladeira.
Considero muito pouco para um país com tanta gente brilhante.
Pessoas que exercem tais bons pensamentos em magnitude inversamente proporcional à necessidade que o país tem delas.
Culpadas? Porque deveriam sentir-se?
Quem em sã consciência se propõe a peitar dinossauros burocratas que perpetuam a incompetência e corrupção que se arrastam pela história do poder tupiniquim?
Não se trata de omissão, e sim de delegar seus dotes a atividades que tragam resultados satisfatórios na escalas em que lhes é possível ante o quadro arcaico das políticas públicas.
Essas pessoas ocupam posições importantes e são bem sucedidas em suas ações, idéias e administrações. E estão disponíveis a nós. Busquem-nas.
É a tentativa de resgate da liberdade de expressão de dentro para fora. O brasileiro ainda precisa entender dentro de si o que significa isso, para que defenda seus argumentos de forma correta, almejando obter resultados em suas idéias propostas.
Existem formas de buscar o conhecimento hoje, como nunca houve antes. O conhecimento é a arma para a mudança. Logo, fica pressuposto que há uma boa vontade imensa dos interessados com a manutenção da ignorância da grande camada populacional. Isso não pode se transformar em motivo para continuarmos sendo subdesenvolvidos. Talvez em administração política sim, mas não em cultura e intelectualidade.
Há um “muro” propositalmente construído a frente do que é importante para o desenvolvimento de uma sociedade com tanto potencial.
Tentam nos enfiar goela abaixo uma realidade estagnada. Vendem-nos a desesperança. Anestesiam-nos com novelas, reality shows e futebol. Metade do que acontece no palácio do planalto é disponibilizado da mais incompreensível e monótona forma, para que justamente não haja interesse.
Mal sabe a maioria das pessoas o quão baixo nível são determinados episódios ocorridos em Brasília, equiparando-se às mais patéticas cenas de duas sisters “siliconadas” de um show de horrores destes que passam todo ano na televisão.
Imagino também como seria produtivo se ao menos duas vezes por semana, jornalistas e estudiosos se reunissem para comentar ao vivo, por horas a fio os devaneios providos do senado, da mesma forma que discutem por uma hora se foi pênalti ou não no Joãozinho no jogo de Domingo á tarde.
A cultura do conformismo impera. Fica difícil encontrar um indivíduo que assuma sua responsabilidade.
Bom café.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
O médico e o monstro, a lebre e a tartaruga
Doutor Monstro
Certas coisas são realmente dificílimas de entender. Um cidadão que passa anos entre formação e especialização, constrói uma reputação invejada, nomeia a própria clínica numa das regiões de maior poderio econômico do país. Pela descrição, uma pessoa realizada, um médico de sucesso. Eis que então revela-se o monstro.
Ao menos 56 vítimas confessas do médico, contam que sofreram lesões corporais íntimas após serem fortemente sedadas pelo “Doutor”, se é que ainda pode-se dar tal denominação ao “crápula”.
Agora, transferido para o presídio de Tremembé, passará por fase de adaptação, sozinho. Ah “Doutor”, não fique acanhado, afinal, esta penitenciária abriga o Nardoni. Quem sabe não encontrem-se para jogar um dominó ao sol e fazer uma disputa particular: jogar criança da janela do apartamento ou estuprar mais de 50 mulheres inconscientes?
Ironias à parte, nenhuma justiça e capaz de tirar o trauma destas mulheres e suas famílias.
Por mais incorreto que pareça, a expectativa é que ocorra a famosa justiça das celas, e o “Doutor” vire “Boneca”.
Preto no Branco
Sempre que se fala em cor, etnia ou raça, logo pensamos no “insistente” tema preconceito. É chato constatar que ainda hoje exista este tipo de sentimento dentro de determinadas pessoas e grupos. E é mútuo. Não só exclusividade dos chamados “brancos”. O fato é que pelo histórico, é notório que os afro-descendentes tenham sofrido muito mais com o racismo.
Esta semana foi divulgada uma matéria em que a Microsoft alterou uma de suas fotos publicitárias, aonde numa aparente reunião de negócios, a figura, mais especificamente o rosto de um cidadão negro foi trocado por um rosto “branco”.
A propaganda veiculou com a alteração na Polônia. Intrigante não? A empresa pronunciou-se, obviamente, desculpando-se pela gafe, mas nem a mesma conseguiu explicar o ocorrido.
Difícil é acreditar que um suposto hacker tenha alterado a arte publicitária de uma empresa como a Microsoft. Estranho.
A lebre e a (nem sempre) tartaruga
Sempre que posso, ironizo o Rubinho. Virou cultura nacional, como o samba, como a caipirinha, enfim, zoar o Rubinho faz parte do Brasileiro. Mas sou justo, e a “tartaruga” na sua perseverança venceu no Domingo passado. Bom acordar e ver o Brasil ganhar uma corrida de novo. O que não é legal é o Galvão Bueno gritando, mas aí é tecla mute no controle remoto.
Usain Bolt é o nome do momento. O cara voa no chão. Grandão, brincou com suas pernas longas no mundial de atletismo de Berlim. Quebrou vários recordes. E deve vir mais por aí. Só faço uma objeção ao seu estilo. Legal ele ser positivo e tudo, mas sua descontração, para minha particular opinião, beira a soberba, o desrespeito. Os repórteres adoraram quando ele “brincando” disse que os brasileiros deveriam jogar futebol ao invés de correr. Para mim, tudo bem, então eles que parem de jogar futebol também, porque a seleçãozinha de futebol da Jamaica sabe no máximo cantar um Reggae.
Por falar em empáfia, e o Maradona hein? Falou demais, de novo. Não aprende mesmo...
Bom Café
Certas coisas são realmente dificílimas de entender. Um cidadão que passa anos entre formação e especialização, constrói uma reputação invejada, nomeia a própria clínica numa das regiões de maior poderio econômico do país. Pela descrição, uma pessoa realizada, um médico de sucesso. Eis que então revela-se o monstro.
Ao menos 56 vítimas confessas do médico, contam que sofreram lesões corporais íntimas após serem fortemente sedadas pelo “Doutor”, se é que ainda pode-se dar tal denominação ao “crápula”.
Agora, transferido para o presídio de Tremembé, passará por fase de adaptação, sozinho. Ah “Doutor”, não fique acanhado, afinal, esta penitenciária abriga o Nardoni. Quem sabe não encontrem-se para jogar um dominó ao sol e fazer uma disputa particular: jogar criança da janela do apartamento ou estuprar mais de 50 mulheres inconscientes?
Ironias à parte, nenhuma justiça e capaz de tirar o trauma destas mulheres e suas famílias.
Por mais incorreto que pareça, a expectativa é que ocorra a famosa justiça das celas, e o “Doutor” vire “Boneca”.
Preto no Branco
Sempre que se fala em cor, etnia ou raça, logo pensamos no “insistente” tema preconceito. É chato constatar que ainda hoje exista este tipo de sentimento dentro de determinadas pessoas e grupos. E é mútuo. Não só exclusividade dos chamados “brancos”. O fato é que pelo histórico, é notório que os afro-descendentes tenham sofrido muito mais com o racismo.
Esta semana foi divulgada uma matéria em que a Microsoft alterou uma de suas fotos publicitárias, aonde numa aparente reunião de negócios, a figura, mais especificamente o rosto de um cidadão negro foi trocado por um rosto “branco”.
A propaganda veiculou com a alteração na Polônia. Intrigante não? A empresa pronunciou-se, obviamente, desculpando-se pela gafe, mas nem a mesma conseguiu explicar o ocorrido.
Difícil é acreditar que um suposto hacker tenha alterado a arte publicitária de uma empresa como a Microsoft. Estranho.
A lebre e a (nem sempre) tartaruga
Sempre que posso, ironizo o Rubinho. Virou cultura nacional, como o samba, como a caipirinha, enfim, zoar o Rubinho faz parte do Brasileiro. Mas sou justo, e a “tartaruga” na sua perseverança venceu no Domingo passado. Bom acordar e ver o Brasil ganhar uma corrida de novo. O que não é legal é o Galvão Bueno gritando, mas aí é tecla mute no controle remoto.
Usain Bolt é o nome do momento. O cara voa no chão. Grandão, brincou com suas pernas longas no mundial de atletismo de Berlim. Quebrou vários recordes. E deve vir mais por aí. Só faço uma objeção ao seu estilo. Legal ele ser positivo e tudo, mas sua descontração, para minha particular opinião, beira a soberba, o desrespeito. Os repórteres adoraram quando ele “brincando” disse que os brasileiros deveriam jogar futebol ao invés de correr. Para mim, tudo bem, então eles que parem de jogar futebol também, porque a seleçãozinha de futebol da Jamaica sabe no máximo cantar um Reggae.
Por falar em empáfia, e o Maradona hein? Falou demais, de novo. Não aprende mesmo...
Bom Café
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Não se discute? Com respeito, por que não?
Futebol
Faço questão de mencionar uma das pessoas que me inspira e me faz companhia nas tardes semanais cotidianas desta cidade. Ao tomar meu cafezinho, tenho a honra de trocar muitas idéias com o grande Ulisses. Ao lado de sua esposa Sandra, vieram a Foz, e apesar de “forasteiros”, formam um casal de sucesso que fazem esta cidade tornar-se mais acolhedora.
E é com o amigo Ulisses que troco minhas idéias futebolísticas. Sempre coerentes. Hoje, a moda no Campeonato Brasileiro é o bom e velho São Paulo, e seu novo apelido, Jason. Quando todo mundo o dá como acabado, eis que surge. Legal, o São Paulo é assim, nunca podemos descartá-lo. Só que por ser o time que sempre ganha, os demais torcedores têm que arrumar uma maneira de pegar no pé. E como meu time “morreu” no início da década de 90, eu aproveito pra tirar um sarro mesmo, é o que me resta. Os São Paulinos estão adorando o novo apelido, principalmente pelo fato de esquecerem momentaneamente o carinhoso “Bambi”. Mas, nunca escapam. A piada da vez é que o Jason, em seus filmes, sempre que via uma mulher nua, ao invés de “comê-la” (desculpem o termo) a matava.
Religião
Bispo Edir Macedo é a bola da vez. Demorou hein! O império construído pelo cidadão, subsidiado pela ignorância de uma grande camada da sociedade, e pelo suado dinheiro da mesma, chamou a atenção do Ministério Público. Eu desde que me entendo por gente acompanhei este “crescimento milagroso”. Chorei quando compraram os únicos dois cinemas que havia em meu bairro, no Rio de Janeiro. Mas isso não é nada perto do patrimônio que o rapaz possui hoje. Dono de uma das maiores emissoras de TV do país, a briga foi parar nas telas do país. Macedo acusa a Globo de “instigar” a justiça a iniciar esta “perseguição” ao mesmo, pelo medo do crescimento da rival, a Record, de propriedade do tal. Agora fica aquela troca de acusações públicas por todos os lados. Ainda bem que, apesar de pagar caro, eu tenho TV por assinatura. O fato tem que ser apurado, certamente. Aos religiosos mais fervorosos dou o mesmo respeito que peço, e não posso deixar de fazer este comentário: Nessa guerra midiática, difícil é saber quem representa o céu e quem carrega a bandeira do inferno.
Política
A corrida presidencial parece que ganhará novos participantes. Nada tão divertido quanto a “Corrida Maluca” dos desenhos, mas sempre com seus “Vigaristas” na espreita. O momento agora parece ser da mulherada. Em 2005, Angela Merkel, foi eleita Primeira Ministra da Alemanha. Legal para um país com uma história tão conservadora. Heloísa Helena já “meteu” as caras em uma eleição, e na próxima a mesma terá a companhia das prováveis candidatas Dilma Roussef e Marina Silva. Nada mais justo. O Mundo é das mulheres, elas estão aí, liderando multinacionais, representando os mais importantes grupos econômicos, e como sempre, ainda colocando ordem na casa. O que não pode é mudar o gênero do governante e continuarem os adjetivos, trocando apenas a vogal final pelo “a”.
Só para finalizar: nessa história toda do Sarney, sabe o que mais me intriga? O fato de existir um conselho de Ética no Senado. Não combina e nem me convence.
Bom café.
Faço questão de mencionar uma das pessoas que me inspira e me faz companhia nas tardes semanais cotidianas desta cidade. Ao tomar meu cafezinho, tenho a honra de trocar muitas idéias com o grande Ulisses. Ao lado de sua esposa Sandra, vieram a Foz, e apesar de “forasteiros”, formam um casal de sucesso que fazem esta cidade tornar-se mais acolhedora.
E é com o amigo Ulisses que troco minhas idéias futebolísticas. Sempre coerentes. Hoje, a moda no Campeonato Brasileiro é o bom e velho São Paulo, e seu novo apelido, Jason. Quando todo mundo o dá como acabado, eis que surge. Legal, o São Paulo é assim, nunca podemos descartá-lo. Só que por ser o time que sempre ganha, os demais torcedores têm que arrumar uma maneira de pegar no pé. E como meu time “morreu” no início da década de 90, eu aproveito pra tirar um sarro mesmo, é o que me resta. Os São Paulinos estão adorando o novo apelido, principalmente pelo fato de esquecerem momentaneamente o carinhoso “Bambi”. Mas, nunca escapam. A piada da vez é que o Jason, em seus filmes, sempre que via uma mulher nua, ao invés de “comê-la” (desculpem o termo) a matava.
Religião
Bispo Edir Macedo é a bola da vez. Demorou hein! O império construído pelo cidadão, subsidiado pela ignorância de uma grande camada da sociedade, e pelo suado dinheiro da mesma, chamou a atenção do Ministério Público. Eu desde que me entendo por gente acompanhei este “crescimento milagroso”. Chorei quando compraram os únicos dois cinemas que havia em meu bairro, no Rio de Janeiro. Mas isso não é nada perto do patrimônio que o rapaz possui hoje. Dono de uma das maiores emissoras de TV do país, a briga foi parar nas telas do país. Macedo acusa a Globo de “instigar” a justiça a iniciar esta “perseguição” ao mesmo, pelo medo do crescimento da rival, a Record, de propriedade do tal. Agora fica aquela troca de acusações públicas por todos os lados. Ainda bem que, apesar de pagar caro, eu tenho TV por assinatura. O fato tem que ser apurado, certamente. Aos religiosos mais fervorosos dou o mesmo respeito que peço, e não posso deixar de fazer este comentário: Nessa guerra midiática, difícil é saber quem representa o céu e quem carrega a bandeira do inferno.
Política
A corrida presidencial parece que ganhará novos participantes. Nada tão divertido quanto a “Corrida Maluca” dos desenhos, mas sempre com seus “Vigaristas” na espreita. O momento agora parece ser da mulherada. Em 2005, Angela Merkel, foi eleita Primeira Ministra da Alemanha. Legal para um país com uma história tão conservadora. Heloísa Helena já “meteu” as caras em uma eleição, e na próxima a mesma terá a companhia das prováveis candidatas Dilma Roussef e Marina Silva. Nada mais justo. O Mundo é das mulheres, elas estão aí, liderando multinacionais, representando os mais importantes grupos econômicos, e como sempre, ainda colocando ordem na casa. O que não pode é mudar o gênero do governante e continuarem os adjetivos, trocando apenas a vogal final pelo “a”.
Só para finalizar: nessa história toda do Sarney, sabe o que mais me intriga? O fato de existir um conselho de Ética no Senado. Não combina e nem me convence.
Bom café.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
A história de um Paranaense-Paulista-Carioca
As semanas passam, os escândalos no Senado continuam, a gripe continua assustando e o São Paulo começa a subir na tabela. Tudo igual. Chato não é mesmo?
Por isso, peço licença em meu próprio espaço versátil para hoje contar uma história.
Geralmente contam-se histórias mirabolantes, de super-heróis, de uma grande aventura, de um menino inteligente, de um esportista vitorioso...
E se alguém se atreve a contar uma de um cidadão comum, simples, com vida semelhante à de outros milhões?
O conto “empaca”. Ninguém se interessa?
Bom, eu tenho uma resenha de um menino paranaense de Santo Antônio da Platina que cresceu na zona leste de São Paulo. Contador de causos. Eram muitos seus relatos das corridas de carrinhos de rolimã nas ladeiras da Penha. E haja “tampa” de dedão do pé saindo no asfalto. Futebol, sempre foi ruím. O seu melhor lance foi quando seus amigos cobriram o paralelepípedo com um couro de bola e pediu para ele chutar. Mais um tampão de dedo para o espaço.
Adolescente, aos 13 anos pegou o Fuscão de seu pai e capotou numa vala. Mas ele não era só travesso. Trabalhava desde cedo, seu pai não lhe dava moleza. Mais tarde com seu jeito para artefatos eletrônicos, e sua vitrola toda cheia de estilo, animava festas aos finais de semana.
Foi numa dessas que foi detido certa vez numa “mega” confusão. O coitado não tinha nada a ver. Passou a noite no xilindró!
Mas foi noutra noitada que conheceu aquela menina forasteira de sotaque estranho. Ficaram juntos, logo se apaixonou.
A distância os separava, até que um dia, encarando pais e o sogrão, abriu mão do emprego, dos amigos, da família e foi atrás do que seu coração pedia. Uma vez no Rio de Janeiro, casou-se com seu amor, pegou o sotaque do “R” e virou até flamenguista.
Sempre mantendo a ordem em casa, saía cedo e voltava bem tarde. Os filhos mal o viam, só escutavam o barulho da chave perto da meia-noite. E ele sempre trazia um sacão de pipocas.
Planejava muitas coisas, mas a vida imprevisível nunca o permitiu concretizar seus reais sonhos.
Os filhos cresceram, seguiram rumos diferentes e distantes. Num momento novo e difícil, perdeu sua sustentação, seu grande amor e seu emprego seguro.
Estava sozinho. Ao andar por ruas escuras à noite, quase se rendeu.
Mas, apesar de aparentar fraqueza, e de não ter mais qualquer pessoa para empurrá-lo, ele reergueu-se.
Hoje têm uma vida que muitos gostariam. Dono do próprio negócio, “faz” seus horários, têm seus amigos, e é ainda o porto-seguro de seus filhos.
Essa é uma história comum para muitos. Mas essa é a história do meu pai. Um pai diferente daquele das propagandas. Um pai mais real. Ele nunca foi de dar muitos conselhos, mas o mais importante que me deu, sigo à risca: “Filho, não tenho muita experiência em dar conselhos, mas siga seu coração, eu sempre fiz isso.”
E hoje eu estou aqui e sou o que sou por isso.
O dia dos pais é mero calendário. Faz parte de uma política voltada à economia. Marketing, comércio.
Hoje, mais do que nunca, entenderei o que é ser pai, muito mais do que antes.
Obrigado pai.
Por isso, peço licença em meu próprio espaço versátil para hoje contar uma história.
Geralmente contam-se histórias mirabolantes, de super-heróis, de uma grande aventura, de um menino inteligente, de um esportista vitorioso...
E se alguém se atreve a contar uma de um cidadão comum, simples, com vida semelhante à de outros milhões?
O conto “empaca”. Ninguém se interessa?
Bom, eu tenho uma resenha de um menino paranaense de Santo Antônio da Platina que cresceu na zona leste de São Paulo. Contador de causos. Eram muitos seus relatos das corridas de carrinhos de rolimã nas ladeiras da Penha. E haja “tampa” de dedão do pé saindo no asfalto. Futebol, sempre foi ruím. O seu melhor lance foi quando seus amigos cobriram o paralelepípedo com um couro de bola e pediu para ele chutar. Mais um tampão de dedo para o espaço.
Adolescente, aos 13 anos pegou o Fuscão de seu pai e capotou numa vala. Mas ele não era só travesso. Trabalhava desde cedo, seu pai não lhe dava moleza. Mais tarde com seu jeito para artefatos eletrônicos, e sua vitrola toda cheia de estilo, animava festas aos finais de semana.
Foi numa dessas que foi detido certa vez numa “mega” confusão. O coitado não tinha nada a ver. Passou a noite no xilindró!
Mas foi noutra noitada que conheceu aquela menina forasteira de sotaque estranho. Ficaram juntos, logo se apaixonou.
A distância os separava, até que um dia, encarando pais e o sogrão, abriu mão do emprego, dos amigos, da família e foi atrás do que seu coração pedia. Uma vez no Rio de Janeiro, casou-se com seu amor, pegou o sotaque do “R” e virou até flamenguista.
Sempre mantendo a ordem em casa, saía cedo e voltava bem tarde. Os filhos mal o viam, só escutavam o barulho da chave perto da meia-noite. E ele sempre trazia um sacão de pipocas.
Planejava muitas coisas, mas a vida imprevisível nunca o permitiu concretizar seus reais sonhos.
Os filhos cresceram, seguiram rumos diferentes e distantes. Num momento novo e difícil, perdeu sua sustentação, seu grande amor e seu emprego seguro.
Estava sozinho. Ao andar por ruas escuras à noite, quase se rendeu.
Mas, apesar de aparentar fraqueza, e de não ter mais qualquer pessoa para empurrá-lo, ele reergueu-se.
Hoje têm uma vida que muitos gostariam. Dono do próprio negócio, “faz” seus horários, têm seus amigos, e é ainda o porto-seguro de seus filhos.
Essa é uma história comum para muitos. Mas essa é a história do meu pai. Um pai diferente daquele das propagandas. Um pai mais real. Ele nunca foi de dar muitos conselhos, mas o mais importante que me deu, sigo à risca: “Filho, não tenho muita experiência em dar conselhos, mas siga seu coração, eu sempre fiz isso.”
E hoje eu estou aqui e sou o que sou por isso.
O dia dos pais é mero calendário. Faz parte de uma política voltada à economia. Marketing, comércio.
Hoje, mais do que nunca, entenderei o que é ser pai, muito mais do que antes.
Obrigado pai.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
O famoso cobertor curto
Dá gosto ver um brasileiro com uma superioridade notória em relação aos seus adversários como a que César Cielo vem tendo nos últimos campeonatos.
Méritos para ele. O Brasil tem a mania de tratar vitórias como essa, raridades, feitos históricos. Só são históricos porque não estamos tão habituados a vencer com tal propriedade. O que é errado. O país com 200 milhões de habitantes, com extensão territorial de caráter continental, e diferentes panoramas climáticos, nos dá plenas condições de sermos potência no esporte. Produzir um ídolo por geração é pouco, é uma vergonha na verdade. Cielo obviamente não é o culpado por isso. Ele faz a parte dele, e bem. As condições de treinamento e os patrocínios são praticamente os mesmos para os atletas. Não que sejam os ideais. Mas não são terríveis. Temos que parar com esse complexo de inferioridade e achar que chegar num oitavo lugar numa final já é grande feito. Talvez para um país menor como a Eslovênia. Para nós não. Tem que ter ambição, vontade, demonstrada em exagero por César.
No próximo ano teremos eleições. Já citei isso em textos anteriores. Venho tentando acompanhar como a Internet fará diferença no quadro político do país. O brasileiro em geral não é interessado no assunto. Se for pra tirar o “rabo” da cadeira, sair de frente do computador e ir para as ruas, a maioria não vai. O impeachment do Collor foi um acontecimento importantíssimo para a história nacional, mas se fosse nos dias de hoje, as pessoas iriam às ruas como foram? A comodidade e a proteção que a Internet fornece, faz com que as pessoas achem que estão fazendo sua parte seguindo manifestações como #forasarney, ou repassando e-mails sobre escândalos políticos e pedindo que seus receptores os enviem a mais pessoas, sendo que praticamente ninguém lê. Se você envia um e-mail com fotos de um ex-BBB fazendo algo inusitado você abre na hora. Se recebe uma planilha do Excel com desvio de verbas públicas por parte de um político importante, por exemplo, você já exclui, joga para a lixeira. Essa é a nossa cultura.
Na Espanha, a TVE, produz debates com eleitores enviando seus vídeos via Youtube para os candidatos responderem ao vivo no programas. Nos EUA, Obama arrecadou “zilhões” em venda de produtos com sua marca, seu famoso rosto sorridente. Cada país utiliza os mecanismos da forma que lhes é interessante. No Brasil, certamente a Internet será interessante para os próprios políticos, que vêem nela ferramenta ideal e abrangente para suas próximas campanhas.
Por sua vez, os “internautas” ainda preferirão sites de fofocas, relacionamento e jogos...
Com a suspensão das aulas em grande parte do país por conta da gripe, o país ficou dividido quanto à eficácia da medida. Especialistas e cidadãos divergem. O fato é que não há garantia de que o vírus não se propagará com a suspensão das atividades escolares. Algumas escolas encontram na Internet a solução para que não haja perda de conteúdo e a extensão do período das aulas ao final do ano letivo. Uma alternativa limitada às classes com mais condições, escolas particulares, enfim. Infelizmente imagina-se que grande parte dos alunos da rede pública dificilmente tem acesso a “web” de suas casas. E as mães que trabalham e não podem ficar com seus filhos em casa? Não poderão se abster da obrigação profissional. Um problema. Penso também, que dependendo do período de afastamento, dificilmente as escolas conseguirão encaixar o conteúdo programático de maneira correta. Haverá uma compressão, certamente.
Uma vez que se passa a limitar espaços coletivos, logo estaremos fechando mercados, lojas, hotéis, shoppings, e ficaremos isolados em quarentena, dentro de casa.
Eu quero mais é que volte logo aquele calor “infernal” de Foz. Pelo menos ficamos longe dos resfriados que nos assustam, e diminui a resistência do vírus.
Certos fatos “cobrem o colo e deixam os pés de fora”. Atente-se.
Bom Café.
Méritos para ele. O Brasil tem a mania de tratar vitórias como essa, raridades, feitos históricos. Só são históricos porque não estamos tão habituados a vencer com tal propriedade. O que é errado. O país com 200 milhões de habitantes, com extensão territorial de caráter continental, e diferentes panoramas climáticos, nos dá plenas condições de sermos potência no esporte. Produzir um ídolo por geração é pouco, é uma vergonha na verdade. Cielo obviamente não é o culpado por isso. Ele faz a parte dele, e bem. As condições de treinamento e os patrocínios são praticamente os mesmos para os atletas. Não que sejam os ideais. Mas não são terríveis. Temos que parar com esse complexo de inferioridade e achar que chegar num oitavo lugar numa final já é grande feito. Talvez para um país menor como a Eslovênia. Para nós não. Tem que ter ambição, vontade, demonstrada em exagero por César.
No próximo ano teremos eleições. Já citei isso em textos anteriores. Venho tentando acompanhar como a Internet fará diferença no quadro político do país. O brasileiro em geral não é interessado no assunto. Se for pra tirar o “rabo” da cadeira, sair de frente do computador e ir para as ruas, a maioria não vai. O impeachment do Collor foi um acontecimento importantíssimo para a história nacional, mas se fosse nos dias de hoje, as pessoas iriam às ruas como foram? A comodidade e a proteção que a Internet fornece, faz com que as pessoas achem que estão fazendo sua parte seguindo manifestações como #forasarney, ou repassando e-mails sobre escândalos políticos e pedindo que seus receptores os enviem a mais pessoas, sendo que praticamente ninguém lê. Se você envia um e-mail com fotos de um ex-BBB fazendo algo inusitado você abre na hora. Se recebe uma planilha do Excel com desvio de verbas públicas por parte de um político importante, por exemplo, você já exclui, joga para a lixeira. Essa é a nossa cultura.
Na Espanha, a TVE, produz debates com eleitores enviando seus vídeos via Youtube para os candidatos responderem ao vivo no programas. Nos EUA, Obama arrecadou “zilhões” em venda de produtos com sua marca, seu famoso rosto sorridente. Cada país utiliza os mecanismos da forma que lhes é interessante. No Brasil, certamente a Internet será interessante para os próprios políticos, que vêem nela ferramenta ideal e abrangente para suas próximas campanhas.
Por sua vez, os “internautas” ainda preferirão sites de fofocas, relacionamento e jogos...
Com a suspensão das aulas em grande parte do país por conta da gripe, o país ficou dividido quanto à eficácia da medida. Especialistas e cidadãos divergem. O fato é que não há garantia de que o vírus não se propagará com a suspensão das atividades escolares. Algumas escolas encontram na Internet a solução para que não haja perda de conteúdo e a extensão do período das aulas ao final do ano letivo. Uma alternativa limitada às classes com mais condições, escolas particulares, enfim. Infelizmente imagina-se que grande parte dos alunos da rede pública dificilmente tem acesso a “web” de suas casas. E as mães que trabalham e não podem ficar com seus filhos em casa? Não poderão se abster da obrigação profissional. Um problema. Penso também, que dependendo do período de afastamento, dificilmente as escolas conseguirão encaixar o conteúdo programático de maneira correta. Haverá uma compressão, certamente.
Uma vez que se passa a limitar espaços coletivos, logo estaremos fechando mercados, lojas, hotéis, shoppings, e ficaremos isolados em quarentena, dentro de casa.
Eu quero mais é que volte logo aquele calor “infernal” de Foz. Pelo menos ficamos longe dos resfriados que nos assustam, e diminui a resistência do vírus.
Certos fatos “cobrem o colo e deixam os pés de fora”. Atente-se.
Bom Café.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Jogando conversa fora (temas semanais sob uma visão comum)
Twittar. Esse é o “verbo”. A nova febre da Internet que se reinventa de tempos em tempos. Conversas simultâneas com os amigos já não têm graça. Rede de amigos como Orkut, também não. Ser atual no mundo virtual é ser um seguidor do Twitter. Ferramenta criada com intuito de atualizar em curtos espaços de tempo os seus afazeres cotidianos, o aplicativo revelou-se uma ferramenta e tanto nos meios de comunicação.
As principais personalidades e instituições do Mundo lançam em primeira mão suas novidades no “site”, para todos os seus seguidores ao redor do Mundo saberem. O furo da notícia agora “pula” o profissional do jornalismo. Mais uma vez o segmento sofrendo na mão da tecnologia. Herói ou vilão?
No Brasil, país do futebol, a figura de treinador da Seleção Brasileira é quase tão importante quanto do Presidente da República. Ou seja, tudo o que dizem e fazem é super dimensionado.
Agora quem acompanhou a entrevista coletiva do cidadão apelidado Dunga ontem pela televisão deve ter ficado assustado. Ele esbanjou seu “dialeto” incompreensível e pobre, ao pé da letra, a sua falta de conhecimento da língua portuguesa e suas regras. O famoso “com nós” (entenda-se conosco) é comum em suas aparições. Ontem ele inovou, lançou um “adapto”, ao invés de adaptado, ou apto. O pior é que ele repetiu a mesma palavra umas cinco vezes.
Tudo bem, o negócio dele é futebol, mas uma pessoa pública importante como ele deve preocupar-se com o básico. Falar direito.
Mas, como falei no início, ele e o Presidente... é melhor deixar de lado.
E o Massa hein. Que azar. Uma mola sai quicando na pista e entra justamente no único lugar não protegido do seu equipamento, um espaço de cerca de 15 centímetros no capacete. O impacto foi semelhante ao de um tiro. Curiosidade sobre o caso: o Massa estava andando atrás do Rubinho. Era um treino classificatório, tudo bem, mas ninguém nunca anda atrás do Barrichello. É ele quem anda atrás dos outros. Coisas estranhas evocam situações peculiares. O legal agora é seguir os passos da recuperação do Felipe. Os maiores portais estampam nas suas páginas principais: “Massa já fala. Massa já abre os olhos. Massa sente fome.” Daqui a pouco eles colocam lá: Massa vai ao banheiro e larga um... (que nojo). É tudo tendência. (Lembram do que falei do Twitter lá no começo da coluna?)
Os “reality shows” estão cada vez mais originais não? Não.
Eu acho curioso o método de seleção dos participantes da “vida real”. Ou são modelos, empresários, promoters e publicitários. Nada contra esses profissionais. Mas é óbvio que são todos desocupados, conhecidos de alguém da emissora, ou da produção ou de algum diretor, que assina um acordo aonde o foco é ficar mostrando partes do corpo em rede nacional. E ao sair dali, posam nus, para revistas masculinas, femininas, gays... animais... etc.
Ótimo para a cultura tupiniquim.
Bom café...
As principais personalidades e instituições do Mundo lançam em primeira mão suas novidades no “site”, para todos os seus seguidores ao redor do Mundo saberem. O furo da notícia agora “pula” o profissional do jornalismo. Mais uma vez o segmento sofrendo na mão da tecnologia. Herói ou vilão?
No Brasil, país do futebol, a figura de treinador da Seleção Brasileira é quase tão importante quanto do Presidente da República. Ou seja, tudo o que dizem e fazem é super dimensionado.
Agora quem acompanhou a entrevista coletiva do cidadão apelidado Dunga ontem pela televisão deve ter ficado assustado. Ele esbanjou seu “dialeto” incompreensível e pobre, ao pé da letra, a sua falta de conhecimento da língua portuguesa e suas regras. O famoso “com nós” (entenda-se conosco) é comum em suas aparições. Ontem ele inovou, lançou um “adapto”, ao invés de adaptado, ou apto. O pior é que ele repetiu a mesma palavra umas cinco vezes.
Tudo bem, o negócio dele é futebol, mas uma pessoa pública importante como ele deve preocupar-se com o básico. Falar direito.
Mas, como falei no início, ele e o Presidente... é melhor deixar de lado.
E o Massa hein. Que azar. Uma mola sai quicando na pista e entra justamente no único lugar não protegido do seu equipamento, um espaço de cerca de 15 centímetros no capacete. O impacto foi semelhante ao de um tiro. Curiosidade sobre o caso: o Massa estava andando atrás do Rubinho. Era um treino classificatório, tudo bem, mas ninguém nunca anda atrás do Barrichello. É ele quem anda atrás dos outros. Coisas estranhas evocam situações peculiares. O legal agora é seguir os passos da recuperação do Felipe. Os maiores portais estampam nas suas páginas principais: “Massa já fala. Massa já abre os olhos. Massa sente fome.” Daqui a pouco eles colocam lá: Massa vai ao banheiro e larga um... (que nojo). É tudo tendência. (Lembram do que falei do Twitter lá no começo da coluna?)
Os “reality shows” estão cada vez mais originais não? Não.
Eu acho curioso o método de seleção dos participantes da “vida real”. Ou são modelos, empresários, promoters e publicitários. Nada contra esses profissionais. Mas é óbvio que são todos desocupados, conhecidos de alguém da emissora, ou da produção ou de algum diretor, que assina um acordo aonde o foco é ficar mostrando partes do corpo em rede nacional. E ao sair dali, posam nus, para revistas masculinas, femininas, gays... animais... etc.
Ótimo para a cultura tupiniquim.
Bom café...
sábado, 25 de julho de 2009
Se fosse "só" uma gripe...
É muito mais fácil culpar o desconhecido, o incompreensível e até o sobrenatural. Parece que apesar de não haver ainda soluções e respostas, é um “alívio” ter estampados em nossos jornais, uma contagem subjetiva de mortos pela famosa maldita gripe. Alívio??? Entenda...
Seria louco se dissesse que devemos virar às costas para este grande problema de saúde pública Mundial, mas “cá entre nós”... As notícias são repetitivas e os comentários onde quer que vá, é o mesmo: “Você viu, morreu mais um com a gripe suína”. “Olha, foi aqui no Paraná”. “Nossa, no Paraguai já são mais de não sei quantas mortes...” Bom, eu como humilde cidadão comum, confesso que me atenho aos procedimentos básicos de prevenção, e não há mais nada que possa ser feito, por ninguém. Os órgãos da saúde estão atrás de algo que possa trazer calma à população. O fato é que o alarde não ajuda em nada. Algumas pessoas de meu convívio me sugeriram que escrevesse sobre a gripe. Minha resposta foi seca: Como? Se “os caras” ainda não sabem direito a característica do problema, imagine eu. As novidades são pequenas, crescem as suspeitas de casos, é tudo o que lemos. Sou extremamente leigo. Mas tenho meu ponto de vista e como um colunista de opinião, posso usar este espaço para expor e dividi-lo.
Tenho certeza que por maior que seja a preocupação de todos, tem muitas pessoas por aí que estão satisfeitíssimas com o espaço que a epidemia ocupa nos noticiários.
Já ouviu falar que brasileiro esquece fácil? Pois bem. Enquanto as principais manchetes contam as vítimas da gripe horrenda, tem muita coisa também importante e preocupante acontecendo.
Quantas outras pessoas morrem por dia no país por causas mais patéticas e absurdas?
Violência, acidentes de trânsito, pobreza? Morte por balas perdidas nas grandes cidades principalmente, todos os dias quase.
Só que isso já não vende tanto quanto o vírus indecifrável. Não é novo. O fato de a gripe ser um mistério faz com que as pessoas busquem e se assustem com aquilo. O que intriga é que para todas essas causas ainda não encontraram soluções.
Muitos colocam aquelas máscaras estilo “Michael Jackson”, ou para chocar, ou na pior das hipóteses ficarmos “na moda”. (A eficiência é mínima.)
O que é importante de fato é que a OMS já alertou que vacinas não chegarão ao Brasil ainda este ano, em contrapartida, Temporão diz que há 9 milhões de kits à disposição da população.
As notícias da gripe perdurarão, ficaremos atentos, às novidades, enquanto ao fundo, o velho “câncer” do país continua no seu ritmo acelerado de desenvolvimento.
Não deixemos de nos preocupar , mas olhemos para os lados.
Usar o vírus como bode expiatório para esquecer dos outros graves problemas do Brasil não é a saída.?
O que há de importante ano de 2010? É a Copa do Mundo? (Por sinal, "estrategicamente" agendada)
Não! Importante mesmo são as Eleições, e está relativamente próximo. Você está “antenado” para os possíveis rumos do nosso país?
Não deixe a gripe te “pegar”, lave sempre as mãos e abra os olhos!
Bom café...
Seria louco se dissesse que devemos virar às costas para este grande problema de saúde pública Mundial, mas “cá entre nós”... As notícias são repetitivas e os comentários onde quer que vá, é o mesmo: “Você viu, morreu mais um com a gripe suína”. “Olha, foi aqui no Paraná”. “Nossa, no Paraguai já são mais de não sei quantas mortes...” Bom, eu como humilde cidadão comum, confesso que me atenho aos procedimentos básicos de prevenção, e não há mais nada que possa ser feito, por ninguém. Os órgãos da saúde estão atrás de algo que possa trazer calma à população. O fato é que o alarde não ajuda em nada. Algumas pessoas de meu convívio me sugeriram que escrevesse sobre a gripe. Minha resposta foi seca: Como? Se “os caras” ainda não sabem direito a característica do problema, imagine eu. As novidades são pequenas, crescem as suspeitas de casos, é tudo o que lemos. Sou extremamente leigo. Mas tenho meu ponto de vista e como um colunista de opinião, posso usar este espaço para expor e dividi-lo.
Tenho certeza que por maior que seja a preocupação de todos, tem muitas pessoas por aí que estão satisfeitíssimas com o espaço que a epidemia ocupa nos noticiários.
Já ouviu falar que brasileiro esquece fácil? Pois bem. Enquanto as principais manchetes contam as vítimas da gripe horrenda, tem muita coisa também importante e preocupante acontecendo.
Quantas outras pessoas morrem por dia no país por causas mais patéticas e absurdas?
Violência, acidentes de trânsito, pobreza? Morte por balas perdidas nas grandes cidades principalmente, todos os dias quase.
Só que isso já não vende tanto quanto o vírus indecifrável. Não é novo. O fato de a gripe ser um mistério faz com que as pessoas busquem e se assustem com aquilo. O que intriga é que para todas essas causas ainda não encontraram soluções.
Muitos colocam aquelas máscaras estilo “Michael Jackson”, ou para chocar, ou na pior das hipóteses ficarmos “na moda”. (A eficiência é mínima.)
O que é importante de fato é que a OMS já alertou que vacinas não chegarão ao Brasil ainda este ano, em contrapartida, Temporão diz que há 9 milhões de kits à disposição da população.
As notícias da gripe perdurarão, ficaremos atentos, às novidades, enquanto ao fundo, o velho “câncer” do país continua no seu ritmo acelerado de desenvolvimento.
Não deixemos de nos preocupar , mas olhemos para os lados.
Usar o vírus como bode expiatório para esquecer dos outros graves problemas do Brasil não é a saída.?
O que há de importante ano de 2010? É a Copa do Mundo? (Por sinal, "estrategicamente" agendada)
Não! Importante mesmo são as Eleições, e está relativamente próximo. Você está “antenado” para os possíveis rumos do nosso país?
Não deixe a gripe te “pegar”, lave sempre as mãos e abra os olhos!
Bom café...
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Quando a esmola é demais...
... o santo desconfia. Com certeza todos nós já ouvimos este famoso dito popular. A doação de esmolas é alvo de discussões sem fim na nossa sociedade. Há os que defendem que a prática da esmola protela um grave problema proveniente da desigualdade que assola o Brasil, o que de fato faz sentido. Porém há muitas pessoas que entendem que o problema está longe de ser resolvido, o que também não deixa de ser verdade, e optam por ajudar, fazer a parte delas, “ficando em paz” com suas consciências.
As maiores cidades e as cidades turísticas sofrem mais com a incidência de moradores de rua, mendigos e pedintes, devido ao fluxo de parte da população de alto poderio deflagrando maior disparidade sócio-econômica.
O episódio atual acerca desta problemática foi noticiado em São Paulo, esta semana. A famosa Rua Oscar Freire, nos Jardins, Zona Sul de São Paulo, que ostenta as maiores grifes da moda mundial, os mais requintados hotéis e restaurantes do país, vêm sendo alvo dessa parcela de pessoas que pedem por esmolas. Ou seja, a rua está cheia de mendigos e pedintes.
Situação que pareceu incômoda à “nata” da sociedade paulistana incentivou os empresários responsáveis pelo “shopping a céu aberto” a tomarem providências a evitarem tal contraste, tal inconveniente à imagem do metro quadrado mais caro do Brasil.
A novidade agora na principal capital do país é o “Vale Valor”. Os clientes e frequentadores da “Beverly Hills” nacional agora recebem vales, e os repassam aos pedintes, para que os mesmo possam ter acesso a uma casa de apoio, uma ONG que atende em várias cidades do país. Além deste vale, foram instalados pequenos cofres de papelão aonde os clientes podem fazer suas doações que são repassadas à mesma entidade para que ela desenvolva mais projetos de combate à pobreza.
A questão que fica no ar, inclusive posta em pauta por sociólogos, é se o real intuito dos idealizadores de tal projeto é uma ajuda à longo prazo ou simplesmente expulsar essas pessoas dos arredores de seus estabelecimentos. Questão levantada pelo fato de a casa de auxílio situar-se no Brás, cerca de 20 Km daquele local. Além do que a instituição já atende muitos necessitados de uma região muito mais densamente povoada por eles, o centro da cidade.
Nós aqui em nossa cidade sofremos bastante com o problema, e muitas vezes nos vemos com as mãos atadas. Não por não termos uma moeda para dar. O problema é que em muitos casos, tanto aqui quanto em São Paulo, quanto no Rio, enfim, os pedintes são usuários de drogas, são pessoas que não têm perspectiva alguma de melhoria. Acabamos com a esmola, alimentando e sustentando o tráfico que subsidia a violência urbana. É um grande dilema.
Quanto ao “Vale Valor”, a primeira coisa que tento imaginar é o cidadão com um terno Armani, entrando em seu Porshe, entregando o vale para o mendigo e explicando-o que ele deve encaminhar-se ao tal lugar, a vinte quilômetros dali. E não consigo imaginar o indivíduo que recebe tal vale, guardando aquilo como se fosse fazer uso.
Ou seja, fica uma grande impressão de segregação social, e de que o tal “Vale Valor” tem o proposto “subliminar” de “Vale Vá para longe daqui”.
Bom Café.
As maiores cidades e as cidades turísticas sofrem mais com a incidência de moradores de rua, mendigos e pedintes, devido ao fluxo de parte da população de alto poderio deflagrando maior disparidade sócio-econômica.
O episódio atual acerca desta problemática foi noticiado em São Paulo, esta semana. A famosa Rua Oscar Freire, nos Jardins, Zona Sul de São Paulo, que ostenta as maiores grifes da moda mundial, os mais requintados hotéis e restaurantes do país, vêm sendo alvo dessa parcela de pessoas que pedem por esmolas. Ou seja, a rua está cheia de mendigos e pedintes.
Situação que pareceu incômoda à “nata” da sociedade paulistana incentivou os empresários responsáveis pelo “shopping a céu aberto” a tomarem providências a evitarem tal contraste, tal inconveniente à imagem do metro quadrado mais caro do Brasil.
A novidade agora na principal capital do país é o “Vale Valor”. Os clientes e frequentadores da “Beverly Hills” nacional agora recebem vales, e os repassam aos pedintes, para que os mesmo possam ter acesso a uma casa de apoio, uma ONG que atende em várias cidades do país. Além deste vale, foram instalados pequenos cofres de papelão aonde os clientes podem fazer suas doações que são repassadas à mesma entidade para que ela desenvolva mais projetos de combate à pobreza.
A questão que fica no ar, inclusive posta em pauta por sociólogos, é se o real intuito dos idealizadores de tal projeto é uma ajuda à longo prazo ou simplesmente expulsar essas pessoas dos arredores de seus estabelecimentos. Questão levantada pelo fato de a casa de auxílio situar-se no Brás, cerca de 20 Km daquele local. Além do que a instituição já atende muitos necessitados de uma região muito mais densamente povoada por eles, o centro da cidade.
Nós aqui em nossa cidade sofremos bastante com o problema, e muitas vezes nos vemos com as mãos atadas. Não por não termos uma moeda para dar. O problema é que em muitos casos, tanto aqui quanto em São Paulo, quanto no Rio, enfim, os pedintes são usuários de drogas, são pessoas que não têm perspectiva alguma de melhoria. Acabamos com a esmola, alimentando e sustentando o tráfico que subsidia a violência urbana. É um grande dilema.
Quanto ao “Vale Valor”, a primeira coisa que tento imaginar é o cidadão com um terno Armani, entrando em seu Porshe, entregando o vale para o mendigo e explicando-o que ele deve encaminhar-se ao tal lugar, a vinte quilômetros dali. E não consigo imaginar o indivíduo que recebe tal vale, guardando aquilo como se fosse fazer uso.
Ou seja, fica uma grande impressão de segregação social, e de que o tal “Vale Valor” tem o proposto “subliminar” de “Vale Vá para longe daqui”.
Bom Café.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Ídolos "Fast-Food"
Tenho certeza que muitos da "minha época" pensaram: "nossa, estou ficando velho... o Michael Jackson, morto!...". Bem, não é para tanto, apesar de eu confessar ter pensado assim por um momento. Ele morreu jovem. Uma morte aos 50 anos deve ser considerada precoce.
Provavelmente poucos de nós sentíamos falta dele neste "hiato" profissional em que sua carreira estava.
Mas foi impossível ficar indiferente à sua partida. E muito mais por ser quem foi, sua morte me fez enxergar um cenário novo no comportamento da sociedade perante seus ídolos.
Os ídolos que inspiravam juventudes ditavam comportamentos, moviam multidões, tinham inclusive poderes políticos, estão se esvaindo.
Hoje o mercado impõe a novidade. A mutação contínua de escolhas seja no que se usa, no que se escuta, no que se come. Essa rapidez com que as mudanças são impostas faz com que ídolos não se consolidem. Consome-se algo por um determinado momento fugaz de forma intensa, e logo se satura. É como ir a uma lanchonete dessas aonde "adoramos" seu sanduíche principal. Você come aquilo com tal rapidez que sai do estabelecimento empanturrado dizendo que não voltará ali tão cedo. Volta, acaba voltando. Mas não é algo que te satisfaz por muito tempo.
O ídolo ao pé da letra, não satura. Elvis, Madonna, Michael, Beatles e U2, ou os nacionais, Roberto Carlos, Cazuza, Raul Seixas, Rita Lee, não saem de moda, não deixam de tocar nas rádios, e nós não nos sentimos tão velhos nas "festinhas" de família, pois eles são atemporais.
Por mais que nem sempre politicamente corretos, ídolos tem uma ideologia. Há romantismo. E é essa a sensação de perda que fica com a morte de Michael Jackson. O romantismo do público com seus "heróis" se extingue a medida que cada um deles vai embora. Sinto uma nostalgia ao ver os clipes que via quando era criança. Aquelas imagens, aquelas músicas me remetem a momentos da minha vida.
Hoje confesso que me perco com tanta coisa nova. Meu Ipod é meio "clássicos", meio "contemporâneos". Sendo que a parte das músicas atuais, eu troco de três em três dias. Não marca, não fica. Músicas de quatro minutos, parecidas umas com as outras, de artistas emergentes que somem como avião no céu.
Há uma infinidade de pessoas tendo a possibilidade de ingressar no meio artístico através dos diversos modos independentes hoje disponíveis. O problema é que a qualidade cai, e quando ainda há, compete com muito lixo barato. A gama de artistas que viriam tornar-se referência, nada mais é um bando de incógnitos sem talento comercializando material ruim. Desde que seja rentável, joga-se no mercado.
Acho que seremos órfãos de uma era terminal de "estrelas". Os mais novos podem argumentar e defender a autenticidade dos seus ídolos instantâneos. Mas os que viveram certos personagens sabem o quanto será difícil surgir entre nós fenômenos como aqueles, exemplificando mais especificamente, como Michael Jackson.
Falo de música, mas se observar em todos os segmentos lúdicos, o cenário é parecido, muita gente nova, pouca gente boa.
Você paga, ingere, enjoa. São os ídolos "fast-food".
Bom Café.
Provavelmente poucos de nós sentíamos falta dele neste "hiato" profissional em que sua carreira estava.
Mas foi impossível ficar indiferente à sua partida. E muito mais por ser quem foi, sua morte me fez enxergar um cenário novo no comportamento da sociedade perante seus ídolos.
Os ídolos que inspiravam juventudes ditavam comportamentos, moviam multidões, tinham inclusive poderes políticos, estão se esvaindo.
Hoje o mercado impõe a novidade. A mutação contínua de escolhas seja no que se usa, no que se escuta, no que se come. Essa rapidez com que as mudanças são impostas faz com que ídolos não se consolidem. Consome-se algo por um determinado momento fugaz de forma intensa, e logo se satura. É como ir a uma lanchonete dessas aonde "adoramos" seu sanduíche principal. Você come aquilo com tal rapidez que sai do estabelecimento empanturrado dizendo que não voltará ali tão cedo. Volta, acaba voltando. Mas não é algo que te satisfaz por muito tempo.
O ídolo ao pé da letra, não satura. Elvis, Madonna, Michael, Beatles e U2, ou os nacionais, Roberto Carlos, Cazuza, Raul Seixas, Rita Lee, não saem de moda, não deixam de tocar nas rádios, e nós não nos sentimos tão velhos nas "festinhas" de família, pois eles são atemporais.
Por mais que nem sempre politicamente corretos, ídolos tem uma ideologia. Há romantismo. E é essa a sensação de perda que fica com a morte de Michael Jackson. O romantismo do público com seus "heróis" se extingue a medida que cada um deles vai embora. Sinto uma nostalgia ao ver os clipes que via quando era criança. Aquelas imagens, aquelas músicas me remetem a momentos da minha vida.
Hoje confesso que me perco com tanta coisa nova. Meu Ipod é meio "clássicos", meio "contemporâneos". Sendo que a parte das músicas atuais, eu troco de três em três dias. Não marca, não fica. Músicas de quatro minutos, parecidas umas com as outras, de artistas emergentes que somem como avião no céu.
Há uma infinidade de pessoas tendo a possibilidade de ingressar no meio artístico através dos diversos modos independentes hoje disponíveis. O problema é que a qualidade cai, e quando ainda há, compete com muito lixo barato. A gama de artistas que viriam tornar-se referência, nada mais é um bando de incógnitos sem talento comercializando material ruim. Desde que seja rentável, joga-se no mercado.
Acho que seremos órfãos de uma era terminal de "estrelas". Os mais novos podem argumentar e defender a autenticidade dos seus ídolos instantâneos. Mas os que viveram certos personagens sabem o quanto será difícil surgir entre nós fenômenos como aqueles, exemplificando mais especificamente, como Michael Jackson.
Falo de música, mas se observar em todos os segmentos lúdicos, o cenário é parecido, muita gente nova, pouca gente boa.
Você paga, ingere, enjoa. São os ídolos "fast-food".
Bom Café.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Racismo: jogada desleal
Há cerca de 4 anos atrás, escrevi um dos meus primeiros textos publicados.O racismo deflagrado no futebol, reflexo de uma incompreensível e resistente prática existente em vários segmentos de nossa sociedade.
O futebol vira um potente meio de propagação do racismo devido ao grande apelo midiático existente. O esporte hoje é um show. Não digo na prática do jogo em si, e sim nos valores envolvidos, nos patrocínios estratosféricos e nos direitos de imagens de atletas.
E a exposição de algo negativo, como o que aconteceu na última semana, é quase que inevitável. Ao vivo, as câmeras captam todo e qualquer movimento, inclusive dos lábios dos jogadores e fica evidente a todos, o que acontece no contexto do confronto.
Na última quarta, o jogador argentino Maxi López, ofender seu adversário usando a expressão “macaco”, referindo-se claramente a cor da pele do jogador em questão.
Primeiramente não consigo compreender que ainda hoje, no ano de 2009, exista este tipo de agressão verbal. Enquanto o Mundo evolui, fronteiras são destituídas, a economia se aglomera, busca-se a igualdade para facilitar questões inúmeras, cidadãos ainda são capazes de expor tal ignorância ao tentar diminuir outro por sua cor.
Muitos dizem que aquela conversa se restringe ao campo de jogo. Quem gosta, acompanha e joga futebol sabe que se cria todo um clima de guerra e provocação no gramado, principalmente em jogos que valem mais. Os mais diversos xingamentos são detectados. “Filho da fruta”,“vai buscar chuchu”, “vai se doer”, são costumeiros.
O grande problema é que quando se trata de uma ofensa desse gênero, o fato ganha dimensão maior. A ofensa acaba atingindo todo o grupo étnico-social.
A história nos conta o quanto o racismo gerou conflitos desumanos em todos os cantos do Mundo. É triste acreditarmos que ainda exista enrustido em algumas pessoas tal sentimento retrógrado.
Não falo só do racismo que atinge os negros. A xenofobia, a discriminação por classe social, sexual, cultural, religiosa...
O que ocorreu no jogo entre Grêmio e Cruzeiro, na quarta-feira, principalmente pelo fato de haver uma transmissão a nível nacional, com um provável índice de audiência enorme, foi trazido à opinião pública com muita força. A paixão pelo time faz com que torcedores defendam o jogador do seu time. De ambos. Acho que tanto um não deve fugir da responsabilidade do que foi dito, quanto o outro não deve se colocar na total posição de vítima. Os dois comportamentos alimentam o racismo.
Há atitudes como aquela todos os dias, em diferentes meios profissionais, grupos sociais, que não se tornam evidentes. A exposição disto serve como forma de pensarmos cada vez mais nas nossas atitudes relativas ao próximo.
Não pretendo aqui determinar certo e errado, pois existem diferentes formas de interpretação, e isso deve ser respeitado. Porém, se evidenciado, o racismo é repugnante. O debate se torna válido desde que o fim seja a extinção de tal comportamento. Isto já deveria ser apenas história.
Que no jogo desta noite esta história tome um rumo diferente, de reflexão, de retratação, de união entre as pessoas. Afinal, somos todos muito iguais.
Um bom café (com leite) porque não?
O futebol vira um potente meio de propagação do racismo devido ao grande apelo midiático existente. O esporte hoje é um show. Não digo na prática do jogo em si, e sim nos valores envolvidos, nos patrocínios estratosféricos e nos direitos de imagens de atletas.
E a exposição de algo negativo, como o que aconteceu na última semana, é quase que inevitável. Ao vivo, as câmeras captam todo e qualquer movimento, inclusive dos lábios dos jogadores e fica evidente a todos, o que acontece no contexto do confronto.
Na última quarta, o jogador argentino Maxi López, ofender seu adversário usando a expressão “macaco”, referindo-se claramente a cor da pele do jogador em questão.
Primeiramente não consigo compreender que ainda hoje, no ano de 2009, exista este tipo de agressão verbal. Enquanto o Mundo evolui, fronteiras são destituídas, a economia se aglomera, busca-se a igualdade para facilitar questões inúmeras, cidadãos ainda são capazes de expor tal ignorância ao tentar diminuir outro por sua cor.
Muitos dizem que aquela conversa se restringe ao campo de jogo. Quem gosta, acompanha e joga futebol sabe que se cria todo um clima de guerra e provocação no gramado, principalmente em jogos que valem mais. Os mais diversos xingamentos são detectados. “Filho da fruta”,“vai buscar chuchu”, “vai se doer”, são costumeiros.
O grande problema é que quando se trata de uma ofensa desse gênero, o fato ganha dimensão maior. A ofensa acaba atingindo todo o grupo étnico-social.
A história nos conta o quanto o racismo gerou conflitos desumanos em todos os cantos do Mundo. É triste acreditarmos que ainda exista enrustido em algumas pessoas tal sentimento retrógrado.
Não falo só do racismo que atinge os negros. A xenofobia, a discriminação por classe social, sexual, cultural, religiosa...
O que ocorreu no jogo entre Grêmio e Cruzeiro, na quarta-feira, principalmente pelo fato de haver uma transmissão a nível nacional, com um provável índice de audiência enorme, foi trazido à opinião pública com muita força. A paixão pelo time faz com que torcedores defendam o jogador do seu time. De ambos. Acho que tanto um não deve fugir da responsabilidade do que foi dito, quanto o outro não deve se colocar na total posição de vítima. Os dois comportamentos alimentam o racismo.
Há atitudes como aquela todos os dias, em diferentes meios profissionais, grupos sociais, que não se tornam evidentes. A exposição disto serve como forma de pensarmos cada vez mais nas nossas atitudes relativas ao próximo.
Não pretendo aqui determinar certo e errado, pois existem diferentes formas de interpretação, e isso deve ser respeitado. Porém, se evidenciado, o racismo é repugnante. O debate se torna válido desde que o fim seja a extinção de tal comportamento. Isto já deveria ser apenas história.
Que no jogo desta noite esta história tome um rumo diferente, de reflexão, de retratação, de união entre as pessoas. Afinal, somos todos muito iguais.
Um bom café (com leite) porque não?
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Mais lixo? Não,obrigado.
Esta semana decidi falar de algo que, por mais que tente ignorar, simplesmente "deixar para lá", o próximo sinal vermelho trás à tona. Como denominar tal atividade, não sei. Promoção, panfletagem, propaganda?
Sendo mais direto e específico, falo da entrega de toneladas de papéis aos motoristas nos sinais de trânsito.
Hoje, ao olhar para dentro do carro, constatei o seguinte: sou motorista de uma lata de lixo ambulante!
A questão é antiga, sim, e de abrangência nacional. Não é só em nossa cidade que há questões envolvendo esta prática tão comum.
Diria que sempre olhei para as pessoas nos sinais de trânsito com certa complacência. Muitas vezes pensei: "vou aceitar, afinal, está um sol danado, eles estão aí de pé, o dia todo, para ganhar um "troquinho". O que há de errado nisso? Melhor que roubar." Isso é um pensamento primário. Acredito que muitos pensem assim.
Mas os dias vão passando, os sinais vão ficando vermelhos, e lá vem eles, entregar-lhe o mesmo panfleto de ontem, seu carro começa a encher de papéis, você raramente olha para o conteúdo presente nas folhas... e a situação começa a incomodar.
Andei buscando informações, e de fato existem determinações e muitas cidades adotam rigor na fiscalização. Porém, vou apenas lançar questionamentos, para que cada um reflita e interprete da maneira que achar pertinente.
A primeira coisa que me intriga. Os principais estabelecimentos comercias emissores dos panfletos, fazem questão de dizer que suas sacolas são feitas de material reciclado. Ora bolas, eles estão preocupados com o meio-ambiente ou não? A quantidade de lixo originado da papelada distribuída nas ruas é imensa. É o famoso cobertor curto, cobrem a cabeça e descobrem os pés. De que adianta?
Mais perguntas.
À partir do momento que o papel passa do entregador para o motorista por exemplo, de quem é a responsabilidade de se desfazer daquilo? Do motorista, que aceitou receber, correto? Até aí tudo bem. Agora, se eu estaciono meu veículo, e ao voltar encontro uma papelada no pára-brisas, na maçaneta, colocados sem meu consentimento? Eu terei que recolher, e levar à lixeira mais próxima (em muitos casos não há lixeiras próximas), ou colocar para dentro do carro para jogar fora depois? Sim e isso acontece constantemente. Justo? Não.
Outra curiosidade. As pessoas que fazem o trabalho em si, os entregadores. Teriam eles algum vínculo empregatício? Trabalham sob supervisão de alguém? Possuem direitos trabalhistas, são maiores de idade, trabalham em condições adequadas? Sabemos que não. São informais, como muitos neste país. Sabe-se que trabalhar em meio aos carros, em avenidas movimentadas, gera um risco muito maior. Se por acaso, um carro perde o controle e atinge um canteiro de uma avenida destas aonde eles costumam sentar esperando o sinal fechar? Pode ocorrer um acidente gravíssimo. Quem responde por isso?
Penso ainda na questão da limpeza urbana, a cidade acaba ficando mais suja, pois muitos descartam o papel nas vias. Fora a poluição visual.
Não sou contra as empresas, sou cliente de algumas delas, entendo que a propaganda seja a "alma do negócio", mas acredito que existam meios mais responsáveis e menos nocivos ao meio-ambiente do que essa panfletagem desenfreada que ocorre.
Deve haver um respeito do comerciante com o cidadão e com sua cidade de atuação.
Imagina que curioso seria se nós recolhêssemos todo a propaganda recebida num mês, por exemplo, e levássemos de volta aos estabelecimentos para que eles se responsabilizassem pelo lixo.
Será que aceitariam?
Bom café...
Sendo mais direto e específico, falo da entrega de toneladas de papéis aos motoristas nos sinais de trânsito.
Hoje, ao olhar para dentro do carro, constatei o seguinte: sou motorista de uma lata de lixo ambulante!
A questão é antiga, sim, e de abrangência nacional. Não é só em nossa cidade que há questões envolvendo esta prática tão comum.
Diria que sempre olhei para as pessoas nos sinais de trânsito com certa complacência. Muitas vezes pensei: "vou aceitar, afinal, está um sol danado, eles estão aí de pé, o dia todo, para ganhar um "troquinho". O que há de errado nisso? Melhor que roubar." Isso é um pensamento primário. Acredito que muitos pensem assim.
Mas os dias vão passando, os sinais vão ficando vermelhos, e lá vem eles, entregar-lhe o mesmo panfleto de ontem, seu carro começa a encher de papéis, você raramente olha para o conteúdo presente nas folhas... e a situação começa a incomodar.
Andei buscando informações, e de fato existem determinações e muitas cidades adotam rigor na fiscalização. Porém, vou apenas lançar questionamentos, para que cada um reflita e interprete da maneira que achar pertinente.
A primeira coisa que me intriga. Os principais estabelecimentos comercias emissores dos panfletos, fazem questão de dizer que suas sacolas são feitas de material reciclado. Ora bolas, eles estão preocupados com o meio-ambiente ou não? A quantidade de lixo originado da papelada distribuída nas ruas é imensa. É o famoso cobertor curto, cobrem a cabeça e descobrem os pés. De que adianta?
Mais perguntas.
À partir do momento que o papel passa do entregador para o motorista por exemplo, de quem é a responsabilidade de se desfazer daquilo? Do motorista, que aceitou receber, correto? Até aí tudo bem. Agora, se eu estaciono meu veículo, e ao voltar encontro uma papelada no pára-brisas, na maçaneta, colocados sem meu consentimento? Eu terei que recolher, e levar à lixeira mais próxima (em muitos casos não há lixeiras próximas), ou colocar para dentro do carro para jogar fora depois? Sim e isso acontece constantemente. Justo? Não.
Outra curiosidade. As pessoas que fazem o trabalho em si, os entregadores. Teriam eles algum vínculo empregatício? Trabalham sob supervisão de alguém? Possuem direitos trabalhistas, são maiores de idade, trabalham em condições adequadas? Sabemos que não. São informais, como muitos neste país. Sabe-se que trabalhar em meio aos carros, em avenidas movimentadas, gera um risco muito maior. Se por acaso, um carro perde o controle e atinge um canteiro de uma avenida destas aonde eles costumam sentar esperando o sinal fechar? Pode ocorrer um acidente gravíssimo. Quem responde por isso?
Penso ainda na questão da limpeza urbana, a cidade acaba ficando mais suja, pois muitos descartam o papel nas vias. Fora a poluição visual.
Não sou contra as empresas, sou cliente de algumas delas, entendo que a propaganda seja a "alma do negócio", mas acredito que existam meios mais responsáveis e menos nocivos ao meio-ambiente do que essa panfletagem desenfreada que ocorre.
Deve haver um respeito do comerciante com o cidadão e com sua cidade de atuação.
Imagina que curioso seria se nós recolhêssemos todo a propaganda recebida num mês, por exemplo, e levássemos de volta aos estabelecimentos para que eles se responsabilizassem pelo lixo.
Será que aceitariam?
Bom café...
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Holofotes no turismo
E a cidade do turismo respira turismo. Foz do Iguaçu recebe esta semana os principais profissionais do trade a nível continental.
O Festival de Turismo das Cataratas em sua primeira edição reedita o trienal Festival Internacional de Turismo, e traz em sua essência o envolvimento dos profissionais do ramo com a nossa cidade, intuindo o melhor trato e o crescimento dos negócios na nossa região.
De fato é sempre positivo que haja tal preocupação por parte dos responsáveis por eventos desta magnitude, afinal, Foz do Iguaçu é rica por si, oferece inúmeros e peculiares atrativos, e é de profunda importância que profissionais do segmento, saibam comercializar seu produto agregado à cidade da maneira a qual se aproveite ao máximo os resultados de tais parcerias comerciais.
A reunião das mais importantes empresas, dos órgãos governamentais e da sociedade acadêmica regional faz com que haja uma boa perspectiva quanto aos resultados a serem obtidos ao final do acontecimento.
Apesar de sua característica econômica, tendo como foco principal o Fórum Internacional e a Rodada de Negócios, o festival oferece aos convidados e participantes, uma série de atividades de entretenimento ao final de cada jornada diária. Ainda há no enredo a apresentação de projetos sociais envolvendo jovens da sociedade iguaçuense e região, integrando-os ao mercado de trabalho de forma qualificada.
Foz do Iguaçu tem como principal atividade econômica o turismo, é sabido por toda e qualquer pessoa, e justamente por esta razão, faz-se necessário que se idealize, incentive-se e capte-se eventos como o Festival de Turismo das Cataratas. Em seu quarto ano, é data obrigatória nos calendários dos principais empresários e agentes de viagens do Mercosul, crescendo em tradição e trazendo muitos negócios interessantes para a cidade.
É muito importante que nós, que vivemos aqui, mesmo que não possamos participar efetivamente do evento, entendamos que qualquer programação voltada à promoção positiva do Destino Iguaçu é extremamente importante.
Tanto que há o apoio das Secretarias Municipal e de Turismo, assim como do Ministério, para que se agregue a credibilidade necessária para atrair investidores e por que não, curiosos que possam ser potenciais parceiros futuros.
Como já escrevi anteriormente, num texto onde questionava a identidade iguaçuense, Foz do Iguaçu dispensa grandes apresentações, porém todo tipo de atividade que vem a destacar a magnitude de suas belezas, exponha suas qualidades, é de fundamental importância.
Aos que preferem a associação de notícias negativas à nossa cidade, problemas que entendo que toda cidade possui, sugiro que não esqueçam de cobrar melhorias, mas que voltem suas forças para a divulgação positiva de Foz, para que haja um crescimento em todos os sentidos e quem sabe acelere o processo de melhoria das nossas principais complicações.
Que o Festival seja um sucesso em resultados para nossa cidade, e que todos tenham uma ótima semana.
Ah, e bom café...
O Festival de Turismo das Cataratas em sua primeira edição reedita o trienal Festival Internacional de Turismo, e traz em sua essência o envolvimento dos profissionais do ramo com a nossa cidade, intuindo o melhor trato e o crescimento dos negócios na nossa região.
De fato é sempre positivo que haja tal preocupação por parte dos responsáveis por eventos desta magnitude, afinal, Foz do Iguaçu é rica por si, oferece inúmeros e peculiares atrativos, e é de profunda importância que profissionais do segmento, saibam comercializar seu produto agregado à cidade da maneira a qual se aproveite ao máximo os resultados de tais parcerias comerciais.
A reunião das mais importantes empresas, dos órgãos governamentais e da sociedade acadêmica regional faz com que haja uma boa perspectiva quanto aos resultados a serem obtidos ao final do acontecimento.
Apesar de sua característica econômica, tendo como foco principal o Fórum Internacional e a Rodada de Negócios, o festival oferece aos convidados e participantes, uma série de atividades de entretenimento ao final de cada jornada diária. Ainda há no enredo a apresentação de projetos sociais envolvendo jovens da sociedade iguaçuense e região, integrando-os ao mercado de trabalho de forma qualificada.
Foz do Iguaçu tem como principal atividade econômica o turismo, é sabido por toda e qualquer pessoa, e justamente por esta razão, faz-se necessário que se idealize, incentive-se e capte-se eventos como o Festival de Turismo das Cataratas. Em seu quarto ano, é data obrigatória nos calendários dos principais empresários e agentes de viagens do Mercosul, crescendo em tradição e trazendo muitos negócios interessantes para a cidade.
É muito importante que nós, que vivemos aqui, mesmo que não possamos participar efetivamente do evento, entendamos que qualquer programação voltada à promoção positiva do Destino Iguaçu é extremamente importante.
Tanto que há o apoio das Secretarias Municipal e de Turismo, assim como do Ministério, para que se agregue a credibilidade necessária para atrair investidores e por que não, curiosos que possam ser potenciais parceiros futuros.
Como já escrevi anteriormente, num texto onde questionava a identidade iguaçuense, Foz do Iguaçu dispensa grandes apresentações, porém todo tipo de atividade que vem a destacar a magnitude de suas belezas, exponha suas qualidades, é de fundamental importância.
Aos que preferem a associação de notícias negativas à nossa cidade, problemas que entendo que toda cidade possui, sugiro que não esqueçam de cobrar melhorias, mas que voltem suas forças para a divulgação positiva de Foz, para que haja um crescimento em todos os sentidos e quem sabe acelere o processo de melhoria das nossas principais complicações.
Que o Festival seja um sucesso em resultados para nossa cidade, e que todos tenham uma ótima semana.
Ah, e bom café...
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