quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A parte boa do que somos

Quem nunca falou que a família só é boa em porta-retratos, à distância, que atire a primeira pedra. Eu mesmo já o fiz.

Condenada por alguns especialistas e sociólogos como instituição falida, a família ainda é fator fundamental na formação do indivíduo. Há uma visível mudança sócio-comportamental com o avanço tecnológico e econômico que nos remete a individualidade. Desde a inserção da mulher no mercado de trabalho, aos mais modernos apetrechos eletrônicos que nos dão a ilusória sensação de auto-suficiência. Você fecha negócios via mensagens em seu BlackBerry e comemora o Natal com a família numa vídeo conferência através do Skype. Mantêm-se atualizado quanto aos passos de amigos através de suas redes sociais diariamente atualizadas, e faz um pedido de fast-food via chat. Laptops e aparelhos de telefone celular são o sexto e o sétimo sentido da espécie humana contemporânea.

O Mundo competitivo te oferece poucos espaços. E os espaços coletivos são escassos. E essa afirmação refere-se a todos os âmbitos. Desde o espaço físico, quanto o profissional. A corrida tecnológica e econômica é inversamente proporcional aos recursos que o planeta oferece.

Jovens cada vez mais jovens, sucumbem à pressão imposta por todos ao seu redor. E na maioria das vezes não estão preparados à isso. E tal pressão inicia-se dentro da própria casa.

Porém, o papel de prepará-los não foi substituído por nenhum computador. Ainda é da tão falada instituição falida, a família.

Princípios morais, caráter, autoconfiança, fé, educação e principalmente amor, são alicerces fundamentais para a nossa sobrevivência ante tantos desafios.

Que máquina é capaz de prover tais capacitações?

Sou da geração da transição, e minha família sofreu com o início do processo. Somos cinco membros distantes e isolados geograficamente. Porém tal distância física não nos faz separados. Resistimos a esta nova formação social com o que aprendemos de fundamental dentro do ambiente familiar.

Por isso, aos que ainda convivem em família, é fundamental o cultivo destes princípios para que haja um equilíbrio no futuro. Quando falo em tal ambiente familiar, não me refiro a casa cheia, e sim a sintonia entre os membros. Amem-se, ajudem-se, respeitem-se e sejam justos uns com os outros. Aos mais velhos, transmitam o que de bom lhes foi ensinado, e não façam pagar os mais novos as frustrações passadas. Lembre-se que há a responsabilidade de se manter a essência moral. Todos nós envelheceremos, e caberá aos sucessores transmitir o bem, numa sociedade aonde isso já é raro.

E é justamente pela enorme falta de características as quais aprendemos no inicio da vida, que é muito difícil hoje, encontrar correntes voltadas à preservação ambiental, a pessoas interessadas no agrupamento social, na verdadeira união de raças. A globalização, o rompimento de fronteiras, é de mero interesse político. Enquanto que o real interesse é a segregação individual. Carros compactos, apartamentos menores, computadores de mão, pontos eletrônicos, toda a tecnologia nos remete a uma suposta auto-suficiência ilusória e somente atingível aos de maior poderio econômico. Uma re-edição artificial da teoria da “seleção-natural”.

Ensina-se que o Mundo é dos mais fortes e espertos, e a busca pelo sucesso (poderia dizer, sobrevivência) nos faz homens muito mais pobres de espírito, amargurados e covardes.

E a verdade é que somos seres muito mais dependentes de algo que a evolução tecnológica não é capaz de nos prover. O sentimento recíproco. A união.

A primeira manifestação de união parte de dentro para fora, e é a família. E há muita força de fora para dentro para que ela se desfaça. Cultive a sua se ainda a têm.



E bom café.

Um comentário:

  1. Concordo com vc.Tem aquele famoso ditado q diz q só valorizamos algumas coisas,qdo as perdemos.É fato.Como vc disse muito bem,a união é tudo,e qdo há amor de fato,não importa a distância.Acho tb q a coisa mais importante entre os membros de uma família,é o respeito.Corremos um risco qdo optamos pelo livre arbítrio,mas ainda acho q é omais importante para q possamos ser alguém melhor.Nunca é tarde para cultivar sentimentos.

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