quinta-feira, 8 de outubro de 2009

ENEM: o "x" da questão!

O processo de seleção para o ingresso nas universidades e faculdades do país nunca foi o ideal, todos sabem.

Em meio à polêmicas quanto ao conteúdo aplicado, considerado retrógrado e ineficiente ao regime de cotas, explicitando um dos maiores problemas sociais deste país, a divergência econômica e a questão da etnia, o tema em pauta hoje é o ENEM, processo que substituirá de vez os vestibulares nacionais, prometendo distribuir de forma mais justa e coerente as vagas tão concorridas nas principais instituições de ensino superior.

Há anos tendo sua importância relegada à segundo plano, hoje o exame nacional do ensino médio é visto como um dos mais importantes concursos do país. Supervalorizado, o material da prova virou objeto de ganância dos impostores. Como uma filha indefesa de pais milionários, foi facilmente seqüestrada por dois larápios funcionários da gráfica "responsável" pela copia dos exemplares.

E como todo seqüestro tem sua motivação financeira, os rapazes espertos, pediram a membros da imprensa a "bagatela" de quinhentos mil reais pelo conteúdo.

Pois bem, o furo já estava caracterizado, e gratuitamente. Se a idéia era expor o frágil sistema de proteção utilizado num procedimento tão importante, o objetivo foi atingido, e sendo assim, fica difícil acreditar que tal furto tenha tido a simples intenção enriquecimento. Parece coisa maior. Interesses difusos, não?

A proposta do ENEM não é de agrado unânime, isso já foi evidenciado assim que o ministro de educação Fernando Haddad manifestou sua vontade de promover o exame ao caminho exclusivo de acesso ao ensino superior em alguns anos.

Meses antes, houvera um problema de caráter documental que já ameaçara a prova de ser realizada em sua data prevista. Agora, dias antes, o material é roubado sem que haja uma motivação clara.

Seria muito mais compreensível se os dois envolvidos diretamente no ato do furto fossem pegos tentando vender o conteúdo da prova à candidatos. Faria algum sentido.

Porque procurar diretamente a imprensa para que se propagasse tal escândalo, senão com uma finalidade moral?

E a dupla de Felipes, os protagonistas do episódio, ousariam se expor por algo tão pequeno, sabendo que havia ali inúmeras câmeras de segurança?

Certamente fizeram tudo respaldados por alguém que os dera garantias de que a pena seria branda e vantajosa no final das contas.

Agora, cerca de quatro milhões de candidatos foram lesados, a nova data prevista para a realização das provas coincide com mais inúmeros vestibulares, e o sistema demonstrou falta de confiabilidade.

A forma como as empresas responsáveis são escolhidas é questionada. Licitações más redigidas dão brecha para que o serviço não seja eficaz. É inaceitável que indivíduos "comuns" manejem documento de tal importância.

O ideal seria a escolha por excelência. As empresas mais capacitadas fazem o serviço. E deve haver fiscalização severa.

Muitas universidades, incluindo a "nossa" Unioeste, ainda não decidiram se mudarão suas datas em virtude da proximidade de aplicação.

Mais que um furo de notícia, este acontecimento mexe com o futuro de milhares de jovens deste país. Sabe-se que o processo seletivo é tenso e concorrido, e qualquer desvio de concentração na reta final pode resultar na perda da vaga, numa prova mal feita, em mais um ano perdido.

Acima de tudo, o revolucionário ENEM sai enfraquecido, com sua credibilidade abalada, e com certeza, os mentores deste crime (que não foram os dois rapazes), com o seu objetivo selado.

2 comentários:

  1. 30 postagens no Blog. 35 publicações no impresso. 9 meses à fio. Orgulhoso! Comentem!

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  2. caramba, cara.
    Mas quem se beneficiaria com uma coisa como essa?
    abraço

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