Andar em círculos. Expressão que dá a idéia de estarmos perdidos, sendo inúteis, não encontrando solução. No sentido literário seria como numa pista de atletismo, ainda sim não são exatos círculos, a pista tem um formato misto de retângulo com extremidades curvilíneas, que te colocam de volta em volta no mesmo lugar.
Esta é a sensação que o tempo nos traz, e o relógio, objeto de representação do abstrato temporal, representa igualmente um ponteiro ao encontro das 12 horas e uma pessoa diante te um Papai Noel mal representado por um homem magro e suado na praça, com uma barba de algodão mal colada. “Ho, ho, ho, é Natal!”
Isso só lhe faz pensar que mais um ano passou voando e que você está ficando velho. Brincadeira, em parte. Tudo depende do ponto de vista. Isso me fez pensar no porque as pessoas sempre dizem que virada de ano é um período de renovação, de coisas novas, de lavar a alma. E para as pessoas que estão bem em todos os âmbitos da vida? As pessoas que não precisam destas mudanças radicais?
Fica bem claro que esta manifestação da maioria, que esta onda de renovação é espelho de uma insatisfação na forma como suas vidas vêm sendo conduzidas. Até aí não há nada de novo. No caso dos brasileiros, é evidente que possuímos uma maioria insatisfeita, isso ignorando dados probatórios, pesquisas encomendadas. Por isso este sentimento de esperança emana nesta fase do ano, diante de tantos apelos e crenças por um ano melhor.
Quando você completa este círculo anual, é como se desse de frente com um espelho e perguntasse a si: E aí, tudo bem?
A reposta geralmente pende para o negativo. Você queria ter viajado mais, ganho mais dinheiro, ter sido promovido, ter encontrado alguém que lhe satisfizesse por completo, amado mais. Enquanto isso, seu tempo foi curto, não viajou nem em feriados prolongados, ganhou seu dinheiro mais gastou mais do que isso, iniciou uma paixão de lhe promover calafrios eufóricos que hoje virou rotina, e pensa que o amor não foi suficiente de nenhum dos lados. Se sente fraco e sem fé, e promete que o ano que vem será diferente.
A verdade é que nunca estamos satisfeitos. E que muitas das coisas que deixamos de fazer devem ser depositadas nas nossas contas, em nossas escolhas. Às vezes por comodismo, medo, falta de confiança, deixamos de arriscar mais, de acreditar que podemos ser e viver mais. Enquanto que às vezes nos perdemos em uma falta de discernimento e cometemos devaneios que nos fazem andar para traz. Como num jogo de aventura no vídeo game, em que você “morre” e começa do último “save point”. Olhar para traz e ver que o que você tinha era muito bom e que não precisava ter aberto mão daquilo, apenas administrado emoções.
Um emprego legal,uma namorada, seu apartamento que achava apertado, podem te fazer falta.
Então não é justo com você mesmo, chegar ao final do ano e propagar a mudança radical, dizer que ainda bem que o ano acabou, e que finalmente, começará aquela dieta, aquele curso que vai alavancar sua carreira, ou sair pelo mundo sem rumo.
O cronograma será praticamente o mesmo de todos, e você só anda em círculos se quiser. Encarando como se estivesse sempre andando em frente, entendendo que as derrotas, os momentos ruins só engrandecem, e curtir as festas com o simples significado da palavra: Festa.
Então festeje, “encha a cara”, reveja os familiares, volte a sua cidade de origem, curta a folga que a maioria pode ter, e não se cobre muito.
Seu ano foi bom, o ano que vem será um ano igualmente bom.
Paz a todos.
Espaço voltado para as publicações dos textos da coluna de quinta-feira de "A Gazeta do Iguaçu".
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Telefone celular: utilitário ou brinquedo inútil?
Tive que ir ao shopping um dia desses, aqui perto de casa, e como é comum nesta época do ano, qualquer centro comercial, rua, viela, calçadão, e principalmente Shopping Center, ficam abarrotados de pessoas.
Sem muita bala no cartucho para gastar, meu itinerário neste tipo de estabelecimento se resume a um restaurante ali, um cinema acolá, e um sorvete de iogurte. Nada muito dispendioso.
Mas nem o mais distraído dos indivíduos deixa de prestar atenção a um conglomerado de pessoas semelhante a um formigueiro á esquerda, a direita, ou mais a frente numa loja distante não tanto ao visual. A primeira piadinha que o carioca faz quando vê esse tipo de movimentação: “Estão dando doce ali?” Fazendo alusão ao feriado estadual de São Cosme e São Damião, aonde as pessoas oferecem doces na porta de suas casas às crianças, que formam filas em frente a estas residências.
Mas que tipo de produto atrai tanto as pessoas nesta época do ano? Descobri que não tem nada a ver com a época do ano, é um produto que desperta este interesse o ano todo. Telefones celulares, telefonia móvel em geral.
Isto me instigou a escrever um texto.
Esta política econômica que se fortaleceu nos últimos anos elevando o poder de compra de todas as camadas sociais brasileiras, mudou o padrão de consumo das camadas inferiores.
E o mercado que não é bobo nem nada, faz um ataque sedento à classe mais numerosa.
O produto em si, o aparelho telefônico, tem de possuir um princípio básico e imprescindível, que é lhe dar boas condições de falar e escutar. Mas qual é a graça?
Os aparelhos hoje oferecem milhões de utilidades “extras” que chegam a descaracterizar a natureza funcional do produto. Um aparelho que reproduz MP-3, vídeos, acessa redes sociais e envia foto mensagens, por exemplo, só lhe permite usufruir de tudo caso obtenha um plano de cobertura “x”, e muitos não têm condições de adquirir tais planos. O que torna o telefone obsoleto, em sua original função.
Os contratos de telefonia hoje permitem que as pessoas tenham um aparelho que não as permitem fazer ligações a não ser que tenham créditos, os famosos pré-pagos. E a maioria das pessoas que está naquele entrevero popular não tem condições de formalizar contratos de telefonia pós-paga, ou as contas, que dão a liberdade de uso a um custo final mais caro, devido a comodidade.
O telefone hoje é muito mais do que um aparelho que conecta as pessoas através de voz, mensagens e conversações simultâneas. O objeto tornou-se símbolo de ascensão e status social, de um falso poderio econômico, uma vez que muitos não possuem telefones compatíveis com sua realidade.
O marketing envolto nesse tipo de segmento é eficaz a ponto de fazer com que uma grande quantidade de consumidores priorize ostentar uma “cereja preta” um “ai-fone” ou “N-12345678” do que investir em algo que melhore suas condições básicas de vida.
Um fenômeno mercadológico já visto na recente febre de consumo pelas televisões, hoje se volta à telefonia. Não é a toa que ocupam as mais nobres cotas de propaganda da rede nacional.
Bom café.
Sem muita bala no cartucho para gastar, meu itinerário neste tipo de estabelecimento se resume a um restaurante ali, um cinema acolá, e um sorvete de iogurte. Nada muito dispendioso.
Mas nem o mais distraído dos indivíduos deixa de prestar atenção a um conglomerado de pessoas semelhante a um formigueiro á esquerda, a direita, ou mais a frente numa loja distante não tanto ao visual. A primeira piadinha que o carioca faz quando vê esse tipo de movimentação: “Estão dando doce ali?” Fazendo alusão ao feriado estadual de São Cosme e São Damião, aonde as pessoas oferecem doces na porta de suas casas às crianças, que formam filas em frente a estas residências.
Mas que tipo de produto atrai tanto as pessoas nesta época do ano? Descobri que não tem nada a ver com a época do ano, é um produto que desperta este interesse o ano todo. Telefones celulares, telefonia móvel em geral.
Isto me instigou a escrever um texto.
Esta política econômica que se fortaleceu nos últimos anos elevando o poder de compra de todas as camadas sociais brasileiras, mudou o padrão de consumo das camadas inferiores.
E o mercado que não é bobo nem nada, faz um ataque sedento à classe mais numerosa.
O produto em si, o aparelho telefônico, tem de possuir um princípio básico e imprescindível, que é lhe dar boas condições de falar e escutar. Mas qual é a graça?
Os aparelhos hoje oferecem milhões de utilidades “extras” que chegam a descaracterizar a natureza funcional do produto. Um aparelho que reproduz MP-3, vídeos, acessa redes sociais e envia foto mensagens, por exemplo, só lhe permite usufruir de tudo caso obtenha um plano de cobertura “x”, e muitos não têm condições de adquirir tais planos. O que torna o telefone obsoleto, em sua original função.
Os contratos de telefonia hoje permitem que as pessoas tenham um aparelho que não as permitem fazer ligações a não ser que tenham créditos, os famosos pré-pagos. E a maioria das pessoas que está naquele entrevero popular não tem condições de formalizar contratos de telefonia pós-paga, ou as contas, que dão a liberdade de uso a um custo final mais caro, devido a comodidade.
O telefone hoje é muito mais do que um aparelho que conecta as pessoas através de voz, mensagens e conversações simultâneas. O objeto tornou-se símbolo de ascensão e status social, de um falso poderio econômico, uma vez que muitos não possuem telefones compatíveis com sua realidade.
O marketing envolto nesse tipo de segmento é eficaz a ponto de fazer com que uma grande quantidade de consumidores priorize ostentar uma “cereja preta” um “ai-fone” ou “N-12345678” do que investir em algo que melhore suas condições básicas de vida.
Um fenômeno mercadológico já visto na recente febre de consumo pelas televisões, hoje se volta à telefonia. Não é a toa que ocupam as mais nobres cotas de propaganda da rede nacional.
Bom café.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Ter e não ser? Eis a questão
É involuntário, mas me pergunto o porquê da maioria das pessoas se referem ou interpretam amor com a imagem de um casal feliz, um horizonte belo e uma espécie de silhueta ou áurea em forma de um coração parecendo que postado ali ao acaso, ou atraído pela energia de tal sentimento.
Antes que os marmanjos de plantão comecem suas insinuações sobre a sensibilidade temática do texto, me adianto e aviso: escrever requer sensibilidade fale você de amor ou de guerra, portanto, sugiro que a critica surja acerca da leitura completa do texto.
Muitas vezes me uso como exemplo, como base de relato às minhas impressões, mas poderia criar uma personagem perfeitamente comum à nossa cultura cotidiana. Alguém que acorda cedo, trabalha, estuda a noite e se vê dominada pelo ritmo frenético das obrigações incanceláveis.
Qual é o real objetivo do seu ciclo diário rumo a dias iguais aos outros? Porque os sonhos se perdem cada vez mais cedo?
Perdem-se é forma expressiva de eximir de culpa quem simplesmente deixou para trás o ápice do enredo de sua biografia.
Quando você anda num centro econômico, num centro comercial aonde quer que seja, percebe quantas pessoas incógnitas cruzam por você, passam do seu lado, estão paradas num ponto de ônibus ou, sei lá, num dia quente tomando um sorvete?
Se dedicasse dez minutos a apenas observar a fisionomia destas pessoas, perceberia o quão indiferente é a maioria dos semblantes. Todos parecem andar sem destino. Isso me lembra um clipe do Pearl Jam , “Do the Evolution” aonde os seres-humanos ao nascer seriam marcados com códigos de barras, como mercadorias. E essa indiferença sentida é reflexo de uma evolução sócio-cultural voltada para a produção e quantidade. Quando falo disso, me refiro à resultados. Lucros, metas, positividade numérica. Palavras que substituem sonhos.
Volte ao momento em que passou a observar por dez minutos as pessoas ao seu redor. Pense o quão incrível seria, independente de status e poderio econômico, de vestimenta, de estética destas pessoas, que cada um destes têm ou teve um sonho, pelo menos um dia. E se todos pudessem ter realizado esses sonhos? E se ao menos alguns deles? Estariam essas pessoas andando como parecendo “frios andróides”, provavelmente indo ao encontro de um compromisso o qual ele foi obrigado a comparecer?
Tenho certeza que a vida de muitas destas pessoas daria bons livros.
A satisfação ilusória do consumo é o mecanismo que sustenta parte de toda essa realidade. A troca do “ter” por “ser”.
Onde está o amor? O amor em você mesmo.
A primeira resposta que as pessoas têm para justificar a perda da paixão pelas coisas da vida é que não há opção, que o Mundo “massacra”, que o tempo passa, e que precisa pagar contas e trabalhar. E isso serve como justificativa global aos considerados fracassados, ou, resignados.
Eu não tenho a fórmula, sou alguém que vive esta perspectiva real, mas me questiono de tempos em tempos. Abrir mão desse amor ocasiona perda de confiança, desilusão. Isso reflete no convívio social do mais superficial ao mais íntimo.
Talvez seja a motivação pela qual esteja compartilhando estes questionamentos. E a resposta a essa aparente incontornável onda comportamental, de minha parte, está aqui, nestes textos que semanalmente escrevo. Talvez seja resquício do que almejei um dia.
Não faria sentido se todos simplesmente aceitassem as condições que a vida lhes propõe, e deixasse o tempo se encarregar do resto.
Cadê seu amor, “pô”?
Ame a si a ponto de permitir-se deixar fazer coisas que o satisfaçam. Faça algo bonito aos seus olhos, não aos alheios.
Não seja número se pode ser história.
Bom café...
Antes que os marmanjos de plantão comecem suas insinuações sobre a sensibilidade temática do texto, me adianto e aviso: escrever requer sensibilidade fale você de amor ou de guerra, portanto, sugiro que a critica surja acerca da leitura completa do texto.
Muitas vezes me uso como exemplo, como base de relato às minhas impressões, mas poderia criar uma personagem perfeitamente comum à nossa cultura cotidiana. Alguém que acorda cedo, trabalha, estuda a noite e se vê dominada pelo ritmo frenético das obrigações incanceláveis.
Qual é o real objetivo do seu ciclo diário rumo a dias iguais aos outros? Porque os sonhos se perdem cada vez mais cedo?
Perdem-se é forma expressiva de eximir de culpa quem simplesmente deixou para trás o ápice do enredo de sua biografia.
Quando você anda num centro econômico, num centro comercial aonde quer que seja, percebe quantas pessoas incógnitas cruzam por você, passam do seu lado, estão paradas num ponto de ônibus ou, sei lá, num dia quente tomando um sorvete?
Se dedicasse dez minutos a apenas observar a fisionomia destas pessoas, perceberia o quão indiferente é a maioria dos semblantes. Todos parecem andar sem destino. Isso me lembra um clipe do Pearl Jam , “Do the Evolution” aonde os seres-humanos ao nascer seriam marcados com códigos de barras, como mercadorias. E essa indiferença sentida é reflexo de uma evolução sócio-cultural voltada para a produção e quantidade. Quando falo disso, me refiro à resultados. Lucros, metas, positividade numérica. Palavras que substituem sonhos.
Volte ao momento em que passou a observar por dez minutos as pessoas ao seu redor. Pense o quão incrível seria, independente de status e poderio econômico, de vestimenta, de estética destas pessoas, que cada um destes têm ou teve um sonho, pelo menos um dia. E se todos pudessem ter realizado esses sonhos? E se ao menos alguns deles? Estariam essas pessoas andando como parecendo “frios andróides”, provavelmente indo ao encontro de um compromisso o qual ele foi obrigado a comparecer?
Tenho certeza que a vida de muitas destas pessoas daria bons livros.
A satisfação ilusória do consumo é o mecanismo que sustenta parte de toda essa realidade. A troca do “ter” por “ser”.
Onde está o amor? O amor em você mesmo.
A primeira resposta que as pessoas têm para justificar a perda da paixão pelas coisas da vida é que não há opção, que o Mundo “massacra”, que o tempo passa, e que precisa pagar contas e trabalhar. E isso serve como justificativa global aos considerados fracassados, ou, resignados.
Eu não tenho a fórmula, sou alguém que vive esta perspectiva real, mas me questiono de tempos em tempos. Abrir mão desse amor ocasiona perda de confiança, desilusão. Isso reflete no convívio social do mais superficial ao mais íntimo.
Talvez seja a motivação pela qual esteja compartilhando estes questionamentos. E a resposta a essa aparente incontornável onda comportamental, de minha parte, está aqui, nestes textos que semanalmente escrevo. Talvez seja resquício do que almejei um dia.
Não faria sentido se todos simplesmente aceitassem as condições que a vida lhes propõe, e deixasse o tempo se encarregar do resto.
Cadê seu amor, “pô”?
Ame a si a ponto de permitir-se deixar fazer coisas que o satisfaçam. Faça algo bonito aos seus olhos, não aos alheios.
Não seja número se pode ser história.
Bom café...
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Violência Vende
Não gosto de repetir o conteúdo dos meus textos, mas depois do meu último texto, relatando a atmosfera do Rio de Janeiro em meio à violência proveniente do choque entre o tráfico e o mecanismo de segurança publica estadual, não posso deixar de fazer um adendo ao produto que se tornou para a mídia em geral essa guerra civil que acreditem, está longe de terminar.
Nem novela, nem jogo de futebol, nem BBB, nem Jornal Nacional. O legal da semana era ver o tiro “comendo”, as pessoas correndo para lá e para cá desesperadas (nem todas, algumas pasmem,paravam para dar acenar às câmeras), e traficantes se espalhando pelo meio do matagal morro adentro como formigas em meio a uma pisada no formigueiro. Não duvido que as cotas de propagandas nos intervalos das transmissões ao vivo tenham valorizado consideravelmente.
Diante do escarcéu promovido pela bandidagem, a resposta à opinião pública principalmente aos olhos do restante do Mundo, uma vez que o Rio e o Brasil são futuros anfitriões de mega eventos internacionais, tornou-se necessidade.
E como transformar uma polícia desvalorizada e dita corrompida em ferramenta eficiente ao combate a algo que nunca conseguiu combater?
Os “superstars” do Bope entraram em ação, mas eles já existiam...
Foi fundamental a intervenção federal, mesmo ante uma incompreensível resistência do Estado. Não é hora de fazer testes, tampouco de orgulho. A opinião pública quer resposta imediata.
Agora se pensarmos um pouco, foi uma ação antecipada pela necessidade. Se é que havia de fato um plano para retomada territorial daquela comunidade, confessa pelo próprio secretário de segurança, o quartel general do crime. Sendo essa ação antecipada, como confiar que o seu resultado seja permanente?
Meu receio, como morador do Rio, é que essa resposta tenha sido superficial. Que tenha sido só um reality, uma minissérie policial aonde o bem sempre vence. Uma edição de cenas inéditas e fortes.
O que dizer dos blindados da Marinha brasileira se locomovendo vielas adentro? Sensacional. “Uma pausa: Blindados da Marinha são os famosos tanques de guerra mesmo, que eu sei lá por que cargas d’água não poderiam ser descritos como tal.”
Será que pode sujar mais a imagem do Rio, dizer que há tanques de guerra a proteger a população do que deixar os bandidos tocarem o terror como vinham fazendo?
Parece que de uma hora para outra tudo se resolveu. Querem mesmo que a gente acredite que simplesmente acabou? Que compremos posters de policiais militares com os dizeres: Heróis Nacionais?
À vista grossa ou o medo, ou a própria consciência de incapacidade que deixaram o crime crescer no país, se perdeu em um final de semana?
Eu juro que gostaria muito que fosse fácil assim. Quem não quer paz? Nós do Rio sequer sonhamos com a utópica vida sem tráfico, sem crimes. Simplesmente nos acostumamos com o mal. E para que o poder público passe credibilidade à todos, precisará que faça muito mais do que uma cena em horário nobre nacional. Que seja concreto e estável. E isolem os mentores, “os reis”, e desarmemos “peões” deste jogo violento.
Aquela cena toda, de policiais fincando a bandeira do Rio e do Brasil no alto do morro, é tão forçada como a cena do Armstrong fincando a bandeira dos Estados Unidos na Lua.
Bom café...
Nem novela, nem jogo de futebol, nem BBB, nem Jornal Nacional. O legal da semana era ver o tiro “comendo”, as pessoas correndo para lá e para cá desesperadas (nem todas, algumas pasmem,paravam para dar acenar às câmeras), e traficantes se espalhando pelo meio do matagal morro adentro como formigas em meio a uma pisada no formigueiro. Não duvido que as cotas de propagandas nos intervalos das transmissões ao vivo tenham valorizado consideravelmente.
Diante do escarcéu promovido pela bandidagem, a resposta à opinião pública principalmente aos olhos do restante do Mundo, uma vez que o Rio e o Brasil são futuros anfitriões de mega eventos internacionais, tornou-se necessidade.
E como transformar uma polícia desvalorizada e dita corrompida em ferramenta eficiente ao combate a algo que nunca conseguiu combater?
Os “superstars” do Bope entraram em ação, mas eles já existiam...
Foi fundamental a intervenção federal, mesmo ante uma incompreensível resistência do Estado. Não é hora de fazer testes, tampouco de orgulho. A opinião pública quer resposta imediata.
Agora se pensarmos um pouco, foi uma ação antecipada pela necessidade. Se é que havia de fato um plano para retomada territorial daquela comunidade, confessa pelo próprio secretário de segurança, o quartel general do crime. Sendo essa ação antecipada, como confiar que o seu resultado seja permanente?
Meu receio, como morador do Rio, é que essa resposta tenha sido superficial. Que tenha sido só um reality, uma minissérie policial aonde o bem sempre vence. Uma edição de cenas inéditas e fortes.
O que dizer dos blindados da Marinha brasileira se locomovendo vielas adentro? Sensacional. “Uma pausa: Blindados da Marinha são os famosos tanques de guerra mesmo, que eu sei lá por que cargas d’água não poderiam ser descritos como tal.”
Será que pode sujar mais a imagem do Rio, dizer que há tanques de guerra a proteger a população do que deixar os bandidos tocarem o terror como vinham fazendo?
Parece que de uma hora para outra tudo se resolveu. Querem mesmo que a gente acredite que simplesmente acabou? Que compremos posters de policiais militares com os dizeres: Heróis Nacionais?
À vista grossa ou o medo, ou a própria consciência de incapacidade que deixaram o crime crescer no país, se perdeu em um final de semana?
Eu juro que gostaria muito que fosse fácil assim. Quem não quer paz? Nós do Rio sequer sonhamos com a utópica vida sem tráfico, sem crimes. Simplesmente nos acostumamos com o mal. E para que o poder público passe credibilidade à todos, precisará que faça muito mais do que uma cena em horário nobre nacional. Que seja concreto e estável. E isolem os mentores, “os reis”, e desarmemos “peões” deste jogo violento.
Aquela cena toda, de policiais fincando a bandeira do Rio e do Brasil no alto do morro, é tão forçada como a cena do Armstrong fincando a bandeira dos Estados Unidos na Lua.
Bom café...
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Rio 1000º graus
Tem certas coisas que só acontecem em filme, novela, seriado de ação. Algumas outras acontecem com pessoas distantes, com algum conhecido de um amigo, mas nunca com a gente. Mas dessa vez...
Há umas duas semanas atrás, eu esperando pelo motorista da empresa, que naquele momento já estava atrasado, presenciei a cena de cinema, aonde quatro homens armados com fuzis e sub-metralhadoras, pediram para o motorista sair do carro, e simplesmente atearam fogo no veículo, que queimou por completo e ainda explodiu por conta do cilindro de gás embutido no porta malas. Tudo a cerca de 20 metros do meu campo de visão. O que se seguiu foi aquela agitação natural de curiosos, a chegada do corpo de bombeiros e da polícia militar, e pronto, cheguei atrasado no trabalho.
O incrível é que a reação da opinião pública e da imprensa é de que aquilo se tornou normal no cotidiano da cidade. As pessoas não demonstram medo, nem indignação, apenas resignação e indiferença.
Aos que vivem fora do Rio de Janeiro, uma sensação de alívio somada a uma perplexidade. Talvez não façam idéia do que realmente se trata. A violência no Rio já é taxada como algo corriqueiro, já é característica permanente da região, infelizmente.
Por mais que o problema do tráfico de drogas, dito e comprovado principal fonte de violência urbana deste país, tenha recentemente sido exposto pelos dois sucessos de bilheteria “Tropa de Elite 1 e 2”, tudo ali ainda se trata de ficção. Ficção baseada em realidade, é fato, mas o buraco é muito mais embaixo “no asfalto”, no dia-a-dia mesmo.
O programa de segurança do Estado, com a implantação das UPPs dentro das favelas e comunidades comandadas pelo crime, é praticamente um plano de estratégia de guerra. A idéia que é mais simples do que parece no papel e consiste em tomada de território, é complicadíssima na prática. Você expulsa a facção criminosa do seu local de atuação, mas não prende todos os suspeitos, não identifica os mentores, não realoca estas pessoas, não há plano consistente para a desarticulação do sistema criminal.
A conseqüência disso é o que tem sido mostrado no noticiário do Brasil e provavelmente do Mundo todo nestas duas últimas semanas. Imagens como a de veículos de passeio, ônibus e vans queimadas, construções alvejadas a balas de alto calibre são comuns nos locais onde há guerras permanentes como no Oriente Médio.
Essa violência propositalmente exposta e chamativa é um claro sinal de resposta do crime ao plano de segurança pública estadual adotada no Rio de Janeiro. Até aonde isso vai é uma incógnita.
O tema é um dos mais complexos do país, e acredito estar longe de uma solução. A polícia infelizmente demonstra ser mal preparada e mal remunerada em todos os seus degraus de hierarquia, mal exemplificada por uma “famosa” política corruptível.
Se instalar à força num território desconhecido e hostil, como uma comunidade dominada pelo tráfico, achando que resolveram o problema parece um equívoco.
Qualquer intenção e movimentação de paz é válida, e somos esperançosos quanto a isso. Acontece que ações precipitadas e pouco inteligentes do tipo para “Inglês ver”, só alimentam um barril de pólvora que explode aos poucos a cada dia.
E quem conhece um pouco de Rio de Janeiro, sabe que a tendência é piorar, e em breve não me espantaria em ver a Força Nacional nas ruas, como já vi algumas vezes.
Bom café...
Há umas duas semanas atrás, eu esperando pelo motorista da empresa, que naquele momento já estava atrasado, presenciei a cena de cinema, aonde quatro homens armados com fuzis e sub-metralhadoras, pediram para o motorista sair do carro, e simplesmente atearam fogo no veículo, que queimou por completo e ainda explodiu por conta do cilindro de gás embutido no porta malas. Tudo a cerca de 20 metros do meu campo de visão. O que se seguiu foi aquela agitação natural de curiosos, a chegada do corpo de bombeiros e da polícia militar, e pronto, cheguei atrasado no trabalho.
O incrível é que a reação da opinião pública e da imprensa é de que aquilo se tornou normal no cotidiano da cidade. As pessoas não demonstram medo, nem indignação, apenas resignação e indiferença.
Aos que vivem fora do Rio de Janeiro, uma sensação de alívio somada a uma perplexidade. Talvez não façam idéia do que realmente se trata. A violência no Rio já é taxada como algo corriqueiro, já é característica permanente da região, infelizmente.
Por mais que o problema do tráfico de drogas, dito e comprovado principal fonte de violência urbana deste país, tenha recentemente sido exposto pelos dois sucessos de bilheteria “Tropa de Elite 1 e 2”, tudo ali ainda se trata de ficção. Ficção baseada em realidade, é fato, mas o buraco é muito mais embaixo “no asfalto”, no dia-a-dia mesmo.
O programa de segurança do Estado, com a implantação das UPPs dentro das favelas e comunidades comandadas pelo crime, é praticamente um plano de estratégia de guerra. A idéia que é mais simples do que parece no papel e consiste em tomada de território, é complicadíssima na prática. Você expulsa a facção criminosa do seu local de atuação, mas não prende todos os suspeitos, não identifica os mentores, não realoca estas pessoas, não há plano consistente para a desarticulação do sistema criminal.
A conseqüência disso é o que tem sido mostrado no noticiário do Brasil e provavelmente do Mundo todo nestas duas últimas semanas. Imagens como a de veículos de passeio, ônibus e vans queimadas, construções alvejadas a balas de alto calibre são comuns nos locais onde há guerras permanentes como no Oriente Médio.
Essa violência propositalmente exposta e chamativa é um claro sinal de resposta do crime ao plano de segurança pública estadual adotada no Rio de Janeiro. Até aonde isso vai é uma incógnita.
O tema é um dos mais complexos do país, e acredito estar longe de uma solução. A polícia infelizmente demonstra ser mal preparada e mal remunerada em todos os seus degraus de hierarquia, mal exemplificada por uma “famosa” política corruptível.
Se instalar à força num território desconhecido e hostil, como uma comunidade dominada pelo tráfico, achando que resolveram o problema parece um equívoco.
Qualquer intenção e movimentação de paz é válida, e somos esperançosos quanto a isso. Acontece que ações precipitadas e pouco inteligentes do tipo para “Inglês ver”, só alimentam um barril de pólvora que explode aos poucos a cada dia.
E quem conhece um pouco de Rio de Janeiro, sabe que a tendência é piorar, e em breve não me espantaria em ver a Força Nacional nas ruas, como já vi algumas vezes.
Bom café...
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Um dia de fúria
Os mais antigos que lêem o título desse meu texto logo se lembrarão do famoso filme estrelado por Michael Douglas no início da década de 90, aonde um cidadão à beira de um ataque de nervos, perde o último fio de tolerância com as mínimas dificuldades cotidianas e parte para a ignorância contra os “zumbis” que surgem a sua frente tratando de tornar seu dia um pouco pior do que já estava.
Vindo para o trabalho hoje, lembrei do William Foster, personagem protagonista da trama. A verdade é que este filme tornou-se símbolo da justiça contra a lei de Murphy, feita por nós mesmos. Outra verdade é que eu não lembrei só hoje, faço isso umas três vezes por semana. Quem nunca sonhou fazer o que o personagem faz no filme?
Deixo claro que esse texto não é uma incitação a violência, nem a intolerância, e sim destaca a saga desastrada que um dia ruim nos submete neste Mundo cada vez mais doido e saturado, vista sob um ponto de vista irônico.
Não vou usar o jargão do atraso, seria pouco criativo, e nem sempre as coisas dão errado só quando não temos tempo.
O trajeto da minha casa até o transporte para o trabalho é de uma razoável caminhada, e na minha rua, como em muitas do Rio de Janeiro, calçada é lugar para carros estacionados, e não para pedestres. Imaginei com um taco de baseball na mão, me divertindo na depredação justiceira, na vingança dos pobres andarilhos sem calçadas. Ou sendo mais atual, estilo Tropa de Elite, bem Rio de Janeiro mesmo, plantando granadas embaixo de cada carro. Será que assim aprenderiam que calçada é lugar para pedestres?
Transporte coletivo, segunda fase do início da jornada. Lata de sardinha sobre trilhos ou simulação de montanha russa sobre rodas?
Que Hopi-Hari que nada, Play Center, Disney então, perde fácil. Emoção mesmo é andar num ônibus no Rio. De cenários paradisíacos à safáris favelas adentro, e até aventuras dentro de túneis sujeitos à arrastões. Surf é mole para quem anda de ônibus no Rio. A cada curva um encontro com o desconhecido. Um poste, um carro, uma capotagem e o mais legal, o corpo-a-corpo dos cidadãos sendo sacudidos e arremessados lata adentro. Chegar vivo é conseqüência. E até tento compreender que as condições de trabalho destes profissionais não são das melhores. Mas que façam greves, reivindiquem, ao invés de brincarem de “Fórmula Bus”.
O trêm é uma lata de sardinha e o Metrô, lata de atum, devidas as proporções sociais de ambos.
Sem muito tempo para o almoço, você para num Mac alguma coisa para comer um lanche. Aí me remeto à melhor cena do filme citado no início. Quase 20 anos depois, e o atendimento é ainda pior. Funcionários despreparados discutem entre si, demoram a entregar-lhe o que deveria ser fast-food, e quando você morde aquele mix de carne com substância desconhecida, descobre que está frio, e ainda suja sua camisa com um pedaço de alface que caiu do mal montado burguer.
São 15:00 horas e eu só fiz o relato do que foi metade de um dia comum. Deve ser divertido para quem lê, afinal, a “desgraça” dos outros é o deleite de muitos. Mas a saída é tentar levar na “sacanagem”, afinal, “dias de fúria” são comuns, e continuarão sendo, a não ser que sua vida tome um rumo extraordinário. Ganhar na Mega-Sena? Não, o extraordinário que me refiro seria ir morar no Tibet , longe do turbilhão consumista contínuo irreversível que leva sua paz embora com cada vez mais velocidade.
Ria de mim hoje, que eu te garanto: amanhã é você quem vai imaginar-se na pele do William enfurecido, e com gosto!
Bom Café...
Vindo para o trabalho hoje, lembrei do William Foster, personagem protagonista da trama. A verdade é que este filme tornou-se símbolo da justiça contra a lei de Murphy, feita por nós mesmos. Outra verdade é que eu não lembrei só hoje, faço isso umas três vezes por semana. Quem nunca sonhou fazer o que o personagem faz no filme?
Deixo claro que esse texto não é uma incitação a violência, nem a intolerância, e sim destaca a saga desastrada que um dia ruim nos submete neste Mundo cada vez mais doido e saturado, vista sob um ponto de vista irônico.
Não vou usar o jargão do atraso, seria pouco criativo, e nem sempre as coisas dão errado só quando não temos tempo.
O trajeto da minha casa até o transporte para o trabalho é de uma razoável caminhada, e na minha rua, como em muitas do Rio de Janeiro, calçada é lugar para carros estacionados, e não para pedestres. Imaginei com um taco de baseball na mão, me divertindo na depredação justiceira, na vingança dos pobres andarilhos sem calçadas. Ou sendo mais atual, estilo Tropa de Elite, bem Rio de Janeiro mesmo, plantando granadas embaixo de cada carro. Será que assim aprenderiam que calçada é lugar para pedestres?
Transporte coletivo, segunda fase do início da jornada. Lata de sardinha sobre trilhos ou simulação de montanha russa sobre rodas?
Que Hopi-Hari que nada, Play Center, Disney então, perde fácil. Emoção mesmo é andar num ônibus no Rio. De cenários paradisíacos à safáris favelas adentro, e até aventuras dentro de túneis sujeitos à arrastões. Surf é mole para quem anda de ônibus no Rio. A cada curva um encontro com o desconhecido. Um poste, um carro, uma capotagem e o mais legal, o corpo-a-corpo dos cidadãos sendo sacudidos e arremessados lata adentro. Chegar vivo é conseqüência. E até tento compreender que as condições de trabalho destes profissionais não são das melhores. Mas que façam greves, reivindiquem, ao invés de brincarem de “Fórmula Bus”.
O trêm é uma lata de sardinha e o Metrô, lata de atum, devidas as proporções sociais de ambos.
Sem muito tempo para o almoço, você para num Mac alguma coisa para comer um lanche. Aí me remeto à melhor cena do filme citado no início. Quase 20 anos depois, e o atendimento é ainda pior. Funcionários despreparados discutem entre si, demoram a entregar-lhe o que deveria ser fast-food, e quando você morde aquele mix de carne com substância desconhecida, descobre que está frio, e ainda suja sua camisa com um pedaço de alface que caiu do mal montado burguer.
São 15:00 horas e eu só fiz o relato do que foi metade de um dia comum. Deve ser divertido para quem lê, afinal, a “desgraça” dos outros é o deleite de muitos. Mas a saída é tentar levar na “sacanagem”, afinal, “dias de fúria” são comuns, e continuarão sendo, a não ser que sua vida tome um rumo extraordinário. Ganhar na Mega-Sena? Não, o extraordinário que me refiro seria ir morar no Tibet , longe do turbilhão consumista contínuo irreversível que leva sua paz embora com cada vez mais velocidade.
Ria de mim hoje, que eu te garanto: amanhã é você quem vai imaginar-se na pele do William enfurecido, e com gosto!
Bom Café...
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Aniversariante do Mês
Há na vida de todos nós um dia no calendário que difere de todos os outros. É o dia em que completa mais um ciclo de 365 dias desde seu nascimento. Na maioria das sociedades ao que se conhece, passa-se que é um dia o qual deve ser festejado, como uma conquista. Analisando como se a vida fosse algo ao qual tivéssemos que resistir, e quanto mais conseguirmos viver, mais gratificados devamos nos sentir.
Na fase infantil, não se compreende bem o significado da data, do porque daquilo. O que vem em mente são os presentes, o bolo, o guaraná, muitos doces, como diz a música até hoje cantarolada pelas pessoas ao redor da mesa principal.
A adolescência parece um calvário, um árduo percurso entre as espinhas, pelos nascendo em todos os mais remotos lugares, a timidez e a rebeldia, o conflito entre não ser criança e não ser adulto, entre não poder mais brincar de certas coisas, mas continuar querendo, e querer fazer algumas novas coisas e não podendo, ainda. É a parte aonde o “eterno enquanto durar” é o que passa mais rápido. O primeiro namorico, o primeiro porre e o primeiro emprego, o primeiro bigodinho de latino e a primeira menstruação das meninas. É tudo por ali.
As festinhas de aniversários não tem parentes velhos, só amigos do colégio, as meninas e meninos mais legais e interessantes e coisas proibidas para menores. Esse negócio de vela, bolo e parabéns para você é repugnante e proibido, até vergonhoso. Você não quer que lembrem que na verdade você está fazendo 13, 14 anos. Ou 17, aonde já espichou, mas ainda não pode ir aquela boate, ou melhor, só nas matinês.
Algumas velas apagadas a mais, e lá está você com saudade da década anterior. Os “vintões” passam pela maior provação ao verem que tudo aquilo que os velhos nos diziam e que achávamos um saco, se concretizou tão perfeitamente quantos suas palavras chatas aos nossos ouvidos. Contas, horários, metas, responsabilidades. É nesse auge da forma física e mental que a vida mais exige da gente. E se vacilarmos, ela exige e tira tudo o que conseguir. O tempo para o lazer é cada vez menor. Na verdade o tempo para tudo é menor. Um dia não tem mais 24 horas, tem 15. Aquele drible que você dava no futsal, e tentou fazer outro dia? Esquece. Nos raros momentos de folga, você bebe. Esse é o famoso ritual de cultivo da barriguinha que a década dos 20 aos 30 o submete. As meninas que tentam se aventurar na antiga brincadeira dos patins, ou roller, não tem mais equilíbrio que não seja para andar em saltos.
Apesar de tudo parecer ir perdendo a graça, entender o significado do seu dia-a-dia, realizar coisas das quais pode se orgulhar, e quando digo isso não falo de “mega-atitudes”, digo corresponder no seu trabalho, ser bom aos que convivem com você, são o melhor presente. Conseguir decifrar o mistério do envelhecimento com a maturidade que cada aniversário lhe traz, é algo magnífico.
Estar longe do que desejou num apagar de velas há 10 anos atrás, mas se sentir capaz de alcançar aquilo mesmo assim, isso é legal. Ou mais legal ainda, que o desejo tenha mudado várias vezes e hoje você não precisar mais apagar uma vela desejando nada absurdamente impossível.
A atmosfera do seu dia sempre existirá, o dia do seu aniversário sempre será seu dia. És sempre digno de parabéns. Mesmo que não haja um bobo cantando “parabéns pra você , parabéns pra você”, ou aquele que diz que o pavê não é “pa cume”, sempre haverá você e você mesmo, lembrando que a 28 anos deu início a obra-de-arte torta da sua vida. Meus parabéns.
Bom café...
Na fase infantil, não se compreende bem o significado da data, do porque daquilo. O que vem em mente são os presentes, o bolo, o guaraná, muitos doces, como diz a música até hoje cantarolada pelas pessoas ao redor da mesa principal.
A adolescência parece um calvário, um árduo percurso entre as espinhas, pelos nascendo em todos os mais remotos lugares, a timidez e a rebeldia, o conflito entre não ser criança e não ser adulto, entre não poder mais brincar de certas coisas, mas continuar querendo, e querer fazer algumas novas coisas e não podendo, ainda. É a parte aonde o “eterno enquanto durar” é o que passa mais rápido. O primeiro namorico, o primeiro porre e o primeiro emprego, o primeiro bigodinho de latino e a primeira menstruação das meninas. É tudo por ali.
As festinhas de aniversários não tem parentes velhos, só amigos do colégio, as meninas e meninos mais legais e interessantes e coisas proibidas para menores. Esse negócio de vela, bolo e parabéns para você é repugnante e proibido, até vergonhoso. Você não quer que lembrem que na verdade você está fazendo 13, 14 anos. Ou 17, aonde já espichou, mas ainda não pode ir aquela boate, ou melhor, só nas matinês.
Algumas velas apagadas a mais, e lá está você com saudade da década anterior. Os “vintões” passam pela maior provação ao verem que tudo aquilo que os velhos nos diziam e que achávamos um saco, se concretizou tão perfeitamente quantos suas palavras chatas aos nossos ouvidos. Contas, horários, metas, responsabilidades. É nesse auge da forma física e mental que a vida mais exige da gente. E se vacilarmos, ela exige e tira tudo o que conseguir. O tempo para o lazer é cada vez menor. Na verdade o tempo para tudo é menor. Um dia não tem mais 24 horas, tem 15. Aquele drible que você dava no futsal, e tentou fazer outro dia? Esquece. Nos raros momentos de folga, você bebe. Esse é o famoso ritual de cultivo da barriguinha que a década dos 20 aos 30 o submete. As meninas que tentam se aventurar na antiga brincadeira dos patins, ou roller, não tem mais equilíbrio que não seja para andar em saltos.
Apesar de tudo parecer ir perdendo a graça, entender o significado do seu dia-a-dia, realizar coisas das quais pode se orgulhar, e quando digo isso não falo de “mega-atitudes”, digo corresponder no seu trabalho, ser bom aos que convivem com você, são o melhor presente. Conseguir decifrar o mistério do envelhecimento com a maturidade que cada aniversário lhe traz, é algo magnífico.
Estar longe do que desejou num apagar de velas há 10 anos atrás, mas se sentir capaz de alcançar aquilo mesmo assim, isso é legal. Ou mais legal ainda, que o desejo tenha mudado várias vezes e hoje você não precisar mais apagar uma vela desejando nada absurdamente impossível.
A atmosfera do seu dia sempre existirá, o dia do seu aniversário sempre será seu dia. És sempre digno de parabéns. Mesmo que não haja um bobo cantando “parabéns pra você , parabéns pra você”, ou aquele que diz que o pavê não é “pa cume”, sempre haverá você e você mesmo, lembrando que a 28 anos deu início a obra-de-arte torta da sua vida. Meus parabéns.
Bom café...
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
33 lições de vida
No “Grande Irmão” da vida real, em meio às eleições presidenciais, a imprensa volta-se ao resgate dos mineiros chilenos. Falar em confinamento num reality show cheio de famosos ou pessoas bonitas e de porte atraente, suscetíveis a mudanças de humor ante ao tédio e as confortáveis condições de vida, parece na verdade a descrição de alguns dias num Spa. Aí com algumas semanas de “sofrimento” o participante sai dizendo que virou outra pessoa, que tudo ali dentro é muito difícil, e que foi um aprendizado e blá e blá e blá. Meses depois saem de lá e escrevem uma autobiografia reveladora.
Fico imaginando quanta história têm para contar os 33 trabalhadores presos a cerca de 70 dias a pouco mais de meio quilômetro da superfície sem sequer poderem receber um raio de luz solar. Vencer esse reality não dará a eles um milhão de dinheiros, e sim algo que todos eles têm, mas não tinham tanta certeza de continuar tendo, suas vidas.
Neste reality, não havia espaço para vaidade. Não havia espaço para luxúria ou egoísmos. 33 seres humanos do mesmo sexo, eram a sobrevivência de um e de outro. Provavelmente nem todos seguiam as mesmas crenças, mas ali, naqueles pouco mais de dois meses, um era a bíblia do outro.
Em situações extremas, espera-se todo o tipo de reação do indivíduo, e certamente estes beiraram o limite do instinto de sobrevivência animal. E passaram por ele. Este teste certamente será para estes homens a maior prova de evolução espiritual, a medida que através da sua capacidade de equilíbrio emocional, sustentou-se as condições mínimas de convivência em grupo sem conseqüências drásticas a qualquer um dos sobreviventes.
Diz-se que alguns deles podem sofrer traumas, irão absorver esta experiência positiva, ou negativamente, enfim, o certo é que a vida destas pessoas irá mudar. Acabei de ouvir isso na televisão, dito por um médico psiquiatra. Eu acho que tudo tende a ser bom para alguém que não sabia quando e se veria a luz novamente.
Este episódio ganha atenção de todos no Mundo por ser uma história onde homens passaram o maior tempo confinados em condições precárias e conseguiram ser resgatados.
Exemplo concreto e metafórico para todos nós, em momentos de falta de esperança e de desânimo. Nós somos muito mais fortes e capazes do que sequer possamos imaginar. Não desejo ter que passar por tal teste, mas esses rapazes mostram a todos que a perseverança e a sua fé, seja ela qual for, da forma que for manifestada, têm força nas conseqüências dos seus passos.
Diferente das fúteis intenções comerciais e materiais dos programas das televisões, tendenciosos e às vezes até preconceituosos, o resgate dos mineiros é o verdadeiro final feliz e produtivo de uma indesejada prisão. Acho até meio impróprio e vergonhoso que qualquer Pedro da vida trate de um participante dos próximos BB alguma coisa como um guerreiro, como um sobrevivente. Coçar o saco e correr o risco de ganhar um milhão numa luxuosa casa não requer esforço nenhum, não é mérito nenhum e não engrandece ninguém, só aliena.
A maior vitória deste confinamento real será ver o Mundo de forma diferente, valorizar cada segundo, sua família, seus amigos, seus amores. Com certeza serão pessoas melhores com muitos valores adquiridos.
Bom café...
Fico imaginando quanta história têm para contar os 33 trabalhadores presos a cerca de 70 dias a pouco mais de meio quilômetro da superfície sem sequer poderem receber um raio de luz solar. Vencer esse reality não dará a eles um milhão de dinheiros, e sim algo que todos eles têm, mas não tinham tanta certeza de continuar tendo, suas vidas.
Neste reality, não havia espaço para vaidade. Não havia espaço para luxúria ou egoísmos. 33 seres humanos do mesmo sexo, eram a sobrevivência de um e de outro. Provavelmente nem todos seguiam as mesmas crenças, mas ali, naqueles pouco mais de dois meses, um era a bíblia do outro.
Em situações extremas, espera-se todo o tipo de reação do indivíduo, e certamente estes beiraram o limite do instinto de sobrevivência animal. E passaram por ele. Este teste certamente será para estes homens a maior prova de evolução espiritual, a medida que através da sua capacidade de equilíbrio emocional, sustentou-se as condições mínimas de convivência em grupo sem conseqüências drásticas a qualquer um dos sobreviventes.
Diz-se que alguns deles podem sofrer traumas, irão absorver esta experiência positiva, ou negativamente, enfim, o certo é que a vida destas pessoas irá mudar. Acabei de ouvir isso na televisão, dito por um médico psiquiatra. Eu acho que tudo tende a ser bom para alguém que não sabia quando e se veria a luz novamente.
Este episódio ganha atenção de todos no Mundo por ser uma história onde homens passaram o maior tempo confinados em condições precárias e conseguiram ser resgatados.
Exemplo concreto e metafórico para todos nós, em momentos de falta de esperança e de desânimo. Nós somos muito mais fortes e capazes do que sequer possamos imaginar. Não desejo ter que passar por tal teste, mas esses rapazes mostram a todos que a perseverança e a sua fé, seja ela qual for, da forma que for manifestada, têm força nas conseqüências dos seus passos.
Diferente das fúteis intenções comerciais e materiais dos programas das televisões, tendenciosos e às vezes até preconceituosos, o resgate dos mineiros é o verdadeiro final feliz e produtivo de uma indesejada prisão. Acho até meio impróprio e vergonhoso que qualquer Pedro da vida trate de um participante dos próximos BB alguma coisa como um guerreiro, como um sobrevivente. Coçar o saco e correr o risco de ganhar um milhão numa luxuosa casa não requer esforço nenhum, não é mérito nenhum e não engrandece ninguém, só aliena.
A maior vitória deste confinamento real será ver o Mundo de forma diferente, valorizar cada segundo, sua família, seus amigos, seus amores. Com certeza serão pessoas melhores com muitos valores adquiridos.
Bom café...
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
O melhor brinquedo do Mundo
Era 1990, acordei num dia de Outubro e vi meus irmãos felizes com seus brinquedos nas mãos. Não lembro bem exatamente o que eles haviam ganhado, mas o que seguiu aquele momento foram momentos de aflição de um menino de 7 anos. Não havia sinal de presente e um silêncio e uma angústia acompanhada de procura tímida pelos cantos da casa arremeteram sobre o garoto.
Até que o medo se fez real, quando meu pai chegou a mim com a seguinte explicação: “Filho, papai esteve muito ocupado e não conseguiu encontrar seu presente, mas na próxima semana eu vou tentar comprar.” Meus irmãos me olhavam com uma feição estranha, como se estivesses escondendo algo. E de fato estavam.
Desci a escada que levava ao quintal, desolado, com lágrimas nos olhos, e me deparei com ela. Novinha, esbelta, linda. Foi coisa de menino quando se apaixona pela primeira vez. Foi uma das melhores sensações que senti, surpreendente mesmo. Estava lá minha primeira bicicleta.
Na época, havia uma grande campanha de uma famosa marca de bicicletas, daquelas que fazem lavagem cerebral em qualquer criança.
Eu fui atingido por tal campanha publicitária. Torrei a paciência dos meus pais, mas a realidade é que por sermos 3 filhos, dificilmente eles teriam condições de comprar presentes equivalentes para todos.
Mas naquele feriado, aconteceu. Foi sem dúvida o melhor presente da minha vida.
Hoje revivo esta sensação, não como pai, ou sei lá, talvez parcialmente. Presentearemos meu sobrinho com sua primeira bicicleta. Não estarei presente para ver os olhinhos dele brilharem com tal emoção, mas sei o que o espera com sua nova aquisição.
Muitos ralados nos joelhos e cotovelos, mas muito vento no rosto, sensação de liberdade e diversão inigualável.
Aliás, este texto não é por mim e meus relatos de 20 anos atrás, tampouco para meu sobrinho. Aproveitei a data e as lembranças para homenagear o melhor brinquedo do mundo, a bicicleta.
Com tantas inovações tecnológicas, as crianças cada vez mais cedo, estão suscetíveis aos computadores e vídeo games, mas eu duvido que qualquer um destes itens seja tão benéfico para uma criança quanto à bicicleta. E nenhum deles trará uma satisfação tão longa. Eu comecei com 7 anos, e hoje, 20 anos depois, ainda sinto o mesmo apreço pela magrela.
Ficaria muito feliz em ser presenteado com uma bicicleta um dia, quem dirá uma criança conhecendo os prazeres da vida?
Diante de tantas preocupações dos pais na educação dos filhos, enfrentando problemas cada vez mais correntes de sedentarismo ou hiperatividade, obesidade, timidez, irritabilidade e assim por diante, acho cada vez mais importante resgatar algumas tradicionais ferramentas pedagógicas para uma boa condução e desenvolvimento da criança. E não há nada que descredencie a bicicleta, só há coisas positivas relacionadas.
Nenhuma nova invenção ultra divertida e futurista que possa surgir nesse Mundo avançado, individualizado e consumista é capaz de trazer o que traz de bom uma bicicleta.
E na próxima semana, no final do feriadão que a maioria das pessoas estará aproveitando, espero que muitas crianças estejam vivendo a emoção que vivi no início da década de 90. O pequeno Abel estará.
Bom café...
Até que o medo se fez real, quando meu pai chegou a mim com a seguinte explicação: “Filho, papai esteve muito ocupado e não conseguiu encontrar seu presente, mas na próxima semana eu vou tentar comprar.” Meus irmãos me olhavam com uma feição estranha, como se estivesses escondendo algo. E de fato estavam.
Desci a escada que levava ao quintal, desolado, com lágrimas nos olhos, e me deparei com ela. Novinha, esbelta, linda. Foi coisa de menino quando se apaixona pela primeira vez. Foi uma das melhores sensações que senti, surpreendente mesmo. Estava lá minha primeira bicicleta.
Na época, havia uma grande campanha de uma famosa marca de bicicletas, daquelas que fazem lavagem cerebral em qualquer criança.
Eu fui atingido por tal campanha publicitária. Torrei a paciência dos meus pais, mas a realidade é que por sermos 3 filhos, dificilmente eles teriam condições de comprar presentes equivalentes para todos.
Mas naquele feriado, aconteceu. Foi sem dúvida o melhor presente da minha vida.
Hoje revivo esta sensação, não como pai, ou sei lá, talvez parcialmente. Presentearemos meu sobrinho com sua primeira bicicleta. Não estarei presente para ver os olhinhos dele brilharem com tal emoção, mas sei o que o espera com sua nova aquisição.
Muitos ralados nos joelhos e cotovelos, mas muito vento no rosto, sensação de liberdade e diversão inigualável.
Aliás, este texto não é por mim e meus relatos de 20 anos atrás, tampouco para meu sobrinho. Aproveitei a data e as lembranças para homenagear o melhor brinquedo do mundo, a bicicleta.
Com tantas inovações tecnológicas, as crianças cada vez mais cedo, estão suscetíveis aos computadores e vídeo games, mas eu duvido que qualquer um destes itens seja tão benéfico para uma criança quanto à bicicleta. E nenhum deles trará uma satisfação tão longa. Eu comecei com 7 anos, e hoje, 20 anos depois, ainda sinto o mesmo apreço pela magrela.
Ficaria muito feliz em ser presenteado com uma bicicleta um dia, quem dirá uma criança conhecendo os prazeres da vida?
Diante de tantas preocupações dos pais na educação dos filhos, enfrentando problemas cada vez mais correntes de sedentarismo ou hiperatividade, obesidade, timidez, irritabilidade e assim por diante, acho cada vez mais importante resgatar algumas tradicionais ferramentas pedagógicas para uma boa condução e desenvolvimento da criança. E não há nada que descredencie a bicicleta, só há coisas positivas relacionadas.
Nenhuma nova invenção ultra divertida e futurista que possa surgir nesse Mundo avançado, individualizado e consumista é capaz de trazer o que traz de bom uma bicicleta.
E na próxima semana, no final do feriadão que a maioria das pessoas estará aproveitando, espero que muitas crianças estejam vivendo a emoção que vivi no início da década de 90. O pequeno Abel estará.
Bom café...
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Um "não-eleitor"
Ótima semana para dúvidas não? Domingo era para ser um dos dias mais esperados pela população brasileira. De quatro em quatro anos, às vezes demora até mais, como é o caso atual, temos a chance de expressar os anseios e insatisfações gerais, através do voto. Mas será mesmo que as eleições no Brasil retratam essa capacidade democrática de supostamente decidirmos pelo que é melhor para o país? É uma das coisas que não sei.
Se fosse tender para um lado, diria que isso absolutamente não se aplica. Mas já aviso logo: não sou de lado nenhum, uma vez que não enxergo argumentos que me dêem segurança para apoiar qualquer movimento político neste Brasil. Sou o que as crianças chamam de “café com leite” nas brincadeiras de infância, para a política. Não faço diferença.
Acho a democracia tão utópica quanto a paz no Mundo. Fale o que pensa para o seu vizinho e pode simplesmente processado por ele. Somos julgados por cada movimento que fazemos, e qualquer deles que te desenquadre do sistema, ou seja, do que “querem” que você seja, ou como “querem” que você aja, e serás reprimido.
Logo, a eleição que serviria de ferramenta de mudança, de revolução em caso de necessidade, não passa de protocolo. Somos “obrigados” pela lei a votar, e em muitos casos, não há boas opções a serem escolhidas. Aí você se desloca de sua casa para votar em branco ou nulo. É como abrir seu guarda roupas de manhã, não encontrar nenhuma roupa que lhe agrade, e ter que sair nu de casa. Seria mais fácil, em caso de dúvida ou desinteresse em qualquer das opções, se eximir de tal obrigação, e que ficasse para a que entende e realmente acha que pode decidir algo, fazer tais escolhas.
Na minha simplória e realista visão, grande parte da massa sem instrução é facilmente manipulada por falsas propostas deslavadas. E é essa grande parte, propositalmente alienada através de estratégias minuciosamente estudadas de incentivo ao consumo fútil e um falso poder de aquisição, é quem decide por todos, no fim.
Não as culpo pela falta de instrução, apenas as responsabilizo pelo resultado. E de fato é o que ocorre na maioria dos casos. Garantindo a maior porcentagem dos votos por intermédio de práticas chulas, algumas “ínguas” perpetuam-se na política em prol individual e “mamam nas tetas” de todos por anos, dos que nele votaram e até nos que não o escolheram. Processo injusto.
Vale lembrar que para toda regra, há exceção, e acredito haver pessoas capazes de fazer o bem e com boas intenções.
Mas quando há qualquer movimento que tente clarear e transparecer tal processo, ao menos torná-lo mais limpo, o acaso e a coincidência se apressam em “anestesiá-lo”. 11 decidem, um não comparece, de 10, a única coisa que pode adiar uma decisão, um empate. O que acontece? Comédia pastelão, show de circo, passa o processo eleitoral, pronto, de que adiantou? Desilusão.
Eu faço parte do que denominam hoje classe média, e tive razoável preparo e confesso que se tivesse que votar neste Domingo, precisaria de muitos dias de reflexão. Por questões geográficas e profissionais, escapei de tal “encruzilhada”.
A impressão que tenho é que paira sobre as cabeças das pessoas no país é um grande ponto de interrogação.
Não é nem questão de avaliação sobre o quanto e em que sentido o Brasil evoluiu nos últimos 8 anos, se a posse da “esquerda” que virou direita trouxe mais justiça social, se o povo tem mais trabalho ou mais comida em casa, enfim, não é isso. É mais simples. As pessoas simplesmente parecem não saber completamente o que se passa, o que está por vir, o que poderemos perder e ganhar se candidato X , Y ganhar as próximas eleições.
Arrisco em dizer que diante de tal despreparo e até desconhecimento de propostas e de possibilidades acima dos que se dispõem a representar a república, seremos apenas espectadores do que está por vir, meio omissos e meio atados, mesmo que isso seja contraditório.
Bom café...
Se fosse tender para um lado, diria que isso absolutamente não se aplica. Mas já aviso logo: não sou de lado nenhum, uma vez que não enxergo argumentos que me dêem segurança para apoiar qualquer movimento político neste Brasil. Sou o que as crianças chamam de “café com leite” nas brincadeiras de infância, para a política. Não faço diferença.
Acho a democracia tão utópica quanto a paz no Mundo. Fale o que pensa para o seu vizinho e pode simplesmente processado por ele. Somos julgados por cada movimento que fazemos, e qualquer deles que te desenquadre do sistema, ou seja, do que “querem” que você seja, ou como “querem” que você aja, e serás reprimido.
Logo, a eleição que serviria de ferramenta de mudança, de revolução em caso de necessidade, não passa de protocolo. Somos “obrigados” pela lei a votar, e em muitos casos, não há boas opções a serem escolhidas. Aí você se desloca de sua casa para votar em branco ou nulo. É como abrir seu guarda roupas de manhã, não encontrar nenhuma roupa que lhe agrade, e ter que sair nu de casa. Seria mais fácil, em caso de dúvida ou desinteresse em qualquer das opções, se eximir de tal obrigação, e que ficasse para a que entende e realmente acha que pode decidir algo, fazer tais escolhas.
Na minha simplória e realista visão, grande parte da massa sem instrução é facilmente manipulada por falsas propostas deslavadas. E é essa grande parte, propositalmente alienada através de estratégias minuciosamente estudadas de incentivo ao consumo fútil e um falso poder de aquisição, é quem decide por todos, no fim.
Não as culpo pela falta de instrução, apenas as responsabilizo pelo resultado. E de fato é o que ocorre na maioria dos casos. Garantindo a maior porcentagem dos votos por intermédio de práticas chulas, algumas “ínguas” perpetuam-se na política em prol individual e “mamam nas tetas” de todos por anos, dos que nele votaram e até nos que não o escolheram. Processo injusto.
Vale lembrar que para toda regra, há exceção, e acredito haver pessoas capazes de fazer o bem e com boas intenções.
Mas quando há qualquer movimento que tente clarear e transparecer tal processo, ao menos torná-lo mais limpo, o acaso e a coincidência se apressam em “anestesiá-lo”. 11 decidem, um não comparece, de 10, a única coisa que pode adiar uma decisão, um empate. O que acontece? Comédia pastelão, show de circo, passa o processo eleitoral, pronto, de que adiantou? Desilusão.
Eu faço parte do que denominam hoje classe média, e tive razoável preparo e confesso que se tivesse que votar neste Domingo, precisaria de muitos dias de reflexão. Por questões geográficas e profissionais, escapei de tal “encruzilhada”.
A impressão que tenho é que paira sobre as cabeças das pessoas no país é um grande ponto de interrogação.
Não é nem questão de avaliação sobre o quanto e em que sentido o Brasil evoluiu nos últimos 8 anos, se a posse da “esquerda” que virou direita trouxe mais justiça social, se o povo tem mais trabalho ou mais comida em casa, enfim, não é isso. É mais simples. As pessoas simplesmente parecem não saber completamente o que se passa, o que está por vir, o que poderemos perder e ganhar se candidato X , Y ganhar as próximas eleições.
Arrisco em dizer que diante de tal despreparo e até desconhecimento de propostas e de possibilidades acima dos que se dispõem a representar a república, seremos apenas espectadores do que está por vir, meio omissos e meio atados, mesmo que isso seja contraditório.
Bom café...
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
A bola é minha!
Tenho certeza que todos nós já tivemos, pelo menos uma vez na vida, a vontade de mandar o chefe para algum destino abstrato. E a diferença entre ter essa vontade e concretizá-la é abissal. Principalmente no que diz respeito às conseqüências. Se for realmente fazer isso, tenha em mãos um currículo atualizado e alguns bons contatos.
A não ser que ... A não ser que você seja uma grande promessa do futebol brasileiro e jogue no Santos Futebol Clube. Nesse caso, faça o que lhe der vontade, afinal, és intocável.
Brincadeiras à parte, por enquanto, o assunto do momento é o moleque travesso da Vila Belmiro, aquele de nome unissex e cabelo de rabo de quati.
Tido como uma das grandes revelações do futebol nacional nos últimos anos, e com a fugaz e super valorização, num esporte cada vez menos esporte e muito mais negócio, o menino é hoje o spot da mídia, tendo mais espaço, pasmem que assuntos sérios como as traquinagens na Casa Civil pré-eleições. É verdade que não é surpresa nenhuma o futebol ter prioridade para a maioria dos brasileiros. Aliás, retificando, o futebol é tudo na vida de um cidadão tupiniquim quando seu time está nas cabeças, e nada quando está prestes a ser rebaixado. O sujeito chega a padaria de manhã após a goleada sofrida pelo seu time e diz: “Nada, nem estava assistindo, tinha que acordar cedo para o trabalho, tenho coisas mais importantes para fazer nessa vida rapaz”... E na final do campeonato paga uma excursão para ir ver seu time a mais de 800 quilômetros de distância num ônibus velho e sem ar, com um monte de homem fedorento, deixando a mulher em casa e arrumando uma folguinha suada com o chefe no dia seguinte. E “neguinho” continua de travessura na Casa Civil.
Mas deixa eu voltar ao caso do rapaz que mandou seu superior tomar suco de caju na semana passada, na frente de milhares de torcedores, e de milhões de telespectadores.
Tirando as conseqüências de toda a história, com a suspensão do rapaz pelo técnico, com intuito de repreender e demonstrar autoridade, seguido de sua demissão e tudo o que já se conhece, o fato é que há realmente uma distorção de valores na relação do jovem com o Mundo real.
No caso dele, nem dá para dizer que ele cresceu na pobreza e ascendeu muito depressa. Foi criado em família de classe média, e sempre com a presença dos pais. Pai ex-jogador que criou o filho dentro do Santos. Menino que viu um futebol já muito mais voltado para o marketing do que propriamente para o jogo, que com 18 anos ganha um salário de 6 dígitos antes da vírgula à direita, e que não joga nem 1/10 dos craques que vi jogar na minha humilde existência. Muitos podem me contrariar, mas meus argumentos são simples e baseados em números, em história concreta. Esses driblezinhos sem objetivos que ele dá, os moleques aqui da rua dão todo dia na “peladinha” de fim de tarde, e nesse Brasil adentro, deve haver vários outros muito mais habilidosos e até melhores tecnicamente, que nunca terão a oportunidade que este menino está tendo.
Um sacrilégio vê-lo postar em seu twitter que “está cansado de tudo”. A maioria dos jovens de 18 anos com a mínima instrução neste país, a esta altura da vida profissional, ganha um salário mínimo e meio mais vale transporte, trabalha todo dia 8 horas e pega condução lotada, para no final do mês não sobrar quase nada.
Este certamente seria o destino deste garoto se não houvesse quem lhe apresentasse o caminho do futebol, e alavancasse sua carreira.
Sobre o treinador e a decisão do clube, é óbvio que a instituição com administração amadora de modelo empresarial vai dar prioridade ao seu produto de maior investimento. Por mais que a tendência do resultado em campo seja o decréscimo, a venda do jogador num futuro próximo por cifras inimagináveis será mais importante do que qualquer título que puder ser conquistado.
É um paradoxo com o qual os clubes têm que conviver cada vez mais. Empresa visa lucros. Agremiação futebolística visa conquistas desportivas.
Quem perde são os que gostam do espírito lúdico do esporte.
Bom café...
A não ser que ... A não ser que você seja uma grande promessa do futebol brasileiro e jogue no Santos Futebol Clube. Nesse caso, faça o que lhe der vontade, afinal, és intocável.
Brincadeiras à parte, por enquanto, o assunto do momento é o moleque travesso da Vila Belmiro, aquele de nome unissex e cabelo de rabo de quati.
Tido como uma das grandes revelações do futebol nacional nos últimos anos, e com a fugaz e super valorização, num esporte cada vez menos esporte e muito mais negócio, o menino é hoje o spot da mídia, tendo mais espaço, pasmem que assuntos sérios como as traquinagens na Casa Civil pré-eleições. É verdade que não é surpresa nenhuma o futebol ter prioridade para a maioria dos brasileiros. Aliás, retificando, o futebol é tudo na vida de um cidadão tupiniquim quando seu time está nas cabeças, e nada quando está prestes a ser rebaixado. O sujeito chega a padaria de manhã após a goleada sofrida pelo seu time e diz: “Nada, nem estava assistindo, tinha que acordar cedo para o trabalho, tenho coisas mais importantes para fazer nessa vida rapaz”... E na final do campeonato paga uma excursão para ir ver seu time a mais de 800 quilômetros de distância num ônibus velho e sem ar, com um monte de homem fedorento, deixando a mulher em casa e arrumando uma folguinha suada com o chefe no dia seguinte. E “neguinho” continua de travessura na Casa Civil.
Mas deixa eu voltar ao caso do rapaz que mandou seu superior tomar suco de caju na semana passada, na frente de milhares de torcedores, e de milhões de telespectadores.
Tirando as conseqüências de toda a história, com a suspensão do rapaz pelo técnico, com intuito de repreender e demonstrar autoridade, seguido de sua demissão e tudo o que já se conhece, o fato é que há realmente uma distorção de valores na relação do jovem com o Mundo real.
No caso dele, nem dá para dizer que ele cresceu na pobreza e ascendeu muito depressa. Foi criado em família de classe média, e sempre com a presença dos pais. Pai ex-jogador que criou o filho dentro do Santos. Menino que viu um futebol já muito mais voltado para o marketing do que propriamente para o jogo, que com 18 anos ganha um salário de 6 dígitos antes da vírgula à direita, e que não joga nem 1/10 dos craques que vi jogar na minha humilde existência. Muitos podem me contrariar, mas meus argumentos são simples e baseados em números, em história concreta. Esses driblezinhos sem objetivos que ele dá, os moleques aqui da rua dão todo dia na “peladinha” de fim de tarde, e nesse Brasil adentro, deve haver vários outros muito mais habilidosos e até melhores tecnicamente, que nunca terão a oportunidade que este menino está tendo.
Um sacrilégio vê-lo postar em seu twitter que “está cansado de tudo”. A maioria dos jovens de 18 anos com a mínima instrução neste país, a esta altura da vida profissional, ganha um salário mínimo e meio mais vale transporte, trabalha todo dia 8 horas e pega condução lotada, para no final do mês não sobrar quase nada.
Este certamente seria o destino deste garoto se não houvesse quem lhe apresentasse o caminho do futebol, e alavancasse sua carreira.
Sobre o treinador e a decisão do clube, é óbvio que a instituição com administração amadora de modelo empresarial vai dar prioridade ao seu produto de maior investimento. Por mais que a tendência do resultado em campo seja o decréscimo, a venda do jogador num futuro próximo por cifras inimagináveis será mais importante do que qualquer título que puder ser conquistado.
É um paradoxo com o qual os clubes têm que conviver cada vez mais. Empresa visa lucros. Agremiação futebolística visa conquistas desportivas.
Quem perde são os que gostam do espírito lúdico do esporte.
Bom café...
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
In Attesa
Nunca tinha parado para pensar no quão inútil se torna o momento entre estar pronto para determinado compromisso e dar início a tal ação. Comumente chamado, espera.
Certamente já ouviu de algum amigo, do seu pai, da sua namorada, uma reclamação do tipo, “ se tem uma coisa que eu detesto é ficar esperando.” Da próxima vez que te falarem isso, arrisque desafiar a pessoa com a seguinte pergunta: “Me diga alguém que goste de esperar”, e aí se prepare...
Na sala de espera da clínica de fisioterapia, aguardei por uns 15 minutos. Procurando não ter que passar pela agonia dos inúteis minutos que antecediam minha sessão, cheguei exatamente na hora. Sorte, pois planejei o tempo certinho. Comumente chego atrasado. De qualquer forma, eles se atrasaram hoje. Enfim, lá eu estava com aquelas revistas antigas ao meu lado, uma televisão de 14 polegadas a 10 metros de distância, com o som baixo e com a imagem péssima. Tudo bem, transmitiam uma entrevista com um candidato desses quaisquer. Preferi a distancia mesmo. O dilema agora era escolher entre a revista de saúde de 1997 ou outra de decoração, de 1999. Acho que o cenário descrito é comum a todos nós, foi só para ilustrar a idéia na imaginação de cada um. Remetê-los a momentos de espera. Fila de banco, ponto de ônibus, aquela loja em liquidação no shopping, aquele amigo que há meses está fora e vem lhe visitar.
Dizem que passamos um terço de nossas vidas dormindo. Até aí tudo bem, dormir é uma necessidade fisiológica. Agora eu me arrisco a dizer que passamos outro terço desses esperando por algo.
Pode ser por uma consulta, por um aumento no salário e pelo amor da sua vida, não importa. O fato é que alguém plantou a idéia de que em certos momentos devemos esperar pelas coisas.
Por quê?
Minhas experiências só me mostram o contrário.
Os melhores momentos que vivi foram inesperados, surpreendentes. E as maiores decepções vieram das coisas as quais tinha confiança de que seriam boas, das quais criei enorme expectativa.
Saindo muito da simples espera física relatada acima, que realmente é um saco, mas é a menos danosa delas, a espera pelas realizações que ditarão o ritmo da sua vida, é a mais ofensiva.
Ouso desafiar aquele ditado, “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Se você correr, o bicho tem que correr atrás, e nessa, você está mais preparado e ele se cansa, ou tropeça em algum obstáculo, sei lá. O fato é que se correr, você aumenta suas chances. Experimente ficar parado e se submeta à espera do que pode acontecer.
Devemos ter iniciativa sempre, buscar o que se pretende. Se há uma data, um horário estipulado, o ideal é ser pontual. Sendo pontual com seus compromissos, suas metas e seus ideais, você está pulando a inútil fase da espera.
Meus textos muitas vezes parecem com trechos de livros de auto-ajuda. Não gosto muito disso. Não sou fã destes livros apesar de ter lido alguns. Acho prepotência e até oportunismo usado diante de dificuldade alheia. Mas isso é apenas uma opinião. Assim como mais esse texto, baseado puramente nas minhas próprias experiências e idéias. A diferença é que não as vendo a ninguém, apenas compartilho.
Sobre a palavra em si, acho que a espera e seus inúmeros significados só perdem para o teimoso “se”. O “se” destrói tudo, até a espera, “se” tudo se antecipar, ou “se” uma surpresa acontecer, por exemplo.
Bom café...
Certamente já ouviu de algum amigo, do seu pai, da sua namorada, uma reclamação do tipo, “ se tem uma coisa que eu detesto é ficar esperando.” Da próxima vez que te falarem isso, arrisque desafiar a pessoa com a seguinte pergunta: “Me diga alguém que goste de esperar”, e aí se prepare...
Na sala de espera da clínica de fisioterapia, aguardei por uns 15 minutos. Procurando não ter que passar pela agonia dos inúteis minutos que antecediam minha sessão, cheguei exatamente na hora. Sorte, pois planejei o tempo certinho. Comumente chego atrasado. De qualquer forma, eles se atrasaram hoje. Enfim, lá eu estava com aquelas revistas antigas ao meu lado, uma televisão de 14 polegadas a 10 metros de distância, com o som baixo e com a imagem péssima. Tudo bem, transmitiam uma entrevista com um candidato desses quaisquer. Preferi a distancia mesmo. O dilema agora era escolher entre a revista de saúde de 1997 ou outra de decoração, de 1999. Acho que o cenário descrito é comum a todos nós, foi só para ilustrar a idéia na imaginação de cada um. Remetê-los a momentos de espera. Fila de banco, ponto de ônibus, aquela loja em liquidação no shopping, aquele amigo que há meses está fora e vem lhe visitar.
Dizem que passamos um terço de nossas vidas dormindo. Até aí tudo bem, dormir é uma necessidade fisiológica. Agora eu me arrisco a dizer que passamos outro terço desses esperando por algo.
Pode ser por uma consulta, por um aumento no salário e pelo amor da sua vida, não importa. O fato é que alguém plantou a idéia de que em certos momentos devemos esperar pelas coisas.
Por quê?
Minhas experiências só me mostram o contrário.
Os melhores momentos que vivi foram inesperados, surpreendentes. E as maiores decepções vieram das coisas as quais tinha confiança de que seriam boas, das quais criei enorme expectativa.
Saindo muito da simples espera física relatada acima, que realmente é um saco, mas é a menos danosa delas, a espera pelas realizações que ditarão o ritmo da sua vida, é a mais ofensiva.
Ouso desafiar aquele ditado, “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Se você correr, o bicho tem que correr atrás, e nessa, você está mais preparado e ele se cansa, ou tropeça em algum obstáculo, sei lá. O fato é que se correr, você aumenta suas chances. Experimente ficar parado e se submeta à espera do que pode acontecer.
Devemos ter iniciativa sempre, buscar o que se pretende. Se há uma data, um horário estipulado, o ideal é ser pontual. Sendo pontual com seus compromissos, suas metas e seus ideais, você está pulando a inútil fase da espera.
Meus textos muitas vezes parecem com trechos de livros de auto-ajuda. Não gosto muito disso. Não sou fã destes livros apesar de ter lido alguns. Acho prepotência e até oportunismo usado diante de dificuldade alheia. Mas isso é apenas uma opinião. Assim como mais esse texto, baseado puramente nas minhas próprias experiências e idéias. A diferença é que não as vendo a ninguém, apenas compartilho.
Sobre a palavra em si, acho que a espera e seus inúmeros significados só perdem para o teimoso “se”. O “se” destrói tudo, até a espera, “se” tudo se antecipar, ou “se” uma surpresa acontecer, por exemplo.
Bom café...
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Portadores de necessidades essenciais
Certamente já ouviste aquele ditado, “quando a água bate na bunda é que se aprende a nadar”. Ou aquele outro, “pimenta nos olhos dos outros é refresco”.
Este feriado prolongado me trouxe um presente no dia da independência do Brasil. Fiquei fisicamente dependente, após um acidente doméstico que agravou um quadro clinico ao qual estava dando início ao tratamento.
Estou imobilizado da perna para baixo escrevendo este texto deitado, com um pouco de dificuldade. Além de tudo confesso que essa dor constante controlada por medicamentos me prejudica na concentração e conseqüentemente na inspiração para a escrita.
Isso tudo me faz pensar no quanto seria difícil viver com determinadas limitações físicas. A minha no caso, hoje, de não poder me locomover sem a ajuda de alguém, apesar de temporária, me faz ter uma breve noção do quão difícil é a vida das pessoas que possuem necessidades especiais. E olha que não são poucas. Talvez não as vejamos por aí justamente pelo fato de não haver condições adequadas para tal.
Não são muitas as cidades, quiçá alguma, que contam com uma pavimentação adequada a este grupo de pessoas neste país. Muitas pessoas capacitadas penam com a falta de estrutura urbana sofrendo acidentes por conta de inúmeros inconvenientes e obstáculos encontrados nas ruas e calçadas, imagina as pessoas que precisam de espaço, de indicação, de guias, de rampas...
Quantos ônibus você já pegou que possuem o espaço reservado a um portador? Eu até vejo alguns aqui no Rio, mas aí entra o problema da falta de educação. Aqui por exemplo, andar de ônibus é como entrar num carro de corrida, aonde motoristas são pilotos, e os pontos de ônibus são boxes aonde o “pitsop” tem que ser rápido. Imagina agora um portador dependendo da cidadania de um sujeito que não respeita nem as normas de segurança adequadas às pessoas capacitadas. É complicado.
No shopping, no mercado, não respeitam a vaga exclusiva do estacionamento, não há escadas e às vezes nem elevadores adaptados.
Além de tudo isso, há o preconceito social.
Não pesquisei sobre isso, tampouco conheço pessoas próximas que passem por esta situação, mas como citei no início do texto através dos ditos populares, a gente só passa a enxergar certas situações vivenciando-as. Passei o feriado numa cadeira de rodas, tendo sequer forças para empurrá-las. Em casa, meu dia tem sido 90% na horizontal, tendo que ser carregado ao banheiro e receber comida na boca. Imagino que em breve estarei bom, através de tratamento ou sei lá, cirurgia, mas passando por isso, me pergunto: e se eu tivesse que ficar permanentemente assim?
Nós seres humanos temos uma capacidade desconhecida de adaptação, e essa é a resposta das pessoas que convivem com a dependência física.
Pensando assim, sinto-me envergonhado por reclamar de uma topada na quina da mesa, de uma dorzinha de cabeça, ou por me sentir cansado ao fim do dia, condução lotada, trânsito, ou uma chuva inesperada.
Tentemos não ser egoístas, e olhemos por diferentes prismas. Isso pode nos ajudar a nos tornarmos pessoas melhores, e fazer bem mais aos que realmente têm dificuldades.
Este texto é uma humilde solidariedade a todos estes.
Bom Café.
Este feriado prolongado me trouxe um presente no dia da independência do Brasil. Fiquei fisicamente dependente, após um acidente doméstico que agravou um quadro clinico ao qual estava dando início ao tratamento.
Estou imobilizado da perna para baixo escrevendo este texto deitado, com um pouco de dificuldade. Além de tudo confesso que essa dor constante controlada por medicamentos me prejudica na concentração e conseqüentemente na inspiração para a escrita.
Isso tudo me faz pensar no quanto seria difícil viver com determinadas limitações físicas. A minha no caso, hoje, de não poder me locomover sem a ajuda de alguém, apesar de temporária, me faz ter uma breve noção do quão difícil é a vida das pessoas que possuem necessidades especiais. E olha que não são poucas. Talvez não as vejamos por aí justamente pelo fato de não haver condições adequadas para tal.
Não são muitas as cidades, quiçá alguma, que contam com uma pavimentação adequada a este grupo de pessoas neste país. Muitas pessoas capacitadas penam com a falta de estrutura urbana sofrendo acidentes por conta de inúmeros inconvenientes e obstáculos encontrados nas ruas e calçadas, imagina as pessoas que precisam de espaço, de indicação, de guias, de rampas...
Quantos ônibus você já pegou que possuem o espaço reservado a um portador? Eu até vejo alguns aqui no Rio, mas aí entra o problema da falta de educação. Aqui por exemplo, andar de ônibus é como entrar num carro de corrida, aonde motoristas são pilotos, e os pontos de ônibus são boxes aonde o “pitsop” tem que ser rápido. Imagina agora um portador dependendo da cidadania de um sujeito que não respeita nem as normas de segurança adequadas às pessoas capacitadas. É complicado.
No shopping, no mercado, não respeitam a vaga exclusiva do estacionamento, não há escadas e às vezes nem elevadores adaptados.
Além de tudo isso, há o preconceito social.
Não pesquisei sobre isso, tampouco conheço pessoas próximas que passem por esta situação, mas como citei no início do texto através dos ditos populares, a gente só passa a enxergar certas situações vivenciando-as. Passei o feriado numa cadeira de rodas, tendo sequer forças para empurrá-las. Em casa, meu dia tem sido 90% na horizontal, tendo que ser carregado ao banheiro e receber comida na boca. Imagino que em breve estarei bom, através de tratamento ou sei lá, cirurgia, mas passando por isso, me pergunto: e se eu tivesse que ficar permanentemente assim?
Nós seres humanos temos uma capacidade desconhecida de adaptação, e essa é a resposta das pessoas que convivem com a dependência física.
Pensando assim, sinto-me envergonhado por reclamar de uma topada na quina da mesa, de uma dorzinha de cabeça, ou por me sentir cansado ao fim do dia, condução lotada, trânsito, ou uma chuva inesperada.
Tentemos não ser egoístas, e olhemos por diferentes prismas. Isso pode nos ajudar a nos tornarmos pessoas melhores, e fazer bem mais aos que realmente têm dificuldades.
Este texto é uma humilde solidariedade a todos estes.
Bom Café.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
"Pior do que tá não fica"
Antes de qualquer palavra digitada, que possa induzir alguém imaginar que o texto a seguir possa ser tendencioso, explico: não chego a ser anarquista, acho que deva haver ordem sim, de alguma forma ainda não descoberta. Mas sou anti-politicagem. Não tenho partido e nem candidatos. Sou um leigo no assunto. Não que eu ache que os que estão lá sejam entendidos, porque se fossem certamente tudo estaria muito melhor. Diria que aqueles que lá estão se interessam, ou tem algum interesse.
Esses dias andando pela cidade não consegui fugir daqueles rostos céticos cheio de números e frases feitas pedindo voto, poluindo visualmente o trajeto da minha casa até o trabalho. Olhei para um cartaz de um candidato com uma foto na qual sorria amareladamente, e dizia que era a voz do povo. Ora bolas, pensei, que povo seria esse? Eu olho para um cara com um sorriso amarelo misturado com uma cara de nojo, e ele diz para mim, “Sou a sua Voz”. Como assim? “Peraí , minha voz não, nem te conheço rapaz.”
Aí pensei, esse cara deve aparecer uns 15 segundos na televisão hoje a noite falando alguma coisa do tipo, saúde educação e segurança, vote em mim. Se baixasse um anjo na minha frente agora e falasse assim: “vou acabar com a pobreza, com a violência, com o desemprego e com o trânsito” eu diria para ele: “Seu anjo, chega mais aqui, deixa eu te mostrar o que é o Brasil”. Agora quem dirá um indivíduo qualquer com a gravata meio desajeitada, lendo um tele-pronto e me prometendo a resolução dos problemas da sociedade em 15 segundos. Tá, você está complacente, acha aquele rapaz sincero e dá um crédito, vai atrás da história política dele. Não demora muito e descobre que ele esteve envolvido em “maracutaia” X, no ano Y. A maioria é assim.
Sem conseguir fugir da atmosfera eleitoral, recebo um e-mail com a ficha de alguns ilustres candidatos. Artistas incluindo músicos, jogadores, atores e ex-prostitutas que se dizem dançarinas ou modelos, enfim, uma penca de gente que não faz a mínima idéia do que está fazendo. Ou será que fazem?
O Tiririca ao menos foi honesto. Diz que não faz idéia do que faz um deputado, senador, seja lá o qual for o cargo para o qual se candidata. Ele já está na frente de muitos, falando a verdade. Alguns acham que ele debocha da democracia. Eu acho que o deboche existe há anos pelos tradicionais engravatados.
Uma mulher com nome de fruta, em sua descrição, tem como formação acadêmica, ou nível de instrução: Lê e escreve. Isso seria ensino fundamental pelo menos? Ah, sei lá, acho que nem se as leguminosas do horti-fruti votassem, essa mulher seria eleita. Na verdade como é o povo brasileiro que vota, ainda há esperança a “frutífera” mulher-alguma fruta. Povo que se alimenta de big-brother e barbárie e é facilmente comprado e corruptível não tem direito a reclamar de seus políticos. Omisso e acomodado só quer que haja cerveja gelada na geladeira no fim de semana, que seu time de futebol ganhe, e que seu salário entre na conta no final do mês. Cobrar sem atitude? Votar em incógnitos que só aparecem de 4 em 4 anos com os dentes a mostra e com cestas básicas, ou asfaltando a rua da sua casa?
Falta muito ainda para eu começar a acreditar em política séria. Não vejo horizonte algum nesse sentido.
O dia em que um político se encorajar e deixar de alienar sua sociedade dando educação a essa nação, para que todos tenham discernimento necessário a buscar seus direitos, eu acreditarei em mudança.
Por enquanto, fico com o Papai Noel e com o coelhinho da Páscoa.
Bom Café.
Esses dias andando pela cidade não consegui fugir daqueles rostos céticos cheio de números e frases feitas pedindo voto, poluindo visualmente o trajeto da minha casa até o trabalho. Olhei para um cartaz de um candidato com uma foto na qual sorria amareladamente, e dizia que era a voz do povo. Ora bolas, pensei, que povo seria esse? Eu olho para um cara com um sorriso amarelo misturado com uma cara de nojo, e ele diz para mim, “Sou a sua Voz”. Como assim? “Peraí , minha voz não, nem te conheço rapaz.”
Aí pensei, esse cara deve aparecer uns 15 segundos na televisão hoje a noite falando alguma coisa do tipo, saúde educação e segurança, vote em mim. Se baixasse um anjo na minha frente agora e falasse assim: “vou acabar com a pobreza, com a violência, com o desemprego e com o trânsito” eu diria para ele: “Seu anjo, chega mais aqui, deixa eu te mostrar o que é o Brasil”. Agora quem dirá um indivíduo qualquer com a gravata meio desajeitada, lendo um tele-pronto e me prometendo a resolução dos problemas da sociedade em 15 segundos. Tá, você está complacente, acha aquele rapaz sincero e dá um crédito, vai atrás da história política dele. Não demora muito e descobre que ele esteve envolvido em “maracutaia” X, no ano Y. A maioria é assim.
Sem conseguir fugir da atmosfera eleitoral, recebo um e-mail com a ficha de alguns ilustres candidatos. Artistas incluindo músicos, jogadores, atores e ex-prostitutas que se dizem dançarinas ou modelos, enfim, uma penca de gente que não faz a mínima idéia do que está fazendo. Ou será que fazem?
O Tiririca ao menos foi honesto. Diz que não faz idéia do que faz um deputado, senador, seja lá o qual for o cargo para o qual se candidata. Ele já está na frente de muitos, falando a verdade. Alguns acham que ele debocha da democracia. Eu acho que o deboche existe há anos pelos tradicionais engravatados.
Uma mulher com nome de fruta, em sua descrição, tem como formação acadêmica, ou nível de instrução: Lê e escreve. Isso seria ensino fundamental pelo menos? Ah, sei lá, acho que nem se as leguminosas do horti-fruti votassem, essa mulher seria eleita. Na verdade como é o povo brasileiro que vota, ainda há esperança a “frutífera” mulher-alguma fruta. Povo que se alimenta de big-brother e barbárie e é facilmente comprado e corruptível não tem direito a reclamar de seus políticos. Omisso e acomodado só quer que haja cerveja gelada na geladeira no fim de semana, que seu time de futebol ganhe, e que seu salário entre na conta no final do mês. Cobrar sem atitude? Votar em incógnitos que só aparecem de 4 em 4 anos com os dentes a mostra e com cestas básicas, ou asfaltando a rua da sua casa?
Falta muito ainda para eu começar a acreditar em política séria. Não vejo horizonte algum nesse sentido.
O dia em que um político se encorajar e deixar de alienar sua sociedade dando educação a essa nação, para que todos tenham discernimento necessário a buscar seus direitos, eu acreditarei em mudança.
Por enquanto, fico com o Papai Noel e com o coelhinho da Páscoa.
Bom Café.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Um homem, sua mente e o mar
Há dias em que simplesmente queremos ficar sós. Quem nunca desejou isso após uma jornada intensa de trabalho, ou num dia de algum desgaste emocional e estresse? Vivemos rodeados de pessoas, cada vez mais, e a interferência desse convívio nem sempre é algo que nos acrescenta algo. Em alguns casos isso é apenas causa de uma distração prolongada que retarda o crescimento intelectual, espiritual e de autoconsciência. O convívio social é essencial a todos, mas o real desenvolvimento do indivíduo está na forma como absorve tudo a sua volta e transforma em valores, em comportamento. O que esperaria de você, sozinho em meio ao mar imenso, com bilhões de estrelas “mudas” te olhando, te cobrando e colocando sua sanidade à prova? É nesse momento que tudo tende a tornar-se claro para o homem. No momento em que se encontra e se questiona.
A forma sutil como o homem, como espécie, é capaz de atingir uma sensibilidade extrema, sem que sequer note. Como é capaz de aprender a valorizar cada forma de vida aqui existente. Realizar que em meio à tão grande mar e abaixo do infinito céu, ele é simplesmente nada como matéria.
Tenho relatos de um homem que conheci em 1988, quando não éramos sequer donos de nossas escolhas.
Nossa primeira paixão platônica foi a mesma menina no colégio. Inocentes como crianças que éramos, e amigos, nos permitíamos dividi-la.
Rodamos o mundo, passamos muito tempo afastados. Mas tudo parece ainda como naquele início da década de noventa.
O Segundo Oficial de Náutica Paul Nuernberg, me relata as condições climáticas, a direção dos ventos e a força das águas. Diz em que costa está, que domínio territorial acabou de cruzar, e me conta as histórias de marinheiro. Lugares lindos, pessoas de diferentes culturas, cervejas mais fortes e mais amargas. Tem o mundo a seus pés, ou melhor, à sua proa.
Mas dois ou três meses longe daqueles a quem ama, do seu lugar de origem, da sua casa... ao longo de alguns anos, é provação transformada em crescimento.
E nós aqui, em terra firme, querendo ficar a sós e desejando o Mundo.
O paralelo traçado entre o que temos e o que queremos geralmente é grande. E é quando nos conhecemos mais, é que descobrimos aonde realmente queremos ir, e estreitamos este paralelo.
As histórias são incríveis. Desde conflitos psicológicos pesados a vários golfinhos te acompanhando viagem. O desespero mental beirando o êxtase da natureza. O “Third” como é chamado a bordo é um baú de enredo literário.
Suas histórias me fazem refletir como a relação entre as pessoas é mesquinha, e como não damos a mínima para nossos próprios questionamentos e anseios.
Passados mais de vinte anos, descobrimo-nos dividindo a paixão da escrita. Seu diário de bordo será transformado em livro um dia. Escreveremos.
Pretendo compartilhar ao menos uma aventura dessas aqui neste espaço.
Se algum de vocês quiserem se exilar por alguns momentos, sentindo-se em meio ao imenso oceano, ou coberto pelos astros luminosos, busquem-no neste blog: http://paulnuernberg.blogspot.com.
E bom café...
A forma sutil como o homem, como espécie, é capaz de atingir uma sensibilidade extrema, sem que sequer note. Como é capaz de aprender a valorizar cada forma de vida aqui existente. Realizar que em meio à tão grande mar e abaixo do infinito céu, ele é simplesmente nada como matéria.
Tenho relatos de um homem que conheci em 1988, quando não éramos sequer donos de nossas escolhas.
Nossa primeira paixão platônica foi a mesma menina no colégio. Inocentes como crianças que éramos, e amigos, nos permitíamos dividi-la.
Rodamos o mundo, passamos muito tempo afastados. Mas tudo parece ainda como naquele início da década de noventa.
O Segundo Oficial de Náutica Paul Nuernberg, me relata as condições climáticas, a direção dos ventos e a força das águas. Diz em que costa está, que domínio territorial acabou de cruzar, e me conta as histórias de marinheiro. Lugares lindos, pessoas de diferentes culturas, cervejas mais fortes e mais amargas. Tem o mundo a seus pés, ou melhor, à sua proa.
Mas dois ou três meses longe daqueles a quem ama, do seu lugar de origem, da sua casa... ao longo de alguns anos, é provação transformada em crescimento.
E nós aqui, em terra firme, querendo ficar a sós e desejando o Mundo.
O paralelo traçado entre o que temos e o que queremos geralmente é grande. E é quando nos conhecemos mais, é que descobrimos aonde realmente queremos ir, e estreitamos este paralelo.
As histórias são incríveis. Desde conflitos psicológicos pesados a vários golfinhos te acompanhando viagem. O desespero mental beirando o êxtase da natureza. O “Third” como é chamado a bordo é um baú de enredo literário.
Suas histórias me fazem refletir como a relação entre as pessoas é mesquinha, e como não damos a mínima para nossos próprios questionamentos e anseios.
Passados mais de vinte anos, descobrimo-nos dividindo a paixão da escrita. Seu diário de bordo será transformado em livro um dia. Escreveremos.
Pretendo compartilhar ao menos uma aventura dessas aqui neste espaço.
Se algum de vocês quiserem se exilar por alguns momentos, sentindo-se em meio ao imenso oceano, ou coberto pelos astros luminosos, busquem-no neste blog: http://paulnuernberg.blogspot.com.
E bom café...
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Os bons vinte e poucos anos
Foi-se o tempo em que “mamãe” achava me achava bonito de qualquer jeito, por mais acabado e mal vestido que eu estivesse. Até acordando de ressaca com o cabelo bagunçado era o mais lindo. Agora as críticas são árduas e sinceras. Deu para me cobrar quanto aos meus textos. Disse que não estão mais como antes. Escrevo por prazer, em meio a uma quantidade enorme de telefonemas e e-mails do trabalho, geralmente às Quartas a 30 minutos do fechamento da edição do jornal. Mas tudo bem, eu prefiro assim, afinal não sou mais o filhinho predileto, já estou a mais perto dos 30 do que dos 20.
Por sinal, e nessa deixa que começo a história de hoje. A década da verdade. Sempre pensei que seria. Bom, meus pais com vinte e poucos anos eram casados e tinham filhos. Suas profissões eram estáveis. Tanto que minha mãe, por exemplo, ainda é professora do município do Rio de Janeiro até hoje. E grande parte dos meus tios e pais dos meus amigos, também já tinham situação parecida.
Vivendo em meio a este exemplo, a idéia que tinha de amadurecimento era a de que o tempo e a idade me trariam naturalmente essa condição de vida. Mas não hoje.
É redundante dizer que é uma época e geração diferentes. Avanços tecnológicos consideráveis que mudaram e muito as relações sociais e até a questão da religião e do conceito de família hoje muito mais discutidos, formam uma nova perspectiva de amadurecimento e acaba nos confundindo no que se refere ao limite da juventude.
A cobrança e a competição entre as pessoas no campo profissional e até no pessoal de certa forma força uma tendência individualista que reflete num comportamento voltado para a conquista estabilidade financeira em detrimento a princípios antes vistos como essenciais.
A quantidade de homens e mulheres já acima da faixa dos trinta que vivem sozinhos, não possuem compromisso afetivo e que ainda vivem sob os domínios de seus pais é enorme.
A pergunta que remete a idéia do texto: estamos nos tornamos adultos mais tarde?
Penso que sim baseado nos argumentos acima. Isso é bom ou ruim?
Ninguém quer envelhecer, ou a maioria das pessoas não quer. Se fosse basicamente por isso, ótimo. Mas há questões embutidas nesta discussão que nos obriga a olhar por diferentes aspectos. Um destes aspectos que me chama a atenção é a do preparo para a vida. O espaço entre a independência e o momento em que nossos pais tornam-se nossos dependentes é aonde você é o protagonista, é o “diretor”, e vai ter que andar sozinho, apanhar sozinho, se dar bem sozinho, enfim. E este retardo em “se tornar adulto” nem sempre significa melhor preparo. Soa como falsa conveniência.
Vivemos a geração das mudanças generalizadas. E estar no meio deste processo nos dificulta muito. Temos um modelo comportamental desatualizado e não possuímos um manual de como será amanhã, daqui a um ano ou a dez.
A vantagem talvez seja estar subsidiado pela versatilidade e o improviso. Nem tudo é tão certo e nem tão errado quanto era há poucos anos atrás.
Sendo a década da verdade ou não, os “vintões” que aproveitem, pois é o período em que nos apaixonamos loucamente, abusamos dos nossos corpos tinindo de saúde e justificamos as “cagadas” pela juventude.
Bom Café...
Por sinal, e nessa deixa que começo a história de hoje. A década da verdade. Sempre pensei que seria. Bom, meus pais com vinte e poucos anos eram casados e tinham filhos. Suas profissões eram estáveis. Tanto que minha mãe, por exemplo, ainda é professora do município do Rio de Janeiro até hoje. E grande parte dos meus tios e pais dos meus amigos, também já tinham situação parecida.
Vivendo em meio a este exemplo, a idéia que tinha de amadurecimento era a de que o tempo e a idade me trariam naturalmente essa condição de vida. Mas não hoje.
É redundante dizer que é uma época e geração diferentes. Avanços tecnológicos consideráveis que mudaram e muito as relações sociais e até a questão da religião e do conceito de família hoje muito mais discutidos, formam uma nova perspectiva de amadurecimento e acaba nos confundindo no que se refere ao limite da juventude.
A cobrança e a competição entre as pessoas no campo profissional e até no pessoal de certa forma força uma tendência individualista que reflete num comportamento voltado para a conquista estabilidade financeira em detrimento a princípios antes vistos como essenciais.
A quantidade de homens e mulheres já acima da faixa dos trinta que vivem sozinhos, não possuem compromisso afetivo e que ainda vivem sob os domínios de seus pais é enorme.
A pergunta que remete a idéia do texto: estamos nos tornamos adultos mais tarde?
Penso que sim baseado nos argumentos acima. Isso é bom ou ruim?
Ninguém quer envelhecer, ou a maioria das pessoas não quer. Se fosse basicamente por isso, ótimo. Mas há questões embutidas nesta discussão que nos obriga a olhar por diferentes aspectos. Um destes aspectos que me chama a atenção é a do preparo para a vida. O espaço entre a independência e o momento em que nossos pais tornam-se nossos dependentes é aonde você é o protagonista, é o “diretor”, e vai ter que andar sozinho, apanhar sozinho, se dar bem sozinho, enfim. E este retardo em “se tornar adulto” nem sempre significa melhor preparo. Soa como falsa conveniência.
Vivemos a geração das mudanças generalizadas. E estar no meio deste processo nos dificulta muito. Temos um modelo comportamental desatualizado e não possuímos um manual de como será amanhã, daqui a um ano ou a dez.
A vantagem talvez seja estar subsidiado pela versatilidade e o improviso. Nem tudo é tão certo e nem tão errado quanto era há poucos anos atrás.
Sendo a década da verdade ou não, os “vintões” que aproveitem, pois é o período em que nos apaixonamos loucamente, abusamos dos nossos corpos tinindo de saúde e justificamos as “cagadas” pela juventude.
Bom Café...
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
O sócio-comediante
Qual é o preço de uma piada? Depende de como ela é contada, e de onde ela é contada, certo?
No Brasil a piada vale muito, e vivemos uma época em que nunca se pagou e se investiu tanto em humor.
Tudo bem que se você entrevistar um artista deste segmento hoje, ele vai dizer que batalhou muito, que o meio artístico é para poucos, que a estrada é árdua e eles dificilmente são reconhecidos.
Imagino que deva ser difícil viver da atuação cômica, da piada, do deboche, da palhaçada, principalmente num país de desigualdades sociais bruscas, o que faz com que qualquer tipo de brincadeira possa gerar reações adversas. É contraditório e peculiar, já que brasileiro têm o dom de rir da desgraça, do errado, da corrupção, do bárbaro. Talvez seja uma característica que explique a falta de atitude em relação aos problemas e a fraqueza democrática da massa.
E é neste momento de humor crítico que crescem os grandes comediantes, afinal, eles descobriram uma ótima fórmula de cutucar as mais antigas e “cascudas” mazelas políticas sociais do país. Se até hoje a sociedade não consegue saciar-se de justiça aos corruptos, ao menos tem o prazer de vê-los em uma “sinuca de bico”, eu “beco sem saída”, desmoralizados e ridicularizados em rede nacional.
Os rapazes de terno que correr a produzir matérias sérias, transferem a graça que os maus políticos acham de suas “traquinagens” para o vexatório e mudo inexplicável dos mesmos ante a câmera. Que estas reportagens não resultem em providências imediatas, mas já é um grande dever democrático prestado. Nós podemos ver e conhecer o que imaginamos que acontece e quem os faz. Aliás, nada melhor que ano de eleições para nos enchermos de informação, afinal até aonde sabemos, só nosso voto pode mudar alguma coisa.
Não é propaganda a este ou aquele grupo de artistas, até porque a quantidade de patrocínio que estes atuais programas obtêm é absurda. Nem sempre eles são geniais, o que é compreensível. Inúmeros artistas e suas comédias em pé usam a graça como instrumento de indagação e por isso se arriscam mais. Seus públicos pedem cultura e suas piadas necessitam de cultura para sua compreensão. Mas a simplicidade aparente dos temas abordados é justamente o segredo. Falar de coisas do cotidiano sem tabus, relacionamento, política, racismo e religião, por exemplo, sem se prender a falsos princípios, cria uma relação de proximidade com público que se vê em muitas daquelas situações.
Até mesmo o humor banal descobriu uma forma de se consolidar. Fazer o que qualquer um teve vontade de fazer um dia, expor personalidades arrogantes, fazer perguntas jamais feitas, caçoar do galã e da musa e mostrá-los que apesar de toda fama e dinheiro, são pessoas normais. Tirar um pouco do glamour. Uma forma de igualdade de status social.
A forma como se produz tais programas, sem scripts, sem um aparente planejamento nas reportagens, são marcas da espontaneidade.
E o público cansou da informação pré-fabricada, do “fale o que eu te pago para falar”. Além do que quanto mais acesso à informação, mais sedento por questionamentos. Assim, o humor independente vem batendo a formalidade e se tornando muito mais produtivo do que muito material dito séria.
Palmas para os bobos.
Bom Café...
No Brasil a piada vale muito, e vivemos uma época em que nunca se pagou e se investiu tanto em humor.
Tudo bem que se você entrevistar um artista deste segmento hoje, ele vai dizer que batalhou muito, que o meio artístico é para poucos, que a estrada é árdua e eles dificilmente são reconhecidos.
Imagino que deva ser difícil viver da atuação cômica, da piada, do deboche, da palhaçada, principalmente num país de desigualdades sociais bruscas, o que faz com que qualquer tipo de brincadeira possa gerar reações adversas. É contraditório e peculiar, já que brasileiro têm o dom de rir da desgraça, do errado, da corrupção, do bárbaro. Talvez seja uma característica que explique a falta de atitude em relação aos problemas e a fraqueza democrática da massa.
E é neste momento de humor crítico que crescem os grandes comediantes, afinal, eles descobriram uma ótima fórmula de cutucar as mais antigas e “cascudas” mazelas políticas sociais do país. Se até hoje a sociedade não consegue saciar-se de justiça aos corruptos, ao menos tem o prazer de vê-los em uma “sinuca de bico”, eu “beco sem saída”, desmoralizados e ridicularizados em rede nacional.
Os rapazes de terno que correr a produzir matérias sérias, transferem a graça que os maus políticos acham de suas “traquinagens” para o vexatório e mudo inexplicável dos mesmos ante a câmera. Que estas reportagens não resultem em providências imediatas, mas já é um grande dever democrático prestado. Nós podemos ver e conhecer o que imaginamos que acontece e quem os faz. Aliás, nada melhor que ano de eleições para nos enchermos de informação, afinal até aonde sabemos, só nosso voto pode mudar alguma coisa.
Não é propaganda a este ou aquele grupo de artistas, até porque a quantidade de patrocínio que estes atuais programas obtêm é absurda. Nem sempre eles são geniais, o que é compreensível. Inúmeros artistas e suas comédias em pé usam a graça como instrumento de indagação e por isso se arriscam mais. Seus públicos pedem cultura e suas piadas necessitam de cultura para sua compreensão. Mas a simplicidade aparente dos temas abordados é justamente o segredo. Falar de coisas do cotidiano sem tabus, relacionamento, política, racismo e religião, por exemplo, sem se prender a falsos princípios, cria uma relação de proximidade com público que se vê em muitas daquelas situações.
Até mesmo o humor banal descobriu uma forma de se consolidar. Fazer o que qualquer um teve vontade de fazer um dia, expor personalidades arrogantes, fazer perguntas jamais feitas, caçoar do galã e da musa e mostrá-los que apesar de toda fama e dinheiro, são pessoas normais. Tirar um pouco do glamour. Uma forma de igualdade de status social.
A forma como se produz tais programas, sem scripts, sem um aparente planejamento nas reportagens, são marcas da espontaneidade.
E o público cansou da informação pré-fabricada, do “fale o que eu te pago para falar”. Além do que quanto mais acesso à informação, mais sedento por questionamentos. Assim, o humor independente vem batendo a formalidade e se tornando muito mais produtivo do que muito material dito séria.
Palmas para os bobos.
Bom Café...
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Desvio de atenção: Túnel fechado
Todos estavam errados, sem exceção.
Pronto, essa é a minha opinião final quanto ao episódio fatídico envolvendo um jovem filho de uma famosa artista brasileira.
O primeiro e mais concreto argumento é que o túnel estava fechado. Fechado para carros, fechado para pedestres, ciclistas, skatistas, equilibristas, macumbeiros, ou qualquer outro tipo de indivíduo não pertinente à lei ou ao órgão responsável pelo fechamento do mesmo, como a CET Rio.
Esporte considerado radical, por não ser considerado algo tradicional, é associado por muitos à rebeldia e a uma forma independente de expressão, culturalmente falando. No exterior, usa-se o termo extreme, ou somente X, para esportes com grau de dificuldade elevado e de alto risco.
Quem anda de skate, já andou, ou conhece pessoas que praticam, sabe do risco de lesão. Há poucos lugares específicos para a prática do esporte e na verdade, a modalidade street, pede que se ande e se realize as manobras nas ruas, calçadas e nos vários obstáculos urbanos.
Aonde quero chegar? Tanto o rapaz quanto amigos e família, sabiam que ele andava de skate e não podem alegar que desconheciam o risco.
Quanto ao veículo que atropelou o jovem e seu condutor, noticia a mídia que era um homem de classe média alta, ou seja, da mesma camada social da vítima, e praticava um racha, ou pega, com seu amigo, no túnel fechado. Errado? Sim, muito. Mais errado ou menos errado que a vítima? Vai de cada um de nós interpretar. Tudo bem que apostar corrida em via pública não é esporte, mas há quem possa dizer que andar de skate em via pública também não é.
Uma das coisas que me incentivou a escrever foi um discurso de um famoso cronista em horário nobre no mais famoso telejornal. Sempre gostei das opiniões dele. Mas a hipocrisia que se criou ao entorno deste episódio e a capacidade que a imprensa tem de transformar sua opinião coletiva, pura e tão somente pelo fato de ser um filho de uma famosa atriz da mesma emissora, me revoltam. Qualquer outro jovem poderia ser chamado de vagabundo ou drogado por estar andando de skate num túnel fechado às 2 da madrugada e não haveria todo essa comoção nacional que não passa do sensacionalismo barato que se vende há tempos. Uma novela subsidiada pelo choque e sofrimento. Os telejornais têm reservado 50% dos seus programas para esta matéria, e nem 1% para coisas sérias como a Operação Tapete Persa que prendeu cerca de 20 pedófilos em um dia no Brasil. Eu sofro muito ao saber que crianças indefesas estão nesse momento sendo violentadas por “monstros” ao longo do país. Precisamos caçar mais desses “monstros”. Há um intencional e evidente desvio de atenção.
Já escrevi aqui nesta coluna sobre o quanto é violento o trânsito neste país. Não defendo nenhum dos lados. Acho que a família e amigos estão profundamente tristes, e a carismática atriz, neste caso é apenas uma mãe que sofre pela perda do filho, como qualquer mãe naturalmente o faz.
Agora cobrar justiça, cobrar mudanças nas leis de trânsito, fazer campanha nacional e discurso moralista, me parece tarde. Muitos jovens já morreram incógnitos neste país em condições muito mais cruéis, injustas e brutais, e nem eu, nem você e nem ninguém ouviu sequer um “a” da mídia.
Bom café...
Pronto, essa é a minha opinião final quanto ao episódio fatídico envolvendo um jovem filho de uma famosa artista brasileira.
O primeiro e mais concreto argumento é que o túnel estava fechado. Fechado para carros, fechado para pedestres, ciclistas, skatistas, equilibristas, macumbeiros, ou qualquer outro tipo de indivíduo não pertinente à lei ou ao órgão responsável pelo fechamento do mesmo, como a CET Rio.
Esporte considerado radical, por não ser considerado algo tradicional, é associado por muitos à rebeldia e a uma forma independente de expressão, culturalmente falando. No exterior, usa-se o termo extreme, ou somente X, para esportes com grau de dificuldade elevado e de alto risco.
Quem anda de skate, já andou, ou conhece pessoas que praticam, sabe do risco de lesão. Há poucos lugares específicos para a prática do esporte e na verdade, a modalidade street, pede que se ande e se realize as manobras nas ruas, calçadas e nos vários obstáculos urbanos.
Aonde quero chegar? Tanto o rapaz quanto amigos e família, sabiam que ele andava de skate e não podem alegar que desconheciam o risco.
Quanto ao veículo que atropelou o jovem e seu condutor, noticia a mídia que era um homem de classe média alta, ou seja, da mesma camada social da vítima, e praticava um racha, ou pega, com seu amigo, no túnel fechado. Errado? Sim, muito. Mais errado ou menos errado que a vítima? Vai de cada um de nós interpretar. Tudo bem que apostar corrida em via pública não é esporte, mas há quem possa dizer que andar de skate em via pública também não é.
Uma das coisas que me incentivou a escrever foi um discurso de um famoso cronista em horário nobre no mais famoso telejornal. Sempre gostei das opiniões dele. Mas a hipocrisia que se criou ao entorno deste episódio e a capacidade que a imprensa tem de transformar sua opinião coletiva, pura e tão somente pelo fato de ser um filho de uma famosa atriz da mesma emissora, me revoltam. Qualquer outro jovem poderia ser chamado de vagabundo ou drogado por estar andando de skate num túnel fechado às 2 da madrugada e não haveria todo essa comoção nacional que não passa do sensacionalismo barato que se vende há tempos. Uma novela subsidiada pelo choque e sofrimento. Os telejornais têm reservado 50% dos seus programas para esta matéria, e nem 1% para coisas sérias como a Operação Tapete Persa que prendeu cerca de 20 pedófilos em um dia no Brasil. Eu sofro muito ao saber que crianças indefesas estão nesse momento sendo violentadas por “monstros” ao longo do país. Precisamos caçar mais desses “monstros”. Há um intencional e evidente desvio de atenção.
Já escrevi aqui nesta coluna sobre o quanto é violento o trânsito neste país. Não defendo nenhum dos lados. Acho que a família e amigos estão profundamente tristes, e a carismática atriz, neste caso é apenas uma mãe que sofre pela perda do filho, como qualquer mãe naturalmente o faz.
Agora cobrar justiça, cobrar mudanças nas leis de trânsito, fazer campanha nacional e discurso moralista, me parece tarde. Muitos jovens já morreram incógnitos neste país em condições muito mais cruéis, injustas e brutais, e nem eu, nem você e nem ninguém ouviu sequer um “a” da mídia.
Bom café...
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Diretrizes da Informação
O meio define a cultura de uma sociedade, ou a sociedade imprime a sua cultura de forma independente ao meio?
Há tempos penso em como abordar este assunto relativamente complexo, uma vez que escrevo para um importante veículo de Foz do Iguaçu, uma das principais cidades do segmento turístico do país. Minhas idéias referem-se a mídia de maneira ampla, generalizada, logo, não direciono a nenhum foco específico.
Tudo parte do pressuposto de que as pessoas são livres e consomem o tipo de informação que lhes é conveniente, e que vivemos num país democrático que adota a liberdade de expressão como o direito de todos. Essa justificativa sustenta todas as outras, como priorizar o lucro independente de qualquer outra coisa. Óbvio que não há como dizer que emissora “X”, revista “Y”, ignoram o conteúdo que fornecem, sem escrúpulos e preocupações com o que há de importante a ser dito, discutido e posto a conhecimento do grupo social.
Mas é perceptível que alguns veículos o fazem.
Hoje por exemplo, parei em uma banca de jornal e de cinco diários expostos, quatro falavam sobre assassinatos, mortes brutais, violência, “Caso Bruno”, “Caso Mércia”, enfim, incluindo fotografias e detalhes exagerados. Agora a pouco, antes de começar a escrever, abri os principais portais de notícias brasileiros, e todas as principais manchetes falam sobre os mesmos temas.
Qual é o limite entre a informação e a banalização dos fatos com intuitos distintos?
As prioridades que devem ser discutidas pela sociedade ficam em segundo plano, como por exemplo, o avanço nas pesquisas para a cura da AIDS. É um assunto de importância imensa que tenho certeza que poucos saberiam dizer sobre o que foi descoberto.
O nosso país à beira das eleições presidenciais, e o povo sequer sabe quem são os candidatos, seus vices, suas intenções. Depois de oito anos de governo petista, de uma figura que gostemos ou não, mudou a posição do Brasil no cenário mundial, mesmo que subsidiado pelas estatais, mesmo que omisso em alguns casos de corrupção, ele consegui o rótulo de ser “O cara” do momento. Essa sucessão é uma das mais importantes da história política do Brasil, e o que se sabe ou o que se espera por parte dos brasileiros?
Se não é de responsabilidade dos veículos de comunicação “educar” sua sociedade, e concordo em parte que não, eles são os mais capazes de contribuir culturalmente, já que suas pautas e grades são determinados pelos mesmos. Óbvio que em muitos casos, os contratos de publicidade que mantêm estes veículos os obrigam a tomar essa linha de jornalismo, porém deve-se procurar alternativa a isso, sem a necessidade de excluir de seu conteúdo.
Há interesse pelo bárbaro, até por instinto. Mas somos suficientemente adaptáveis e a inserção da cultura pode trazer qualidade e elevar o nível intelectual de qualquer grupo social.
Não falo de Foz, de Paraná. Falo de Rio, de São Paulo, de Porto Alegre, de Salvador, Curitiba, enfim, capitais que servem de modelo e todos os aspectos comportamentais. E este texto se refere ao que acontece em todo o País.
Bom café...
Há tempos penso em como abordar este assunto relativamente complexo, uma vez que escrevo para um importante veículo de Foz do Iguaçu, uma das principais cidades do segmento turístico do país. Minhas idéias referem-se a mídia de maneira ampla, generalizada, logo, não direciono a nenhum foco específico.
Tudo parte do pressuposto de que as pessoas são livres e consomem o tipo de informação que lhes é conveniente, e que vivemos num país democrático que adota a liberdade de expressão como o direito de todos. Essa justificativa sustenta todas as outras, como priorizar o lucro independente de qualquer outra coisa. Óbvio que não há como dizer que emissora “X”, revista “Y”, ignoram o conteúdo que fornecem, sem escrúpulos e preocupações com o que há de importante a ser dito, discutido e posto a conhecimento do grupo social.
Mas é perceptível que alguns veículos o fazem.
Hoje por exemplo, parei em uma banca de jornal e de cinco diários expostos, quatro falavam sobre assassinatos, mortes brutais, violência, “Caso Bruno”, “Caso Mércia”, enfim, incluindo fotografias e detalhes exagerados. Agora a pouco, antes de começar a escrever, abri os principais portais de notícias brasileiros, e todas as principais manchetes falam sobre os mesmos temas.
Qual é o limite entre a informação e a banalização dos fatos com intuitos distintos?
As prioridades que devem ser discutidas pela sociedade ficam em segundo plano, como por exemplo, o avanço nas pesquisas para a cura da AIDS. É um assunto de importância imensa que tenho certeza que poucos saberiam dizer sobre o que foi descoberto.
O nosso país à beira das eleições presidenciais, e o povo sequer sabe quem são os candidatos, seus vices, suas intenções. Depois de oito anos de governo petista, de uma figura que gostemos ou não, mudou a posição do Brasil no cenário mundial, mesmo que subsidiado pelas estatais, mesmo que omisso em alguns casos de corrupção, ele consegui o rótulo de ser “O cara” do momento. Essa sucessão é uma das mais importantes da história política do Brasil, e o que se sabe ou o que se espera por parte dos brasileiros?
Se não é de responsabilidade dos veículos de comunicação “educar” sua sociedade, e concordo em parte que não, eles são os mais capazes de contribuir culturalmente, já que suas pautas e grades são determinados pelos mesmos. Óbvio que em muitos casos, os contratos de publicidade que mantêm estes veículos os obrigam a tomar essa linha de jornalismo, porém deve-se procurar alternativa a isso, sem a necessidade de excluir de seu conteúdo.
Há interesse pelo bárbaro, até por instinto. Mas somos suficientemente adaptáveis e a inserção da cultura pode trazer qualidade e elevar o nível intelectual de qualquer grupo social.
Não falo de Foz, de Paraná. Falo de Rio, de São Paulo, de Porto Alegre, de Salvador, Curitiba, enfim, capitais que servem de modelo e todos os aspectos comportamentais. E este texto se refere ao que acontece em todo o País.
Bom café...
domingo, 18 de julho de 2010
Ouro Negro
Nunca estivemos com uma perspectiva tão boa no aspecto da economia, principalmente com as recentes descobertas da abundante quantidade de petróleo sob domínio nacional. Diria que em meio há tanta polêmica, tantos escândalos vindos à tona e tanta controvérsia e aparente omissão, Lula consolidou seus mandatos e sua forte popularidade mundial às custas do “ouro negro”.
Quem vai para uma negociação sem trunfos? Quem aposta muito numa rodada de pôquer sem as cartas certas? Há quem blefe, mas no caso do presidente do Brasil, muito do que foi construído e depositado em seu nome, deve-se ao grande poderio petrolífero do país, principalmente em tempos em que a oferta cresce no sentido inversamente proporcional ao do famoso mercado do Oriente Médio. Quem nunca ouviu falar de aproximação por interesse? Isso é comum nas relações mais primárias entre cidadãos de uma sociedade, o que diremos então na política. Estar bem com o governo brasileiro hoje é garantir negociações vantajosas num futuro aonde quem dará as cartas seremos nós.
Quem hoje consegue uma relação amistosa com o Iran, país declarado inimigo número um do resto do Mundo, adotar uma política de boa vizinhança com os loucos ditadores do Equador eda Venezuela, e ainda assim, ter uma relação estreita com os Estados Unidos? Tudo bem, o Brasil é país simpático, boa praça e tal, mas ninguém é criança nesse jogo político. Nós somos a bola da vez. Imaginem cães famintos presos por uma coleira a 30 centímetros de um pote de comida. Agora transponham a alusão.
Copa do Mundo, Olimpíadas, cadeira no G10, papel relevante na OPEP, crescimento do respeito internacional, nada disso se conquistou apenas por simpatia, carisma de uma figura simplória, popular e muito menos por estratégia governamental. É mais simples.
Já ouviram falar da expressão “You got the Green, we got the goods” ? É o que acontece. O Brasil tem o objeto de desejo, o tesouro, neste caso, o óleo. Eles têm o dinheiro, “the Green”, referência ao dólar.
Se muitos ambientalistas se preocupam com as conseqüências drásticas que a exploração de petróleo e derivados têm proporcionado ao planeta, e o fazem com toda a razão, o horizonte não parece animador. O número de sondas que vêm sendo construído em larga escala, a custo baixo, na China, por exemplo, é enorme. A perspectiva é de que haja até 2012 cerca de cem novas plataformas operando na costa “tupiniquim”, perfurando e deixando milhares de poços prontos para a coleta do líquido.
Quanto à escassez de recursos energéticos, neste caso específico, o petróleo parece algo com o qual não há preocupações. Ainda há muita coisa a ser explorada.
E em virtude dessa grande quantidade de oferta e demanda, o mercado ferve. Poucos sabem, principalmente fora dos estados que participam ativamente desse segmento, o quanto de capital que é disponibilizado e movimentado acerca da atividade.
Cursos técnicos são mais valiosos do que os de nível superior, e há vagas transbordando. As empresas agregadas à Petrobrás estão sedentas por mão de obra com a mínima capacitação. Uma vez dentro, o aprimoramento é remunerado, o plano de carreira é promissor e sólido. Fica a dica.
Bom café...
Quem vai para uma negociação sem trunfos? Quem aposta muito numa rodada de pôquer sem as cartas certas? Há quem blefe, mas no caso do presidente do Brasil, muito do que foi construído e depositado em seu nome, deve-se ao grande poderio petrolífero do país, principalmente em tempos em que a oferta cresce no sentido inversamente proporcional ao do famoso mercado do Oriente Médio. Quem nunca ouviu falar de aproximação por interesse? Isso é comum nas relações mais primárias entre cidadãos de uma sociedade, o que diremos então na política. Estar bem com o governo brasileiro hoje é garantir negociações vantajosas num futuro aonde quem dará as cartas seremos nós.
Quem hoje consegue uma relação amistosa com o Iran, país declarado inimigo número um do resto do Mundo, adotar uma política de boa vizinhança com os loucos ditadores do Equador eda Venezuela, e ainda assim, ter uma relação estreita com os Estados Unidos? Tudo bem, o Brasil é país simpático, boa praça e tal, mas ninguém é criança nesse jogo político. Nós somos a bola da vez. Imaginem cães famintos presos por uma coleira a 30 centímetros de um pote de comida. Agora transponham a alusão.
Copa do Mundo, Olimpíadas, cadeira no G10, papel relevante na OPEP, crescimento do respeito internacional, nada disso se conquistou apenas por simpatia, carisma de uma figura simplória, popular e muito menos por estratégia governamental. É mais simples.
Já ouviram falar da expressão “You got the Green, we got the goods” ? É o que acontece. O Brasil tem o objeto de desejo, o tesouro, neste caso, o óleo. Eles têm o dinheiro, “the Green”, referência ao dólar.
Se muitos ambientalistas se preocupam com as conseqüências drásticas que a exploração de petróleo e derivados têm proporcionado ao planeta, e o fazem com toda a razão, o horizonte não parece animador. O número de sondas que vêm sendo construído em larga escala, a custo baixo, na China, por exemplo, é enorme. A perspectiva é de que haja até 2012 cerca de cem novas plataformas operando na costa “tupiniquim”, perfurando e deixando milhares de poços prontos para a coleta do líquido.
Quanto à escassez de recursos energéticos, neste caso específico, o petróleo parece algo com o qual não há preocupações. Ainda há muita coisa a ser explorada.
E em virtude dessa grande quantidade de oferta e demanda, o mercado ferve. Poucos sabem, principalmente fora dos estados que participam ativamente desse segmento, o quanto de capital que é disponibilizado e movimentado acerca da atividade.
Cursos técnicos são mais valiosos do que os de nível superior, e há vagas transbordando. As empresas agregadas à Petrobrás estão sedentas por mão de obra com a mínima capacitação. Uma vez dentro, o aprimoramento é remunerado, o plano de carreira é promissor e sólido. Fica a dica.
Bom café...
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Passando mais Café fresquinho
Foram algumas semanas parado. O café tinha acabado, como decretei aqui neste espaço. Engano meu.
Trataram de sair para comprar mais, e já voltaram a "passá-lo" semanalmente.
Como disse no precoce "epitáfio",nunca deixarei de escrever,logo, abaixo segue a continuação do blog e da coluna semanal no Jornal do Iguaçu, com o texto A Bela e a Fera.
Bom Café fresquinho...
Trataram de sair para comprar mais, e já voltaram a "passá-lo" semanalmente.
Como disse no precoce "epitáfio",nunca deixarei de escrever,logo, abaixo segue a continuação do blog e da coluna semanal no Jornal do Iguaçu, com o texto A Bela e a Fera.
Bom Café fresquinho...
A Bela e a Fera
Tentei buscar algo diferente para escrever nesse meu retorno desse breve recesso, mas fica difícil fugir deste acontecimento infeliz e bárbaro envolvendo um famoso jogador de futebol e a jovem com a qual o mesmo se envolveu.
Delicado tocar neste assunto, afinal, trata-se de uma investigação que não se dá por concluída, além do que sou ignorante aos procedimentos legais atados à seqüência do episódio.
Desde já registro meu respeito pela família da vítima,que por sinal é de Foz do Iguaçu, deixando claro que minhas próximas palavras não referem-se diretamente aos envolvidos em questão, e sim a um questionamento generalizado em torno de escolhas que determinados jovens tomam e a influência direta exercida por status social e ascensão efêmera.
É sabido que grande parte dos atletas, especialmente jogadores de futebol provêm de origem humilde, de comunidades aonde os caminhos futuros postos à disposição são mínimos e até únicos. A educação infantil é deficitária, o que reflete diretamente na formação do caráter do indivíduo. A marginalização, no sentido literário e não pejorativo, já cresce com ele.
O esporte, neste caso o futebol, surge como um trampolim de salvação a milhares de crianças. É tentador a eles ver como um jogador de sucesso é famoso e respeitado, bem remunerado e cercado de mulheres bonitas. E muitos tentam esse caminho. É claro que uma porcentagem mínima atinge o patamar que no início desejou. Aos que chegam, falta base e orientação para suportar uma vida completamente diferente da qual estava acostumado.
A oportunidade de ter muito, ou até tudo, usando o termo mais comum, “sobe à cabeça” e os mesmos distorcem a realidade achando ter poder de fazer tudo o que quiser, sem nenhum senso.
Se apoiar na figura de ídolo de esporte achando que deixou de ser um cidadão comum que deve respeitar as leis, como qualquer estudante, médico, advogado, professor, etc.
Ele é só um homem passível dos mais absurdos erros.
De outro lado, fica outra intrigante pergunta. O que leva uma jovem bonita, que independente do que faça ou tenha feito profissionalmente, a se envolver com pessoas que demonstram claramente não ser dignas de serem levadas a sério?
Sem hipocrisia, mulheres jovens e bonitas com o mínimo de educação e informação têm inúmeras oportunidades de serem bem sucedidas profissionalmente. A quantidade de portas que se abre é muito maior.
Não digo tenha sido isto que tenha acontecido neste caso específico, mas será que vale a pena um envolvimento com alguém em troca de rápido enriquecimento, fama ou status-social? Alguém que não se sabe aonde é capaz de ir, que não tem senso de realidade para limitar suas ações dentro de um padrão de comportamento aceitável.
O resultado pode ser catastrófico. Duas vidas se acabaram. Uma por inocência e menosprezo aos mais bizarros instintos, outra por total falta de equilíbrio e caráter, provenientes da ausência de orientação e educação.
Espero que os culpados sejam penalizados, e que a família se recupere da melhor forma.
Bom Café...
Delicado tocar neste assunto, afinal, trata-se de uma investigação que não se dá por concluída, além do que sou ignorante aos procedimentos legais atados à seqüência do episódio.
Desde já registro meu respeito pela família da vítima,que por sinal é de Foz do Iguaçu, deixando claro que minhas próximas palavras não referem-se diretamente aos envolvidos em questão, e sim a um questionamento generalizado em torno de escolhas que determinados jovens tomam e a influência direta exercida por status social e ascensão efêmera.
É sabido que grande parte dos atletas, especialmente jogadores de futebol provêm de origem humilde, de comunidades aonde os caminhos futuros postos à disposição são mínimos e até únicos. A educação infantil é deficitária, o que reflete diretamente na formação do caráter do indivíduo. A marginalização, no sentido literário e não pejorativo, já cresce com ele.
O esporte, neste caso o futebol, surge como um trampolim de salvação a milhares de crianças. É tentador a eles ver como um jogador de sucesso é famoso e respeitado, bem remunerado e cercado de mulheres bonitas. E muitos tentam esse caminho. É claro que uma porcentagem mínima atinge o patamar que no início desejou. Aos que chegam, falta base e orientação para suportar uma vida completamente diferente da qual estava acostumado.
A oportunidade de ter muito, ou até tudo, usando o termo mais comum, “sobe à cabeça” e os mesmos distorcem a realidade achando ter poder de fazer tudo o que quiser, sem nenhum senso.
Se apoiar na figura de ídolo de esporte achando que deixou de ser um cidadão comum que deve respeitar as leis, como qualquer estudante, médico, advogado, professor, etc.
Ele é só um homem passível dos mais absurdos erros.
De outro lado, fica outra intrigante pergunta. O que leva uma jovem bonita, que independente do que faça ou tenha feito profissionalmente, a se envolver com pessoas que demonstram claramente não ser dignas de serem levadas a sério?
Sem hipocrisia, mulheres jovens e bonitas com o mínimo de educação e informação têm inúmeras oportunidades de serem bem sucedidas profissionalmente. A quantidade de portas que se abre é muito maior.
Não digo tenha sido isto que tenha acontecido neste caso específico, mas será que vale a pena um envolvimento com alguém em troca de rápido enriquecimento, fama ou status-social? Alguém que não se sabe aonde é capaz de ir, que não tem senso de realidade para limitar suas ações dentro de um padrão de comportamento aceitável.
O resultado pode ser catastrófico. Duas vidas se acabaram. Uma por inocência e menosprezo aos mais bizarros instintos, outra por total falta de equilíbrio e caráter, provenientes da ausência de orientação e educação.
Espero que os culpados sejam penalizados, e que a família se recupere da melhor forma.
Bom Café...
terça-feira, 22 de junho de 2010
O "Café" acabou.
Aos que esporadicamente me acompanham através deste blog, provavelmente ficou perceptível a falta de atualização.
Depois de mais de ano e cerca de setenta publicações colaborando com a Gazeta do Iguaçu, em Foz, Paraná, deixo de fazer parte do periódico pela atual distância dos assuntos de interesse dos que participam e lêem aliada a minha própria indisponibilidade de tempo devido a minha atual atividade profissional.
O paixão pela escrita é natural e não se perderá. Essa experiêcia me fez crescer muito. Apesar de se tratar de uma cidade do interior do Paraná, Foz tem características de cidade cosmopolita, pela sua miscigenada população. A Gazetinha como é carinhosamente conhecida, é o veículo de maior credibilidade comunicativa na região. Cerca de 50 mil exemplares são lidos todos os dias, e todas as Quintas lá estavam meus textos na coluna então conhecida pelo nome "Café Expresso". Textos estes que ficarão aqui guardados, aos que quiserem recordar.
O Blog que costumava ser atualizado semanalmente, ficará ativo, porém com textos aleatoriamente postados de acordo com a minha disponibilidade de tempo e também com minha inspiração para a escrita.
Agradeço à direção do jornal e as pessoas que me confiaram o espaço semanal, e aos redatores com os quais tinha contato.
Aos que sempre acessam o blog, a maioria amigos, familiares e conhecidos, um grande agradecimento. Recebi alguns belos elogios nos comentários em alguns textos.
É pessoal, o café acabou ...
Depois de mais de ano e cerca de setenta publicações colaborando com a Gazeta do Iguaçu, em Foz, Paraná, deixo de fazer parte do periódico pela atual distância dos assuntos de interesse dos que participam e lêem aliada a minha própria indisponibilidade de tempo devido a minha atual atividade profissional.
O paixão pela escrita é natural e não se perderá. Essa experiêcia me fez crescer muito. Apesar de se tratar de uma cidade do interior do Paraná, Foz tem características de cidade cosmopolita, pela sua miscigenada população. A Gazetinha como é carinhosamente conhecida, é o veículo de maior credibilidade comunicativa na região. Cerca de 50 mil exemplares são lidos todos os dias, e todas as Quintas lá estavam meus textos na coluna então conhecida pelo nome "Café Expresso". Textos estes que ficarão aqui guardados, aos que quiserem recordar.
O Blog que costumava ser atualizado semanalmente, ficará ativo, porém com textos aleatoriamente postados de acordo com a minha disponibilidade de tempo e também com minha inspiração para a escrita.
Agradeço à direção do jornal e as pessoas que me confiaram o espaço semanal, e aos redatores com os quais tinha contato.
Aos que sempre acessam o blog, a maioria amigos, familiares e conhecidos, um grande agradecimento. Recebi alguns belos elogios nos comentários em alguns textos.
É pessoal, o café acabou ...
quinta-feira, 10 de junho de 2010
O patriota
Nada como uma Copa do Mundo para evidenciar o que com muita discrição seguramos por quatro anos dentro de nós. O notório patriotismo. O brasileiro ama sua bandeira, sabe seu hino de cor, e morre pelo país. Tá, já deu pra ver que to forçando a barra, claro.
Você sabe que sua rua não está toda enfeitada por causa do sentimento nacionalista, pelo amor a pátria. Ela é fruto da alegria do povo em sair mais cedo do trabalho, ou mesmo enforcar a lida diária. Diria que a maioria do povo adora futebol e isso é verídico, mas existe outra grande parte que simplesmente não dá a mínima. O time, por exemplo, é o menos empolgante dos últimos tempos.
As cores, verde e amarelo por toda parte são mais uma alusão ao clima festeiro do que torcida em si.
O evento é realmente de magnitude imensa, principalmente este especificamente, por ser realizado num país que ha algumas décadas vivia a violência alimentada pela segregação racial. Tá certo que a cessão da realização por parte da FIFA à África do Sul tem muito cunho político. Mas é um avanço a ser considerado.
Política que mesmo disfarçada, nunca para por traz do pano em nosso Brasil. Aliás, a Copa do Mundo serve muito de cortina para o segundo semestre do ano, aonde viveremos aí sim, um momento de real importância nacional. Eleições presidenciais. Esta muito mais tensa pela possível mudança de toda uma ideologia, e do fim de um longo mandato, aonde tivemos o mais popular representante da história. Não digo o melhor ou o pior, e sim o mais popular.
E é nesse evento, aonde deveríamos sim ir às ruas para fazermos valer a tal democracia cantada, nos recuamos em omissão. O joguinho está sendo transmitido? Sua cervejinha está gelada na geladeira? Então está tudo bem né “Guerreiro”?
Concordo que assim como o time de futebol que nos representa este ano, as opções para a liderança da nossa República, desanimam. Mas enquanto cada um pensa dessa forma, seremos sempre 180 milhões de ilhotas que se unem de quatro em quatro anos para festejar um ex-esporte que virou circo. Só que desta vez os palhaços estão na platéia.
Não é porque escrevo que me excluo. Eu adoro futebol, desde que me entendo por gente e certamente assistirei a maior quantidade de jogos que conseguir. Beberei minha cerveja e zoarei um pouco. O problema é se alienar e imaginar que um bom jogo cure os problemas existentes no nosso dia-a-dia no plano tupiniquim. Tem muita coisa errada aqui.
E o país vai vivendo este falso clima de festa, em um mês de dormência as coisas que realmente importam.
Muitas camisas serão vendidas a duzentos reais pela multinacional americana, e outras muitas outras vendidas a dez, pela industria nacional da pirataria. O território fica alegre e colorido. As pessoas felizes. Cantos exaltarão a pátria, o hino será ouvido e aquele locutor chato da TV de bobo vai extrair de você um patriotismo ilusório. Não engane a si. Nem force gostar mais do seu pais. Ele precisa de muito mais que gols para nos fazer orgulhar. Principalmente por parte dos próprios nativos, ou seja, nós mesmos.
À partir do final deste final de semana, somos brasileiros, com muito orgulho, com muito amor. São as férias quadrienais da vida real.
Mas não esqueçamos, o final de ano cinza está por vir. E este sim pode mudar alguma coisa em sua vida.
Vida normal, só ao final de Julho.
Bom Café...
Você sabe que sua rua não está toda enfeitada por causa do sentimento nacionalista, pelo amor a pátria. Ela é fruto da alegria do povo em sair mais cedo do trabalho, ou mesmo enforcar a lida diária. Diria que a maioria do povo adora futebol e isso é verídico, mas existe outra grande parte que simplesmente não dá a mínima. O time, por exemplo, é o menos empolgante dos últimos tempos.
As cores, verde e amarelo por toda parte são mais uma alusão ao clima festeiro do que torcida em si.
O evento é realmente de magnitude imensa, principalmente este especificamente, por ser realizado num país que ha algumas décadas vivia a violência alimentada pela segregação racial. Tá certo que a cessão da realização por parte da FIFA à África do Sul tem muito cunho político. Mas é um avanço a ser considerado.
Política que mesmo disfarçada, nunca para por traz do pano em nosso Brasil. Aliás, a Copa do Mundo serve muito de cortina para o segundo semestre do ano, aonde viveremos aí sim, um momento de real importância nacional. Eleições presidenciais. Esta muito mais tensa pela possível mudança de toda uma ideologia, e do fim de um longo mandato, aonde tivemos o mais popular representante da história. Não digo o melhor ou o pior, e sim o mais popular.
E é nesse evento, aonde deveríamos sim ir às ruas para fazermos valer a tal democracia cantada, nos recuamos em omissão. O joguinho está sendo transmitido? Sua cervejinha está gelada na geladeira? Então está tudo bem né “Guerreiro”?
Concordo que assim como o time de futebol que nos representa este ano, as opções para a liderança da nossa República, desanimam. Mas enquanto cada um pensa dessa forma, seremos sempre 180 milhões de ilhotas que se unem de quatro em quatro anos para festejar um ex-esporte que virou circo. Só que desta vez os palhaços estão na platéia.
Não é porque escrevo que me excluo. Eu adoro futebol, desde que me entendo por gente e certamente assistirei a maior quantidade de jogos que conseguir. Beberei minha cerveja e zoarei um pouco. O problema é se alienar e imaginar que um bom jogo cure os problemas existentes no nosso dia-a-dia no plano tupiniquim. Tem muita coisa errada aqui.
E o país vai vivendo este falso clima de festa, em um mês de dormência as coisas que realmente importam.
Muitas camisas serão vendidas a duzentos reais pela multinacional americana, e outras muitas outras vendidas a dez, pela industria nacional da pirataria. O território fica alegre e colorido. As pessoas felizes. Cantos exaltarão a pátria, o hino será ouvido e aquele locutor chato da TV de bobo vai extrair de você um patriotismo ilusório. Não engane a si. Nem force gostar mais do seu pais. Ele precisa de muito mais que gols para nos fazer orgulhar. Principalmente por parte dos próprios nativos, ou seja, nós mesmos.
À partir do final deste final de semana, somos brasileiros, com muito orgulho, com muito amor. São as férias quadrienais da vida real.
Mas não esqueçamos, o final de ano cinza está por vir. E este sim pode mudar alguma coisa em sua vida.
Vida normal, só ao final de Julho.
Bom Café...
quinta-feira, 27 de maio de 2010
"Você está demitido!"
Quando se fala de trabalho, sucesso profissional, metas, administração, comportamento, hierarquia, postura, ética e tudo o que envolve a pirâmide do equilíbrio de uma corporação, há todo um protocolo de exemplos aos quais nos baseamos. São livros de autores renomados, bem sucedidos, são estatísticas e números que nos dão a sensação de que aquilo é o modelo perfeito para a saga de um negócio em busca do lucro e da satisfação.
Não estudo administração, estou longe de ser entendido neste assunto. Aliás, quando tive aula de TGA na minha faculdade, só passei de ano porque conversei muito com meu então professor, afinal, faltei cerca de 70% da carga horária que me era estipulada. Isso porque minha única folga semanal era justamente no dia seguinte à aula em questão. Era a minha única noite para tomar minha cervejinha. Após esse papo com o “mestre”, consegui mostrá-lo que apesar das ausências, eu havia adquirido o conhecimento básico que nos era requerido no curso, principalmente pela experiência absorvida na empresa em que trabalhava na época, cuja qual exercia à risca o modelo atual de administração da “moda”.
Apesar disso, sempre questionei tal modelo. Eu estava enquadrado no sistema e obviamente a necessidade me mantinha na “linha”, mesmo não entendendo o por que de determinadas decisões, julgando-as arcaicas.
Hoje lembrei disso, e resolvi por em discussão.
Você provavelmente nunca verá um livro de uma pessoa que acumulou insucessos em suas empreitadas profissionais. Mas aí vai meu desafio. Será que não seria muito proveitoso ouvir a base da pirâmide hierárquica? Invertê-la talvez?
Se os lucros e a satisfação estão diretamente relacionados, porque não incluir, por exemplo, nas reuniões do corporativo, o colaborador que têm o mais constante contato com o cliente? Existem posições em determinadas empresas que são completamente obsoletas. A distribuição exagerada de funções faz com que se percam as informações.
Algumas supervisões tornam o que seria mecanismo de comunicação entre a alta gestão e o cliente, em vigilância inútil. Preocupa-se com o que o colaborador faz de errado, e não com o que ele pode trazer de vantajoso. Menospreza-se sua visão. Um grande equívoco. Trazê-lo para as decisões importantes da empresa não só o motivam como podem trazer resultados rápidos.
Alguns profissionais que hoje ocupam cargos “chave” nas grandes companhias começaram do posto incial, na função “menos importante”. Porém há muitos casos em que nessa evolução, se perde a essência de todo o processo. Parece que há uma “lavagem” para que a pessoa se comporte como se nunca tivesse vivido aquela experiência no passado. Experiência que na verdade, foi fundamental para que chegasse ali, e que continuará sendo para que permaneça obtendo seus resultados.
Sabe-se que muitos fatores escusos são cruciais em um momento de contratação de um quadro funcional, e esperar que haja uma avaliação justa e profissional em todos os lugares, é ingenuidade. Mas não se deve menosprezar profissionais em início de carreira, ou com alguns insucessos em seu currículo. Esta pessoa pode ser a chave para seu negócio desde que seja respeitada e ouvida como tal.
Os modelos de administração pré-fabricados vendidos por aí podem estar sucateados em sua estrutura.
Flexibilidade e interação são uma boa alternativa aos novos empreendedores.
Bom Café.
Não estudo administração, estou longe de ser entendido neste assunto. Aliás, quando tive aula de TGA na minha faculdade, só passei de ano porque conversei muito com meu então professor, afinal, faltei cerca de 70% da carga horária que me era estipulada. Isso porque minha única folga semanal era justamente no dia seguinte à aula em questão. Era a minha única noite para tomar minha cervejinha. Após esse papo com o “mestre”, consegui mostrá-lo que apesar das ausências, eu havia adquirido o conhecimento básico que nos era requerido no curso, principalmente pela experiência absorvida na empresa em que trabalhava na época, cuja qual exercia à risca o modelo atual de administração da “moda”.
Apesar disso, sempre questionei tal modelo. Eu estava enquadrado no sistema e obviamente a necessidade me mantinha na “linha”, mesmo não entendendo o por que de determinadas decisões, julgando-as arcaicas.
Hoje lembrei disso, e resolvi por em discussão.
Você provavelmente nunca verá um livro de uma pessoa que acumulou insucessos em suas empreitadas profissionais. Mas aí vai meu desafio. Será que não seria muito proveitoso ouvir a base da pirâmide hierárquica? Invertê-la talvez?
Se os lucros e a satisfação estão diretamente relacionados, porque não incluir, por exemplo, nas reuniões do corporativo, o colaborador que têm o mais constante contato com o cliente? Existem posições em determinadas empresas que são completamente obsoletas. A distribuição exagerada de funções faz com que se percam as informações.
Algumas supervisões tornam o que seria mecanismo de comunicação entre a alta gestão e o cliente, em vigilância inútil. Preocupa-se com o que o colaborador faz de errado, e não com o que ele pode trazer de vantajoso. Menospreza-se sua visão. Um grande equívoco. Trazê-lo para as decisões importantes da empresa não só o motivam como podem trazer resultados rápidos.
Alguns profissionais que hoje ocupam cargos “chave” nas grandes companhias começaram do posto incial, na função “menos importante”. Porém há muitos casos em que nessa evolução, se perde a essência de todo o processo. Parece que há uma “lavagem” para que a pessoa se comporte como se nunca tivesse vivido aquela experiência no passado. Experiência que na verdade, foi fundamental para que chegasse ali, e que continuará sendo para que permaneça obtendo seus resultados.
Sabe-se que muitos fatores escusos são cruciais em um momento de contratação de um quadro funcional, e esperar que haja uma avaliação justa e profissional em todos os lugares, é ingenuidade. Mas não se deve menosprezar profissionais em início de carreira, ou com alguns insucessos em seu currículo. Esta pessoa pode ser a chave para seu negócio desde que seja respeitada e ouvida como tal.
Os modelos de administração pré-fabricados vendidos por aí podem estar sucateados em sua estrutura.
Flexibilidade e interação são uma boa alternativa aos novos empreendedores.
Bom Café.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
O Menino Grande
Crianças são fontes de energia, quem convive com elas não tem o direito de começar o dia desmotivado, desgostoso da vida. Bata um papo com seu filho, seu sobrinho, mesmo que ele ainda só emita sons sem sentido. Olhe para ele. Sairá de casa energizado.
Meu texto de hoje conta a história de um menino. Ele ainda não sabe ler, ainda. Mas um dia saberá.
Como dentro de um poço em busca de uma forma de subir, a criança curiosa vai atrás de suas mais variadas dúvidas sobre o Mundo lá fora. Fora como a luz que entra pela superfície do poço, fora como a luz que mostra o Mundo através da tela da televisão, fora como os olhos dos pais aos seus anseios.
Nessa pesquisa sobre a vida, encontra o menino paredes cada vez mais estreitas. E suas respostas são criadas pela própria idéia do que as pessoas se negam ou não dispõem a ele. “Por que o planeta precisa ser preservado?” Porque “Papai do Céu” inventou o ladrão e “Se todas as pessoas não dormirem à noite, nunca ficará dia novamente.” Entender relação entre dinheiro e trabalho, mas não entender a relação entre mãe e pai. Viver num turbulento ambiente que o faz desejar sua própria casa, sonho que muitos têm depois de adultos, ele já ostenta aos cinco. Uma quantidade de energia concentrada em uma criança ainda presa a seu próprio destino. Destino que ele em breve descobrirá que terá que traçar sozinho. E por incrível que pareça, e por mais que ele mesmo ainda não entenda, ele será capaz. Melhor do que todos nós.
A inteligência e a sagacidade peculiares no menino da língua presa na pronuncia do “s”, misturada como tinta em papel na recreação infantil com sua surpreendente educação e gentileza, faz do moleque uma atração.
De Minas, do Rio, de São Paulo ou de Foz. Ele é de todos os lugares. Tem até os sotaques misturados.
A vontade de se reunir, de estar com todos, de interagir com o grupo é qualidade rara num tempo cada vez mais individualista. Talvez reflexo da solidão interna que carrega. Algo que nem seus pais, nem seus tios e nem seus avós tiveram o desprazer de sentir. Algo que só o traquinas conhece, que o torna forte diante de todos.
Quanto menos amor recebe, mais distribui. Dança, e mesmo sendo menino, como dança.
A vontade de ser o “Homem Aranha” quando crescer, talvez revele de forma sutil uma vontade ainda involuntária de pular pra fora, para longe, de se ver livre dessas paredes internas.
A ausência paterna constante não o incomoda, pois ele tem mais pais do que uma criança comum. A ausência repentina e freqüente da mãe também não o incomoda tanto. Ele tem uma mãe ao quadrado.
O futuro que parece ainda inalcançável aos nossos olhos e a nossas perspectivas, não aparenta ser problema para esse menino de todos os lugares. Ele tem pernas fortes e mente aguçada.
Quando você se preocupa em educá-lo, ele te dá uma lição de como se deve ser adulto.
Ao voltar para casa, esse mesmo menino que transmite toda a energia da qual mencionei no início do texto para agüentarmos os dias, tira toda a restante. Mas essa é a parte boa.
Aproveitemos os meninos. Falta-nos a inocência infantil que cada vez se vai mais cedo, em virtude dessa pressa do Mundo.
Bom Café...
Meu texto de hoje conta a história de um menino. Ele ainda não sabe ler, ainda. Mas um dia saberá.
Como dentro de um poço em busca de uma forma de subir, a criança curiosa vai atrás de suas mais variadas dúvidas sobre o Mundo lá fora. Fora como a luz que entra pela superfície do poço, fora como a luz que mostra o Mundo através da tela da televisão, fora como os olhos dos pais aos seus anseios.
Nessa pesquisa sobre a vida, encontra o menino paredes cada vez mais estreitas. E suas respostas são criadas pela própria idéia do que as pessoas se negam ou não dispõem a ele. “Por que o planeta precisa ser preservado?” Porque “Papai do Céu” inventou o ladrão e “Se todas as pessoas não dormirem à noite, nunca ficará dia novamente.” Entender relação entre dinheiro e trabalho, mas não entender a relação entre mãe e pai. Viver num turbulento ambiente que o faz desejar sua própria casa, sonho que muitos têm depois de adultos, ele já ostenta aos cinco. Uma quantidade de energia concentrada em uma criança ainda presa a seu próprio destino. Destino que ele em breve descobrirá que terá que traçar sozinho. E por incrível que pareça, e por mais que ele mesmo ainda não entenda, ele será capaz. Melhor do que todos nós.
A inteligência e a sagacidade peculiares no menino da língua presa na pronuncia do “s”, misturada como tinta em papel na recreação infantil com sua surpreendente educação e gentileza, faz do moleque uma atração.
De Minas, do Rio, de São Paulo ou de Foz. Ele é de todos os lugares. Tem até os sotaques misturados.
A vontade de se reunir, de estar com todos, de interagir com o grupo é qualidade rara num tempo cada vez mais individualista. Talvez reflexo da solidão interna que carrega. Algo que nem seus pais, nem seus tios e nem seus avós tiveram o desprazer de sentir. Algo que só o traquinas conhece, que o torna forte diante de todos.
Quanto menos amor recebe, mais distribui. Dança, e mesmo sendo menino, como dança.
A vontade de ser o “Homem Aranha” quando crescer, talvez revele de forma sutil uma vontade ainda involuntária de pular pra fora, para longe, de se ver livre dessas paredes internas.
A ausência paterna constante não o incomoda, pois ele tem mais pais do que uma criança comum. A ausência repentina e freqüente da mãe também não o incomoda tanto. Ele tem uma mãe ao quadrado.
O futuro que parece ainda inalcançável aos nossos olhos e a nossas perspectivas, não aparenta ser problema para esse menino de todos os lugares. Ele tem pernas fortes e mente aguçada.
Quando você se preocupa em educá-lo, ele te dá uma lição de como se deve ser adulto.
Ao voltar para casa, esse mesmo menino que transmite toda a energia da qual mencionei no início do texto para agüentarmos os dias, tira toda a restante. Mas essa é a parte boa.
Aproveitemos os meninos. Falta-nos a inocência infantil que cada vez se vai mais cedo, em virtude dessa pressa do Mundo.
Bom Café...
quinta-feira, 13 de maio de 2010
23 que representam quem?
Um Dunga e cento e noventa milhões de “zangados”. Ouvi isso hoje e achei hilário. E de fato descreve exatamente o sentimento generalizado que tomou conta do país após o “recrutamento” final rumo à África para em pouco mais de um mês, estejamos todos à frente das televisões, seja em casa, seja no churrasco na casa de amigos ou mesmo burlando o serviço, dando aquela fugida do setor, para dar uma espiada.
Para ter-se uma idéia do quão importante é a convocação final da Seleção Brasileira, minha mãe, que não entende nada de futebol chegou do trabalho exclamando: “Ele não levou o Ganso né?”
Eu nem imaginava que minha mãe sabia quem era o Ganso. O apelo nacional é sempre imenso nas proximidades desta data, e o momento é deles, mas enfim, o selecionado é da marionete Dunga sob a influencia das atrapalhadas mãos da CBF.
É isso,vou começar o ataque ao critério utilizado por ele, sua comissão ou seja lá de quem for a responsabilidade pela lista final.
Quem gosta, acompanha e entende o mínimo de futebol, não assina embaixo a escolha feita. E quem não entende também não, isso que é curioso.
Usando como argumento uma “coerência totalmente incoerente”, o rapaz testou nada mais nada menos que 89 jogadores em um período de três anos e meio. Dentre eles, um volante chamado Fernando, que na época jogava no Bourdeaux da França, que nunca ninguém viu jogar em lugar algum, e o caso mais clássico, Afonso Alves, um gigante horroroso que quando via a bola se assustava. E o resto vocês já conhecem, todas as “babas” que tiveram a honra (ou sorte) de vestir uma camisa tão importante como a “canarinho” sob a tutela desse cidadão quadrado.
Todos nós sabemos o quanto o povo brasileiro espera pela Copa, a ansiedade, a festa que é feita durante o torneio, o quanto se fatura em todos os segmentos econômicos, e a razão disso é que o evento é quadrienal, ou seja, um longo tempo.
Para nós, o legal é o jogo em si, torcer para o time de futebol mesmo, despertar o orgulho de sermos os melhores do Mundo em alguma coisa. Mas esse não é o sentimento desta vez. Sabemos o quanto somos bons, o quanto nossos jogadores são diferentes e despertam o interesse de todos ao redor do planeta. Mas estes não estarão lá.
A seleção hoje não é formada pelos melhores no esporte. O corporativismo empresarial o qual você convive no dia-a-dia na sua empresa, incluindo puxa-saquismo, favorecimento e injustiça, se faz bandeira deste time escolhido a dedo, de acordo com subserviência e acato. Dunga é o boneco perfeito para o posto. Ricardo Teixeira, um dirigente perpetuado por sua própria assinatura, a mais de 15 anos no cargo, convocou Ronaldinho Gaucho gordo e lesionado nas Olimpíadas e hoje tira o mesmo, assim como veta Ganso e Neymar. O pseudo-treinador obedece às ordens e fica incumbido de explicar a opinião pública num português paupérrimo, suas supostas opções.
Por isso, não acho justo que esses homens que dirigem nosso futebol hoje, sejam lembrados historicamente por uma conquista de um torneio tão importante como a Copa do Mundo. O moço com apelido de um dos sete anões já ganhou um às custas do Romário em 94. Já considero muito para um sujeito que aparenta arrogância e mau humor, beirando a falta de educação às vezes. Ele não merece ser campeão do Mundo. E nós não merecemos essa “Seleção”. Certamente não é a nossa Seleção de verdade.
Bom Café...
Para ter-se uma idéia do quão importante é a convocação final da Seleção Brasileira, minha mãe, que não entende nada de futebol chegou do trabalho exclamando: “Ele não levou o Ganso né?”
Eu nem imaginava que minha mãe sabia quem era o Ganso. O apelo nacional é sempre imenso nas proximidades desta data, e o momento é deles, mas enfim, o selecionado é da marionete Dunga sob a influencia das atrapalhadas mãos da CBF.
É isso,vou começar o ataque ao critério utilizado por ele, sua comissão ou seja lá de quem for a responsabilidade pela lista final.
Quem gosta, acompanha e entende o mínimo de futebol, não assina embaixo a escolha feita. E quem não entende também não, isso que é curioso.
Usando como argumento uma “coerência totalmente incoerente”, o rapaz testou nada mais nada menos que 89 jogadores em um período de três anos e meio. Dentre eles, um volante chamado Fernando, que na época jogava no Bourdeaux da França, que nunca ninguém viu jogar em lugar algum, e o caso mais clássico, Afonso Alves, um gigante horroroso que quando via a bola se assustava. E o resto vocês já conhecem, todas as “babas” que tiveram a honra (ou sorte) de vestir uma camisa tão importante como a “canarinho” sob a tutela desse cidadão quadrado.
Todos nós sabemos o quanto o povo brasileiro espera pela Copa, a ansiedade, a festa que é feita durante o torneio, o quanto se fatura em todos os segmentos econômicos, e a razão disso é que o evento é quadrienal, ou seja, um longo tempo.
Para nós, o legal é o jogo em si, torcer para o time de futebol mesmo, despertar o orgulho de sermos os melhores do Mundo em alguma coisa. Mas esse não é o sentimento desta vez. Sabemos o quanto somos bons, o quanto nossos jogadores são diferentes e despertam o interesse de todos ao redor do planeta. Mas estes não estarão lá.
A seleção hoje não é formada pelos melhores no esporte. O corporativismo empresarial o qual você convive no dia-a-dia na sua empresa, incluindo puxa-saquismo, favorecimento e injustiça, se faz bandeira deste time escolhido a dedo, de acordo com subserviência e acato. Dunga é o boneco perfeito para o posto. Ricardo Teixeira, um dirigente perpetuado por sua própria assinatura, a mais de 15 anos no cargo, convocou Ronaldinho Gaucho gordo e lesionado nas Olimpíadas e hoje tira o mesmo, assim como veta Ganso e Neymar. O pseudo-treinador obedece às ordens e fica incumbido de explicar a opinião pública num português paupérrimo, suas supostas opções.
Por isso, não acho justo que esses homens que dirigem nosso futebol hoje, sejam lembrados historicamente por uma conquista de um torneio tão importante como a Copa do Mundo. O moço com apelido de um dos sete anões já ganhou um às custas do Romário em 94. Já considero muito para um sujeito que aparenta arrogância e mau humor, beirando a falta de educação às vezes. Ele não merece ser campeão do Mundo. E nós não merecemos essa “Seleção”. Certamente não é a nossa Seleção de verdade.
Bom Café...
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Música ou ruído hipnótico?
Com pouco tempo, em meio a um falatório de cerca de 50 pessoas à minha volta e com “N” coisas na cabeça, começo minha resenha semanal.
Mesmo com tanta coisa acontecendo por aí, às vezes o trabalho te consome tanto que o contexto da sua vida limita-se à isso. Você fica meio aéreo e quando alguém te pergunta sobre tal coisa que está estampado em todas as capas de jornal, não teve tempo de ler. Mesmo assim, há certas coisas da qual não consegue fugir. Por exemplo, o engarrafamento no horário do “rush”. Ou a poluição visual dos outdoors, letreiros dos milhares estabelecimentos no seu trajeto diário casa/escritório. E finalmente os ruídos. Desses, você não consegue fugir nem na hora de dormir. Se há um cachorro na sua vizinhança a noite inteira, você sabe exatamente do que falo. As vezes, há mais que um cachorro,há vários. Ou, se moras num centro agitado, a onde a vida não tira nem um cochilo, sons de carros e pessoas nas ruas madrugada adentro o perturbam.
Quando falo de ruído, imagino utilizar o termo perfeito. O que difere na classificação sonora, o que é música e ruído?
Gosto não se discute. Isso é a primeira coisa que vêm a cabeça de todos quando se trata de preferência musical.
Eu sou um apaixonado por música. Carrego meu Ipod por onde vou, ouço no ônibus, no trem, em casa, andando na rua, até atendendo o celular às vezes, só tiro o fone de um ouvido e a música continua rolando solta do outro lado. Exagero? Sim, eu durmo ouvindo música.
Não colocarei em pauta o que escuto, o que gosto ou não, e sim o fenômeno da indústria fonográfica contemporânea.
O que acontece hoje com a artista de codinome Lady Gaga é um absurdo. De uma música com uma letra simplória “Just Dance”, à artista mais mencionada em qualquer canto do Mundo, virou ícone do que contraria os padrões da sociedade. Um bom exemplo é a simpatia que os gays tem com a artista. Aos que estudam propaganda e marketing, um caso de sucesso a ser minuciosamente estudado. Desde a escolha do nome artístico às melodias e produção do som hipnotizante. Pegando carona em um sucesso de uma das maiores bandas da história, o Queen, a Lady adotou o Gaga da música “Radio Gaga”. Ajuda? Há quem diga que não, eu já acho o contrário. Associar sua imagem a algo que fez muito sucesso tende a dar certo. Quanto a produção das músicas, quem nunca se pegou cantarolando sozinho: “Po pó pó pó pó pó Poker Face” ? Soa ridículo, mas atire a primeira pedra quem nunca fez isso. A atual música de trabalho não foge do estilo hipnose da cantora: “Stop telephone me me me me me me me me.” E não adianta fugir. Ela te persegue. É no rádio, seja do seu carro, ou na casa do vizinho. Ou você estará no ônibus e haverá um “Mané” com o celular soltando a música no mais alto volume.
Numa proporção menor, temos no nosso país, neste primeiro semestre, o rebolation. Sem mais palavras para isso.
Quanto tempo será que duram estes produtos? São descartáveis? Essa é a pergunta que reata meu questionamento, do que é música, e o que é ruído. Porque música como “ New years Day” de 1982 do U2, ou “Sultans of Swing” do Dire Straits, “Stairway to Heaven” do Led e Sweet Child O´Mine do Guns, são ouvidas até hoje com o mesmo gosto, são atemporais.
Você se imagina ouvindo Lady GaGa daqui a dez, vinte anos? E o Parangolé? Se é que lembrará do que se trata isso.
Eu termino o texto ao som atemporal que sai do meu Ipod.
Bom café...
Mesmo com tanta coisa acontecendo por aí, às vezes o trabalho te consome tanto que o contexto da sua vida limita-se à isso. Você fica meio aéreo e quando alguém te pergunta sobre tal coisa que está estampado em todas as capas de jornal, não teve tempo de ler. Mesmo assim, há certas coisas da qual não consegue fugir. Por exemplo, o engarrafamento no horário do “rush”. Ou a poluição visual dos outdoors, letreiros dos milhares estabelecimentos no seu trajeto diário casa/escritório. E finalmente os ruídos. Desses, você não consegue fugir nem na hora de dormir. Se há um cachorro na sua vizinhança a noite inteira, você sabe exatamente do que falo. As vezes, há mais que um cachorro,há vários. Ou, se moras num centro agitado, a onde a vida não tira nem um cochilo, sons de carros e pessoas nas ruas madrugada adentro o perturbam.
Quando falo de ruído, imagino utilizar o termo perfeito. O que difere na classificação sonora, o que é música e ruído?
Gosto não se discute. Isso é a primeira coisa que vêm a cabeça de todos quando se trata de preferência musical.
Eu sou um apaixonado por música. Carrego meu Ipod por onde vou, ouço no ônibus, no trem, em casa, andando na rua, até atendendo o celular às vezes, só tiro o fone de um ouvido e a música continua rolando solta do outro lado. Exagero? Sim, eu durmo ouvindo música.
Não colocarei em pauta o que escuto, o que gosto ou não, e sim o fenômeno da indústria fonográfica contemporânea.
O que acontece hoje com a artista de codinome Lady Gaga é um absurdo. De uma música com uma letra simplória “Just Dance”, à artista mais mencionada em qualquer canto do Mundo, virou ícone do que contraria os padrões da sociedade. Um bom exemplo é a simpatia que os gays tem com a artista. Aos que estudam propaganda e marketing, um caso de sucesso a ser minuciosamente estudado. Desde a escolha do nome artístico às melodias e produção do som hipnotizante. Pegando carona em um sucesso de uma das maiores bandas da história, o Queen, a Lady adotou o Gaga da música “Radio Gaga”. Ajuda? Há quem diga que não, eu já acho o contrário. Associar sua imagem a algo que fez muito sucesso tende a dar certo. Quanto a produção das músicas, quem nunca se pegou cantarolando sozinho: “Po pó pó pó pó pó Poker Face” ? Soa ridículo, mas atire a primeira pedra quem nunca fez isso. A atual música de trabalho não foge do estilo hipnose da cantora: “Stop telephone me me me me me me me me.” E não adianta fugir. Ela te persegue. É no rádio, seja do seu carro, ou na casa do vizinho. Ou você estará no ônibus e haverá um “Mané” com o celular soltando a música no mais alto volume.
Numa proporção menor, temos no nosso país, neste primeiro semestre, o rebolation. Sem mais palavras para isso.
Quanto tempo será que duram estes produtos? São descartáveis? Essa é a pergunta que reata meu questionamento, do que é música, e o que é ruído. Porque música como “ New years Day” de 1982 do U2, ou “Sultans of Swing” do Dire Straits, “Stairway to Heaven” do Led e Sweet Child O´Mine do Guns, são ouvidas até hoje com o mesmo gosto, são atemporais.
Você se imagina ouvindo Lady GaGa daqui a dez, vinte anos? E o Parangolé? Se é que lembrará do que se trata isso.
Eu termino o texto ao som atemporal que sai do meu Ipod.
Bom café...
quinta-feira, 29 de abril de 2010
A língua brasileira
Você sabe quantos idiomas são falados hoje na União Européia? São 23 oficiais, eu disse, oficiais. Sabe-se que há regiões com seus próprios dialetos e formas de comunicação alternativas. Agora imagine a extensão territorial da Europa Ocidental, excluindo a Rússia e tudo o que tiver a Leste. Temos um espaço consideravelmente menor que o território brasileiro.
O nosso país têm características e dimensões continentais. Imagine então que toda esta população utiliza um só idioma, o Português.
Chegamos ao ponto chave deste texto. As diferentes expressões e sentidos dados à língua portuguesa em diferentes pontos do Brasil, fazem com que crie-se praticamente novas formas de comunicação ao redor do vasto Brasil varonil.
Tive a idéia de escrever sobre isso muito mais pela diversão de compartilhar os diversos estilos de “linguajar” da nossa gente do que pela pesquisa gramatical. Não sou um profissional da educação, apenas instigado pela forma como nosso pessoal sabe improvisar, mixar, misturar tudo com o intuito de facilitar os caminhos.
Essa necessidade de adaptação e socialização acaba evidenciando-se como identidade cultural.
Existe algo que descreva mais o cidadão de Minas Gerais do que um cantado e tranqüilo “Uai sô” ?
E o “Meu”? Tem dúvidas ainda “meu”? Dá licença véio” O Paulista,firmeza?
O “cumpadi e o mermão”, são moleques conhecidos no Rio.
Assim como o Piá e o Guri são os primos do Sul, no Paraná e Rio Grande do Sul respectivamente.
Isso é só o começo,a saudação.
Tendo vivido em diferentes Estados, pude sentir essa diferença na conversação entre os naturais daqueles lugares.
Outro dia, aqui no Rio, em uma conversa com um colega de trabalho, dando a sua hora de ir para casa ele me coloca a seguinte frase: “Vou meter o pé!” O outro colega, respondeu na lata: “Já é!”
Fiquei alguns anos fora, mas obviamente sei o que significa isso, mas muitos não imaginam. Traduzindo: “Estou indo embora”. A resposta seria: “Ok.” Na minha época de Rio de Janeiro,a gente usava, “vazar”, para tirar o time de campo.
No Paraná, percebi o uso constante da conjunção “daí” para continuação de uma sentença. O “daí” é o elo entre uma palavra e outra. Em Foz, se uma pessoa está bem, está tranqüila, ela “está de boa”. E se ela gosta de algo, esse algo é “massa”.
Em São Paulo, algo legal é algo “da hora”, “certo Mano”? Se algo complica, fica “embaçado”. Mas se tudo se resolve, aí tá “firmeza”.
O nordeste tem o sotaque bem puxado. Mas estou dando ênfase as expressões. Um rapaz de Fortaleza,em visita, me perguntou se a gente não arrumava um “estourinho” à tarde. Eu fiquei meio sem graça. Em Foz isso significava outra coisa, não publicável. Mas na verdade ele queria jogar um futebol à tarde. “Estourinho”,é mole?
Aqui é peladinha mesmo, em Foz o pessoal joga um “suicinho”,um “salaozinho”.
À noite ou o brasileiro vai para a balada, para a “Night” e nas cidades do interior, para o baile.
É muito curioso e até divertido trocarmos esse tipo de cultura. Não tenho espaço para falar mais disso, mas gostaria. Maneiro à vera, tri a “fu”. Massa mesmo, “mó da hora”.
“Mais além escrevo de novo”.
Bom café...
O nosso país têm características e dimensões continentais. Imagine então que toda esta população utiliza um só idioma, o Português.
Chegamos ao ponto chave deste texto. As diferentes expressões e sentidos dados à língua portuguesa em diferentes pontos do Brasil, fazem com que crie-se praticamente novas formas de comunicação ao redor do vasto Brasil varonil.
Tive a idéia de escrever sobre isso muito mais pela diversão de compartilhar os diversos estilos de “linguajar” da nossa gente do que pela pesquisa gramatical. Não sou um profissional da educação, apenas instigado pela forma como nosso pessoal sabe improvisar, mixar, misturar tudo com o intuito de facilitar os caminhos.
Essa necessidade de adaptação e socialização acaba evidenciando-se como identidade cultural.
Existe algo que descreva mais o cidadão de Minas Gerais do que um cantado e tranqüilo “Uai sô” ?
E o “Meu”? Tem dúvidas ainda “meu”? Dá licença véio” O Paulista,firmeza?
O “cumpadi e o mermão”, são moleques conhecidos no Rio.
Assim como o Piá e o Guri são os primos do Sul, no Paraná e Rio Grande do Sul respectivamente.
Isso é só o começo,a saudação.
Tendo vivido em diferentes Estados, pude sentir essa diferença na conversação entre os naturais daqueles lugares.
Outro dia, aqui no Rio, em uma conversa com um colega de trabalho, dando a sua hora de ir para casa ele me coloca a seguinte frase: “Vou meter o pé!” O outro colega, respondeu na lata: “Já é!”
Fiquei alguns anos fora, mas obviamente sei o que significa isso, mas muitos não imaginam. Traduzindo: “Estou indo embora”. A resposta seria: “Ok.” Na minha época de Rio de Janeiro,a gente usava, “vazar”, para tirar o time de campo.
No Paraná, percebi o uso constante da conjunção “daí” para continuação de uma sentença. O “daí” é o elo entre uma palavra e outra. Em Foz, se uma pessoa está bem, está tranqüila, ela “está de boa”. E se ela gosta de algo, esse algo é “massa”.
Em São Paulo, algo legal é algo “da hora”, “certo Mano”? Se algo complica, fica “embaçado”. Mas se tudo se resolve, aí tá “firmeza”.
O nordeste tem o sotaque bem puxado. Mas estou dando ênfase as expressões. Um rapaz de Fortaleza,em visita, me perguntou se a gente não arrumava um “estourinho” à tarde. Eu fiquei meio sem graça. Em Foz isso significava outra coisa, não publicável. Mas na verdade ele queria jogar um futebol à tarde. “Estourinho”,é mole?
Aqui é peladinha mesmo, em Foz o pessoal joga um “suicinho”,um “salaozinho”.
À noite ou o brasileiro vai para a balada, para a “Night” e nas cidades do interior, para o baile.
É muito curioso e até divertido trocarmos esse tipo de cultura. Não tenho espaço para falar mais disso, mas gostaria. Maneiro à vera, tri a “fu”. Massa mesmo, “mó da hora”.
“Mais além escrevo de novo”.
Bom café...
quinta-feira, 22 de abril de 2010
O "Santos" do Brasil
Todos que me conhecem sabem o quanto gosto de futebol. Escrevi algumas vezes aqui, sobre isso. Evito ao máximo usar esse tema pois acabo restringindo o interesse a maioria masculina e a uma minoria feminina que gosta do esporte ou aquela parcela de pessoas que lêem tudo, independente do tópico.
Feriado prolongado, aquela preguiça generalizada, apesar de eu estar trabalhando, escolhi o futebol como pauta. É mais light. E haja assunto para abordar no futebol.
Aí é que vem a curiosidade. O que escreverei abaixo, apesar de diretamente ligado ao jogo de bola, já está fugindo do âmbito esportivo restrito. O Santos!
Quando você sai de casa num Sábado à noite, para se divertir, seja num show, seja num bar, numa boate, cria-se uma expectativa de que você se divirta.
O homem quando sai de casa hoje para ir ao jogo do Santos, ele não sai mais com a expectativa de ir a um jogo de futebol. Ele sai sem saber o que vai ver. É como ir a um espetáculo de teatro, a um show de circo inédito. Mas ele sabe que vai se divertir.
E isso é algo que intriga a todos. Homens, mulheres, crianças.
O que o time do Santos faz hoje, não é visto há tempos. Para quem gosta de futebol, para quem não gosta e para quem é indiferente.
Se você faz parte do grupo desinteressado, arrisque-se a ver um jogo do Santos na televisão. Você, o locutor e todos os que estarão assistindo àquilo ficarão surpresos.
O que esses “caras” e “moleques” vêm fazendo no campo é um absurdo. Impossível postar-se com antipatia ante a alegria com que eles exercem suas obrigações.
Para quem não tem noção do que isso significa, eu tento explicar: o time já fez na temporada 91 gols. Neste período, somente o Santos de Pelé, esse mesmo, o Rei do Futebol, fez. E como não vi o time de Pelé, só ouço histórias, acredito que estou presenciando algo mais mágico do que aquilo. Desculpem-me os mais “experientes”, mas em minha concepção, o Mundo é muito mais competitivo e hostil do que sempre foi, em tudo, inclusive dentro do relvado. Logo, acredito que o grau de dificuldade de hoje, louva ainda mais o que vem sido feito por eles.
O toque de bola rápido, pode ser comparado ao sincronismo dos malabaristas de um circo trocando os objetos jogados ao ar. A velocidade aplicada confunde os zagueiros e nossos olhos.
As goleadas antes ditas esparsas e aplicadas pela fragilidade adversária, hoje são comuns.
Sério, a quem lê este texto e não consegue compreender a magnitude do feito, envio-lhes meus pesares.
Sou Flamenguista, todos sabem disso, mas fico encantado mesmo com o Santos. Amo o futebol, e futebol é o que eles fazem. O Corinthiano, o São Paulino e o Palmeirense, rivais próximos do estado, tenho certeza, não conseguem sentir raiva deste time de branco.
Gostaria de ver a cara do sempre pessimista Sr.Orfeu ao comentar este Santos, com o José Olímpio faceiro ao seu lado, tentando convencê-lo. E o Thiago fanfarrão, e sua família de Santistas.
É legal ver algo tão raro em nossa geração.
Um jogador rápido, jovem, alegre, habilidoso e outro meia clássico, que joga como a muito não se vê, canhoto e com uma visão de jogo ampla.
A única coisa capaz de tirar toda essa minha euforia é o nosso selecionador nacional, “anão de conto de fadas”, o Dunga.
Estamos fadados a uma seleção que não condiz com o que é nosso futebol hoje. A Copa da África será alegre, provavelmente para Argentinos, Espanhóis e Africanos.
O nosso futebol vai ser de carrancudos, de jogadores travados, sem muito recurso, mas que são da confiança do desconfiado e inseguro “pseudo-treinador”.
Resta-nos aproveitar o Santos. Enquanto ainda é tempo. E ao que tudo indica, esse tempo é curto.
Bom Café...
Feriado prolongado, aquela preguiça generalizada, apesar de eu estar trabalhando, escolhi o futebol como pauta. É mais light. E haja assunto para abordar no futebol.
Aí é que vem a curiosidade. O que escreverei abaixo, apesar de diretamente ligado ao jogo de bola, já está fugindo do âmbito esportivo restrito. O Santos!
Quando você sai de casa num Sábado à noite, para se divertir, seja num show, seja num bar, numa boate, cria-se uma expectativa de que você se divirta.
O homem quando sai de casa hoje para ir ao jogo do Santos, ele não sai mais com a expectativa de ir a um jogo de futebol. Ele sai sem saber o que vai ver. É como ir a um espetáculo de teatro, a um show de circo inédito. Mas ele sabe que vai se divertir.
E isso é algo que intriga a todos. Homens, mulheres, crianças.
O que o time do Santos faz hoje, não é visto há tempos. Para quem gosta de futebol, para quem não gosta e para quem é indiferente.
Se você faz parte do grupo desinteressado, arrisque-se a ver um jogo do Santos na televisão. Você, o locutor e todos os que estarão assistindo àquilo ficarão surpresos.
O que esses “caras” e “moleques” vêm fazendo no campo é um absurdo. Impossível postar-se com antipatia ante a alegria com que eles exercem suas obrigações.
Para quem não tem noção do que isso significa, eu tento explicar: o time já fez na temporada 91 gols. Neste período, somente o Santos de Pelé, esse mesmo, o Rei do Futebol, fez. E como não vi o time de Pelé, só ouço histórias, acredito que estou presenciando algo mais mágico do que aquilo. Desculpem-me os mais “experientes”, mas em minha concepção, o Mundo é muito mais competitivo e hostil do que sempre foi, em tudo, inclusive dentro do relvado. Logo, acredito que o grau de dificuldade de hoje, louva ainda mais o que vem sido feito por eles.
O toque de bola rápido, pode ser comparado ao sincronismo dos malabaristas de um circo trocando os objetos jogados ao ar. A velocidade aplicada confunde os zagueiros e nossos olhos.
As goleadas antes ditas esparsas e aplicadas pela fragilidade adversária, hoje são comuns.
Sério, a quem lê este texto e não consegue compreender a magnitude do feito, envio-lhes meus pesares.
Sou Flamenguista, todos sabem disso, mas fico encantado mesmo com o Santos. Amo o futebol, e futebol é o que eles fazem. O Corinthiano, o São Paulino e o Palmeirense, rivais próximos do estado, tenho certeza, não conseguem sentir raiva deste time de branco.
Gostaria de ver a cara do sempre pessimista Sr.Orfeu ao comentar este Santos, com o José Olímpio faceiro ao seu lado, tentando convencê-lo. E o Thiago fanfarrão, e sua família de Santistas.
É legal ver algo tão raro em nossa geração.
Um jogador rápido, jovem, alegre, habilidoso e outro meia clássico, que joga como a muito não se vê, canhoto e com uma visão de jogo ampla.
A única coisa capaz de tirar toda essa minha euforia é o nosso selecionador nacional, “anão de conto de fadas”, o Dunga.
Estamos fadados a uma seleção que não condiz com o que é nosso futebol hoje. A Copa da África será alegre, provavelmente para Argentinos, Espanhóis e Africanos.
O nosso futebol vai ser de carrancudos, de jogadores travados, sem muito recurso, mas que são da confiança do desconfiado e inseguro “pseudo-treinador”.
Resta-nos aproveitar o Santos. Enquanto ainda é tempo. E ao que tudo indica, esse tempo é curto.
Bom Café...
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Ilhas e barcos
Há muitos meses escrevi aqui sobre a minha mãe. Lembro-me que era um texto em homenagem ao dia das mães. Este texto não é a mesma coisa, apesar de estarmos a menos de um mês desta data comemorativa. No texto antigo, havia lá uma frase em que dizia que o Mundo poderia acabar em qualquer momento desde que eu estivesse no colo dela, afinal, ali não tinha medo de nada. O conforto, a proteção que ela me transmite.
Hoje vivo uma situação que não duvido que seja comum a muitos jovens da minha geração e das subseqüentes. Da relação dos mais jovens com seus pais. Começo a questionar o papel do filho. Não é mais o mesmo dos nossos pais para com seus pais.
Se o Mundo terminasse hoje, será que a minha mãe sente o mesmo conforto que descrevi sentir em relação a ela?
Será que ela espera a proteção dos filhos em relação a isso? E nós, estamos preparados a oferecer isso?
Quando uso a expressão “Mundo acabasse”, me refiro a qualquer aflição, qualquer insegurança ou momento adverso que eles venham a enfrentar. Não era comum que nossos avós transparecessem seus infortúnios aos filhos e pedissem-lhes opiniões sobre ao que fazer, que decisão tomar, que caminho seguir. Por mais que eles pudessem ser úteis. Isso é cultural. O respeito era primordial, e esse respeito distorcido incluía não ter a liberdade de opinar. Havia essa distância. É comum você ouvir seus pais dizerem que seus pais são teimosos, não querem ir ao médico ver aquele problema, não querem desfazer daquele carro velho e sucateado que está lá na garagem abrigando mosquitos da dengue e enferrujando, ou não querer mudar-se para uma casa mais confortável que em muitos casos o filho oferece-lhes. É difícil para eles aceitar que seus filhos tomem controle das decisões importantes da família uma vez que ele sempre desempenhou essa função.
A instituição familiar hoje é constituída por um quadro totalmente difuso. Com a evolução das relações humanas em todos os aspectos, desde a corrida tecnológica à inclusão da mulher no mercado de trabalho e em posições chave na economia e política (o que eu sintetizaria como independência feminina) ao liberalismo ideológico como a aceitação das mais diversas manifestações religiosas e à sexualidade, o padrão comportamental se confundiu.
Mães e pais se tornaram “ilhas”, e seus filhos “barcos” que desancoram e só voltam quando querem e se querem. A informação chega rápido demais, e precocemente membros de uma família se tornam independentes, isolados sem preparo algum. Cedo ou tarde os filhos se descobrem barcos naufragados, e os pais, ilhas imóveis, se vêem incapazes de fazerem algo.
A obrigação dos filhos mudou. Nossos pais precisam tanto de nós quanto o inverso. Somos a fonte mais rica de experiências a quem os mesmos podem recorrer. Temos o que eles nos ensinaram e o que aprendemos nessa nova sociedade, mutante, que não lhes foi passado por seus tradicionais e algumas vezes retrógrados progenitores.
Em muitas vezes eles sentem-se tímidos ao buscar respostas para situações novas. E retraem-se gerando ansiedade, aflição e desenvolvendo males. Nós devemos muito a eles. Oferecer o colo, o ombro, os ouvidos e algumas palavras fazem toda a diferença.
Antes de serem nossos pais, eles são pessoas. E viveram a maior revolução tecnológica, ideológica, econômica e comportamental de todas as gerações. Cobrá-los saídas para todos os problemas é uma injustiça.
Seja amigo dos seus pais. Vai aprender mais e vai ensinar algo.
Bom Café...
Hoje vivo uma situação que não duvido que seja comum a muitos jovens da minha geração e das subseqüentes. Da relação dos mais jovens com seus pais. Começo a questionar o papel do filho. Não é mais o mesmo dos nossos pais para com seus pais.
Se o Mundo terminasse hoje, será que a minha mãe sente o mesmo conforto que descrevi sentir em relação a ela?
Será que ela espera a proteção dos filhos em relação a isso? E nós, estamos preparados a oferecer isso?
Quando uso a expressão “Mundo acabasse”, me refiro a qualquer aflição, qualquer insegurança ou momento adverso que eles venham a enfrentar. Não era comum que nossos avós transparecessem seus infortúnios aos filhos e pedissem-lhes opiniões sobre ao que fazer, que decisão tomar, que caminho seguir. Por mais que eles pudessem ser úteis. Isso é cultural. O respeito era primordial, e esse respeito distorcido incluía não ter a liberdade de opinar. Havia essa distância. É comum você ouvir seus pais dizerem que seus pais são teimosos, não querem ir ao médico ver aquele problema, não querem desfazer daquele carro velho e sucateado que está lá na garagem abrigando mosquitos da dengue e enferrujando, ou não querer mudar-se para uma casa mais confortável que em muitos casos o filho oferece-lhes. É difícil para eles aceitar que seus filhos tomem controle das decisões importantes da família uma vez que ele sempre desempenhou essa função.
A instituição familiar hoje é constituída por um quadro totalmente difuso. Com a evolução das relações humanas em todos os aspectos, desde a corrida tecnológica à inclusão da mulher no mercado de trabalho e em posições chave na economia e política (o que eu sintetizaria como independência feminina) ao liberalismo ideológico como a aceitação das mais diversas manifestações religiosas e à sexualidade, o padrão comportamental se confundiu.
Mães e pais se tornaram “ilhas”, e seus filhos “barcos” que desancoram e só voltam quando querem e se querem. A informação chega rápido demais, e precocemente membros de uma família se tornam independentes, isolados sem preparo algum. Cedo ou tarde os filhos se descobrem barcos naufragados, e os pais, ilhas imóveis, se vêem incapazes de fazerem algo.
A obrigação dos filhos mudou. Nossos pais precisam tanto de nós quanto o inverso. Somos a fonte mais rica de experiências a quem os mesmos podem recorrer. Temos o que eles nos ensinaram e o que aprendemos nessa nova sociedade, mutante, que não lhes foi passado por seus tradicionais e algumas vezes retrógrados progenitores.
Em muitas vezes eles sentem-se tímidos ao buscar respostas para situações novas. E retraem-se gerando ansiedade, aflição e desenvolvendo males. Nós devemos muito a eles. Oferecer o colo, o ombro, os ouvidos e algumas palavras fazem toda a diferença.
Antes de serem nossos pais, eles são pessoas. E viveram a maior revolução tecnológica, ideológica, econômica e comportamental de todas as gerações. Cobrá-los saídas para todos os problemas é uma injustiça.
Seja amigo dos seus pais. Vai aprender mais e vai ensinar algo.
Bom Café...
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