quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Aniversariante do Mês

Há na vida de todos nós um dia no calendário que difere de todos os outros. É o dia em que completa mais um ciclo de 365 dias desde seu nascimento. Na maioria das sociedades ao que se conhece, passa-se que é um dia o qual deve ser festejado, como uma conquista. Analisando como se a vida fosse algo ao qual tivéssemos que resistir, e quanto mais conseguirmos viver, mais gratificados devamos nos sentir.
Na fase infantil, não se compreende bem o significado da data, do porque daquilo. O que vem em mente são os presentes, o bolo, o guaraná, muitos doces, como diz a música até hoje cantarolada pelas pessoas ao redor da mesa principal.
A adolescência parece um calvário, um árduo percurso entre as espinhas, pelos nascendo em todos os mais remotos lugares, a timidez e a rebeldia, o conflito entre não ser criança e não ser adulto, entre não poder mais brincar de certas coisas, mas continuar querendo, e querer fazer algumas novas coisas e não podendo, ainda. É a parte aonde o “eterno enquanto durar” é o que passa mais rápido. O primeiro namorico, o primeiro porre e o primeiro emprego, o primeiro bigodinho de latino e a primeira menstruação das meninas. É tudo por ali.
As festinhas de aniversários não tem parentes velhos, só amigos do colégio, as meninas e meninos mais legais e interessantes e coisas proibidas para menores. Esse negócio de vela, bolo e parabéns para você é repugnante e proibido, até vergonhoso. Você não quer que lembrem que na verdade você está fazendo 13, 14 anos. Ou 17, aonde já espichou, mas ainda não pode ir aquela boate, ou melhor, só nas matinês.
Algumas velas apagadas a mais, e lá está você com saudade da década anterior. Os “vintões” passam pela maior provação ao verem que tudo aquilo que os velhos nos diziam e que achávamos um saco, se concretizou tão perfeitamente quantos suas palavras chatas aos nossos ouvidos. Contas, horários, metas, responsabilidades. É nesse auge da forma física e mental que a vida mais exige da gente. E se vacilarmos, ela exige e tira tudo o que conseguir. O tempo para o lazer é cada vez menor. Na verdade o tempo para tudo é menor. Um dia não tem mais 24 horas, tem 15. Aquele drible que você dava no futsal, e tentou fazer outro dia? Esquece. Nos raros momentos de folga, você bebe. Esse é o famoso ritual de cultivo da barriguinha que a década dos 20 aos 30 o submete. As meninas que tentam se aventurar na antiga brincadeira dos patins, ou roller, não tem mais equilíbrio que não seja para andar em saltos.
Apesar de tudo parecer ir perdendo a graça, entender o significado do seu dia-a-dia, realizar coisas das quais pode se orgulhar, e quando digo isso não falo de “mega-atitudes”, digo corresponder no seu trabalho, ser bom aos que convivem com você, são o melhor presente. Conseguir decifrar o mistério do envelhecimento com a maturidade que cada aniversário lhe traz, é algo magnífico.
Estar longe do que desejou num apagar de velas há 10 anos atrás, mas se sentir capaz de alcançar aquilo mesmo assim, isso é legal. Ou mais legal ainda, que o desejo tenha mudado várias vezes e hoje você não precisar mais apagar uma vela desejando nada absurdamente impossível.
A atmosfera do seu dia sempre existirá, o dia do seu aniversário sempre será seu dia. És sempre digno de parabéns. Mesmo que não haja um bobo cantando “parabéns pra você , parabéns pra você”, ou aquele que diz que o pavê não é “pa cume”, sempre haverá você e você mesmo, lembrando que a 28 anos deu início a obra-de-arte torta da sua vida. Meus parabéns.
Bom café...

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