Parecia não ser real, aquele Domingo que começou como qualquer outro, terminar como nenhum jamais terminou desde então.
Acostumados a vê-lo com o punho em riste a comemorar vitórias, com o olhar confiante e com um sorriso de vencedor, naquela manhã algo parecia errado. Sua fisionomia era de quem sabia que ao entrar naquele carro, não sairia mais dele. E assim ele se foi, tão rápido quanto era nas pistas.
Lembro-me de ter colocado aquele meu pôster que costumava ficar atrás da porta do quarto, ao meu lado na cama, e jurar que quando acordasse seria Domingo de novo e tudo não teria passado de um pesadelo.
Não quis abrir os olhos naquela Segunda-Feira e constatar o que já ouvia pela televisão ligada na sala, aonde o país simplesmente parou para acompanhar a “última volta” de Ayrton Senna pelas ruas de São Paulo.
Passaram-se quinze anos e descrevo esse momento com a exatidão de quem acabou de vivenciá-lo. Quem viveu a época de Ayrton sabe que nada do que estou falando é exagero, e que sua partida trágica e precoce tirou um pouco de cada brasileiro. O sentimento por ele transgredia o gosto por corridas de ‘Fórmula 1’.
Senna foi simplesmente mágico, único na história.
Filho de pais ricos, conseguiu inserir na cultura de um país de terceiro mundo, o costume de acompanhar um esporte de elite, sem que sentíssemos essa distância social, com sua personalidade humilde e carismática.
Toda criança daquela geração um dia chegou a dizer “quero ser piloto de Fórmula 1 quando crescer”.
O Tema da Vitória fora “promovido à hino” por conseqüência de um brasileiro que se orgulhava de sua bandeira e à elevava com bravura, e fazia com que esquecêssemos dos problemas que sempre nos afligiram, ao menos naquelas manhãs.
Os que não puderam vivenciar, com o imenso arquivo disponível na internet, podem ter a real noção sobre o que falo. Dos momentos fantásticos protagonizados por ele, sugiro que busquem três específicos. A vitória no circuito de Donington Park, na Inglaterra, aonde o brasileiro largou nas últimas posições e ultrapassou a todos, colocando uma volta de diferença no segundo colocado. A perseguição de Mansel a Senna em Mônaco, por três voltas intensas, terminando com nosso ídolo em primeiro, mesmo com o carro infinitamente inferior, tendo segurado “no braço” o inglês “nervosinho”. Por fim a tão suada vitória no Brasil, depois da quebra do câmbio, manual naquela época, restando-lhe apenas uma marcha, tendo que guiar o carro com a mão esquerda no volante e a direita na marcha, prestes a desengatar, por oito voltas a fio. Inacreditável.
Atualmente o que se vê é um “bando” de pilotos medianos com carros bem ou mal ajustados que revezam em vitórias inexpressivas. Schumacher foi o último suspiro de brilho na categoria, muito mais pela ausência de Senna e pela infinita superioridade tecnológica da Ferrari sobre as concorrentes em hegemônicos sete anos. Não ouso compara-los.
Órfãos de Ayrton Senna, muitos nunca mais se propuseram a assistir uma corrida sequer, desgostosos. Compreensível.
Aos que ainda acompanham, mesmo gostando muito, fica sempre a inevitável nostalgia. Tudo perdeu o brilho, as corridas perderam a emoção, os Domingos ficaram mais monótonos, e o Galvão Bueno ficou infinitamente mais chato.
Fica o legado, que vai além de boas lembranças no esporte. Fundado com intuito de ajudar crianças, o Instituto Ayrton Senna já soma cerca de doze milhões de beneficiados desde seu início em 1994.
Pouco preocupado com a organização das idéias, fico feliz em poder compartilhar o sentimento de admiração que tenho por Senna, como um “piá” que escreve uma redação de colégio, sobre seu maior ídolo.
Minha mãe diz que mesmo depois da morte as pessoas permanecem vivas até que haja uma última lembrança delas entre nós, sendo assim, Senna nunca morrerá.
Bom Café...
Espaço voltado para as publicações dos textos da coluna de quinta-feira de "A Gazeta do Iguaçu".
quinta-feira, 30 de abril de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Muita fumaça no ar
Anos oitenta e noventa, lembro bem daquelas belas propagandas, pessoas bonitas e felizes, praticando esportes. Era criança e não tinha discernimento para a estranha associação entre práticas saudáveis e o hábito de fumar, apenas gostava dos anúncios publicitários. Hoje penso que era uma ótima estratégia de marketing, afinal, eles não venderiam cigarros mostrando pessoas com câncer ou necrosadas em uma maca de hospital obviamente. As coisas mudaram em alguns países e a tolerância não é mais a mesma. No Brasil, proibiu-se a publicidade, exigiu-se que os fabricantes exibissem frases de alerta quanto ao consumo e fotos chocantes de pessoas que adoeceram pelo uso prolongado, nas embalagens.
Incentivou-se uma cultura por parte da sociedade que reprime as pessoas que praticam o fumo em meio a lugares públicos, fechados ou abertos.
A grande discussão na verdade baseia-se no fato de que as pessoas que não fumam serem supostamente prejudicadas pela fumaça alheia. Há muitos mitos que precisam ser esclarecidos quanto a isso. A exposição mínima dos não fumantes à fumaça dos cigarros não pode ser caracterizada como responsável por grandes conseqüências à saúde destas pessoas, segundo estudos comprovados.
Foi recentemente aprovada na cidade de São Paulo, uma lei que proíbe as pessoas de fumarem em qualquer lugar fechado, incluindo bares, restaurantes, hotéis, enfim, a não ser em casa ou em ritos religiosos. A famosa área para fumantes foi extinta de vez.
A maioria da população não fumante recebe essa notícia primeiramente como um grande passo na luta contra o cigarro. Mas será mesmo?
A lei é confusa. A previsão é punir aos donos dos estabelecimentos e não aos que fumam, ou seja, transfere-se a responsabilidade principal a terceiros, que são passíveis até de multas exorbitantes.
O que interpreto disso tudo é um grande passo atrás na democracia do país. Onde fica o livre-arbítrio? Há informações suficientemente necessárias as pessoas que optam por fumar quanto aos prejuízos à saúde. Esse tipo de combate proposto pelo governo de São Paulo, ao meu entender, só aumenta o preconceito, e não combate o problema. É claro, que em muitos casos não há bom senso por parte de alguns fumantes que simplesmente ignoram o fato de haver pessoas que não são obrigadas a compartilhar do seu hábito, e essas atitudes acabam evidenciando mais o problema, mas já há muitos que respeitam também os espaços coletivos.
Não me parece muito claro o objetivo da medida, uma vez que para os fabricantes, não são impostas resistências que atinjam seus lucros. Sendo mais direto, quero dizer que as pessoas se adequarão às novas imposições e continuarão fumando, consumindo o tabaco. Se o foco é a saúde da população, porque não se proíbe de vez a comercialização do cigarro, ou se estabelece impostos que atinjam consideravelmente os bolsos dos interessados, no intuito de se estimular a redução da produção e do consumo?Talvez porque o governo teria de abrir mão de alguns bilhões de reais pagos pela indústria do tabaco?
Por mais que pareça que sou favorável aos fumantes, ou acho normal convivermos com “baforadas esfumaçadas”, não sou, deixo claro apenas que detesto demagogia. Não posso permitir-me alimentar um sentimento preconceituoso. Acho que há uma imposição comportamental para que excluamos aos fumantes do convívio social.
Aos que alegam invasão à privacidade alheia, o que dizer dos consumidores de bebidas alcoólicas, que saem por aí causando acidentes de trânsito, espancando filhos e mulheres em casa, provocando conflitos em lugares públicos? Isso ao meu entender é semelhante ou até mais grave que o “mal” que os fumantes vêm causando aos outros por aí.
Enquanto isso, nesse mesmo país, sociólogos famosos defendem a legalização da maconha. Há espaço na mentalidade de um povo para ideologias tão distintas?
Acho que ainda há na causa “anti-tabagismo” muita hipocrisia.
Bom café...
Incentivou-se uma cultura por parte da sociedade que reprime as pessoas que praticam o fumo em meio a lugares públicos, fechados ou abertos.
A grande discussão na verdade baseia-se no fato de que as pessoas que não fumam serem supostamente prejudicadas pela fumaça alheia. Há muitos mitos que precisam ser esclarecidos quanto a isso. A exposição mínima dos não fumantes à fumaça dos cigarros não pode ser caracterizada como responsável por grandes conseqüências à saúde destas pessoas, segundo estudos comprovados.
Foi recentemente aprovada na cidade de São Paulo, uma lei que proíbe as pessoas de fumarem em qualquer lugar fechado, incluindo bares, restaurantes, hotéis, enfim, a não ser em casa ou em ritos religiosos. A famosa área para fumantes foi extinta de vez.
A maioria da população não fumante recebe essa notícia primeiramente como um grande passo na luta contra o cigarro. Mas será mesmo?
A lei é confusa. A previsão é punir aos donos dos estabelecimentos e não aos que fumam, ou seja, transfere-se a responsabilidade principal a terceiros, que são passíveis até de multas exorbitantes.
O que interpreto disso tudo é um grande passo atrás na democracia do país. Onde fica o livre-arbítrio? Há informações suficientemente necessárias as pessoas que optam por fumar quanto aos prejuízos à saúde. Esse tipo de combate proposto pelo governo de São Paulo, ao meu entender, só aumenta o preconceito, e não combate o problema. É claro, que em muitos casos não há bom senso por parte de alguns fumantes que simplesmente ignoram o fato de haver pessoas que não são obrigadas a compartilhar do seu hábito, e essas atitudes acabam evidenciando mais o problema, mas já há muitos que respeitam também os espaços coletivos.
Não me parece muito claro o objetivo da medida, uma vez que para os fabricantes, não são impostas resistências que atinjam seus lucros. Sendo mais direto, quero dizer que as pessoas se adequarão às novas imposições e continuarão fumando, consumindo o tabaco. Se o foco é a saúde da população, porque não se proíbe de vez a comercialização do cigarro, ou se estabelece impostos que atinjam consideravelmente os bolsos dos interessados, no intuito de se estimular a redução da produção e do consumo?Talvez porque o governo teria de abrir mão de alguns bilhões de reais pagos pela indústria do tabaco?
Por mais que pareça que sou favorável aos fumantes, ou acho normal convivermos com “baforadas esfumaçadas”, não sou, deixo claro apenas que detesto demagogia. Não posso permitir-me alimentar um sentimento preconceituoso. Acho que há uma imposição comportamental para que excluamos aos fumantes do convívio social.
Aos que alegam invasão à privacidade alheia, o que dizer dos consumidores de bebidas alcoólicas, que saem por aí causando acidentes de trânsito, espancando filhos e mulheres em casa, provocando conflitos em lugares públicos? Isso ao meu entender é semelhante ou até mais grave que o “mal” que os fumantes vêm causando aos outros por aí.
Enquanto isso, nesse mesmo país, sociólogos famosos defendem a legalização da maconha. Há espaço na mentalidade de um povo para ideologias tão distintas?
Acho que ainda há na causa “anti-tabagismo” muita hipocrisia.
Bom café...
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Geração de incertezas
Nada como depois de alguns anos, sentar-se com aquele primo, que da última vez que o viu era apenas um adolescente, na mesa de um “boteco” tipicamente carioca, a relembrar momentos de infância, analisar caminhos e decisões tomadas, dar boas risadas e aproveitar ao máximo estes poucos e raros momentos da tão comum “vida corrida” que levamos.Fiquei orgulhoso ao ver que meu priminho tornou-se um homem de grande caráter, bom papo, gosto para música e futebol, assuntos os quais nos estendemos a falar, e principalmente pela clareza na visão da realidade atual do nosso país. Estudante de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, propôs a mim uma discussão muitíssimo interessante sobre a característica da juventude atual, a qual nós dois fazemos parte e compartilhamos de experiências.
Dois aspectos fundamentais para avaliarmos as razões pelas quais os jovens se comportam desta ou daquela tal forma são as rápidas evoluções tecnológicas ocorridas nas últimas décadas e a estrutura familiar, desfigurada também por razões interligadas.
A rapidez e a quantidade de informações disponíveis às pessoas hoje é infinita e incontrolável. Há uma dificuldade notória de criar-se um parâmetro de educação por parte dos pais, uma vez que seus filhos encontram meios alternativos de obterem tais conteúdos, sejam eles produtivos ou não.
Essa informação é o grande argumento dos jovens ante à sociedade, pulando estágios de sua educação antes propostos e com base na estrutura familiar.
Estrutura que perde a força à medida que passam a ser postos à prova mecanismos ideológicos básicos de apoio ao “sistema familiar” como as religiões, e ao mesmo passo com a evolução do capitalismo e a inserção justa da mulher ao mercado de trabalho sob as mesmas condições que o homem, fato diretamente ligado a mudança da formação da família e seus conceitos.
Os pais perderam de certa forma o espaço na transmissão das principais e importantes experiências de vida, ensinamentos e diretrizes. Até porque os mesmos também sofrem com as mudanças sociais promovidas pela “enxurrada” de evolução tecnológica das últimas décadas.
O jovem convive hoje sob intensa influência dos meios de comunicação, diretamente ligados à evolução comportamental das sociedades. E essa influência tem sido instável, fazendo com que esse grupo seja suscetível e mutante. O que é interessante hoje pode não ser amanhã. O que se têm visto são pessoas sem muitos ideais, focadas em suprir suas necessidades momentâneas, sem muitas perspectivas. Planos de longo prazo são descartados por aventuras fugazes.
No campo emocional, preferem acumular diversas pequenas experiências a relacionamentos intensos e duradouros. Fator que certamente influenciará na constituição familiar num futuro breve. Vivem escondidos no anonimato de uma vida virtual que os permitem ser de “gentlemen e ladies” a “animais” sem que ninguém precise saber disso. Alguns expõem suas vidas em “websites”, mas não conhecem a si. Estes jovens desenvolvem a incapacidade de comunicação direta, tornam-se impessoais e materialistas. Cada vez mais dependentes do poderio econômico, cada vez com menos espaço e tempo, são preparados para um mundo prestes a engoli-los.
Jovens que aumentaram em grande número a procura por psicólogos e terapeutas, e ao consumo desenfreado de antidepressivos e medicamentos do gênero.
Apelidei-nos de “a geração de incertezas”
Dois aspectos fundamentais para avaliarmos as razões pelas quais os jovens se comportam desta ou daquela tal forma são as rápidas evoluções tecnológicas ocorridas nas últimas décadas e a estrutura familiar, desfigurada também por razões interligadas.
A rapidez e a quantidade de informações disponíveis às pessoas hoje é infinita e incontrolável. Há uma dificuldade notória de criar-se um parâmetro de educação por parte dos pais, uma vez que seus filhos encontram meios alternativos de obterem tais conteúdos, sejam eles produtivos ou não.
Essa informação é o grande argumento dos jovens ante à sociedade, pulando estágios de sua educação antes propostos e com base na estrutura familiar.
Estrutura que perde a força à medida que passam a ser postos à prova mecanismos ideológicos básicos de apoio ao “sistema familiar” como as religiões, e ao mesmo passo com a evolução do capitalismo e a inserção justa da mulher ao mercado de trabalho sob as mesmas condições que o homem, fato diretamente ligado a mudança da formação da família e seus conceitos.
Os pais perderam de certa forma o espaço na transmissão das principais e importantes experiências de vida, ensinamentos e diretrizes. Até porque os mesmos também sofrem com as mudanças sociais promovidas pela “enxurrada” de evolução tecnológica das últimas décadas.
O jovem convive hoje sob intensa influência dos meios de comunicação, diretamente ligados à evolução comportamental das sociedades. E essa influência tem sido instável, fazendo com que esse grupo seja suscetível e mutante. O que é interessante hoje pode não ser amanhã. O que se têm visto são pessoas sem muitos ideais, focadas em suprir suas necessidades momentâneas, sem muitas perspectivas. Planos de longo prazo são descartados por aventuras fugazes.
No campo emocional, preferem acumular diversas pequenas experiências a relacionamentos intensos e duradouros. Fator que certamente influenciará na constituição familiar num futuro breve. Vivem escondidos no anonimato de uma vida virtual que os permitem ser de “gentlemen e ladies” a “animais” sem que ninguém precise saber disso. Alguns expõem suas vidas em “websites”, mas não conhecem a si. Estes jovens desenvolvem a incapacidade de comunicação direta, tornam-se impessoais e materialistas. Cada vez mais dependentes do poderio econômico, cada vez com menos espaço e tempo, são preparados para um mundo prestes a engoli-los.
Jovens que aumentaram em grande número a procura por psicólogos e terapeutas, e ao consumo desenfreado de antidepressivos e medicamentos do gênero.
Apelidei-nos de “a geração de incertezas”
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Polêmica Dominical
Domingo de manhã, começam os preparativos para aquele tradicional churrasco entre família e amigos, quando de repente, falta algo essencial. O sujeito pega seu carro, vai até o mercado mais próximo quando ao chegar, dá com a cara na porta. E agora?
No mesmo dia, alguns turistas desembarcam em nossa cidade, seja por terra ou pelo ar, acomodam-se naquele descolado albergue e saem para comprar utensílios pessoais, algumas frutas, uns biscoitos e uma garrafa de suco. Não é que encontram o mesmo rapaz que saiu para comprar o que faltava para seu churrasco na porta do estabelecimento, indignado?
Estas supostas situações não estão longe de serem verdade se é que já não ocorreram por aí.
A representatividade dos trabalhadores do ramo propôs a preservação do direito de todos poderem estar com suas famílias aos Domingos. A primeira impressão é de uma medida até interessante, voltada para o bem estar do trabalhador.
Mas este é só o início de uma grande polêmica fragmentada em inúmeros argumentos das partes envolvidas.
Foz do Iguaçu é uma cidade turística, ponto importante a ser observado, com uma população “flutuante” de mais de um milhão de pessoas, ou seja, possui características de grandes cidades. Um dos mais importantes quesitos de uma cidade anfitriã é a infra-estrutura que inclui a prestação de serviços. Há uma grande preocupação por parte das principais frentes na busca pela excelência destes serviços prestados, com a finalidade de conforto e praticidade aos que usufruem disso, um determinado grupo de turistas e, consequentemente e principalmente, toda a população permanente. O que me faz interpretar tal sugestão como um retrocesso.
É citado que existem no Brasil e no exterior, cidades, algumas que se alimentam do turismo, preservam seus trabalhadores aos Domingos. Realmente há. Mas isso não significa que necessariamente devemos seguir o mesmo caminho, ou que tal posicionamento é favorável à cidade e a população daqueles locais.
Uma mudança na carga horária destes funcionários pode e possivelmente acarretará em ajustes. Por mais que se diga que não, certas funções ficarão obsoletas como as dos “turnantes”.
Uma outra curiosidade que envolve o entrave é a opinião dos próprios colaboradores das empresas. Muitos deles não concordam com tal medida, uma vez que estão adaptados ao sistema ao qual concordaram em enquadrar-se desde o início. Suas folgas são em regime de escala, bastante comum a uma cidade aonde as principais atividades e empresas são voltadas ao turismo.
Eu, por exemplo, também sou “vítima” do trabalho aos Domingos, porém sei da importância e necessidade da minha função, aceitando as condições que me foram propostas e tendo meus direitos respeitados, como folgas e remuneração adequadas. Tenho absoluta certeza de que todos os trabalhadores em diferentes setores econômicos adorariam assegurar sua folga dominical. E não são diferentes dos que trabalham nos mercados. Também possuem famílias.
Quanto ao lucro das grandes redes e estabelecimentos comerciais, os responsáveis pelo projeto alegam não haver alteração, uma vez que as compras feitas aos Domingos se distribuem pela semana. Questionável. Somente embasado em uma pesquisa para que se sustente tal afirmação.
No meu “leigo” entendimento à complexidade de desenvolvimentos necessários a uma cidade, idealizo além. Penso numa Avenida Brasil 24 horas, feiras livres, eventos culturais, opções de entretenimento para todos que aqui vivem ou que visitam nosso espaço. A vinda de mais empreendimentos de prestação de serviços de qualidade, enfim, na contramão de propostas como esta que vigora.
Enquanto as discussões perduram, e não há uma decisão definitiva, a população fica à deriva aos domingos. Por enquanto, na hora das compras, de Segunda a Sábado, não esqueçam de nada para não ameaçar o churrasquinho de Domingo como o cara do início do texto.
Bom café...
No mesmo dia, alguns turistas desembarcam em nossa cidade, seja por terra ou pelo ar, acomodam-se naquele descolado albergue e saem para comprar utensílios pessoais, algumas frutas, uns biscoitos e uma garrafa de suco. Não é que encontram o mesmo rapaz que saiu para comprar o que faltava para seu churrasco na porta do estabelecimento, indignado?
Estas supostas situações não estão longe de serem verdade se é que já não ocorreram por aí.
A representatividade dos trabalhadores do ramo propôs a preservação do direito de todos poderem estar com suas famílias aos Domingos. A primeira impressão é de uma medida até interessante, voltada para o bem estar do trabalhador.
Mas este é só o início de uma grande polêmica fragmentada em inúmeros argumentos das partes envolvidas.
Foz do Iguaçu é uma cidade turística, ponto importante a ser observado, com uma população “flutuante” de mais de um milhão de pessoas, ou seja, possui características de grandes cidades. Um dos mais importantes quesitos de uma cidade anfitriã é a infra-estrutura que inclui a prestação de serviços. Há uma grande preocupação por parte das principais frentes na busca pela excelência destes serviços prestados, com a finalidade de conforto e praticidade aos que usufruem disso, um determinado grupo de turistas e, consequentemente e principalmente, toda a população permanente. O que me faz interpretar tal sugestão como um retrocesso.
É citado que existem no Brasil e no exterior, cidades, algumas que se alimentam do turismo, preservam seus trabalhadores aos Domingos. Realmente há. Mas isso não significa que necessariamente devemos seguir o mesmo caminho, ou que tal posicionamento é favorável à cidade e a população daqueles locais.
Uma mudança na carga horária destes funcionários pode e possivelmente acarretará em ajustes. Por mais que se diga que não, certas funções ficarão obsoletas como as dos “turnantes”.
Uma outra curiosidade que envolve o entrave é a opinião dos próprios colaboradores das empresas. Muitos deles não concordam com tal medida, uma vez que estão adaptados ao sistema ao qual concordaram em enquadrar-se desde o início. Suas folgas são em regime de escala, bastante comum a uma cidade aonde as principais atividades e empresas são voltadas ao turismo.
Eu, por exemplo, também sou “vítima” do trabalho aos Domingos, porém sei da importância e necessidade da minha função, aceitando as condições que me foram propostas e tendo meus direitos respeitados, como folgas e remuneração adequadas. Tenho absoluta certeza de que todos os trabalhadores em diferentes setores econômicos adorariam assegurar sua folga dominical. E não são diferentes dos que trabalham nos mercados. Também possuem famílias.
Quanto ao lucro das grandes redes e estabelecimentos comerciais, os responsáveis pelo projeto alegam não haver alteração, uma vez que as compras feitas aos Domingos se distribuem pela semana. Questionável. Somente embasado em uma pesquisa para que se sustente tal afirmação.
No meu “leigo” entendimento à complexidade de desenvolvimentos necessários a uma cidade, idealizo além. Penso numa Avenida Brasil 24 horas, feiras livres, eventos culturais, opções de entretenimento para todos que aqui vivem ou que visitam nosso espaço. A vinda de mais empreendimentos de prestação de serviços de qualidade, enfim, na contramão de propostas como esta que vigora.
Enquanto as discussões perduram, e não há uma decisão definitiva, a população fica à deriva aos domingos. Por enquanto, na hora das compras, de Segunda a Sábado, não esqueçam de nada para não ameaçar o churrasquinho de Domingo como o cara do início do texto.
Bom café...
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Aos Saudosistas
Como apaixonado por futebol, considero missão quase impossível ficar sem escrever sobre isso por muito tempo.
Motivado pelo fato de que nossa “Seleção” se apresenta duas vezes na semana, não aprecio o futebol apresentado pelos comandados de Dunga. Na verdade, não consigo ficar quieto ante tanta mediocridade.
Tive a sorte de crescer em meio a um futebol ainda apaixonante, vi ainda garoto, Zico jogar no Maracanã. Figura mais que exemplar de uma geração que amava o esporte por si, arrastavam multidões, identificavam-se com seus clubes, e vestiam a camisa “canarinho” como se vestissem uma farda de exército, com orgulho e determinação,e o mais importante: jogavam o fino da bola.
Naquele tempo, o jogador de futebol tinha que fazer muito para conquistar o “status” de ídolo de um clube, de seu país. Os salários não eram absurdos como os de hoje, os uniformes eram de pano, pesavam à medida que os jogadores suavam. Naquela época, os jogadores suavam.
É natural que tenha havido uma evolução no mercado da bola ao longo destas duas décadas, porém triste constatar que o esporte deu lugar ao simples negócio. Hoje são as televisões que elaboram os calendários e tabelas dos principais campeonatos, são os patrocinadores que decidem as cores dos uniformes dos times, ignorando tradições de anos, são empresários detentores dos jogadores e seus contratos, e não mais os clubes que os formam desde jovens. É comum clubes rivais possuírem jogadores pertencentes a um mesmo grupo empresarial. E eles pulam de “galho em galho” a cada seis meses, não criando identidade alguma com os escudos que defendem. A carreira de um jogador não é construída intuindo uma gloriosa história de títulos por suas equipes, e sim em busca de contratos milionários, seja lá onde for. Ignorando fatores culturais, probabilidade de adaptação, eles optam por deixar uma possível carreira promissora e consistente por aventurarem-se em países como Qatar, Ucrânia, Uzbequistão. Apenas pelo dinheiro.
Os que conseguem projeção maior, ou um bom empresário, conseguem jogar por grandes clubes da Europa, e em alguns casos, obtêm uma carreira de sucesso. Mas a proporção é mínima em relação aos que fracassam.
Todo esse “papo” nos remete ao time do Brasil, hoje, formado por jogadores sem o mínimo de sentimento coletivo, voltados para seu próprio desempenho, valorização de mercado. Resultado: um futebol medíocre.
Dunga, respeitado pelo passado como jogador, é apenas uma extensão dos interesses políticos da CBF, a quem costumo chamar de “pseudo-treinador”. Suas convocações são incoerentes e manipuladas, uma vez que a seleção por definição, seria a convocação dos melhores brasileiros na atualidade, o que não ocorre. O que se vê, salvo raras exceções, é um time formado por jogadores fora de forma, que sequer são titulares em seus times, cujos interesses são meramente comerciais ou por imposição dos diretores da confederação.
Mesmo relevando esse aspecto, o mais preocupante é a indiferença demonstrada pelos atuais “atletas”. Os “caras” parecem não ter mais o espírito do que é vestir a amarelinha. O que nossos ídolos do passado construíram parece ter sido esquecido, uma vez que a magnitude de uma pedalada inútil para o lado torna-se mais marcante do que títulos e desempenhos memoráveis. O que mais importa hoje, são os quilates dos brincos e das correntes de ouro com as iniciais das “estrelas” e seus cortes de cabelos “fashion”. Figuram tablóides de fofocas e não os do esporte. Conduta resultante de uma ascensão despreparada e súbita de quem sai de um subúrbio pobre num dia e no outro desfila com uma Lamborghini Gallardo pelas ruas da Europa.
Aos mais jovens e jogadores de “Playstation”, sugiro que dêem uma vasculhada nos vídeos do Brasil das décadas de setenta a meados de oitenta, antes que considerem meu texto um absurdo.
Aos mais “antigos”, compartilho de meu sentimento nostálgico e saudosista.
Bom café...
Nota: Não é uma vitória simples sobre a fraquíssima Seleção do Peru que muda minha minha opinião acerca do contexto geral.
Motivado pelo fato de que nossa “Seleção” se apresenta duas vezes na semana, não aprecio o futebol apresentado pelos comandados de Dunga. Na verdade, não consigo ficar quieto ante tanta mediocridade.
Tive a sorte de crescer em meio a um futebol ainda apaixonante, vi ainda garoto, Zico jogar no Maracanã. Figura mais que exemplar de uma geração que amava o esporte por si, arrastavam multidões, identificavam-se com seus clubes, e vestiam a camisa “canarinho” como se vestissem uma farda de exército, com orgulho e determinação,e o mais importante: jogavam o fino da bola.
Naquele tempo, o jogador de futebol tinha que fazer muito para conquistar o “status” de ídolo de um clube, de seu país. Os salários não eram absurdos como os de hoje, os uniformes eram de pano, pesavam à medida que os jogadores suavam. Naquela época, os jogadores suavam.
É natural que tenha havido uma evolução no mercado da bola ao longo destas duas décadas, porém triste constatar que o esporte deu lugar ao simples negócio. Hoje são as televisões que elaboram os calendários e tabelas dos principais campeonatos, são os patrocinadores que decidem as cores dos uniformes dos times, ignorando tradições de anos, são empresários detentores dos jogadores e seus contratos, e não mais os clubes que os formam desde jovens. É comum clubes rivais possuírem jogadores pertencentes a um mesmo grupo empresarial. E eles pulam de “galho em galho” a cada seis meses, não criando identidade alguma com os escudos que defendem. A carreira de um jogador não é construída intuindo uma gloriosa história de títulos por suas equipes, e sim em busca de contratos milionários, seja lá onde for. Ignorando fatores culturais, probabilidade de adaptação, eles optam por deixar uma possível carreira promissora e consistente por aventurarem-se em países como Qatar, Ucrânia, Uzbequistão. Apenas pelo dinheiro.
Os que conseguem projeção maior, ou um bom empresário, conseguem jogar por grandes clubes da Europa, e em alguns casos, obtêm uma carreira de sucesso. Mas a proporção é mínima em relação aos que fracassam.
Todo esse “papo” nos remete ao time do Brasil, hoje, formado por jogadores sem o mínimo de sentimento coletivo, voltados para seu próprio desempenho, valorização de mercado. Resultado: um futebol medíocre.
Dunga, respeitado pelo passado como jogador, é apenas uma extensão dos interesses políticos da CBF, a quem costumo chamar de “pseudo-treinador”. Suas convocações são incoerentes e manipuladas, uma vez que a seleção por definição, seria a convocação dos melhores brasileiros na atualidade, o que não ocorre. O que se vê, salvo raras exceções, é um time formado por jogadores fora de forma, que sequer são titulares em seus times, cujos interesses são meramente comerciais ou por imposição dos diretores da confederação.
Mesmo relevando esse aspecto, o mais preocupante é a indiferença demonstrada pelos atuais “atletas”. Os “caras” parecem não ter mais o espírito do que é vestir a amarelinha. O que nossos ídolos do passado construíram parece ter sido esquecido, uma vez que a magnitude de uma pedalada inútil para o lado torna-se mais marcante do que títulos e desempenhos memoráveis. O que mais importa hoje, são os quilates dos brincos e das correntes de ouro com as iniciais das “estrelas” e seus cortes de cabelos “fashion”. Figuram tablóides de fofocas e não os do esporte. Conduta resultante de uma ascensão despreparada e súbita de quem sai de um subúrbio pobre num dia e no outro desfila com uma Lamborghini Gallardo pelas ruas da Europa.
Aos mais jovens e jogadores de “Playstation”, sugiro que dêem uma vasculhada nos vídeos do Brasil das décadas de setenta a meados de oitenta, antes que considerem meu texto um absurdo.
Aos mais “antigos”, compartilho de meu sentimento nostálgico e saudosista.
Bom café...
Nota: Não é uma vitória simples sobre a fraquíssima Seleção do Peru que muda minha minha opinião acerca do contexto geral.
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