Nada como depois de alguns anos, sentar-se com aquele primo, que da última vez que o viu era apenas um adolescente, na mesa de um “boteco” tipicamente carioca, a relembrar momentos de infância, analisar caminhos e decisões tomadas, dar boas risadas e aproveitar ao máximo estes poucos e raros momentos da tão comum “vida corrida” que levamos.Fiquei orgulhoso ao ver que meu priminho tornou-se um homem de grande caráter, bom papo, gosto para música e futebol, assuntos os quais nos estendemos a falar, e principalmente pela clareza na visão da realidade atual do nosso país. Estudante de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, propôs a mim uma discussão muitíssimo interessante sobre a característica da juventude atual, a qual nós dois fazemos parte e compartilhamos de experiências.
Dois aspectos fundamentais para avaliarmos as razões pelas quais os jovens se comportam desta ou daquela tal forma são as rápidas evoluções tecnológicas ocorridas nas últimas décadas e a estrutura familiar, desfigurada também por razões interligadas.
A rapidez e a quantidade de informações disponíveis às pessoas hoje é infinita e incontrolável. Há uma dificuldade notória de criar-se um parâmetro de educação por parte dos pais, uma vez que seus filhos encontram meios alternativos de obterem tais conteúdos, sejam eles produtivos ou não.
Essa informação é o grande argumento dos jovens ante à sociedade, pulando estágios de sua educação antes propostos e com base na estrutura familiar.
Estrutura que perde a força à medida que passam a ser postos à prova mecanismos ideológicos básicos de apoio ao “sistema familiar” como as religiões, e ao mesmo passo com a evolução do capitalismo e a inserção justa da mulher ao mercado de trabalho sob as mesmas condições que o homem, fato diretamente ligado a mudança da formação da família e seus conceitos.
Os pais perderam de certa forma o espaço na transmissão das principais e importantes experiências de vida, ensinamentos e diretrizes. Até porque os mesmos também sofrem com as mudanças sociais promovidas pela “enxurrada” de evolução tecnológica das últimas décadas.
O jovem convive hoje sob intensa influência dos meios de comunicação, diretamente ligados à evolução comportamental das sociedades. E essa influência tem sido instável, fazendo com que esse grupo seja suscetível e mutante. O que é interessante hoje pode não ser amanhã. O que se têm visto são pessoas sem muitos ideais, focadas em suprir suas necessidades momentâneas, sem muitas perspectivas. Planos de longo prazo são descartados por aventuras fugazes.
No campo emocional, preferem acumular diversas pequenas experiências a relacionamentos intensos e duradouros. Fator que certamente influenciará na constituição familiar num futuro breve. Vivem escondidos no anonimato de uma vida virtual que os permitem ser de “gentlemen e ladies” a “animais” sem que ninguém precise saber disso. Alguns expõem suas vidas em “websites”, mas não conhecem a si. Estes jovens desenvolvem a incapacidade de comunicação direta, tornam-se impessoais e materialistas. Cada vez mais dependentes do poderio econômico, cada vez com menos espaço e tempo, são preparados para um mundo prestes a engoli-los.
Jovens que aumentaram em grande número a procura por psicólogos e terapeutas, e ao consumo desenfreado de antidepressivos e medicamentos do gênero.
Apelidei-nos de “a geração de incertezas”
O MELHOR QUE ISSO, É VER QUE ESTE PEQUENO TEMPO TROUXE BONS FRUTOS...A DISTANCIA, O TEMPO NADA MAIS SÃO QUE REGULADORES DA VIDA. ESPERO QUE POSSAMOS TER MUITO MAIS MOMENTOS COMO ESSES. AGUARDO ANSIOSAMENTE! SEU PRIMO MAIS NOVO!
ResponderExcluirABRACOO