quinta-feira, 22 de julho de 2010

Diretrizes da Informação

O meio define a cultura de uma sociedade, ou a sociedade imprime a sua cultura de forma independente ao meio?
Há tempos penso em como abordar este assunto relativamente complexo, uma vez que escrevo para um importante veículo de Foz do Iguaçu, uma das principais cidades do segmento turístico do país. Minhas idéias referem-se a mídia de maneira ampla, generalizada, logo, não direciono a nenhum foco específico.
Tudo parte do pressuposto de que as pessoas são livres e consomem o tipo de informação que lhes é conveniente, e que vivemos num país democrático que adota a liberdade de expressão como o direito de todos. Essa justificativa sustenta todas as outras, como priorizar o lucro independente de qualquer outra coisa. Óbvio que não há como dizer que emissora “X”, revista “Y”, ignoram o conteúdo que fornecem, sem escrúpulos e preocupações com o que há de importante a ser dito, discutido e posto a conhecimento do grupo social.
Mas é perceptível que alguns veículos o fazem.
Hoje por exemplo, parei em uma banca de jornal e de cinco diários expostos, quatro falavam sobre assassinatos, mortes brutais, violência, “Caso Bruno”, “Caso Mércia”, enfim, incluindo fotografias e detalhes exagerados. Agora a pouco, antes de começar a escrever, abri os principais portais de notícias brasileiros, e todas as principais manchetes falam sobre os mesmos temas.
Qual é o limite entre a informação e a banalização dos fatos com intuitos distintos?
As prioridades que devem ser discutidas pela sociedade ficam em segundo plano, como por exemplo, o avanço nas pesquisas para a cura da AIDS. É um assunto de importância imensa que tenho certeza que poucos saberiam dizer sobre o que foi descoberto.
O nosso país à beira das eleições presidenciais, e o povo sequer sabe quem são os candidatos, seus vices, suas intenções. Depois de oito anos de governo petista, de uma figura que gostemos ou não, mudou a posição do Brasil no cenário mundial, mesmo que subsidiado pelas estatais, mesmo que omisso em alguns casos de corrupção, ele consegui o rótulo de ser “O cara” do momento. Essa sucessão é uma das mais importantes da história política do Brasil, e o que se sabe ou o que se espera por parte dos brasileiros?
Se não é de responsabilidade dos veículos de comunicação “educar” sua sociedade, e concordo em parte que não, eles são os mais capazes de contribuir culturalmente, já que suas pautas e grades são determinados pelos mesmos. Óbvio que em muitos casos, os contratos de publicidade que mantêm estes veículos os obrigam a tomar essa linha de jornalismo, porém deve-se procurar alternativa a isso, sem a necessidade de excluir de seu conteúdo.
Há interesse pelo bárbaro, até por instinto. Mas somos suficientemente adaptáveis e a inserção da cultura pode trazer qualidade e elevar o nível intelectual de qualquer grupo social.
Não falo de Foz, de Paraná. Falo de Rio, de São Paulo, de Porto Alegre, de Salvador, Curitiba, enfim, capitais que servem de modelo e todos os aspectos comportamentais. E este texto se refere ao que acontece em todo o País.
Bom café...

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