quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Telefone celular: utilitário ou brinquedo inútil?

Tive que ir ao shopping um dia desses, aqui perto de casa, e como é comum nesta época do ano, qualquer centro comercial, rua, viela, calçadão, e principalmente Shopping Center, ficam abarrotados de pessoas.
Sem muita bala no cartucho para gastar, meu itinerário neste tipo de estabelecimento se resume a um restaurante ali, um cinema acolá, e um sorvete de iogurte. Nada muito dispendioso.
Mas nem o mais distraído dos indivíduos deixa de prestar atenção a um conglomerado de pessoas semelhante a um formigueiro á esquerda, a direita, ou mais a frente numa loja distante não tanto ao visual. A primeira piadinha que o carioca faz quando vê esse tipo de movimentação: “Estão dando doce ali?” Fazendo alusão ao feriado estadual de São Cosme e São Damião, aonde as pessoas oferecem doces na porta de suas casas às crianças, que formam filas em frente a estas residências.
Mas que tipo de produto atrai tanto as pessoas nesta época do ano? Descobri que não tem nada a ver com a época do ano, é um produto que desperta este interesse o ano todo. Telefones celulares, telefonia móvel em geral.
Isto me instigou a escrever um texto.
Esta política econômica que se fortaleceu nos últimos anos elevando o poder de compra de todas as camadas sociais brasileiras, mudou o padrão de consumo das camadas inferiores.
E o mercado que não é bobo nem nada, faz um ataque sedento à classe mais numerosa.
O produto em si, o aparelho telefônico, tem de possuir um princípio básico e imprescindível, que é lhe dar boas condições de falar e escutar. Mas qual é a graça?
Os aparelhos hoje oferecem milhões de utilidades “extras” que chegam a descaracterizar a natureza funcional do produto. Um aparelho que reproduz MP-3, vídeos, acessa redes sociais e envia foto mensagens, por exemplo, só lhe permite usufruir de tudo caso obtenha um plano de cobertura “x”, e muitos não têm condições de adquirir tais planos. O que torna o telefone obsoleto, em sua original função.
Os contratos de telefonia hoje permitem que as pessoas tenham um aparelho que não as permitem fazer ligações a não ser que tenham créditos, os famosos pré-pagos. E a maioria das pessoas que está naquele entrevero popular não tem condições de formalizar contratos de telefonia pós-paga, ou as contas, que dão a liberdade de uso a um custo final mais caro, devido a comodidade.
O telefone hoje é muito mais do que um aparelho que conecta as pessoas através de voz, mensagens e conversações simultâneas. O objeto tornou-se símbolo de ascensão e status social, de um falso poderio econômico, uma vez que muitos não possuem telefones compatíveis com sua realidade.
O marketing envolto nesse tipo de segmento é eficaz a ponto de fazer com que uma grande quantidade de consumidores priorize ostentar uma “cereja preta” um “ai-fone” ou “N-12345678” do que investir em algo que melhore suas condições básicas de vida.
Um fenômeno mercadológico já visto na recente febre de consumo pelas televisões, hoje se volta à telefonia. Não é a toa que ocupam as mais nobres cotas de propaganda da rede nacional.
Bom café.

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