É involuntário, mas me pergunto o porquê da maioria das pessoas se referem ou interpretam amor com a imagem de um casal feliz, um horizonte belo e uma espécie de silhueta ou áurea em forma de um coração parecendo que postado ali ao acaso, ou atraído pela energia de tal sentimento.
Antes que os marmanjos de plantão comecem suas insinuações sobre a sensibilidade temática do texto, me adianto e aviso: escrever requer sensibilidade fale você de amor ou de guerra, portanto, sugiro que a critica surja acerca da leitura completa do texto.
Muitas vezes me uso como exemplo, como base de relato às minhas impressões, mas poderia criar uma personagem perfeitamente comum à nossa cultura cotidiana. Alguém que acorda cedo, trabalha, estuda a noite e se vê dominada pelo ritmo frenético das obrigações incanceláveis.
Qual é o real objetivo do seu ciclo diário rumo a dias iguais aos outros? Porque os sonhos se perdem cada vez mais cedo?
Perdem-se é forma expressiva de eximir de culpa quem simplesmente deixou para trás o ápice do enredo de sua biografia.
Quando você anda num centro econômico, num centro comercial aonde quer que seja, percebe quantas pessoas incógnitas cruzam por você, passam do seu lado, estão paradas num ponto de ônibus ou, sei lá, num dia quente tomando um sorvete?
Se dedicasse dez minutos a apenas observar a fisionomia destas pessoas, perceberia o quão indiferente é a maioria dos semblantes. Todos parecem andar sem destino. Isso me lembra um clipe do Pearl Jam , “Do the Evolution” aonde os seres-humanos ao nascer seriam marcados com códigos de barras, como mercadorias. E essa indiferença sentida é reflexo de uma evolução sócio-cultural voltada para a produção e quantidade. Quando falo disso, me refiro à resultados. Lucros, metas, positividade numérica. Palavras que substituem sonhos.
Volte ao momento em que passou a observar por dez minutos as pessoas ao seu redor. Pense o quão incrível seria, independente de status e poderio econômico, de vestimenta, de estética destas pessoas, que cada um destes têm ou teve um sonho, pelo menos um dia. E se todos pudessem ter realizado esses sonhos? E se ao menos alguns deles? Estariam essas pessoas andando como parecendo “frios andróides”, provavelmente indo ao encontro de um compromisso o qual ele foi obrigado a comparecer?
Tenho certeza que a vida de muitas destas pessoas daria bons livros.
A satisfação ilusória do consumo é o mecanismo que sustenta parte de toda essa realidade. A troca do “ter” por “ser”.
Onde está o amor? O amor em você mesmo.
A primeira resposta que as pessoas têm para justificar a perda da paixão pelas coisas da vida é que não há opção, que o Mundo “massacra”, que o tempo passa, e que precisa pagar contas e trabalhar. E isso serve como justificativa global aos considerados fracassados, ou, resignados.
Eu não tenho a fórmula, sou alguém que vive esta perspectiva real, mas me questiono de tempos em tempos. Abrir mão desse amor ocasiona perda de confiança, desilusão. Isso reflete no convívio social do mais superficial ao mais íntimo.
Talvez seja a motivação pela qual esteja compartilhando estes questionamentos. E a resposta a essa aparente incontornável onda comportamental, de minha parte, está aqui, nestes textos que semanalmente escrevo. Talvez seja resquício do que almejei um dia.
Não faria sentido se todos simplesmente aceitassem as condições que a vida lhes propõe, e deixasse o tempo se encarregar do resto.
Cadê seu amor, “pô”?
Ame a si a ponto de permitir-se deixar fazer coisas que o satisfaçam. Faça algo bonito aos seus olhos, não aos alheios.
Não seja número se pode ser história.
Bom café...
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