Certamente já ouviste aquele ditado, “quando a água bate na bunda é que se aprende a nadar”. Ou aquele outro, “pimenta nos olhos dos outros é refresco”.
Este feriado prolongado me trouxe um presente no dia da independência do Brasil. Fiquei fisicamente dependente, após um acidente doméstico que agravou um quadro clinico ao qual estava dando início ao tratamento.
Estou imobilizado da perna para baixo escrevendo este texto deitado, com um pouco de dificuldade. Além de tudo confesso que essa dor constante controlada por medicamentos me prejudica na concentração e conseqüentemente na inspiração para a escrita.
Isso tudo me faz pensar no quanto seria difícil viver com determinadas limitações físicas. A minha no caso, hoje, de não poder me locomover sem a ajuda de alguém, apesar de temporária, me faz ter uma breve noção do quão difícil é a vida das pessoas que possuem necessidades especiais. E olha que não são poucas. Talvez não as vejamos por aí justamente pelo fato de não haver condições adequadas para tal.
Não são muitas as cidades, quiçá alguma, que contam com uma pavimentação adequada a este grupo de pessoas neste país. Muitas pessoas capacitadas penam com a falta de estrutura urbana sofrendo acidentes por conta de inúmeros inconvenientes e obstáculos encontrados nas ruas e calçadas, imagina as pessoas que precisam de espaço, de indicação, de guias, de rampas...
Quantos ônibus você já pegou que possuem o espaço reservado a um portador? Eu até vejo alguns aqui no Rio, mas aí entra o problema da falta de educação. Aqui por exemplo, andar de ônibus é como entrar num carro de corrida, aonde motoristas são pilotos, e os pontos de ônibus são boxes aonde o “pitsop” tem que ser rápido. Imagina agora um portador dependendo da cidadania de um sujeito que não respeita nem as normas de segurança adequadas às pessoas capacitadas. É complicado.
No shopping, no mercado, não respeitam a vaga exclusiva do estacionamento, não há escadas e às vezes nem elevadores adaptados.
Além de tudo isso, há o preconceito social.
Não pesquisei sobre isso, tampouco conheço pessoas próximas que passem por esta situação, mas como citei no início do texto através dos ditos populares, a gente só passa a enxergar certas situações vivenciando-as. Passei o feriado numa cadeira de rodas, tendo sequer forças para empurrá-las. Em casa, meu dia tem sido 90% na horizontal, tendo que ser carregado ao banheiro e receber comida na boca. Imagino que em breve estarei bom, através de tratamento ou sei lá, cirurgia, mas passando por isso, me pergunto: e se eu tivesse que ficar permanentemente assim?
Nós seres humanos temos uma capacidade desconhecida de adaptação, e essa é a resposta das pessoas que convivem com a dependência física.
Pensando assim, sinto-me envergonhado por reclamar de uma topada na quina da mesa, de uma dorzinha de cabeça, ou por me sentir cansado ao fim do dia, condução lotada, trânsito, ou uma chuva inesperada.
Tentemos não ser egoístas, e olhemos por diferentes prismas. Isso pode nos ajudar a nos tornarmos pessoas melhores, e fazer bem mais aos que realmente têm dificuldades.
Este texto é uma humilde solidariedade a todos estes.
Bom Café.
Bem, em primeiro lugar estou muito triste porque acabo de ler esta notícia, tendo chegado do jogo; e entendo um pouco do que os portadores de necessidades especiais sentem, pois tive o privilégio de conviver, por um período de 6 meses,ensinando e viabilizando inclusão digital, para inserí-los no mercado de trabalho. Minha visão foi ampliada, pela determinação que presenciei em cada um deles... Cada dia que eles chegavam(sempre no horário e sorrindo) eu aprendia o que era superação devido às barreiras que eles enfrentavam e transpunham para ter acesso ao "mundo" digamos assim. Realmente há falta de infra-estrutura no país...Estimo melhoras, sinceramente.
ResponderExcluirIve.