quinta-feira, 20 de maio de 2010

O Menino Grande

Crianças são fontes de energia, quem convive com elas não tem o direito de começar o dia desmotivado, desgostoso da vida. Bata um papo com seu filho, seu sobrinho, mesmo que ele ainda só emita sons sem sentido. Olhe para ele. Sairá de casa energizado.
Meu texto de hoje conta a história de um menino. Ele ainda não sabe ler, ainda. Mas um dia saberá.
Como dentro de um poço em busca de uma forma de subir, a criança curiosa vai atrás de suas mais variadas dúvidas sobre o Mundo lá fora. Fora como a luz que entra pela superfície do poço, fora como a luz que mostra o Mundo através da tela da televisão, fora como os olhos dos pais aos seus anseios.
Nessa pesquisa sobre a vida, encontra o menino paredes cada vez mais estreitas. E suas respostas são criadas pela própria idéia do que as pessoas se negam ou não dispõem a ele. “Por que o planeta precisa ser preservado?” Porque “Papai do Céu” inventou o ladrão e “Se todas as pessoas não dormirem à noite, nunca ficará dia novamente.” Entender relação entre dinheiro e trabalho, mas não entender a relação entre mãe e pai. Viver num turbulento ambiente que o faz desejar sua própria casa, sonho que muitos têm depois de adultos, ele já ostenta aos cinco. Uma quantidade de energia concentrada em uma criança ainda presa a seu próprio destino. Destino que ele em breve descobrirá que terá que traçar sozinho. E por incrível que pareça, e por mais que ele mesmo ainda não entenda, ele será capaz. Melhor do que todos nós.
A inteligência e a sagacidade peculiares no menino da língua presa na pronuncia do “s”, misturada como tinta em papel na recreação infantil com sua surpreendente educação e gentileza, faz do moleque uma atração.
De Minas, do Rio, de São Paulo ou de Foz. Ele é de todos os lugares. Tem até os sotaques misturados.
A vontade de se reunir, de estar com todos, de interagir com o grupo é qualidade rara num tempo cada vez mais individualista. Talvez reflexo da solidão interna que carrega. Algo que nem seus pais, nem seus tios e nem seus avós tiveram o desprazer de sentir. Algo que só o traquinas conhece, que o torna forte diante de todos.
Quanto menos amor recebe, mais distribui. Dança, e mesmo sendo menino, como dança.
A vontade de ser o “Homem Aranha” quando crescer, talvez revele de forma sutil uma vontade ainda involuntária de pular pra fora, para longe, de se ver livre dessas paredes internas.
A ausência paterna constante não o incomoda, pois ele tem mais pais do que uma criança comum. A ausência repentina e freqüente da mãe também não o incomoda tanto. Ele tem uma mãe ao quadrado.
O futuro que parece ainda inalcançável aos nossos olhos e a nossas perspectivas, não aparenta ser problema para esse menino de todos os lugares. Ele tem pernas fortes e mente aguçada.
Quando você se preocupa em educá-lo, ele te dá uma lição de como se deve ser adulto.
Ao voltar para casa, esse mesmo menino que transmite toda a energia da qual mencionei no início do texto para agüentarmos os dias, tira toda a restante. Mas essa é a parte boa.
Aproveitemos os meninos. Falta-nos a inocência infantil que cada vez se vai mais cedo, em virtude dessa pressa do Mundo.
Bom Café...

Um comentário:

  1. Penso que uma vida inteira não seria suficiente para definir o q este "Menino Grande"representa em nossas vidas.Nunca imaginei sentir o amor q sinto cada vez q o vejo,q o toco ou q simplesmente lembro de cada palavra ou gesto dele.Sou grata por fazer parte da história dele e por aprender cada dia o q ele transmite,as emoções,os sentimentos...a vida.

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