Com o aparente sentimento de que “o pior já passou”, o que parecia mais um comentário patético e sem relevância acabou ganhando status de definição perfeita para o que acabou sendo a crise para o Brasil, na visão do presidente: “apenas uma marolinha”. O país já recebe novo grau de investimento por agências internacionais e o Pré-Sal nos reserva um futuro jamais tão próspero. Tudo bem, metade das pessoas não faz a mínima idéia do que isto significa. O que acontece na prática é que os números relacionados à economia do país estão voltando ao normal. Oportunistas aproveitam esta tendência para falar em crescimento, mas a verdade é que apenas se trata de uma readaptação, uma suposta volta à normalidade. As empresas e indústrias com seus postos ociosos voltaram a restabelecê-los. O desemprego diminuiu nos últimos meses justamente em virtude disso.
O interessante é que o que era ruim ontem passa a ser maravilhoso hoje. Os melhores percentuais atingidos no Brasil ainda estavam longe de serem os ideais.
A forma como a vaga de trabalho é oferecida ainda é desigual, o que favorece as classes econômicas mais favorecidas nas principais ocupações, nas maiores empresas, limitando a grande maioria a postos de trabalhos nos quais as exigências de qualificações são menores. Ou seja, não há meio termo. A maior parte da população situada nesta faixa econômica mediana, a famosa “classe média”, vê-se distante da realização profissional justa. Há preconceito e segregação nas indicações para cargos importantes e de responsabilidade, assim como há poucos de tais cargos disponíveis no mercado de trabalho. Fala-se de falta de mão de obra qualificada. É oportuno utilizar-se deste argumento num país aonde a educação é pífia e a desigualdade social é latente. Mas é um argumento falho.
O corporativismo afunila as possibilidades do cidadão comum de, por meio de seu próprio esforço, adquirir sua colocação máxima dentro de um patamar hierárquico pré-determinado. A resignação pelo emprego seguro e que garante o ordenado mensal acaba sucumbindo. A conseqüência evidencia a realidade, que é a de pessoas razoavelmente qualificadas realizando funções primárias, em muitos casos sem exigir do intelectual, deixando os trabalhadores com qualificações inferiores sem emprego. E no topo da cadeia, pessoas escolhidas “a dedo”, de acordo com interesses inerentes ao mercado de trabalho, criando um largo espaço entre uma classe e outra.
Característica comum ao Mundo cada vez mais selvagem e capitalista.
Às “cadeiras cativas” das principais referências econômicas nacionais não são de acesso liberado. Em muitos casos forja-se até seleções minuciosas e testes inúmeros, enquanto que já há o escolhido.
É crescente a “opção” dos profissionais pelo trabalho alternativo. Sendo a formação subjetiva para seu desenvolvimento dentro de uma companhia, o indivíduo opta pela diversidade de características. E geralmente essa readaptação foge à sua formação específica.
Outra saída é o ingresso em instituições públicas mediante concursos cuja concorrência é desigual e em alguns casos “desumana”. Passando, o sujeito que estudou a vida inteira determinada habilidade, trabalhará no administrativo de algum segmento do governo em troca da estabilidade inabalável, ganhando um salário mediano mais benefícios. Errado? Claro que não. Mas...
Ou seja, há um desequilíbrio mercadológico no país evidentemente manipulado de forma consciente.
O resultado disso é a formação de algo como um “campo de força” que inviabiliza qualquer suspiro de inovação e abertura.
O sistema é fechado e protegido.
Talvez até meados de 2010 abra-se mais “casas” para peões neste “tabuleiro”, mas as torres, os bispos, o Rei e a Rainha seguirão a “linhagem”.
Bom Café.
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