Já fui uma pessoa mais preocupada e esperançosa com o futuro desta república de dimensões continentais, chamada Brasil.
Sinto um desconforto imenso quando leio o noticiário, diariamente, e perco minutos tentando entender como certas coisas ainda acontecem de forma tão simplória, sendo essas de cafajestice usual.
A realidade é de um país aonde a definição da liberdade de expressão e democracia se distorceu completamente.
Os atuais e famosos “atos secretos”, a realização de projetos em prol do desenvolvimento e infra-estrutura nacional tendo como alicerce uma enxurrada de dinheiro público, meu e seu, e o simples fato de sermos obrigados a exercer a “cidadania” do voto, nos tornam falsos liberalistas.
O brasileiro encara como liberdade ter um teto, nem sempre próprio, um emprego provavelmente não remunerado da forma como a merecida, uma televisão na sala aonde possa assistir ao seu futebol no Domingo e um pack com doze latinhas de cerveja na geladeira.
Considero muito pouco para um país com tanta gente brilhante.
Pessoas que exercem tais bons pensamentos em magnitude inversamente proporcional à necessidade que o país tem delas.
Culpadas? Porque deveriam sentir-se?
Quem em sã consciência se propõe a peitar dinossauros burocratas que perpetuam a incompetência e corrupção que se arrastam pela história do poder tupiniquim?
Não se trata de omissão, e sim de delegar seus dotes a atividades que tragam resultados satisfatórios na escalas em que lhes é possível ante o quadro arcaico das políticas públicas.
Essas pessoas ocupam posições importantes e são bem sucedidas em suas ações, idéias e administrações. E estão disponíveis a nós. Busquem-nas.
É a tentativa de resgate da liberdade de expressão de dentro para fora. O brasileiro ainda precisa entender dentro de si o que significa isso, para que defenda seus argumentos de forma correta, almejando obter resultados em suas idéias propostas.
Existem formas de buscar o conhecimento hoje, como nunca houve antes. O conhecimento é a arma para a mudança. Logo, fica pressuposto que há uma boa vontade imensa dos interessados com a manutenção da ignorância da grande camada populacional. Isso não pode se transformar em motivo para continuarmos sendo subdesenvolvidos. Talvez em administração política sim, mas não em cultura e intelectualidade.
Há um “muro” propositalmente construído a frente do que é importante para o desenvolvimento de uma sociedade com tanto potencial.
Tentam nos enfiar goela abaixo uma realidade estagnada. Vendem-nos a desesperança. Anestesiam-nos com novelas, reality shows e futebol. Metade do que acontece no palácio do planalto é disponibilizado da mais incompreensível e monótona forma, para que justamente não haja interesse.
Mal sabe a maioria das pessoas o quão baixo nível são determinados episódios ocorridos em Brasília, equiparando-se às mais patéticas cenas de duas sisters “siliconadas” de um show de horrores destes que passam todo ano na televisão.
Imagino também como seria produtivo se ao menos duas vezes por semana, jornalistas e estudiosos se reunissem para comentar ao vivo, por horas a fio os devaneios providos do senado, da mesma forma que discutem por uma hora se foi pênalti ou não no Joãozinho no jogo de Domingo á tarde.
A cultura do conformismo impera. Fica difícil encontrar um indivíduo que assuma sua responsabilidade.
Bom café.
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