A infusão da tecnologia no esporte influenciou de forma pesada nos rumos da atividade ao longo dos últimos anos, tanto na operacionalização em si quanto em sua divulgação e interesses inúmeros.
A constatação de que o esporte vende, trouxe como conseqüência uma corrida acirrada da mídia e patrocinadores acerca dos principais eventos. Conseqüência esta ainda a ser discutida, quanto a seus benefícios e /ou malefícios.
Numa visão econômica macro, a “transformação” do esporte em produto revelou um potente segmento a ser explorado. Os contratos de patrocínio às ligas européias de futebol ou aos campeonatos de automobilismo como a Fórmula 1 e a Moto GP, por exemplo, possuem números “estratosféricos”. Se os eventos recebem tal aporte monetário, o que dizer de suas estrelas, seus protagonistas? Os “atletas” hoje são muito mais que esportistas, são artistas. Vendem sua imagem por um valor às vezes mais caro que o seu próprio desempenho. A superexposição dos mesmos os subsidia com o direito de imagem concedida.
Eu sempre fui apaixonado por esportes em geral. Claro, como brasileiro é natural que o futebol seja minha fixação, mas adoro por exemplo, o automobilismo e o tênis. Fora que acompanho sempre que posso pela televisão, todos os tipos de eventos esportivos, até torneio de bolinha de gude.
E justamente por acompanhar de perto, percebo o desapego cada vez maior pela essência esportiva. O jogo, a coletividade, a vitória e a derrota.
O mais importante hoje não é mais o espírito, e sim como esse espírito se mostra, que marca estampa e o quanto ela rende.
Se partirmos de um princípio que o esporte “depende” da iniciativa privada para sua manutenção e desenvolvimento, como segregar os ideais dos atletas e suas metas às de seus patrocinadores, da mídia e do público?
Acontecimentos como o ocorrido com Nelson Piquet Jr. Na Formula 1 servem, infelizmente, como sustentação para este texto e o raciocínio o qual pretendo expor.
Não quero questionar a atitude do piloto em si, ou por à prova o caráter do rapaz. Fica claro que existiram pressões por todos os lados. Mas pressupõe-se que um piloto que chega a Fórmula 1 é provido de todos os requisitos que à categoria exige, inclusive estabilidade emocional.
Logo, torna-se injustificável tal atitude. Nelsinho foi precipitado, algo comum aos mais jovens. Entendo que seria muito mais apropriado para ele negar-se a fazer parte de tal farsa. Que perdesse seu posto na equipe, mas fortalecesse sua postura correta. A verdade viria à tona de qualquer forma, e talvez antes, e Nelsinho sairia intacto de toda a trama. Hoje, por mais que ele não seja punido, portas fecharão, e acredito que mesmo que volte, será sob olhares desconfiados.
Para quem gosta do esporte e vê-se ludibriado por armações premeditadas, é uma enorme decepção. Não se trata de um programa de auditório ou de um “reality show” com seus intervalos comerciais incessantes.
O esporte mexe com a vida das pessoas de forma intensa. E a deturpação do conceito desportivo cria esta enorme dúvida quanto ao futuro deste segmento tão apaixonante.
De um lado corações, suor, emoção. Do outro os poderosos, interesses e dinheiro.
Você ainda têm dúvida sobre quem ganha esse jogo?
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