Venho de uma família numerosa. Vários tios e primos para todos os lados. Sempre fomos muito carinhosos entre nós, em gestos e palavras. Comportamento comum ao povo latino. Sangue quente, intenso. As manifestações entre seus membros tende a ser fervorosa, tanto nas brigas quanto nos afagos.
Confesso ter achado muito exagerado e estranho num primeiro momento, a prisão do italiano em Fortaleza, por ter beijado sua filha de quatro anos na boca. Não estou me posicionando a favor deste tipo de comportamento. Compreensível parecer chocante e absurdo para muitos, mas deve-se esclarecer a forma como tal beijo foi dado na criança.
Não cabe a nós, desprovidos da real situação do caso, pré-julgar este fato isoladamente. E a minha intenção ao escrever sobre isso não é noticiar nem averiguar o que realmente ocorreu. Independente do que vier a ser comprovado, o que me deixa curioso, é que num país onde um dos principais "atrativos" oferecidos para o estrangeiro, seja em publicidade impressa ou através da internet, seja o sexo fácil e barato, inclui-se neste "pacote" a prostituição infantil, haja todo este alarde. E não menos estranho em uma região aonde é sabido que mães põem suas filhas desde cedo a vulgarizarem seus corpos em troca de dólares e euros ou as trocam por caixas de cerveja ou carteiras de cigarros.
Como “bode expiatório”, um flagrante gravado por uma câmera de segurança, vira um exemplo de como combater esse tipo de violência. No Brasil? “Pra cima de moi?”
Se o cidadão for realmente culpado de molestar sua filha, deve ser julgado, preso, enfim, pagar pelo absurdo que é a violência sexual a menores.
Agora, noticiar mundialmente a moralidade não combina com um Brasil a cada dia mais imoral.
Do senado à polícia militar corrupta no Rio de Janeiro, do mega-empresário ao favelado que rouba e mata pelo tráfico.
É legal argumentar
Semana passada, em meu último texto, coloquei em cheque o que se chama de “liberdade de expressão” neste país. Naquela ocasião, motivado por uma reportagem que li sobre a opressão à “Marcha Verde”, proibida sob alegação de apologia à maconha. O assunto é complexo e cabem semanas de textos e discussões. O fato é que a liberdade de expressão neste país só vale ao que for conveniente aos “poderosos”.
A mesma liberdade que permite a qualquer cidadão sensato exercer a profissão de jornalista, desde que tenha noções básicas da escrita do português e interpretação, cala cidadãos que pretendem pôr seus argumentos em discussão.
O grande problema é a complexidade das leis em nosso país. Há legalidade no consumo e propaganda de drogas lícitas como o álcool e medicamentos. Pessoas são fortemente dependentes deste tipo de droga, e a dificuldade à procura de reabilitação se torna muito mais difícil, (como não seria?), diante do incentivo massivo à sua compra.
Trata-se do alcoolismo e do tabagismo, além da dependência química a medicamentos, com muito menos importância como deveria.
Mas qual seria o interesse em alertar às pessoas aos perigos do exagero de consumo de determinados produtos, sendo eles os mais rentáveis do mercado, tanto para o governo quanto para os grupos responsáveis pela produção? A indústria é poderosa. O povo é frágil, mas a alimenta.
Essas indagações não significam que acho certo que se legalize a maconha sem que haja discussão. A luta por isso, por parte de quem a defende, esbarra na própria lei. Qualquer manifestação que sugira a utilização de uma droga proibida torna-se ilegítima.
Se o tráfico de drogas diminuirá e a violência como conseqüência é outra história. O que defendo é a argumentação, em todos os casos.
Bom Café...
Nenhum comentário:
Postar um comentário