quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Turista não é otário. Respeite-o!

Turista não é otário, respeite-o!



No Rio de Janeiro, nas merecidas e fugazes férias anuais, priorizei obviamente matar a saudade da família e das atividades as quais tinha o hábito de fazer quando aqui vivia. Antes de prosseguir, gostaria de deixar claro que tenho propriedade em relatar o cenário carioca como natural da cidade, crescido e habituado com a cultura local. Não é perseguição muito menos difamação. O problema do Rio se estende às grandes capitais e cidades de mais evidência e apelo econômico, em suas proporções.

Ao descer no Galeão no sábado à tarde, dei um beijo na mãe e a pedi que levasse minhas malas para casa e me largasse nas imediações do Maracanã. Jogo do Flamengo sempre foi minha terapia. Ganhando ou perdendo eu ia a todo jogo, nem que fosse para ficar rouco de tanto xingar e descarregar minhas frustrações semanais. Minhas primeiras impressões não foram das melhores. Na verdade, nada muito diferente do que sempre foi. Sob o clima tenso das constantes operações policiais, muita algazarra e confusão ao redor do estádio.

Ingresso nas bilheterias? Impossível. Para adquirir um ticket e ver a partida, somente nas mãos do cambista. Cambista é a figura que trabalha para alguém grande, revendendo uma carga de ingressos “X” a um preço 500 % maior do que o original. Isso é crime, claro. Mas ocorre desde que me entendo por gente, aqui e na China. Abordado por um rapaz simpático, eu sem muita alternativa, e com muita vontade de entrar logo no estádio, comprei meu bilhete e para minha surpresa, fui cordialmente levado até a roleta eletrônica aonde o vendedor me garantia a veracidade do seu produto. No meio do caminho cumprimentou uns “rapazes fardados” na maior camaradagem. Desejou um bom jogo e ali se encerrava a falcatrua.

Sob a áurea da magnética torcida, e o lindo Maracanã lotado, curti o jogo numa boa. Porém pensava comigo: “Imagina numa Copa do Mundo, nos Jogos Olímpicos?”.

Jogo encerrado, a maioria do público feliz, aquela zoeira na saída, fui atrás de um táxi, para voltar tranqüilo para casa aonde “mamãe” me esperava com uma comidinha recém preparada.

No mesmo passo, notei a presença de turistas estrangeiros ao lado, também procurando pelo serviço. Ao abordarem um taxista, fiquei chocado com o que ouvi. Os turistas disseram o destino e o taxista foi sucinto: R$ 150,00. Na lata. Os “gringos” contestaram. O rapaz replicou: “Se quiser é assim, e já lhe aviso, que todos fazem o mesmo preço”.

Uma máfia.

Fiquei “p” da vida com aquilo e fui atrás do meu, quando obtive o mesmo tipo de resposta. Ficamos, eu e os turistas rodeando e procurando um táxi que pudesse realizar o serviço de forma honesta. Não encontramos. O resultado, eles pegaram o táxi naquelas condições, e eu andei 2 km até sair do raio de abrangência do estádio. Peguei um táxi e me custou R$ 8,00 até minha casa.

Moral da história: o país pode conquistar prestígio internacional na economia, na política, pode ter riquezas naturais que garantam o futuro da república para mais 500 anos. Mas ainda sim necessitamos de uma reeducação.

Turista não é otário. Eles, inclusive, têm uma cultura de pesquisarem bastante antes de suas viagens, são precavidos, e por mais que tenham poderio econômico, não jogam dinheiro para o alto. Tratá-los como idiotas, é uma idiotice “macro”. Ele leva uma decepcionante memória para casa e não volta. Além de fazer uma propaganda negativa do destino.

Foz do Iguaçu tem características semelhantes ao Rio, em vários aspectos. Recebemos turistas o ano inteiro. E este tipo de comportamento é inaceitável. Compartilho deste exemplo negativo aos que servem turistas na nossa cidade.

Este episódio me envergonhou, e sinto que falta muito para recebermos bem eventos da magnitude da Copa e das Olimpíadas.

Reclamamos da corrupção dos governos, mas grande parte da população age da mesma forma. Tornam-se cúmplices uns dos outros. Desta forma nunca seremos uma sociedade de primeiro mundo.

Falta-nos civilidade.



Bom Café.

2 comentários:

  1. Léo, eu acho que tu falou ai duas coisas que foram direto no alvo. Educação e respeito. O carioca acha que o turista é otário mesmo! Todos! E que tem muito dinheiro pra gastar e por isso não vai procurar por alternativas. É um absurdo enorme e mais uma cicatriz dessa doença chamada "malandragem brasileira", onde a gente acha que pode levar vantagem em tudo. Mas a verdade, meu amigo, é que a gente só "acha".

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  2. oi léo!!!! parabén pelo blog! vou te adicionar! vc esta no Rio?

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