As semanas passam, os escândalos no Senado continuam, a gripe continua assustando e o São Paulo começa a subir na tabela. Tudo igual. Chato não é mesmo?
Por isso, peço licença em meu próprio espaço versátil para hoje contar uma história.
Geralmente contam-se histórias mirabolantes, de super-heróis, de uma grande aventura, de um menino inteligente, de um esportista vitorioso...
E se alguém se atreve a contar uma de um cidadão comum, simples, com vida semelhante à de outros milhões?
O conto “empaca”. Ninguém se interessa?
Bom, eu tenho uma resenha de um menino paranaense de Santo Antônio da Platina que cresceu na zona leste de São Paulo. Contador de causos. Eram muitos seus relatos das corridas de carrinhos de rolimã nas ladeiras da Penha. E haja “tampa” de dedão do pé saindo no asfalto. Futebol, sempre foi ruím. O seu melhor lance foi quando seus amigos cobriram o paralelepípedo com um couro de bola e pediu para ele chutar. Mais um tampão de dedo para o espaço.
Adolescente, aos 13 anos pegou o Fuscão de seu pai e capotou numa vala. Mas ele não era só travesso. Trabalhava desde cedo, seu pai não lhe dava moleza. Mais tarde com seu jeito para artefatos eletrônicos, e sua vitrola toda cheia de estilo, animava festas aos finais de semana.
Foi numa dessas que foi detido certa vez numa “mega” confusão. O coitado não tinha nada a ver. Passou a noite no xilindró!
Mas foi noutra noitada que conheceu aquela menina forasteira de sotaque estranho. Ficaram juntos, logo se apaixonou.
A distância os separava, até que um dia, encarando pais e o sogrão, abriu mão do emprego, dos amigos, da família e foi atrás do que seu coração pedia. Uma vez no Rio de Janeiro, casou-se com seu amor, pegou o sotaque do “R” e virou até flamenguista.
Sempre mantendo a ordem em casa, saía cedo e voltava bem tarde. Os filhos mal o viam, só escutavam o barulho da chave perto da meia-noite. E ele sempre trazia um sacão de pipocas.
Planejava muitas coisas, mas a vida imprevisível nunca o permitiu concretizar seus reais sonhos.
Os filhos cresceram, seguiram rumos diferentes e distantes. Num momento novo e difícil, perdeu sua sustentação, seu grande amor e seu emprego seguro.
Estava sozinho. Ao andar por ruas escuras à noite, quase se rendeu.
Mas, apesar de aparentar fraqueza, e de não ter mais qualquer pessoa para empurrá-lo, ele reergueu-se.
Hoje têm uma vida que muitos gostariam. Dono do próprio negócio, “faz” seus horários, têm seus amigos, e é ainda o porto-seguro de seus filhos.
Essa é uma história comum para muitos. Mas essa é a história do meu pai. Um pai diferente daquele das propagandas. Um pai mais real. Ele nunca foi de dar muitos conselhos, mas o mais importante que me deu, sigo à risca: “Filho, não tenho muita experiência em dar conselhos, mas siga seu coração, eu sempre fiz isso.”
E hoje eu estou aqui e sou o que sou por isso.
O dia dos pais é mero calendário. Faz parte de uma política voltada à economia. Marketing, comércio.
Hoje, mais do que nunca, entenderei o que é ser pai, muito mais do que antes.
Obrigado pai.
Realmente a sua história é uma lição de vida para muitas pessoas.O que posso dizer é que a vida real não é um filme ou uma fábula encantada,mas com certeza quando temos caráter e fé ,seguimos em frente.Posso garantir que tudo o que vivemos deu certo,pelo menos enquanto durou.Continuemos seguindo o nosso coração.
ResponderExcluirObrigado filho,fico muito feliz em saber que vc lembrou das minhas histórias qdo criança e q vc tb tenha muito boas histórias para contar para seu filho(a) ,inclusive as do avô dele.
ResponderExcluirLeo muito bonito oq vc escreveu sobre seu pai.Todos nós temos nossas Historias, e a dele é mais uma historia que se constroe, com a sua a de seus irmao e até com a minha!E a nossa sera sempre construida por nossos pais , amigos, tios, tias e PRIMOS!! Como eu e vc! Somos a mesma história, somos Familia, um laço de sangue e amor! te amo! Saudades. BTG
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