quinta-feira, 25 de junho de 2009

Mais lixo? Não,obrigado.

Esta semana decidi falar de algo que, por mais que tente ignorar, simplesmente "deixar para lá", o próximo sinal vermelho trás à tona. Como denominar tal atividade, não sei. Promoção, panfletagem, propaganda?
Sendo mais direto e específico, falo da entrega de toneladas de papéis aos motoristas nos sinais de trânsito.
Hoje, ao olhar para dentro do carro, constatei o seguinte: sou motorista de uma lata de lixo ambulante!
A questão é antiga, sim, e de abrangência nacional. Não é só em nossa cidade que há questões envolvendo esta prática tão comum.
Diria que sempre olhei para as pessoas nos sinais de trânsito com certa complacência. Muitas vezes pensei: "vou aceitar, afinal, está um sol danado, eles estão aí de pé, o dia todo, para ganhar um "troquinho". O que há de errado nisso? Melhor que roubar." Isso é um pensamento primário. Acredito que muitos pensem assim.
Mas os dias vão passando, os sinais vão ficando vermelhos, e lá vem eles, entregar-lhe o mesmo panfleto de ontem, seu carro começa a encher de papéis, você raramente olha para o conteúdo presente nas folhas... e a situação começa a incomodar.
Andei buscando informações, e de fato existem determinações e muitas cidades adotam rigor na fiscalização. Porém, vou apenas lançar questionamentos, para que cada um reflita e interprete da maneira que achar pertinente.
A primeira coisa que me intriga. Os principais estabelecimentos comercias emissores dos panfletos, fazem questão de dizer que suas sacolas são feitas de material reciclado. Ora bolas, eles estão preocupados com o meio-ambiente ou não? A quantidade de lixo originado da papelada distribuída nas ruas é imensa. É o famoso cobertor curto, cobrem a cabeça e descobrem os pés. De que adianta?
Mais perguntas.
À partir do momento que o papel passa do entregador para o motorista por exemplo, de quem é a responsabilidade de se desfazer daquilo? Do motorista, que aceitou receber, correto? Até aí tudo bem. Agora, se eu estaciono meu veículo, e ao voltar encontro uma papelada no pára-brisas, na maçaneta, colocados sem meu consentimento? Eu terei que recolher, e levar à lixeira mais próxima (em muitos casos não há lixeiras próximas), ou colocar para dentro do carro para jogar fora depois? Sim e isso acontece constantemente. Justo? Não.
Outra curiosidade. As pessoas que fazem o trabalho em si, os entregadores. Teriam eles algum vínculo empregatício? Trabalham sob supervisão de alguém? Possuem direitos trabalhistas, são maiores de idade, trabalham em condições adequadas? Sabemos que não. São informais, como muitos neste país. Sabe-se que trabalhar em meio aos carros, em avenidas movimentadas, gera um risco muito maior. Se por acaso, um carro perde o controle e atinge um canteiro de uma avenida destas aonde eles costumam sentar esperando o sinal fechar? Pode ocorrer um acidente gravíssimo. Quem responde por isso?
Penso ainda na questão da limpeza urbana, a cidade acaba ficando mais suja, pois muitos descartam o papel nas vias. Fora a poluição visual.
Não sou contra as empresas, sou cliente de algumas delas, entendo que a propaganda seja a "alma do negócio", mas acredito que existam meios mais responsáveis e menos nocivos ao meio-ambiente do que essa panfletagem desenfreada que ocorre.
Deve haver um respeito do comerciante com o cidadão e com sua cidade de atuação.
Imagina que curioso seria se nós recolhêssemos todo a propaganda recebida num mês, por exemplo, e levássemos de volta aos estabelecimentos para que eles se responsabilizassem pelo lixo.
Será que aceitariam?

Bom café...

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