Mais um triste acidente aéreo de grande magnitude abalou o Mundo esta semana. A aparente freqüência traz muitas questões à tona, a cada acidente de avião que ocorre. A primeira impressão é de que tem havido muitos acidentes ultimamente, que voar está cada vez mais perigoso, que o “caos” aéreo não cessa, enfim. Não é verdade. Por incrível que possa parecer, voar está cada vez mais seguro, uma vez que a quantidade de vôos em relação aos acidentes ocorridos cresce de forma inversamente proporcional. A tecnologia dos equipamentos é cada vez mais apurada, dando mais segurança aos vôos. O avião ainda é um dos meios de transportes mais seguros, perdendo apenas para os elevadores. Sim, muitos não sabem, mas os elevadores são considerados meios de transportes. A probabilidade de haver um acidente aéreo é menor do que você ser mordido por um tubarão branco, por exemplo. Engraçado? A matemática prova. Acidentes de automóveis no Brasil, por exemplo, são a maior causa de morte anual. Até mesmo acidentes de trem são mais freqüentes ao redor do planeta.
Enquanto a preocupação é buscar culpados, apontar as falhas, especular, pré-julgar o quadro sem que se haja uma investigação completa e detalhada em caso de acidentes como este do vôo 447. Existe muita vaidade e interesses envolvidos, obviamente. Política, disputa de mercado, até questões diplomáticas são postas a frente do que julgo ser mais importante, a dor da perda por parte dos familiares e amigos.Argumenta-se que desde que a aviação tornou-se popular, ou seja, acessível à classe econômica inferior, as empresas foram obrigadas a aumentar o número de vôos realizados, sobrecarregando o equipamento, tornando o seu período de vida útil menor e exigindo uma manutenção mais regular em um espaço de tempo menor. Faria sentido se os números não contrariassem esta suposição. Desde a “popularização” dos vôos comerciais à partir da década de 70, o número de acidentes só diminuiu.Outra questão sugerida especialmente no Brasil é a questão dos órgãos reguladores da aviação nacional ser de responsabilidade federal. Há uma corrente defendendo que a privatização do setor poderia resolver o problema de infra-estrutura tecnológica de aeroportos e controladores, assim como os profissionais que atuam neste segmento. Algo que não se pode afirmar.
Em meio à série de investigações e buscas, estão pessoas que passam a conviver com um sentimento que muitos não fazem idéia. A dor de perder alguém que ama em uma catástrofe como esta. Também às famílias dos profissionais da aviação, comandantes, co-pilotos e tripulação. Os dois primeiros geralmente carregam o “fardo” de poderem ter sido responsáveis pela tragédia. Tenho certeza que tanto este comandante da Air France, quanto o comandante da Tam no vôo 3054, quanto todos os outros que estiveram em tragédias aéreas fizeram de tudo para evitá-las. Um profissional desse lida com um nível de responsabilidade e stress inimagináveis. O índice de falha humana em relação à quantidade de acidentes é considerável sim, mas sempre há inúmeros outros fatores que contribuem para um acidente fatal. Em meio a tantas perguntas, como, “O que houve?” “Aonde?”, “Culpa de quem?”, as perguntas que mais me intrigam são outras. Por que um casal feliz, recém casado indo para sua sonhada lua-de-mel, porque uma criança de cinco anos, por que um grupo de italianos que veio ao país para fazer doações a uma cidade de Santa Catarina, por que pessoas boas, pais e mães, irmãos, amigos, por que partir de forma tão súbita e dolorosa? Sei que não há resposta.Os acidentes ocorrem, como a definição da palavra, é algo inesperado, fora da normalidade. A vida daquelas pessoas não voltará. É chocante e triste. O principal papel da sociedade deve ser de solidariedade às pessoas que perderam vidas importantes.
Bom café, de luto.
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