quinta-feira, 2 de julho de 2009

Racismo: jogada desleal

Há cerca de 4 anos atrás, escrevi um dos meus primeiros textos publicados.O racismo deflagrado no futebol, reflexo de uma incompreensível e resistente prática existente em vários segmentos de nossa sociedade.
O futebol vira um potente meio de propagação do racismo devido ao grande apelo midiático existente. O esporte hoje é um show. Não digo na prática do jogo em si, e sim nos valores envolvidos, nos patrocínios estratosféricos e nos direitos de imagens de atletas.
E a exposição de algo negativo, como o que aconteceu na última semana, é quase que inevitável. Ao vivo, as câmeras captam todo e qualquer movimento, inclusive dos lábios dos jogadores e fica evidente a todos, o que acontece no contexto do confronto.
Na última quarta, o jogador argentino Maxi López, ofender seu adversário usando a expressão “macaco”, referindo-se claramente a cor da pele do jogador em questão.
Primeiramente não consigo compreender que ainda hoje, no ano de 2009, exista este tipo de agressão verbal. Enquanto o Mundo evolui, fronteiras são destituídas, a economia se aglomera, busca-se a igualdade para facilitar questões inúmeras, cidadãos ainda são capazes de expor tal ignorância ao tentar diminuir outro por sua cor.
Muitos dizem que aquela conversa se restringe ao campo de jogo. Quem gosta, acompanha e joga futebol sabe que se cria todo um clima de guerra e provocação no gramado, principalmente em jogos que valem mais. Os mais diversos xingamentos são detectados. “Filho da fruta”,“vai buscar chuchu”, “vai se doer”, são costumeiros.
O grande problema é que quando se trata de uma ofensa desse gênero, o fato ganha dimensão maior. A ofensa acaba atingindo todo o grupo étnico-social.
A história nos conta o quanto o racismo gerou conflitos desumanos em todos os cantos do Mundo. É triste acreditarmos que ainda exista enrustido em algumas pessoas tal sentimento retrógrado.
Não falo só do racismo que atinge os negros. A xenofobia, a discriminação por classe social, sexual, cultural, religiosa...
O que ocorreu no jogo entre Grêmio e Cruzeiro, na quarta-feira, principalmente pelo fato de haver uma transmissão a nível nacional, com um provável índice de audiência enorme, foi trazido à opinião pública com muita força. A paixão pelo time faz com que torcedores defendam o jogador do seu time. De ambos. Acho que tanto um não deve fugir da responsabilidade do que foi dito, quanto o outro não deve se colocar na total posição de vítima. Os dois comportamentos alimentam o racismo.
Há atitudes como aquela todos os dias, em diferentes meios profissionais, grupos sociais, que não se tornam evidentes. A exposição disto serve como forma de pensarmos cada vez mais nas nossas atitudes relativas ao próximo.
Não pretendo aqui determinar certo e errado, pois existem diferentes formas de interpretação, e isso deve ser respeitado. Porém, se evidenciado, o racismo é repugnante. O debate se torna válido desde que o fim seja a extinção de tal comportamento. Isto já deveria ser apenas história.
Que no jogo desta noite esta história tome um rumo diferente, de reflexão, de retratação, de união entre as pessoas. Afinal, somos todos muito iguais.
Um bom café (com leite) porque não?

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