... o santo desconfia. Com certeza todos nós já ouvimos este famoso dito popular. A doação de esmolas é alvo de discussões sem fim na nossa sociedade. Há os que defendem que a prática da esmola protela um grave problema proveniente da desigualdade que assola o Brasil, o que de fato faz sentido. Porém há muitas pessoas que entendem que o problema está longe de ser resolvido, o que também não deixa de ser verdade, e optam por ajudar, fazer a parte delas, “ficando em paz” com suas consciências.
As maiores cidades e as cidades turísticas sofrem mais com a incidência de moradores de rua, mendigos e pedintes, devido ao fluxo de parte da população de alto poderio deflagrando maior disparidade sócio-econômica.
O episódio atual acerca desta problemática foi noticiado em São Paulo, esta semana. A famosa Rua Oscar Freire, nos Jardins, Zona Sul de São Paulo, que ostenta as maiores grifes da moda mundial, os mais requintados hotéis e restaurantes do país, vêm sendo alvo dessa parcela de pessoas que pedem por esmolas. Ou seja, a rua está cheia de mendigos e pedintes.
Situação que pareceu incômoda à “nata” da sociedade paulistana incentivou os empresários responsáveis pelo “shopping a céu aberto” a tomarem providências a evitarem tal contraste, tal inconveniente à imagem do metro quadrado mais caro do Brasil.
A novidade agora na principal capital do país é o “Vale Valor”. Os clientes e frequentadores da “Beverly Hills” nacional agora recebem vales, e os repassam aos pedintes, para que os mesmo possam ter acesso a uma casa de apoio, uma ONG que atende em várias cidades do país. Além deste vale, foram instalados pequenos cofres de papelão aonde os clientes podem fazer suas doações que são repassadas à mesma entidade para que ela desenvolva mais projetos de combate à pobreza.
A questão que fica no ar, inclusive posta em pauta por sociólogos, é se o real intuito dos idealizadores de tal projeto é uma ajuda à longo prazo ou simplesmente expulsar essas pessoas dos arredores de seus estabelecimentos. Questão levantada pelo fato de a casa de auxílio situar-se no Brás, cerca de 20 Km daquele local. Além do que a instituição já atende muitos necessitados de uma região muito mais densamente povoada por eles, o centro da cidade.
Nós aqui em nossa cidade sofremos bastante com o problema, e muitas vezes nos vemos com as mãos atadas. Não por não termos uma moeda para dar. O problema é que em muitos casos, tanto aqui quanto em São Paulo, quanto no Rio, enfim, os pedintes são usuários de drogas, são pessoas que não têm perspectiva alguma de melhoria. Acabamos com a esmola, alimentando e sustentando o tráfico que subsidia a violência urbana. É um grande dilema.
Quanto ao “Vale Valor”, a primeira coisa que tento imaginar é o cidadão com um terno Armani, entrando em seu Porshe, entregando o vale para o mendigo e explicando-o que ele deve encaminhar-se ao tal lugar, a vinte quilômetros dali. E não consigo imaginar o indivíduo que recebe tal vale, guardando aquilo como se fosse fazer uso.
Ou seja, fica uma grande impressão de segregação social, e de que o tal “Vale Valor” tem o proposto “subliminar” de “Vale Vá para longe daqui”.
Bom Café.
Realmente o precoceito e o descaso com os menos favorecidos marcam o dia a dia do nosso Brasil.
ResponderExcluirÉ uma vergonha em um país conhecido por ser o maior produtor de grãos do mundo e um dos mais influentes no mercado pecuário, pessoas morrerem de fome todos os dias ou se submeter a mendigar um "trocado" para não ter este fim. E claro, a culpa é sempre daquele que não teve acesso a uma boa educação pública e foi sufocado pelo mercado de trabalho.
Um abraço meu amigo!