O termo usado é forte e de certa forma chocante: É a maior tragédia climática da história do país.Há controvérsias, é verdade, mas é assim que a mídia tem tratado.
Obviamente esse adjetivo é diretamente ligado ao número de vítimas fatais decorrentes dos deslizamentos provocados pelas chuvas no Rio de Janeiro. Não temos terremotos de magnitude considerável, não temos nevasca, nem furacão e nem vulcões entrando em erupção. Pelo menos ainda não. Mas os recentes acontecimentos envolvendo as fortes chuvas que caem no Estado evidenciam a fragilidade na qual se encontra a população.
Quem conhece a região serrana do Rio sabe que trata-se de um lugar de características peculiares. O clima é ameno, as belezas naturais evidentes e até mesmo a cultura dos que vivem ali, mesmo estando apenas a pouco mais que uma hora da caótica capital fluminense, é muito diferente. É como uma fuga do stress e do calor comuns ao Rio 40º.
É notório que a qualidade de vida é elevada, até sócio-economicamente falando.
Mesmo assim, a cidade não conseguiu escapar do crescimento desordenado e da loucura climática atual. Na verdade, a soma destes dois fatores foi fatal desta vez.
Tirando que neste caso, os deslizamentos atingiram áreas que não eram consideradas de risco, a maioria atingida ainda foi de pessoas que viviam em locais impróprios.
Quando os órgãos ligados as previsões meteorológicas obterão o merecido respeito e estrutura necessários para atuarem com prevenção?
Por que aquelas pessoas se instalaram ali? Por que ficaram? Por que as deixaram?
E por que o brasileiro paga tanto tributo e num momento destes, é convocados a fazer doações de roupas, alimentos e dinheiro para ajudar estas pessoas?
Quanto ao aumento das chuvas, das mudanças climáticas e de suas conseqüências, há evidências suficientes para levarmos em conta que o mundo mudou, e que fatos deste tipo ocorrerão com mais freqüência. Não há como evitar um dilúvio, mas deve-se alertar e proteger-se quanto ao pior que possa acontecer. As pessoas que tem esse preparo recebem o devido suporte e são levadas em consideração?
Quanto às vitimas, muitos vão dizer que são pessoas sem oportunidades, que vivem à margem da sociedade, que não tem alternativa. Aí a discussão se estende aos maiores problemas sociais da nação, desde o êxodo na década de 70. É um problema similar ao fenômeno da favelização e do crescimento horizontal das grandes metrópoles.
Sobre ser solidário, acho incrível como o brasileiro conhecido povo sofrido e trabalhador, acha tempo para tirar do seu e dar ao próximo. Isso é louvável. Mas considero um abuso os apelos por doações, sendo que o que se paga de impostos deveria servir para garantir a todos o mínimo de civismo por parte do Estado. Não só falta estrutura quanto não há fiscalização dos órgãos pertinentes para proibirem ou realocarem famílias que correm riscos.
Não estou me abstendo da ajuda, não faço campanha contra, aliás, até já mandei minha contribuição. Mas jogar para o peito do povo a responsabilidade por reerguer a vida destas pessoas, sendo que o valor que é recolhido em impostos é absurdo, é piada ou mesmo achar que artista X, jogador Y tem o coração enorme, é ingenuidade. Alguns até fazem, mas outros querem mesmo é a dedução do IR. E "pagam" de bonzinhos.
Bom Café.
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