Muito discute-se em nosso país os níveis culturais de grande parte da população brasileira, argumentados por fatores como falta de incentivo público, disparidade de poderio econômico e uma sócio elitização de certos segmentos como o teatro,o cinema e as bibliotecas.
Cultura por definição, no contexto abordado, engloba o conjunto de padrões de comportamento de certo grupo social, desenvolvimento intelectual, civilização. Comumente, usa-se o termo “ter cultura”, para pessoas que acumulam as mais diversas experiências de vida, ou aquele sujeito intelecto, de gosto refinado para música, arte, literatura e gastronomia, por exemplo.
Seguindo esta linha de raciocínio, costuma-se dizer que o brasileiro não tem acesso à cultura, por esta ser destinada às camadas mais ricas da sociedade. De fato, eventos como peças de teatro ainda são remotos às classes média e baixa. Tanto pela oferta quanto pelos preços dos ingressos. O cinema é outro exemplo. A maioria das salas de exibição de filmes estão concentradas nas grandes capitais Rio de Janeiro e São Paulo, porém ainda restritas por preços e localização inacessíveis à maioria. As salas têm capacidade limitada, o que dificulta a possibilidade de redução de custos dos assentos. A indústria do cinema nacional previa para 2009 investimento pesado com o intuito de incentivar o hábito do cinema, ao mesmo tempo que pudesse reduzir preços dos tickets. Porém com a crise, possivelmente haverá a retenção de tais incentivos financeiros.As produções nacionais são promovidas e vendidas com a mesma magnitude dos filmes “Holywoodianos”. Mas ainda há uma dificuldade de inserção dos títulos nacionais no mercado em detrimento ao mercado estrangeiro.
Outro agravante é a comercialização de títulos pirateados no mercado. Enquanto não há solução para isso, as pessoas conseguem adquirir por menos de cinco reais, lançamentos cinematográficos ainda em cartaz nos cinemas. Uma vez que com uma média de quinze reais a entrada para um filme, transporte, mais pipoca e refrigerante, um casal chega a gastar cinqüenta reais, ficando impraticável a freqüência de pessoas de baixa renda. Concorrência desleal.
Porém, cultura não está limitada apenas a teatro e cinema, como muitos associam. A leitura é por exemplo, tanto de títulos literários, fictícios e até mesmo de jornais e periódicos, desprezada, e agravou-se com o advento da internet. O hábito da leitura é raro, as bibliotecas públicas são basicamente freqüentadas por um grupo específico, estudantes ou professores. “Mal-acostumado” culturalmente, nem a recente inclusão digital alavanca esperança de que haja uma mudança comportamental do brasileiro, já que mesmo com todo o mundo disponível a ser explorado virtualmente, muitos se restringem a sites de relacionamentos ou inutilidades.
Conseqüência deste conjunto de fatores, o brasileiro abastece-se da televisão aberta, artefato “obrigatório” até nas mais humildes residências do país afora. Com programação limitada e muitas vezes tendenciosa e formadora de opinião, a massa se abstêm de um desenvolvimento intelectual. A qualidade “cultural”, sendo assim, fica diretamente ligada ao que se oferece e se incentiva ao público.
Um povo com tanta diversidade étnica e cultural poderia ser razoavelmente rico em informação. Temos uma história musical peculiar, uma literatura vasta, porém pouco aprofundada pela maioria, toda uma história a ser explorada.
Não é a toa que o Brasil é conhecido por ser o país do futebol, das novelas (“soap-operas”), do samba e do sexo.
Infelizmente não é difícil compreender o porquê ...
Muito bom... isso faz parte dessa política das elites, que querem manter os "pastores" nos "currais"!
ResponderExcluirCaramba, cara. Eu estarei postando na segunda no blog um comentários sobre como a indústria Globo influi no nosso cinema e teu texto é perfeito pra complementar o que vou dizer. Já te adianto que vou puxar um link do teu texto pro meu.
ResponderExcluirabraço
Cultura no Brasil, meu querido, infelizmente ainda é algo pra poucos.
ResponderExcluirE nem digo tanto pela facilidade ou dificildade no acesso. É pela falta de hábito mesmo.
O que é uma pena. Por aqui, as futilidades e inutilidades chamam e prendem mais a atenção das pessoas.
Em uma próxima geraçao, quem sabe as coisasm mudam.
Beijo.