quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Preconceito enrustido

Quando se fala em Argentina, qual é a primeira coisa que lhe vêm em mente? Ta bom, não fale alto porque pode ser constrangedor, se estiver perto de uma senhora, ou num ambiente público, afinal, sair por aí falando palavrão não é legal. Isto poderia ser roteiro de mais uma piadinha besta sobre nossos “hermanos” argentinos, de fato. Mas minhas palavras hoje vêm em tom de protesto.

Não sou o tipo de pessoa que prega e alimenta preconceitos, na minha utópica visão de Mundo perfeito todos deveriam se gostar e se possível tratar-se como se fossemos parte de apenas um povo. Somos todos homens com as mesmas habilidades e sentidos providos da espécie. Mas a verdade é que a história nos separa numa complexa cadeia de fatores.

E a história tratou de criar entre os vizinhos sul-americanos uma das mais intensas rivalidades mundiais.

Se fosse só futebol tudo bem, apesar de já haver tanta competição envolvendo os dois países, é apenas um esporte, mas a rivalidade transcende o jogo, passa pela política, economia, cultura e por aspectos de socialização.

Nós que vivemos à fronteira entre os dois países sentimos isso com mais clareza. Há brasileiros e argentinos que se comportam mal, que isso seja justamente posto, o que faz parte da educação individual.

Como brasileiro, seria fácil descer a lenha sem base alguma e alimentado por uma rixa que aprendemos desde criança. Não é do meu feitio.

A maioria dos moradores de Foz têm como hábito visitar a feirinha de Puerto Iguazu, freqüentar alguns restaurantes, clubes noturnos ou mesmo abastecer seus veículos naquele país.

Mesmo que seja visível a não cordialidade entre os moradores daqui e os de lá, ambos se beneficiam desta rotina. Diria que no aspecto comercial, apesar de Puerto Iguazu ser uma cidade também turística, eles dependem muito dessa presença do brasileiro e do iguaçuense.

O que é incompreensível é o descarado desinteresse deles ante a nossa presença.

Já não bastassem atitudes estúpidas como fechar a ponte de “pirraça”, dificultar a entrada de brasileiros cobrando taxas estranhas e fazer piada com os tapetinhos verdes os quais tínhamos que limpar nossas “patas” para entrar, o mais sério é o desuso da lei para o brasileiro especificamente.

Há vários relatos de pessoas que estiveram nesta situação.

Agora, o inaceitável é a intolerante violência. Mais uma vez um iguaçuense é espancado a frente de dezenas, covardemente, por seguranças de uma casa noturna bastante freqüentada por brasileiros. A polícia pôs panos quentes, afinal, o segurança era um policial. Queriam levá-lo preso, e senão fosse sua família, sabe lá o que haveria acontecido.

Podem até pensar que o rapaz fez por merecer, o que não foi o caso, mas nenhuma atitude justifica o espancamento. E tenho absoluta certeza de que se fosse um turista americano ou europeu, nada disso teria acontecido.

Aí é que se expõe a rivalidade que muitos acham que fica apenas no futebol e nas piadas.

Agora esta família busca solução para o caso. Como conseguir justiça na Argentina, sendo brasileiro?

Importante que seja dito é que o Brasil não é modelo de justiça, nem de comportamento, há corrupção na política, nos órgãos de proteção ao cidadão, há todo o tipo de violência. Tem muita coisa errada aqui. E como pagamos? Com a má fama e com a exposição negativa. É o mínimo e é merecedor.

Portanto, o mínimo que devo fazer, é dizer que você que é brasileiro, vive em Foz e costuma ir a Puerto Iguazu, pode, um belo dia, ser vítima de um intolerante preconceito e terminar espancado, extorquido, enfim. Você precisa mesmo disso?

Eu prefiro ficar por aqui...



Bom Café.

3 comentários:

  1. Como conseguir justiça na argentina?
    Contrate um advogado argentino, tenho certeza que existem advogados sérios e competentes em Porto Iguaçu.

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  2. Na teoria, realmente o caminho seria este. Infelizmente na prática, as coisas não saem do jeito como deveriam. Sugestões de advogados argentinos que eventualmente se disponham à causa são bem recebidas.

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  3. Que sinistro esse caso, hein. O mais engraçado é que parece que esses assuntos são tratados com "bairrismo". Não escutamos nada sobre isso aqui no Rio, e não acredito que a impressa de outra localidade da Argentina tenha noticiado. Talvez ai resida um outro erro de ambos os lados!

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