Já dizia o poeta José Datrino, o “profeta Gentileza”, conhecido por espalhar sua arte nas ruas do Rio de Janeiro há algumas décadas atrás. Apesar de comportamento controverso, Gentileza poderia usar a máxima, “não faça o que eu faço, faça o que eu digo”. E era bem assim, sua missão era transmitir mensagens de bondade entre as pessoas, independente do seu grau de sanidade. O fato é que seus atos e sua obra são reconhecidos hoje. Incitar a gentileza é um ótimo caminho para que algumas coisas comecem a mudar.
Isso começa em casa. Você acorda e deseja um bom dia a todos, com um sorriso, as pessoas mesmo que estejam mal-humoradas não conseguirão reagir de forma áspera. Se reagirem mal, com o hábito de ser gentil, pessoas vão se acostumando e tornando-se mais amenas.
O que é mais interessante nisso tudo é que a gentileza não custa nada, é como um investimento garantido. Abre portas, faz de você uma pessoa agradável, as pessoas gostarão de se relacionar com você pois transmitirá uma sensação de acolhimento. Um sentimento raro hoje entre as pessoas.
Sair de casa ao trabalho com seu fone de ouvido, ou do celular conectados ao ouvido, caminhar olhando para frente ou para baixo, apenas cumprindo o trajeto, sem estar aberto aos sorrisos em meio a multidão, aos “bom dias” e “boa tardes” que aparentam soar tão estranhos vindo de pessoas que não conhece.
O convívio social é essencial para a evolução pessoal. E estar em meio a um mar de gente sem que interaja com elas é um desperdício. Cada pessoa é uma oportunidade, seja ela profissional, pessoal, enfim. E a forma como está suscetível a isso é a chave para abrir tais oportunidades.
Usar a gentileza para si, nunca soará egoísmo. Porque sendo gentil você está fazendo bem a todos a sua volta, mesmo involuntariamente. E sabe-se lá o quanto sua mãe ou seu colega de trabalho precisam do seu sorriso, do seu carinho, do seu bom humor? As pessoas são carentes. A maioria delas, acredite.
Há uma grande diferença de tratamento e educação entre as pessoas em várias regiões do país. Há aquele rótulo do carioca ser feliz e receptivo, que o paulista é trabalhador e fechado, que o curitibano é frio e arrogante e que o baiano é mole e preguiçoso, e assim vai.
De fato há características marcantes de determinadas regiões, mas obviamente não há como generalizar.
As pessoas podem ser agradáveis umas com as outras em qualquer lugar. E isso melhoraria muito o convívio.
Sinto falta do aspecto interiorano, ainda que Foz seja uma cidade de interior com características de capital, principalmente pela miscigenação popular. Você andar na rua e saudar uma aqui, outro acolá. Tomar um café e conversar com a balconista, com o cliente ao lado. Cultivem isso.
Aqui no Rio, cidade com a fama de receptiva e feliz, já não é bem assim. As pessoas entraram naquele ritmo corrido e indiferente, imposto pelo peso do dia-a-dia e da queda da qualidade de vida ao longo dos anos. A famosa alegria carioca hoje é ferramenta institucional. Há uma distância grande entre isso, e ser gentil e educado.
Justamente por isso, fui instigado a escrever sobre a gentileza. O bem estar contagia. E todo mundo precisa disso. Eu, você, e a pessoa ao seu lado agora, seja lá quem ela for.
Bom café...
É isso mesmo. Eu mesmo tento lutar com isso diariamente já quenão sou uma pessoa da manhã. Mas lembro daquela cena em Patch Adams, com Robin Williams, em que ele se pendura em uma árvore e comprimenta uma senhora que aparentemente o ignora mas depois cai na gargalhada. E ele confirma - "eu toquei ela de alguma forma só quebrando a apatia"
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