Sempre me pego na dúvida entre escrever algo atual, que está em evidência na mídia, ou coisas que apesar de não estarem sendo pautadas, nos massacram tanto quanto as repetidas notícias dos telejornais mais assistidos do país.
No momento, a “novela” que mais parece “Vale a pena ver de novo” na televisão brasileira é o julgamento do casal Nardoni. Há dois anos na época do crime foi aquela lavagem cerebral com direito a entrevista encenada e patética e tudo. A história se repete e somos obrigados e engolir toda a trama novamente. Esperando que pelo menos haja justiça, não é verdade? Crimes ocorrem diariamente, talvez tão cruéis ou piores que esse. Mas esse tem roteiro cinematográfico. Enfim, justiça seja feita, e não é sobre isso que pretendo escrever.
Queria abordar um tema que por tão comum que se tornou nas maiores cidades deste país, já foi absorvido pela sociedade como algo normal e corriqueiro. E não era pra ser assim, aliás, é um problema maior e mais urgente do que muitos sequer têm idéia.
O trânsito de veículos. Talvez em sua cidade este problema tenha menor intensidade, mas ainda duvido que não exista. Os problemas de trânsito no Brasil são crônicos e presentes em todo o território. Em alguns lugares por falta de infra-estrutura, em outros por uma quantidade desenfreada de veículos e até pela falta de educação da população. Certamente um número que fugiu aos estudos e às expectativas passadas.
O crescimento demográfico e de certa forma econômico, aliado à falta de planejamento público quanto ao transporte em todas as suas “entranhas”, faz com que hoje, tenhamos números negativos absurdos relacionados ao trânsito.
Fica a nítida impressão que não houve um sincronismo entre mercado e o Estado quanto às facilidades em que as montadoras que produzem, a cada dia mais veículos, proporcionaram aos consumidores cada vez de menor poderio.
Há mais pessoa, há mais capacidade de compra, há mais produção, há mais veículos nas ruas.
Não há estudo de impacto, não há obras de reestruturação rodoviária e pavimentar, não há espaço. Congestionamentos, poluição, perda de tempo, transtornos mis.
O reflexo é a manifestação da violência gerada no trânsito por todos estes fatores abordados. O trânsito se torna uma via de escape (irônico não?) para a expressão da mais pura ignorância entre a comunicação entre os indivíduos de uma mesma sociedade.
Comunicação não é feita apenas com palavras, gestos e escrita. A forma como você se expressa nas mais simples atividades do seu cotidiano dizem muito sobre você.
E o que vemos no submundo caótico dos congestionamentos deste país e nas auto-estradas mal administradas é o reflexo da mais pura agressividade.
Certamente já ouvira falar que no Brasil morrem mais pessoas por acidentes no trânsito do que pessoas na guerra contra o terror no Oriente Médio, por exemplo. E não é mentira. Na verdade, estima-se que mentira ainda são os números que apesar de já serem altos, são na verdade maiores dos que os divulgados. Isso porque uma vítima que não morre no local, mas morre na ambulância já não é mais contabilizada como vítima de acidente de trânsito, acredita?
Outra curiosidade que vale ser dita, é que uma pessoa que leva em média uma hora pra ir e outra para chegar em casa (o que é pouco no Rio e São Paulo por exemplo), passa cerca de 60 horas dentro do carro por mês. Em um ano, ela passou cerca de um mês dentro do carro. E em sua vida inteira de trabalho, mais de 3 anos. Isso para pessoas que possuem seus próprios autos. Imagina quem depende de transporte público?
A você que se irrita com o trânsito bagunçado de Foz, com os argentinos e paraguaios e aquele “fuzuê” da Avenida Brasil próximo ao meio dia, relaxe. Foz ainda está longe dos maiores inconvenientes ocasionados pelo trânsito.
Mas não custa nada pensar no futuro.
Bom café...
Acho que contribui com algumas informações para esse texto, hein? hehehe
ResponderExcluirBoa iniciativa. Precisamos começar a olhar com mais cuidado para esse problema.