Como apaixonado por futebol, considero missão quase impossível ficar sem escrever sobre isso por muito tempo.
Motivado pelo fato de que nossa “Seleção” se apresenta duas vezes na semana, não aprecio o futebol apresentado pelos comandados de Dunga. Na verdade, não consigo ficar quieto ante tanta mediocridade.
Tive a sorte de crescer em meio a um futebol ainda apaixonante, vi ainda garoto, Zico jogar no Maracanã. Figura mais que exemplar de uma geração que amava o esporte por si, arrastavam multidões, identificavam-se com seus clubes, e vestiam a camisa “canarinho” como se vestissem uma farda de exército, com orgulho e determinação,e o mais importante: jogavam o fino da bola.
Naquele tempo, o jogador de futebol tinha que fazer muito para conquistar o “status” de ídolo de um clube, de seu país. Os salários não eram absurdos como os de hoje, os uniformes eram de pano, pesavam à medida que os jogadores suavam. Naquela época, os jogadores suavam.
É natural que tenha havido uma evolução no mercado da bola ao longo destas duas décadas, porém triste constatar que o esporte deu lugar ao simples negócio. Hoje são as televisões que elaboram os calendários e tabelas dos principais campeonatos, são os patrocinadores que decidem as cores dos uniformes dos times, ignorando tradições de anos, são empresários detentores dos jogadores e seus contratos, e não mais os clubes que os formam desde jovens. É comum clubes rivais possuírem jogadores pertencentes a um mesmo grupo empresarial. E eles pulam de “galho em galho” a cada seis meses, não criando identidade alguma com os escudos que defendem. A carreira de um jogador não é construída intuindo uma gloriosa história de títulos por suas equipes, e sim em busca de contratos milionários, seja lá onde for. Ignorando fatores culturais, probabilidade de adaptação, eles optam por deixar uma possível carreira promissora e consistente por aventurarem-se em países como Qatar, Ucrânia, Uzbequistão. Apenas pelo dinheiro.
Os que conseguem projeção maior, ou um bom empresário, conseguem jogar por grandes clubes da Europa, e em alguns casos, obtêm uma carreira de sucesso. Mas a proporção é mínima em relação aos que fracassam.
Todo esse “papo” nos remete ao time do Brasil, hoje, formado por jogadores sem o mínimo de sentimento coletivo, voltados para seu próprio desempenho, valorização de mercado. Resultado: um futebol medíocre.
Dunga, respeitado pelo passado como jogador, é apenas uma extensão dos interesses políticos da CBF, a quem costumo chamar de “pseudo-treinador”. Suas convocações são incoerentes e manipuladas, uma vez que a seleção por definição, seria a convocação dos melhores brasileiros na atualidade, o que não ocorre. O que se vê, salvo raras exceções, é um time formado por jogadores fora de forma, que sequer são titulares em seus times, cujos interesses são meramente comerciais ou por imposição dos diretores da confederação.
Mesmo relevando esse aspecto, o mais preocupante é a indiferença demonstrada pelos atuais “atletas”. Os “caras” parecem não ter mais o espírito do que é vestir a amarelinha. O que nossos ídolos do passado construíram parece ter sido esquecido, uma vez que a magnitude de uma pedalada inútil para o lado torna-se mais marcante do que títulos e desempenhos memoráveis. O que mais importa hoje, são os quilates dos brincos e das correntes de ouro com as iniciais das “estrelas” e seus cortes de cabelos “fashion”. Figuram tablóides de fofocas e não os do esporte. Conduta resultante de uma ascensão despreparada e súbita de quem sai de um subúrbio pobre num dia e no outro desfila com uma Lamborghini Gallardo pelas ruas da Europa.
Aos mais jovens e jogadores de “Playstation”, sugiro que dêem uma vasculhada nos vídeos do Brasil das décadas de setenta a meados de oitenta, antes que considerem meu texto um absurdo.
Aos mais “antigos”, compartilho de meu sentimento nostálgico e saudosista.
Bom café...
Nota: Não é uma vitória simples sobre a fraquíssima Seleção do Peru que muda minha minha opinião acerca do contexto geral.
Futebol é uma arte, pena que agora se tornou uma arte vendida e influenciável.
ResponderExcluirCara,você disse tudo! Também sinto saudades.
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