quinta-feira, 9 de abril de 2009

Polêmica Dominical

Domingo de manhã, começam os preparativos para aquele tradicional churrasco entre família e amigos, quando de repente, falta algo essencial. O sujeito pega seu carro, vai até o mercado mais próximo quando ao chegar, dá com a cara na porta. E agora?
No mesmo dia, alguns turistas desembarcam em nossa cidade, seja por terra ou pelo ar, acomodam-se naquele descolado albergue e saem para comprar utensílios pessoais, algumas frutas, uns biscoitos e uma garrafa de suco. Não é que encontram o mesmo rapaz que saiu para comprar o que faltava para seu churrasco na porta do estabelecimento, indignado?
Estas supostas situações não estão longe de serem verdade se é que já não ocorreram por aí.
A representatividade dos trabalhadores do ramo propôs a preservação do direito de todos poderem estar com suas famílias aos Domingos. A primeira impressão é de uma medida até interessante, voltada para o bem estar do trabalhador.
Mas este é só o início de uma grande polêmica fragmentada em inúmeros argumentos das partes envolvidas.
Foz do Iguaçu é uma cidade turística, ponto importante a ser observado, com uma população “flutuante” de mais de um milhão de pessoas, ou seja, possui características de grandes cidades. Um dos mais importantes quesitos de uma cidade anfitriã é a infra-estrutura que inclui a prestação de serviços. Há uma grande preocupação por parte das principais frentes na busca pela excelência destes serviços prestados, com a finalidade de conforto e praticidade aos que usufruem disso, um determinado grupo de turistas e, consequentemente e principalmente, toda a população permanente. O que me faz interpretar tal sugestão como um retrocesso.
É citado que existem no Brasil e no exterior, cidades, algumas que se alimentam do turismo, preservam seus trabalhadores aos Domingos. Realmente há. Mas isso não significa que necessariamente devemos seguir o mesmo caminho, ou que tal posicionamento é favorável à cidade e a população daqueles locais.
Uma mudança na carga horária destes funcionários pode e possivelmente acarretará em ajustes. Por mais que se diga que não, certas funções ficarão obsoletas como as dos “turnantes”.
Uma outra curiosidade que envolve o entrave é a opinião dos próprios colaboradores das empresas. Muitos deles não concordam com tal medida, uma vez que estão adaptados ao sistema ao qual concordaram em enquadrar-se desde o início. Suas folgas são em regime de escala, bastante comum a uma cidade aonde as principais atividades e empresas são voltadas ao turismo.
Eu, por exemplo, também sou “vítima” do trabalho aos Domingos, porém sei da importância e necessidade da minha função, aceitando as condições que me foram propostas e tendo meus direitos respeitados, como folgas e remuneração adequadas. Tenho absoluta certeza de que todos os trabalhadores em diferentes setores econômicos adorariam assegurar sua folga dominical. E não são diferentes dos que trabalham nos mercados. Também possuem famílias.
Quanto ao lucro das grandes redes e estabelecimentos comerciais, os responsáveis pelo projeto alegam não haver alteração, uma vez que as compras feitas aos Domingos se distribuem pela semana. Questionável. Somente embasado em uma pesquisa para que se sustente tal afirmação.
No meu “leigo” entendimento à complexidade de desenvolvimentos necessários a uma cidade, idealizo além. Penso numa Avenida Brasil 24 horas, feiras livres, eventos culturais, opções de entretenimento para todos que aqui vivem ou que visitam nosso espaço. A vinda de mais empreendimentos de prestação de serviços de qualidade, enfim, na contramão de propostas como esta que vigora.
Enquanto as discussões perduram, e não há uma decisão definitiva, a população fica à deriva aos domingos. Por enquanto, na hora das compras, de Segunda a Sábado, não esqueçam de nada para não ameaçar o churrasquinho de Domingo como o cara do início do texto.
Bom café...

Um comentário:

  1. Pois é.
    O q menos me conforma é saber que ao aceitar o emprego, todos os funcionários sabem que trabalharão no domingo, sob escala de folga.
    Mas... sindicato é sindicato.
    as vezes ajudam... as vezes..bom. As vezes fecham os mercados, de uma cidade turística, aos domingos.
    Fazer o que...

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