Twittar. Esse é o “verbo”. A nova febre da Internet que se reinventa de tempos em tempos. Conversas simultâneas com os amigos já não têm graça. Rede de amigos como Orkut, também não. Ser atual no mundo virtual é ser um seguidor do Twitter. Ferramenta criada com intuito de atualizar em curtos espaços de tempo os seus afazeres cotidianos, o aplicativo revelou-se uma ferramenta e tanto nos meios de comunicação.
As principais personalidades e instituições do Mundo lançam em primeira mão suas novidades no “site”, para todos os seus seguidores ao redor do Mundo saberem. O furo da notícia agora “pula” o profissional do jornalismo. Mais uma vez o segmento sofrendo na mão da tecnologia. Herói ou vilão?
No Brasil, país do futebol, a figura de treinador da Seleção Brasileira é quase tão importante quanto do Presidente da República. Ou seja, tudo o que dizem e fazem é super dimensionado.
Agora quem acompanhou a entrevista coletiva do cidadão apelidado Dunga ontem pela televisão deve ter ficado assustado. Ele esbanjou seu “dialeto” incompreensível e pobre, ao pé da letra, a sua falta de conhecimento da língua portuguesa e suas regras. O famoso “com nós” (entenda-se conosco) é comum em suas aparições. Ontem ele inovou, lançou um “adapto”, ao invés de adaptado, ou apto. O pior é que ele repetiu a mesma palavra umas cinco vezes.
Tudo bem, o negócio dele é futebol, mas uma pessoa pública importante como ele deve preocupar-se com o básico. Falar direito.
Mas, como falei no início, ele e o Presidente... é melhor deixar de lado.
E o Massa hein. Que azar. Uma mola sai quicando na pista e entra justamente no único lugar não protegido do seu equipamento, um espaço de cerca de 15 centímetros no capacete. O impacto foi semelhante ao de um tiro. Curiosidade sobre o caso: o Massa estava andando atrás do Rubinho. Era um treino classificatório, tudo bem, mas ninguém nunca anda atrás do Barrichello. É ele quem anda atrás dos outros. Coisas estranhas evocam situações peculiares. O legal agora é seguir os passos da recuperação do Felipe. Os maiores portais estampam nas suas páginas principais: “Massa já fala. Massa já abre os olhos. Massa sente fome.” Daqui a pouco eles colocam lá: Massa vai ao banheiro e larga um... (que nojo). É tudo tendência. (Lembram do que falei do Twitter lá no começo da coluna?)
Os “reality shows” estão cada vez mais originais não? Não.
Eu acho curioso o método de seleção dos participantes da “vida real”. Ou são modelos, empresários, promoters e publicitários. Nada contra esses profissionais. Mas é óbvio que são todos desocupados, conhecidos de alguém da emissora, ou da produção ou de algum diretor, que assina um acordo aonde o foco é ficar mostrando partes do corpo em rede nacional. E ao sair dali, posam nus, para revistas masculinas, femininas, gays... animais... etc.
Ótimo para a cultura tupiniquim.
Bom café...
Espaço voltado para as publicações dos textos da coluna de quinta-feira de "A Gazeta do Iguaçu".
quinta-feira, 30 de julho de 2009
sábado, 25 de julho de 2009
Se fosse "só" uma gripe...
É muito mais fácil culpar o desconhecido, o incompreensível e até o sobrenatural. Parece que apesar de não haver ainda soluções e respostas, é um “alívio” ter estampados em nossos jornais, uma contagem subjetiva de mortos pela famosa maldita gripe. Alívio??? Entenda...
Seria louco se dissesse que devemos virar às costas para este grande problema de saúde pública Mundial, mas “cá entre nós”... As notícias são repetitivas e os comentários onde quer que vá, é o mesmo: “Você viu, morreu mais um com a gripe suína”. “Olha, foi aqui no Paraná”. “Nossa, no Paraguai já são mais de não sei quantas mortes...” Bom, eu como humilde cidadão comum, confesso que me atenho aos procedimentos básicos de prevenção, e não há mais nada que possa ser feito, por ninguém. Os órgãos da saúde estão atrás de algo que possa trazer calma à população. O fato é que o alarde não ajuda em nada. Algumas pessoas de meu convívio me sugeriram que escrevesse sobre a gripe. Minha resposta foi seca: Como? Se “os caras” ainda não sabem direito a característica do problema, imagine eu. As novidades são pequenas, crescem as suspeitas de casos, é tudo o que lemos. Sou extremamente leigo. Mas tenho meu ponto de vista e como um colunista de opinião, posso usar este espaço para expor e dividi-lo.
Tenho certeza que por maior que seja a preocupação de todos, tem muitas pessoas por aí que estão satisfeitíssimas com o espaço que a epidemia ocupa nos noticiários.
Já ouviu falar que brasileiro esquece fácil? Pois bem. Enquanto as principais manchetes contam as vítimas da gripe horrenda, tem muita coisa também importante e preocupante acontecendo.
Quantas outras pessoas morrem por dia no país por causas mais patéticas e absurdas?
Violência, acidentes de trânsito, pobreza? Morte por balas perdidas nas grandes cidades principalmente, todos os dias quase.
Só que isso já não vende tanto quanto o vírus indecifrável. Não é novo. O fato de a gripe ser um mistério faz com que as pessoas busquem e se assustem com aquilo. O que intriga é que para todas essas causas ainda não encontraram soluções.
Muitos colocam aquelas máscaras estilo “Michael Jackson”, ou para chocar, ou na pior das hipóteses ficarmos “na moda”. (A eficiência é mínima.)
O que é importante de fato é que a OMS já alertou que vacinas não chegarão ao Brasil ainda este ano, em contrapartida, Temporão diz que há 9 milhões de kits à disposição da população.
As notícias da gripe perdurarão, ficaremos atentos, às novidades, enquanto ao fundo, o velho “câncer” do país continua no seu ritmo acelerado de desenvolvimento.
Não deixemos de nos preocupar , mas olhemos para os lados.
Usar o vírus como bode expiatório para esquecer dos outros graves problemas do Brasil não é a saída.?
O que há de importante ano de 2010? É a Copa do Mundo? (Por sinal, "estrategicamente" agendada)
Não! Importante mesmo são as Eleições, e está relativamente próximo. Você está “antenado” para os possíveis rumos do nosso país?
Não deixe a gripe te “pegar”, lave sempre as mãos e abra os olhos!
Bom café...
Seria louco se dissesse que devemos virar às costas para este grande problema de saúde pública Mundial, mas “cá entre nós”... As notícias são repetitivas e os comentários onde quer que vá, é o mesmo: “Você viu, morreu mais um com a gripe suína”. “Olha, foi aqui no Paraná”. “Nossa, no Paraguai já são mais de não sei quantas mortes...” Bom, eu como humilde cidadão comum, confesso que me atenho aos procedimentos básicos de prevenção, e não há mais nada que possa ser feito, por ninguém. Os órgãos da saúde estão atrás de algo que possa trazer calma à população. O fato é que o alarde não ajuda em nada. Algumas pessoas de meu convívio me sugeriram que escrevesse sobre a gripe. Minha resposta foi seca: Como? Se “os caras” ainda não sabem direito a característica do problema, imagine eu. As novidades são pequenas, crescem as suspeitas de casos, é tudo o que lemos. Sou extremamente leigo. Mas tenho meu ponto de vista e como um colunista de opinião, posso usar este espaço para expor e dividi-lo.
Tenho certeza que por maior que seja a preocupação de todos, tem muitas pessoas por aí que estão satisfeitíssimas com o espaço que a epidemia ocupa nos noticiários.
Já ouviu falar que brasileiro esquece fácil? Pois bem. Enquanto as principais manchetes contam as vítimas da gripe horrenda, tem muita coisa também importante e preocupante acontecendo.
Quantas outras pessoas morrem por dia no país por causas mais patéticas e absurdas?
Violência, acidentes de trânsito, pobreza? Morte por balas perdidas nas grandes cidades principalmente, todos os dias quase.
Só que isso já não vende tanto quanto o vírus indecifrável. Não é novo. O fato de a gripe ser um mistério faz com que as pessoas busquem e se assustem com aquilo. O que intriga é que para todas essas causas ainda não encontraram soluções.
Muitos colocam aquelas máscaras estilo “Michael Jackson”, ou para chocar, ou na pior das hipóteses ficarmos “na moda”. (A eficiência é mínima.)
O que é importante de fato é que a OMS já alertou que vacinas não chegarão ao Brasil ainda este ano, em contrapartida, Temporão diz que há 9 milhões de kits à disposição da população.
As notícias da gripe perdurarão, ficaremos atentos, às novidades, enquanto ao fundo, o velho “câncer” do país continua no seu ritmo acelerado de desenvolvimento.
Não deixemos de nos preocupar , mas olhemos para os lados.
Usar o vírus como bode expiatório para esquecer dos outros graves problemas do Brasil não é a saída.?
O que há de importante ano de 2010? É a Copa do Mundo? (Por sinal, "estrategicamente" agendada)
Não! Importante mesmo são as Eleições, e está relativamente próximo. Você está “antenado” para os possíveis rumos do nosso país?
Não deixe a gripe te “pegar”, lave sempre as mãos e abra os olhos!
Bom café...
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Quando a esmola é demais...
... o santo desconfia. Com certeza todos nós já ouvimos este famoso dito popular. A doação de esmolas é alvo de discussões sem fim na nossa sociedade. Há os que defendem que a prática da esmola protela um grave problema proveniente da desigualdade que assola o Brasil, o que de fato faz sentido. Porém há muitas pessoas que entendem que o problema está longe de ser resolvido, o que também não deixa de ser verdade, e optam por ajudar, fazer a parte delas, “ficando em paz” com suas consciências.
As maiores cidades e as cidades turísticas sofrem mais com a incidência de moradores de rua, mendigos e pedintes, devido ao fluxo de parte da população de alto poderio deflagrando maior disparidade sócio-econômica.
O episódio atual acerca desta problemática foi noticiado em São Paulo, esta semana. A famosa Rua Oscar Freire, nos Jardins, Zona Sul de São Paulo, que ostenta as maiores grifes da moda mundial, os mais requintados hotéis e restaurantes do país, vêm sendo alvo dessa parcela de pessoas que pedem por esmolas. Ou seja, a rua está cheia de mendigos e pedintes.
Situação que pareceu incômoda à “nata” da sociedade paulistana incentivou os empresários responsáveis pelo “shopping a céu aberto” a tomarem providências a evitarem tal contraste, tal inconveniente à imagem do metro quadrado mais caro do Brasil.
A novidade agora na principal capital do país é o “Vale Valor”. Os clientes e frequentadores da “Beverly Hills” nacional agora recebem vales, e os repassam aos pedintes, para que os mesmo possam ter acesso a uma casa de apoio, uma ONG que atende em várias cidades do país. Além deste vale, foram instalados pequenos cofres de papelão aonde os clientes podem fazer suas doações que são repassadas à mesma entidade para que ela desenvolva mais projetos de combate à pobreza.
A questão que fica no ar, inclusive posta em pauta por sociólogos, é se o real intuito dos idealizadores de tal projeto é uma ajuda à longo prazo ou simplesmente expulsar essas pessoas dos arredores de seus estabelecimentos. Questão levantada pelo fato de a casa de auxílio situar-se no Brás, cerca de 20 Km daquele local. Além do que a instituição já atende muitos necessitados de uma região muito mais densamente povoada por eles, o centro da cidade.
Nós aqui em nossa cidade sofremos bastante com o problema, e muitas vezes nos vemos com as mãos atadas. Não por não termos uma moeda para dar. O problema é que em muitos casos, tanto aqui quanto em São Paulo, quanto no Rio, enfim, os pedintes são usuários de drogas, são pessoas que não têm perspectiva alguma de melhoria. Acabamos com a esmola, alimentando e sustentando o tráfico que subsidia a violência urbana. É um grande dilema.
Quanto ao “Vale Valor”, a primeira coisa que tento imaginar é o cidadão com um terno Armani, entrando em seu Porshe, entregando o vale para o mendigo e explicando-o que ele deve encaminhar-se ao tal lugar, a vinte quilômetros dali. E não consigo imaginar o indivíduo que recebe tal vale, guardando aquilo como se fosse fazer uso.
Ou seja, fica uma grande impressão de segregação social, e de que o tal “Vale Valor” tem o proposto “subliminar” de “Vale Vá para longe daqui”.
Bom Café.
As maiores cidades e as cidades turísticas sofrem mais com a incidência de moradores de rua, mendigos e pedintes, devido ao fluxo de parte da população de alto poderio deflagrando maior disparidade sócio-econômica.
O episódio atual acerca desta problemática foi noticiado em São Paulo, esta semana. A famosa Rua Oscar Freire, nos Jardins, Zona Sul de São Paulo, que ostenta as maiores grifes da moda mundial, os mais requintados hotéis e restaurantes do país, vêm sendo alvo dessa parcela de pessoas que pedem por esmolas. Ou seja, a rua está cheia de mendigos e pedintes.
Situação que pareceu incômoda à “nata” da sociedade paulistana incentivou os empresários responsáveis pelo “shopping a céu aberto” a tomarem providências a evitarem tal contraste, tal inconveniente à imagem do metro quadrado mais caro do Brasil.
A novidade agora na principal capital do país é o “Vale Valor”. Os clientes e frequentadores da “Beverly Hills” nacional agora recebem vales, e os repassam aos pedintes, para que os mesmo possam ter acesso a uma casa de apoio, uma ONG que atende em várias cidades do país. Além deste vale, foram instalados pequenos cofres de papelão aonde os clientes podem fazer suas doações que são repassadas à mesma entidade para que ela desenvolva mais projetos de combate à pobreza.
A questão que fica no ar, inclusive posta em pauta por sociólogos, é se o real intuito dos idealizadores de tal projeto é uma ajuda à longo prazo ou simplesmente expulsar essas pessoas dos arredores de seus estabelecimentos. Questão levantada pelo fato de a casa de auxílio situar-se no Brás, cerca de 20 Km daquele local. Além do que a instituição já atende muitos necessitados de uma região muito mais densamente povoada por eles, o centro da cidade.
Nós aqui em nossa cidade sofremos bastante com o problema, e muitas vezes nos vemos com as mãos atadas. Não por não termos uma moeda para dar. O problema é que em muitos casos, tanto aqui quanto em São Paulo, quanto no Rio, enfim, os pedintes são usuários de drogas, são pessoas que não têm perspectiva alguma de melhoria. Acabamos com a esmola, alimentando e sustentando o tráfico que subsidia a violência urbana. É um grande dilema.
Quanto ao “Vale Valor”, a primeira coisa que tento imaginar é o cidadão com um terno Armani, entrando em seu Porshe, entregando o vale para o mendigo e explicando-o que ele deve encaminhar-se ao tal lugar, a vinte quilômetros dali. E não consigo imaginar o indivíduo que recebe tal vale, guardando aquilo como se fosse fazer uso.
Ou seja, fica uma grande impressão de segregação social, e de que o tal “Vale Valor” tem o proposto “subliminar” de “Vale Vá para longe daqui”.
Bom Café.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Ídolos "Fast-Food"
Tenho certeza que muitos da "minha época" pensaram: "nossa, estou ficando velho... o Michael Jackson, morto!...". Bem, não é para tanto, apesar de eu confessar ter pensado assim por um momento. Ele morreu jovem. Uma morte aos 50 anos deve ser considerada precoce.
Provavelmente poucos de nós sentíamos falta dele neste "hiato" profissional em que sua carreira estava.
Mas foi impossível ficar indiferente à sua partida. E muito mais por ser quem foi, sua morte me fez enxergar um cenário novo no comportamento da sociedade perante seus ídolos.
Os ídolos que inspiravam juventudes ditavam comportamentos, moviam multidões, tinham inclusive poderes políticos, estão se esvaindo.
Hoje o mercado impõe a novidade. A mutação contínua de escolhas seja no que se usa, no que se escuta, no que se come. Essa rapidez com que as mudanças são impostas faz com que ídolos não se consolidem. Consome-se algo por um determinado momento fugaz de forma intensa, e logo se satura. É como ir a uma lanchonete dessas aonde "adoramos" seu sanduíche principal. Você come aquilo com tal rapidez que sai do estabelecimento empanturrado dizendo que não voltará ali tão cedo. Volta, acaba voltando. Mas não é algo que te satisfaz por muito tempo.
O ídolo ao pé da letra, não satura. Elvis, Madonna, Michael, Beatles e U2, ou os nacionais, Roberto Carlos, Cazuza, Raul Seixas, Rita Lee, não saem de moda, não deixam de tocar nas rádios, e nós não nos sentimos tão velhos nas "festinhas" de família, pois eles são atemporais.
Por mais que nem sempre politicamente corretos, ídolos tem uma ideologia. Há romantismo. E é essa a sensação de perda que fica com a morte de Michael Jackson. O romantismo do público com seus "heróis" se extingue a medida que cada um deles vai embora. Sinto uma nostalgia ao ver os clipes que via quando era criança. Aquelas imagens, aquelas músicas me remetem a momentos da minha vida.
Hoje confesso que me perco com tanta coisa nova. Meu Ipod é meio "clássicos", meio "contemporâneos". Sendo que a parte das músicas atuais, eu troco de três em três dias. Não marca, não fica. Músicas de quatro minutos, parecidas umas com as outras, de artistas emergentes que somem como avião no céu.
Há uma infinidade de pessoas tendo a possibilidade de ingressar no meio artístico através dos diversos modos independentes hoje disponíveis. O problema é que a qualidade cai, e quando ainda há, compete com muito lixo barato. A gama de artistas que viriam tornar-se referência, nada mais é um bando de incógnitos sem talento comercializando material ruim. Desde que seja rentável, joga-se no mercado.
Acho que seremos órfãos de uma era terminal de "estrelas". Os mais novos podem argumentar e defender a autenticidade dos seus ídolos instantâneos. Mas os que viveram certos personagens sabem o quanto será difícil surgir entre nós fenômenos como aqueles, exemplificando mais especificamente, como Michael Jackson.
Falo de música, mas se observar em todos os segmentos lúdicos, o cenário é parecido, muita gente nova, pouca gente boa.
Você paga, ingere, enjoa. São os ídolos "fast-food".
Bom Café.
Provavelmente poucos de nós sentíamos falta dele neste "hiato" profissional em que sua carreira estava.
Mas foi impossível ficar indiferente à sua partida. E muito mais por ser quem foi, sua morte me fez enxergar um cenário novo no comportamento da sociedade perante seus ídolos.
Os ídolos que inspiravam juventudes ditavam comportamentos, moviam multidões, tinham inclusive poderes políticos, estão se esvaindo.
Hoje o mercado impõe a novidade. A mutação contínua de escolhas seja no que se usa, no que se escuta, no que se come. Essa rapidez com que as mudanças são impostas faz com que ídolos não se consolidem. Consome-se algo por um determinado momento fugaz de forma intensa, e logo se satura. É como ir a uma lanchonete dessas aonde "adoramos" seu sanduíche principal. Você come aquilo com tal rapidez que sai do estabelecimento empanturrado dizendo que não voltará ali tão cedo. Volta, acaba voltando. Mas não é algo que te satisfaz por muito tempo.
O ídolo ao pé da letra, não satura. Elvis, Madonna, Michael, Beatles e U2, ou os nacionais, Roberto Carlos, Cazuza, Raul Seixas, Rita Lee, não saem de moda, não deixam de tocar nas rádios, e nós não nos sentimos tão velhos nas "festinhas" de família, pois eles são atemporais.
Por mais que nem sempre politicamente corretos, ídolos tem uma ideologia. Há romantismo. E é essa a sensação de perda que fica com a morte de Michael Jackson. O romantismo do público com seus "heróis" se extingue a medida que cada um deles vai embora. Sinto uma nostalgia ao ver os clipes que via quando era criança. Aquelas imagens, aquelas músicas me remetem a momentos da minha vida.
Hoje confesso que me perco com tanta coisa nova. Meu Ipod é meio "clássicos", meio "contemporâneos". Sendo que a parte das músicas atuais, eu troco de três em três dias. Não marca, não fica. Músicas de quatro minutos, parecidas umas com as outras, de artistas emergentes que somem como avião no céu.
Há uma infinidade de pessoas tendo a possibilidade de ingressar no meio artístico através dos diversos modos independentes hoje disponíveis. O problema é que a qualidade cai, e quando ainda há, compete com muito lixo barato. A gama de artistas que viriam tornar-se referência, nada mais é um bando de incógnitos sem talento comercializando material ruim. Desde que seja rentável, joga-se no mercado.
Acho que seremos órfãos de uma era terminal de "estrelas". Os mais novos podem argumentar e defender a autenticidade dos seus ídolos instantâneos. Mas os que viveram certos personagens sabem o quanto será difícil surgir entre nós fenômenos como aqueles, exemplificando mais especificamente, como Michael Jackson.
Falo de música, mas se observar em todos os segmentos lúdicos, o cenário é parecido, muita gente nova, pouca gente boa.
Você paga, ingere, enjoa. São os ídolos "fast-food".
Bom Café.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Racismo: jogada desleal
Há cerca de 4 anos atrás, escrevi um dos meus primeiros textos publicados.O racismo deflagrado no futebol, reflexo de uma incompreensível e resistente prática existente em vários segmentos de nossa sociedade.
O futebol vira um potente meio de propagação do racismo devido ao grande apelo midiático existente. O esporte hoje é um show. Não digo na prática do jogo em si, e sim nos valores envolvidos, nos patrocínios estratosféricos e nos direitos de imagens de atletas.
E a exposição de algo negativo, como o que aconteceu na última semana, é quase que inevitável. Ao vivo, as câmeras captam todo e qualquer movimento, inclusive dos lábios dos jogadores e fica evidente a todos, o que acontece no contexto do confronto.
Na última quarta, o jogador argentino Maxi López, ofender seu adversário usando a expressão “macaco”, referindo-se claramente a cor da pele do jogador em questão.
Primeiramente não consigo compreender que ainda hoje, no ano de 2009, exista este tipo de agressão verbal. Enquanto o Mundo evolui, fronteiras são destituídas, a economia se aglomera, busca-se a igualdade para facilitar questões inúmeras, cidadãos ainda são capazes de expor tal ignorância ao tentar diminuir outro por sua cor.
Muitos dizem que aquela conversa se restringe ao campo de jogo. Quem gosta, acompanha e joga futebol sabe que se cria todo um clima de guerra e provocação no gramado, principalmente em jogos que valem mais. Os mais diversos xingamentos são detectados. “Filho da fruta”,“vai buscar chuchu”, “vai se doer”, são costumeiros.
O grande problema é que quando se trata de uma ofensa desse gênero, o fato ganha dimensão maior. A ofensa acaba atingindo todo o grupo étnico-social.
A história nos conta o quanto o racismo gerou conflitos desumanos em todos os cantos do Mundo. É triste acreditarmos que ainda exista enrustido em algumas pessoas tal sentimento retrógrado.
Não falo só do racismo que atinge os negros. A xenofobia, a discriminação por classe social, sexual, cultural, religiosa...
O que ocorreu no jogo entre Grêmio e Cruzeiro, na quarta-feira, principalmente pelo fato de haver uma transmissão a nível nacional, com um provável índice de audiência enorme, foi trazido à opinião pública com muita força. A paixão pelo time faz com que torcedores defendam o jogador do seu time. De ambos. Acho que tanto um não deve fugir da responsabilidade do que foi dito, quanto o outro não deve se colocar na total posição de vítima. Os dois comportamentos alimentam o racismo.
Há atitudes como aquela todos os dias, em diferentes meios profissionais, grupos sociais, que não se tornam evidentes. A exposição disto serve como forma de pensarmos cada vez mais nas nossas atitudes relativas ao próximo.
Não pretendo aqui determinar certo e errado, pois existem diferentes formas de interpretação, e isso deve ser respeitado. Porém, se evidenciado, o racismo é repugnante. O debate se torna válido desde que o fim seja a extinção de tal comportamento. Isto já deveria ser apenas história.
Que no jogo desta noite esta história tome um rumo diferente, de reflexão, de retratação, de união entre as pessoas. Afinal, somos todos muito iguais.
Um bom café (com leite) porque não?
O futebol vira um potente meio de propagação do racismo devido ao grande apelo midiático existente. O esporte hoje é um show. Não digo na prática do jogo em si, e sim nos valores envolvidos, nos patrocínios estratosféricos e nos direitos de imagens de atletas.
E a exposição de algo negativo, como o que aconteceu na última semana, é quase que inevitável. Ao vivo, as câmeras captam todo e qualquer movimento, inclusive dos lábios dos jogadores e fica evidente a todos, o que acontece no contexto do confronto.
Na última quarta, o jogador argentino Maxi López, ofender seu adversário usando a expressão “macaco”, referindo-se claramente a cor da pele do jogador em questão.
Primeiramente não consigo compreender que ainda hoje, no ano de 2009, exista este tipo de agressão verbal. Enquanto o Mundo evolui, fronteiras são destituídas, a economia se aglomera, busca-se a igualdade para facilitar questões inúmeras, cidadãos ainda são capazes de expor tal ignorância ao tentar diminuir outro por sua cor.
Muitos dizem que aquela conversa se restringe ao campo de jogo. Quem gosta, acompanha e joga futebol sabe que se cria todo um clima de guerra e provocação no gramado, principalmente em jogos que valem mais. Os mais diversos xingamentos são detectados. “Filho da fruta”,“vai buscar chuchu”, “vai se doer”, são costumeiros.
O grande problema é que quando se trata de uma ofensa desse gênero, o fato ganha dimensão maior. A ofensa acaba atingindo todo o grupo étnico-social.
A história nos conta o quanto o racismo gerou conflitos desumanos em todos os cantos do Mundo. É triste acreditarmos que ainda exista enrustido em algumas pessoas tal sentimento retrógrado.
Não falo só do racismo que atinge os negros. A xenofobia, a discriminação por classe social, sexual, cultural, religiosa...
O que ocorreu no jogo entre Grêmio e Cruzeiro, na quarta-feira, principalmente pelo fato de haver uma transmissão a nível nacional, com um provável índice de audiência enorme, foi trazido à opinião pública com muita força. A paixão pelo time faz com que torcedores defendam o jogador do seu time. De ambos. Acho que tanto um não deve fugir da responsabilidade do que foi dito, quanto o outro não deve se colocar na total posição de vítima. Os dois comportamentos alimentam o racismo.
Há atitudes como aquela todos os dias, em diferentes meios profissionais, grupos sociais, que não se tornam evidentes. A exposição disto serve como forma de pensarmos cada vez mais nas nossas atitudes relativas ao próximo.
Não pretendo aqui determinar certo e errado, pois existem diferentes formas de interpretação, e isso deve ser respeitado. Porém, se evidenciado, o racismo é repugnante. O debate se torna válido desde que o fim seja a extinção de tal comportamento. Isto já deveria ser apenas história.
Que no jogo desta noite esta história tome um rumo diferente, de reflexão, de retratação, de união entre as pessoas. Afinal, somos todos muito iguais.
Um bom café (com leite) porque não?
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