Quem já sentiu aquela dor na boca do estômago de saudade e já sentiu o rosto se contrair involuntariamente em choro após uma partida, sendo ela definitiva ou não, também já foi recompensado pela euforia, êxtase e arrepios proporcionados por um reencontro. Nunca fui preparado para uma vida estável. Já me descrevera outrora como inquieto. No meu manual constavam os adjetivos, andarilho, inconstante, instável. As minhas raízes rastejam, não se cravam, e chega um determinado momento em que elas não cabem mais naquele espaço. É hora de ir.
Certas pessoas acabam escolhendo caminhos na vida que as fazem acumular este tipo de experiências. Aeroportos e rodoviárias tornam-se ambientes comuns e cenários frios às mais emocionantes representações de reencontros e partidas. Este texto é como um conto, um estória, que reflete a sensação de muitas pessoas que optam por uma vida de aprendizado em cima de riscos.
“Um forasteiro tem o coração diferente. Quando se vive em espaço alheio, empurra as raízes da origem para o canto, absorve os costumes inúmeros postos à sua disposição, e sua bagagem é muito maior e mais pesada do que a sua própria mochila.
Maior no sentido de que não se compram momentos, e aos que vivem essa peregrinação constante, a recompensa é única e exclusiva. Cada um faz sua própria história.
É pesada por levar sentimentos. E o grande fardo do forasteiro é ter que deixar aquilo e aqueles que em pouco tempo aprendeu a amar. Já não são artefatos materiais, e sim lembranças de pessoas e situações, que se acumulam a cada nova experiência. Nas suas andanças, faz amizades sinceras e aleatórias, sem distinção de cor, raça ou credo. Deixa um pouco de si com estas pessoas, leva um monte dessas pessoas com ele. E em cada um dos lugares em que passa, escreve seu nome. Numa árvore, num jornal e em corações.
O forasteiro, com o tempo aprende a ser frio, porém nunca insensível. Já não chora em despedidas, ou melhor, não faz despedidas, ele simplesmente vai.
E os que imaginam que não vale à pena criar vínculo com o forasteiro, se enganam. Ele nunca esquece os que ficaram em seus roteiros. Levar consigo é a forma de proteger os maiores bens que conquistou em suas passagens, as pessoas, as amizades, as paixões. Vive em constante luta com o implacável tempo para que o mesmo não o leve suas lembranças. Por isso, sempre que pode as renova. Os que ficam o esquecem com muito mais facilidade. Sofre com o preconceito de ser imprevisível e espontâneo. Algumas pessoas têm receio disso. Mas é autêntico.
A máxima de que a estabilidade traz equilíbrio e sobriedade não faz parte do seu conceito enquanto forasteiro, apesar de saber que um dia este será um dos seus destinos. Nas suas andanças, conheceu pessoas boas, porém presas dentro de si, frustradas. Por outro lado, nos mais improváveis encontros, conheceu pessoas incríveis como a que o motivou a escrever este texto, sobre as mais extremas e intensas sensações.
A despedida e o reencontro. O preço de uma é pago pela outra. E de fato, de tudo o que vivenciou de mais doloroso foram os momentos de adeus. Assim como a impagável sensação de abraçar e ser abraçado depois de longo tempo saudade.
Mesmo quando volta para seu lugar de origem, continua forasteiro. Aprendeu que seu refúgio está dentro de si. Sua origem é a soma do que vai se transformando a cada novo passo dado. Estar em sintonia consigo é seu alicerce.
Por definição, o forasteiro é aquele que não é da terra. Na prática, o forasteiro é de todas as terras.
Por isso, mesmo que não o vejam indo embora, este lugar nunca deixará de ser dele.”
Bom café...
Ah,Léo...sei bem o que significa este artigo.Como vc disse,tenho certeza q vc estará sempre no coração das pessoas...e aonde for, as levará.Seja feliz,é o q conta!
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