É comum ouvirmos de muitas pessoas que o Carnaval é uma festa superada, chata e repetitiva. Grande parte dos brasileiros viaja em busca de outro tipo de diversão, ou usam-se da sua própria forma de curtir o feriado, como ir às praias, ou à chácaras, como forma de refúgio. Isso porque as maiores e mais tradicionais festas viraram objeto de consumo longe do alcance da maioria da população nacional, haja vista a incidência de turistas estrangeiros e brasileiros de maior poder aquisitivo. O nosso famoso Carnaval é para poucos. Mas ainda assim, aos que cultivam dentro de si a cultura carnavalesca, há opções.
Senão nos badaladíssimos camarotes na Marquês de Sapucaí ou nos espaços delimitados por cordas e abadas dos trios elétricos baianos, os tradicionais blocos de rua fazem à festa dos que não precisam de muito para extravasar .
Mesmo não gostando muito do Carnaval, torna-se praticamente impossível a mim estando no Rio, fugir desta euforia que envolve as pessoas neste período do ano. Em todos os lugares por onde passa as pessoas exibem seus rostos alegres e seus espíritos festeiros. E isso é algo que comove. Se você para e pensa na quantidade de problemas que a maioria destas pessoas têm em seu dia-a-dia, não acredita que elas tenham motivo para sorrir ou festejar. E este é o legal do brasileiro. Precisam de pouco para ser feliz. Ontem tive a oportunidade de sair a pé, pelas ruas do meu bairro, e vi muita gente festejando, cantando, dançando, ou seja, exercendo o direito à felicidade.
Eu mesmo não estando em um bom momento particular me senti envergonhado em ficar carrancudo diante de tantas pessoas felizes, mesmo ficando evidente que eram pessoas com mais motivo para estarem com a fisionomia fechada do que eu.
O som não era dos melhores, o rapaz que animava a galera era desafinado e particularmente chato. Mas o mais importante era que não havia violência, todos se confraternizavam e se abraçavam. Olhei para o lado e vi um senhor curvado, dançando sem parar. Ele veio na direção do meu pai, e o cumprimentou. Após isso, meu pai disse que ele tinha mais ou menos 85 anos. Ou seja, este é o clima que o Carnaval propicia, até mesmo aos que não são muito fãs das características principais da festa. Em qualquer lugar, sendo um destino emergente e concorrido, ou uma praça em um bairro de subúrbio carioca, todos adquirem o direito de exercer sua euforia, deixar de lado ao menos por alguns dias os problemas que persistem durante o resto do ano.
Uns interpretam como acomodação, omissão, fraqueza democrática, mas é fato que o brasileiro faz vista grossa aos grandes problemas da nação, e a festa do Carnaval é uma grande prova disso. Já algumas pessoas vêem tal comportamento como um grito de liberdade, uma apropriação por direito, de no mínimo quatro dias de desprendimento das obrigações diárias.
A positividade desta festa é algo da qual muitos brasileiros precisam para que o restante do ano flua de maneira boa. Mesmo os que não gostam do Carnaval em si, não abririam mão deste retiro e dificilmente saberiam viver sem ele.
A verdade é que o mais legal dessa festa, é a sua pluralidade. Do trabalhador que curte nas ruas à patricinha famosa do camarote. O Carnaval é de todos, e o único requisito é estar feliz.
Bom Café.
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