quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O castelo de areia

Quando eu era criança, até meus 15 anos, passava minhas férias na praia, em Cabo Frio na região dos lagos, no Estado do Rio de Janeiro.

Íamos cedo para a beira do mar, por sermos crianças, nossos pais se preocupavam com o sol forte que fazia próximo ao meio dia.

Lembro-me que um dos passatempos era construir castelos de areia, fortalezas de areia, na beira da água aonde as marolinhas batiam e a areia ficava úmida. Era uma competição entre eu e meus primos para ver quem fazia o mais imponente e bonito castelo.

O trabalho era minucioso, com todo o cuidado e paciência geralmente raros em uma criança super ativa. Demorava mas ficava muito legal depois de tanto trabalho e criatividade. Com o passar das horas, a praia enchia de adultos, a maré subia, e toda nossa “obra” de areia sumia ou pisoteada pelas pessoas que caminhavam a beira do mar, ou pela maré que os desmanchava com facilidade.

Tenho saudade desse tempo e de como as coisas são tão mais simples quando somos crianças. Apesar de que, é muito triste também para uma criança ver sua diversão terminar de forma tão banal.

Minha alusão é oportuna ao momento. Refiro-me à dedicação, a dificuldade e a demora que levamos para construir algo bom que nos satisfaça na vida. E quando menos esperamos, uma maré alta ou mesmo o pisoteio de pessoas, desfazem com facilidade tudo aquilo que foi construído.

Chega a ser irônico como o peso das coisas ruins é muito maior do que ao das coisas boas. O mal não demora a ser feito, e ganha proporções enormes quando aplicados. Já o bem, característica cada vez mais rara nas pessoas, quando é posto em prática, sequer é notado. Talvez porque seja obrigação de todo ser humano fazer o bem.

Para a afirmação do caráter hoje, em meio a um Mundo egoísta e individualista, os requisitos estão distorcidos. É exigido posição social, status e “grana”. As pessoas que possuem isto obtêm tolerância às atitudes ditas errôneas, através de uma “vista grossa” dos quais lhes é conveniente.

Para uma pessoa simples, adotar uma conduta correta significa ser “otária” e digna de pena em muitos casos. Falta de malícia num Mundo de espertos. O conceito está todo invertido.

Falsos moralistas e hipócritas dominam as ações. E são eles que estão no poder, na maioria dos casos. Chefes de famílias, líderes de grupos sociais, empresários e políticos. Pessoas chave, que deveriam ser exemplos disseminam um sentido comportamental superficial.

Por isso, não comemore quando achar que está sendo bom, que está construindo algo legal, solidificado por uma atitude correta embasado na moralidade. Quando você menos espera, uma maré de falsos moralistas encontra um bode expiatório para destruir seu castelo de areia. Pisoteiam seu trabalho sem dó.

Não espere tolerância, justiça e compreensão. Principalmente se você for alguém sem aquele princípio de caráter distorcido dos dias de hoje.

Você pode achar que tudo o que fez é muito bonito e valioso. Mas lembre-se, não há dificuldade alguma em ver tudo desmoronar num estalar de dedos. E sabe-se lá quanto tempo e disposição precisará para reconstruir tudo.

Todos falham, boas e más pessoas, mas se não dispõe de influência contornável, tente fazer o bem sempre. Do contrário, não será digno de compaixão e nem fugirá dos julgamentos injustos.

Bom café.

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