quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um ano e temas cíclicos

Antes de postar aqui o texto publicado nesta Quinta-Feira, 04 de Fevereiro, na Gazeta do Iguaçu, gostaria de esclarecer que a repetição do texto se deve aos seguintes fatos: completo um ano de coluna Café Expresso e o texto republicado é nada menos do que o primeiríssimo de todos eles, outro importante e interessante fator, é o de que mesmo tendo passado todo este tempo, é uma resenha atualizadíssima, vide os acontecimentos semanais os quais foram noticiados e por último, estou em processo de mudança, sem tempo algum, e encontrei dificuldade de concentração para abordar qualquer tema interessante. Acho que devido a todos estes aspectos, encontrei uma forma de homenagear a coluna, por em pauta novamente um assunto muito polêmico e interessante e salvar alguns minutos importantes para que desse prosseguimento à mudança. O legal de tudo é que o número de pessoas que leram meu primeiro texto é muito inferior ao dos que lêem hoje. E este primeiro texto não está neste blog, criado tardiamente. Praticamente inédito.
Chega de justificativas, segue o texto:

Um ano e temas cíclicos

Há aproximadamente um ano eu começava a escrever esta coluna. São cerca de 50 textos publicados, sobre os mais diferentes assuntos. O curioso é que iniciei esta atividade com um texto que falava sobre o trote universitário. E para vocês verem como o quadro social atual não nos traz boas perspectivas, eu republico meu primeiro texto como forma de marcar este ano de “Café Expresso” e ele permanece atual, infelizmente.

“Trote Universitário: integração ou humilhação?
Início do ano letivo para grande parte das faculdades e universidades do país, período aonde muitos debutarão no ensino superior, voltam-se às atenções cada vez mais ao longo dos anos à questão dos trotes universitários. Fatos recentes de atitudes de desrespeito, abuso e violência em algumas instituições de ensino superior do país ganharam espaço em toda mídia, nos fazendo questionar o limite entre integrar e interagir a humilhar e agredir.
A sociedade ainda se divide sobre a prática dos trotes. Há certo “romantismo” que envolve todo o contexto do “ritual de ingresso” às faculdades, uma vez que é um acontecimento muito tradicional que atravessa os anos, e como de pai para filho, é transmitido como algo pelo qual se faz necessário passar.
Ao pesquisar a origem do trote, se descobre o quão antigo o rito é de fato. Desde os tempos medievais os veteranos nas universidades européias submetiam seus calouros a um tratamento nada amistoso. Daquele período provém o mais tradicional dos atos aplicados nos trotes, o da raspagem dos cabelos, que era feito por questões de higiene e precaução a doenças, uma vez que não se sabia a procedência dos novos alunos. Os mesmos recebiam suas primeiras aulas nos vestíbulos, locais destinados às vestimentas, explicando também a origem da palavra vestibular. Naturalmente com o passar do tempo, o tradicional evento evoluiu e agregou variações, muitas delas questionáveis.
Os calouros já entram resignados em sua maioria a passarem por situações vexatórias, entendendo que desta forma serão bem recebidos e integrados aos seus veteranos.
Porém, tem havido em alguns casos, uma distorção na essência do movimento. Nas últimas décadas registraram-se atos de violência àqueles que resistem a certas brincadeiras, como a obrigatoriedade do uso de álcool, drogas em festas de calouros e extorsão de bens materiais e dinheiro. Já houve inclusive finais trágicos.Há uma corrente que entende que a prática dos trotes faz parte do período acadêmico de todo aluno, defendendo ser algo fundamental para a iniciação do curso principalmente na questão da relação entre antigos e novos acadêmicos. Uma questão cultural. Em contrapartida, há os que defendem o fim do trote, alegando que todos têm o direto de escolher querer participar de determinadas atividades, e que não são obrigados a passar por humilhações uma vez que a aprovação ao vestibular é motivo de orgulho e comemoração, e não de punição. O histórico de impunidade nos principais casos de excesso em trotes do país, faz com que muitos continuem utilizando-se disso para abusarem de violência, subsidiados no anonimato de estarem sempre em grupos agindo em cumplicidade.Algumas universidades já adotam posturas mais rígidas quanto ao assunto, enquanto outras optam por preservar a tradição comprometendo-se a monitorar as atividades.Existem também formas alternativas da aplicação, como o trote solidário, que mantém o espírito de brincadeira com um caráter social de envolvimento por parte dos calouros.No ínterim desta polêmica, o importante é que sempre haja justiça, que se diminua a tolerância com os agressores, e que os trotes universitários possam continuar, seja com os rostos pintados, com as gincanas e brincadeiras saudáveis, com o pedágio (porque não?), desde que não violem os direitos de cada ser humano, mantendo apenas sua principal e nobre conotação de integração.”

Bom Café.

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