Só mesmo a natureza para colocar o homem e sua prepotente postura de auto-suficiência em seu devido e humilde lugar.
Penso se a cobertura dos meios de comunicação pelo Brasil afora consegue situar as pessoas ante a realidade que vive o Rio de Janeiro hoje, após o dilúvio.
Se precisasse sintetizar o quadro da cidade agora, diria que vivemos o caos, que nunca vimos algo tão intenso em matéria de chuvas em muito tempo. Antes que as pessoas se apressem em dizer, sem embasamento algum de argumentos, que a cidade é uma zona, que o Rio é mal planejado, mal administrado, afirmo que este não é o caso. Não há cidade do mesmo porte do Rio de Janeiro no Brasil e talvez no Mundo, que suporte um fenômeno como esse. Choveu em 1 dia, o previsto para 2 meses. A previsão para Abril era de 130 mm e em apenas um dia, choveu 250 mm. Ou seja, algo completamente atípico e inesperado.
Agora vamos aos fatos. A cidade parou. Parou mesmo!
A formação geológica, principalmente relativa ao solo e relevo, mas também quanto à localização cartográfica e as incidências das massas de ar e variações climáticas facilitam as alterações bruscas que provocam chuvas como esta.
As conseqüências drásticas podem ter como justificativa a intervenção do homem à natureza ao longo dos anos, com o crescimento demográfico, especulação imobiliária e as ocupações impróprias (sendo estas não somente através da favelização).
O governo por sua vez age de forma refratária, ou seja, só se manifesta diante do problema ao invés de criar uma infra-estrutura de prevenção. A regulamentação fundiária seria uma saída para que houvesse o mínimo de estrutura preventiva às construções acerca de encostas. O sistema pluvial deveria ser extenso e amplo, mas acima de tudo limpo, para que toda a água proveniente de chuvas intensas como estas pudessem ser escoadas de forma a não causar todo o transtorno hoje visto.
As ações acabam sendo emergenciais, ineficazes à longo prazo. Além de tudo, para se ter idéia, a tecnologia utilizada pela Defesa Civil nacional está defasada em pelo menos 20 anos.
Com isso, o número de mortos neste episódio é simplesmente o que causou mais vítimas no Mundo todo em 2010, pela mesma causa, ou seja, fenômenos pluviais.
Vale lembrar, que destas vítimas, 100% foram mortas em deslizamentos, ou seja, ocupavam áreas de riscos.
Apesar da violência da natureza e da forma surpreendente como tudo ocorreu, o Governo do Rio admite ser parcialmente responsável pelos problemas ocorridos. Não sei até que ponto é construtivo admitir falhas num momento como este, simplesmente. Ao mesmo tempo acho que não só o poder público deva assumir sua parcela de culpa. A população principalmente, com seu déficit de bom senso e educação, é também responsável, ou irresponsável a despejar lixo em lugares indevidos, em rios e córregos, em terrenos elevados, e ao se instalarem em áreas completamente impróprias para moradia, sem o consentimento das autoridades.
O fato é que a soma de toda a displicência da sociedade em geral acaba com este saldo catastrófico.
A cidade do Rio não suporta sua própria população. Não há estrutura habitacional, nem de transportes, nem de saneamento, nem de segurança que suporte esse infindável inchaço.
Quem dirá suportar o maior dilúvio dos últimos 50 anos.
Bom café...
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