quinta-feira, 16 de setembro de 2010

In Attesa

Nunca tinha parado para pensar no quão inútil se torna o momento entre estar pronto para determinado compromisso e dar início a tal ação. Comumente chamado, espera.
Certamente já ouviu de algum amigo, do seu pai, da sua namorada, uma reclamação do tipo, “ se tem uma coisa que eu detesto é ficar esperando.” Da próxima vez que te falarem isso, arrisque desafiar a pessoa com a seguinte pergunta: “Me diga alguém que goste de esperar”, e aí se prepare...
Na sala de espera da clínica de fisioterapia, aguardei por uns 15 minutos. Procurando não ter que passar pela agonia dos inúteis minutos que antecediam minha sessão, cheguei exatamente na hora. Sorte, pois planejei o tempo certinho. Comumente chego atrasado. De qualquer forma, eles se atrasaram hoje. Enfim, lá eu estava com aquelas revistas antigas ao meu lado, uma televisão de 14 polegadas a 10 metros de distância, com o som baixo e com a imagem péssima. Tudo bem, transmitiam uma entrevista com um candidato desses quaisquer. Preferi a distancia mesmo. O dilema agora era escolher entre a revista de saúde de 1997 ou outra de decoração, de 1999. Acho que o cenário descrito é comum a todos nós, foi só para ilustrar a idéia na imaginação de cada um. Remetê-los a momentos de espera. Fila de banco, ponto de ônibus, aquela loja em liquidação no shopping, aquele amigo que há meses está fora e vem lhe visitar.
Dizem que passamos um terço de nossas vidas dormindo. Até aí tudo bem, dormir é uma necessidade fisiológica. Agora eu me arrisco a dizer que passamos outro terço desses esperando por algo.
Pode ser por uma consulta, por um aumento no salário e pelo amor da sua vida, não importa. O fato é que alguém plantou a idéia de que em certos momentos devemos esperar pelas coisas.
Por quê?
Minhas experiências só me mostram o contrário.
Os melhores momentos que vivi foram inesperados, surpreendentes. E as maiores decepções vieram das coisas as quais tinha confiança de que seriam boas, das quais criei enorme expectativa.

Saindo muito da simples espera física relatada acima, que realmente é um saco, mas é a menos danosa delas, a espera pelas realizações que ditarão o ritmo da sua vida, é a mais ofensiva.
Ouso desafiar aquele ditado, “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Se você correr, o bicho tem que correr atrás, e nessa, você está mais preparado e ele se cansa, ou tropeça em algum obstáculo, sei lá. O fato é que se correr, você aumenta suas chances. Experimente ficar parado e se submeta à espera do que pode acontecer.
Devemos ter iniciativa sempre, buscar o que se pretende. Se há uma data, um horário estipulado, o ideal é ser pontual. Sendo pontual com seus compromissos, suas metas e seus ideais, você está pulando a inútil fase da espera.
Meus textos muitas vezes parecem com trechos de livros de auto-ajuda. Não gosto muito disso. Não sou fã destes livros apesar de ter lido alguns. Acho prepotência e até oportunismo usado diante de dificuldade alheia. Mas isso é apenas uma opinião. Assim como mais esse texto, baseado puramente nas minhas próprias experiências e idéias. A diferença é que não as vendo a ninguém, apenas compartilho.
Sobre a palavra em si, acho que a espera e seus inúmeros significados só perdem para o teimoso “se”. O “se” destrói tudo, até a espera, “se” tudo se antecipar, ou “se” uma surpresa acontecer, por exemplo.

Bom café...

Um comentário:

  1. Pois é. Ser pontual hoje em dia não é mais educação, é virtude. Como diria meu velho pai, "o errado hoje é que é o certo".

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