Provavelmente grande parte das pessoas já teve a oportunidade de assistir a pelo menos um episódio da série nacional transmitida num canal por assinatura, de nome “Cilada”. Um sujeito que relata os diversos inconvenientes ocorridos no cotidiano da maioria das pessoas, de forma inteligente, sarcástica e critica. É impressionante como todos nos identificamos com as histórias contadas por ele neste programa televisivo.
Final de ano, festas, viagens... Já imaginam. Acho que pelo menos 65% da população passa pelos inconvenientes proporcionados por períodos festivos no Brasil. O que seria isso, mais especificamente?
Desde filas em supermercados até atraso nos aeroportos e o principal deles, transito louco nas cidades alvo.
Tenho o costume de fugir do fluxo, prefiro usar os dias de festas que geralmente resultam em folgas prolongadas, como descanso e só. Como o Rio de Janeiro infesta de turistas por questões já conhecidas, preferi a capital paulista. Deu certo até, afinal, a maioria dos paulistanos despenca para os litorais adjacentes.
Consegui um ótimo vôo na ida, vazio, sem atraso, descendo em Congonhas. Mas na volta, por ser no segundo dia do ano e um Domingo, não encontrei bilhetes a preço razoável e tive que vir de ônibus. Nada demais, para quem sempre viaja de ônibus. Rio – São Paulo, cinco horas, estrada razoável.
É aí que começa minha história.
Bem acomodado, ônibus prestes a partir, entram as duas senhoras. Exatamente sentadas ao lado de nossos assentos, as indiscretas senhoras se puseram a falar. Ou seria melhor usar o termo, gritar? E elas não só conversavam entre si. Cada uma de posse de dois celulares, totalizando quatro aparelhos, ligava incessantemente para todos os conhecidos e familiares no Brasil, para desejar-lhes boas entradas e não só isso, tricotavam todo o tipo de fofocas das mais indiscretas em alto e bom som ecoando carroceria do ônibus adentro.
Uma natural revolta abateu-se sobre muitos, e eu esbocei uma manifestação. Mas fui logo contido pela minha companheira que contra-argumentou com algum sentido e conseguiu me fazer mudar de idéia.
Pessoas sem o bom senso suficiente em um ambiente de uso coletivo, provavelmente não reagiriam bem a um pedido, mesmo que educado, para fazerem menos barulho.
Já escrevi sobre telefonia móvel aqui neste espaço e sabem o quanto aprecio este serviço essencial na vida das pessoas. Essas mega-promoções que inventam fazem com que senhoras como estas, liguem para Deus e o Mundo e perturbem a paz dos outros pobres passageiros por 5 horas a fio. Um celular com créditos dá a sensação de poder a quem não costuma ter. E um dos trechos curiosos destas ligações foi num momento em que a outra pessoa atendeu o telefone e a senhora 2 disse em timbre agudo “Feliz Ano novo! É a Fulana que está falando, não tá reconhecendo? Ah te acordei? Desculpa, mas olha só, sabe quem morreu?...” E continuou falando, falando, falando... Sete e pouca da manhã. E a mulher pergunta se acordou? Claro que ela acordou o pobre do outro lado do telefone, e manteve acordados a viagem inteira 40 outros sonolentos passageiros.
“I-pod comeu solto a viagem toda”, competindo com as “sopranos”.
Que cilada...
He,he ,he....Muito legal!!Realmente é o q mais acontece,quem já não viveu uma situação desta?? Eu tb fico indignada,mas parece q algumas pessoas simplesmente não se tocam.Ótimo texto!!!!
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