Parecia não ser real, aquele Domingo que começou como qualquer outro, terminar como nenhum jamais terminou desde então.
Acostumados a vê-lo com o punho em riste a comemorar vitórias, com o olhar confiante e com um sorriso de vencedor, naquela manhã algo parecia errado. Sua fisionomia era de quem sabia que ao entrar naquele carro, não sairia mais dele. E assim ele se foi, tão rápido quanto era nas pistas.
Lembro-me de ter colocado aquele meu pôster que costumava ficar atrás da porta do quarto, ao meu lado na cama, e jurar que quando acordasse seria Domingo de novo e tudo não teria passado de um pesadelo.
Não quis abrir os olhos naquela Segunda-Feira e constatar o que já ouvia pela televisão ligada na sala, aonde o país simplesmente parou para acompanhar a “última volta” de Ayrton Senna pelas ruas de São Paulo.
Passaram-se quinze anos e descrevo esse momento com a exatidão de quem acabou de vivenciá-lo. Quem viveu a época de Ayrton sabe que nada do que estou falando é exagero, e que sua partida trágica e precoce tirou um pouco de cada brasileiro. O sentimento por ele transgredia o gosto por corridas de ‘Fórmula 1’.
Senna foi simplesmente mágico, único na história.
Filho de pais ricos, conseguiu inserir na cultura de um país de terceiro mundo, o costume de acompanhar um esporte de elite, sem que sentíssemos essa distância social, com sua personalidade humilde e carismática.
Toda criança daquela geração um dia chegou a dizer “quero ser piloto de Fórmula 1 quando crescer”.
O Tema da Vitória fora “promovido à hino” por conseqüência de um brasileiro que se orgulhava de sua bandeira e à elevava com bravura, e fazia com que esquecêssemos dos problemas que sempre nos afligiram, ao menos naquelas manhãs.
Os que não puderam vivenciar, com o imenso arquivo disponível na internet, podem ter a real noção sobre o que falo. Dos momentos fantásticos protagonizados por ele, sugiro que busquem três específicos. A vitória no circuito de Donington Park, na Inglaterra, aonde o brasileiro largou nas últimas posições e ultrapassou a todos, colocando uma volta de diferença no segundo colocado. A perseguição de Mansel a Senna em Mônaco, por três voltas intensas, terminando com nosso ídolo em primeiro, mesmo com o carro infinitamente inferior, tendo segurado “no braço” o inglês “nervosinho”. Por fim a tão suada vitória no Brasil, depois da quebra do câmbio, manual naquela época, restando-lhe apenas uma marcha, tendo que guiar o carro com a mão esquerda no volante e a direita na marcha, prestes a desengatar, por oito voltas a fio. Inacreditável.
Atualmente o que se vê é um “bando” de pilotos medianos com carros bem ou mal ajustados que revezam em vitórias inexpressivas. Schumacher foi o último suspiro de brilho na categoria, muito mais pela ausência de Senna e pela infinita superioridade tecnológica da Ferrari sobre as concorrentes em hegemônicos sete anos. Não ouso compara-los.
Órfãos de Ayrton Senna, muitos nunca mais se propuseram a assistir uma corrida sequer, desgostosos. Compreensível.
Aos que ainda acompanham, mesmo gostando muito, fica sempre a inevitável nostalgia. Tudo perdeu o brilho, as corridas perderam a emoção, os Domingos ficaram mais monótonos, e o Galvão Bueno ficou infinitamente mais chato.
Fica o legado, que vai além de boas lembranças no esporte. Fundado com intuito de ajudar crianças, o Instituto Ayrton Senna já soma cerca de doze milhões de beneficiados desde seu início em 1994.
Pouco preocupado com a organização das idéias, fico feliz em poder compartilhar o sentimento de admiração que tenho por Senna, como um “piá” que escreve uma redação de colégio, sobre seu maior ídolo.
Minha mãe diz que mesmo depois da morte as pessoas permanecem vivas até que haja uma última lembrança delas entre nós, sendo assim, Senna nunca morrerá.
Bom Café...
Po, eu lembro ate hoje como recebi a noticia. O cara era realmente a alegria dos domingos. incrível que já façam 15 anos.
ResponderExcluirabraço
Até hoje me emociono quando lembro.Desde a morte de Senna não consigo mais assistir as corridas de fómula l,muito menos esqueço daquele dia das mães.
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