Quem acompanha o noticiário certamente tem notado como intensificou o lobby pela candidatura do Rio de Janeiro à sede dos jogos olímpicos de 2016.
Antes de falar sério, gostaria de dizer que essas escolhas de sedes para Copas do Mundo e Olimpíadas me fazem mal. Porque estamos em 2009 e os “caras” já têm contratos e projetos firmados para eventos daqui há 10 anos. Entendo a necessidade de antecipação das decisões para que haja o preparo necessário e adequado para a realização de tais eventos. Qualquer dia, estarei tratando de datas que sequer terei certeza se estarei vivo.
Comentários pessoais inúteis à parte, esta candidatura, assim como sua possível realização, deve ser vista com diferentes olhos dos que nos passam os interessados.
A Copa do Mundo de 2014 está confirmada, e não há o que fazer, a não ser nos conformarmos e fingir que tudo será muito legal e positivo, para o país, para a sociedade direta e diretamente envolvida. Os Jogos Olímpicos são da mesma, ou até maior proporção do que um evento do porte da Copa. O “x” da questão é: o Brasil têm condições de sediar eventos desta magnitude, sendo carente de outras prioridades, havendo tamanha desigualdade social, violência e falta de infra-estrutura?
O Pan-Americano de 2007 no Rio de Janeiro, foi um “rascunho” da incompetência de planejamento e da incapacidade dos responsáveis de organizarem. Para quem assistiu aos jogos até o último dia, gostou das competições, se divertiu e parou por ali, talvez tenha sido legal. Mas um dos principais argumentos dos defensores da realização destes jogos, o progresso, a melhoria de infra-estrutura, a mobilização da sociedade e o emprego, não têm base alguma.
O Rio de Janeiro possui hoje vários “elefantes brancos” do esporte. As arenas que custaram milhões estão largadas, sem manutenção, obsoletas. A Prefeitura poderia, por exemplo, fornecer determinados espaços para as crianças das comunidades carentes praticarem esportes. Isso não ocorre.
A rede de transportes que teve como promessa uma melhoria considerável, se mantêm problemática.
A segurança que supostamente aumentaria, restringiu-se aos dias de evento, obviamente.
O Brasil por ser um país de características continentais, tem poucos atletas bem sucedidos no esporte, se comparado a pequenas nações européias. Justamente pela falta de estrutura e incentivo.
E essa é mais uma “lorota” que nos contam para que apoiemos tal candidatura. O Brasil se tornará uma potência no esporte. Mentira. Com essa administração, com esses cargos perpétuos e mentalidade retrógrada e oportunista, continuaremos sendo enganados.
Sobre no legado do Pan, até hoje não se conseguiu declarar à União o destino da verba disposta para a realização dos jogos, incluindo as obras de preparação, e as necessidades básicas. E o mais legal disso tudo? O dinheiro é público, ou seja, meu e seu. E mesmo sem conseguir explicar para onde foi tanto dinheiro, o que aconteceu com os “caras”? Se re-elegeram em seus cargos.
O problema é que tais informações não chegam a grande maioria.
Enquanto um monte de gente faz festa para recebem a Copa do Mundo em 2014, e faz campanha para eleger o Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o país continua com seus crônicos problemas postos de lado.
Eu adoro esporte, mas detesto ser tratado como otário.
Se você acha que conseguirá assistir a algum jogo na Copa do Mundo, sem despender de um valor com no mínimo quatro dígitos, acorde. Metade da carga será para políticos, 40% será para patrocinadores, e 10% para o público, provavelmente estrangeiro. Se você acha que a violência vai diminuir, que sua cidade vai ficar um “brinco”, que o transporte será eficaz e que o Brasil será uma potência do esporte, tire o “cavalinho da chuva”. No Brasil é diferente. Agora, se você tem consciência de que o país continuará o mesmo, e os principais envolvidos na realização enriquecerão, você está certo.
Ah, e tudo por nossa conta.
Bom Café.
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