“Terça em movimento” é o nome de um evento cultural semanal que ocorre semanalmente na zona Sul do Rio de Janeiro, oferecendo aos convidados presentes apresentações de curtas independentes, recitais de poesia, aulas de dança, stand-up comedy, enfim, interpretações artísticas diversas.
À convite do meu grande amigo mencionado algumas vezes neste espaço, fui acompanhar a apresentação de seu curta “Longe de tudo”.
O vídeo relata um grande e crescente problema social nacional, a dependência em drogas lícitas. Dividido em duas histórias paralelas, de 15 minutos cada, dois personagens se vêem atrelados aos seus vícios, e suas dificuldades no dia-a-dia, em tentar a recuperação. O enredo põe em xeque uma posição polêmica. O diretor procurou mostrar um lado diferente do que se vê em televisão e cinema, quando estes tratam do assunto. Geralmente o problema é tratado de forma muito dramática e na busca incessante pela recuperação da personagem enquadrada na história. “Longe de tudo” questiona a capacidade de recuperação ao vício, e não foca a busca pela “cura” mas sim o cotidiano do dependente e o que esta dependência o traz de dificuldades.
Pegando um “gancho” desta “Terça cultural”, aproveitei para escrever sobre algo que sempre quis escrever, mas que obviamente não terei espaço para me aprofundar. Não me prenderei a números ou informações estatísticas, pois nem as tenho, mas farei um breve comentário embasado no que tenho como exemplo e experiência vivenciada quanto ao consumo de bebidas alcoólicas.
É muito mais fácil estereotipar um “alcoólatra” como um sujeito sem ocupação, de aparência humilde, com uma idade avançada, do que um jovem de classe média, recém formado numa faculdade particular e que vive dentro de um condomínio de alto padrão, por exemplo. Preconceito.
A palavra alcoólatra é pesada e muitos se recusam a aceitar tão denominação. A primeira grande barreira para o início de uma recuperação.
Nos questionários sociais, quando há a necessidade de preenchê-los, você provavelmente marca um “X” no campo ‘bebo socialmente’.
Não tenho discernimento para apontar o limite entre uma pessoa que bebe ocasionalmente, muito, e a que já é dependente. Deve haver um parâmetro, uma análise para se determinar isso. Mas como antecipei não me aprofundarei em dados específicos.
O raciocínio que uso, é pessoal e simples. Você têm controle sobre a vontade de beber uma cerveja gelada, uma caipirinha, um Whisky?
À partir do momento em que em seu cotidiano, você faz uso do álcool mesmo que em pouca quantidade, mas faz aquilo rotineiramente, e num determinado momento, ainda que por experiência, te suspendem aquilo e sua rotina fica afetada pela falta daquilo, você provavelmente está ou entrará num quadro de dependência. Numa Segunda-Feira pós-trabalho, um calor danado, te oferecem um refrigerante gelado, uma água, e uma cerveja “trincando”. É de consenso que Segunda não é dia de beber cerveja. Mas muita gente opta pela cerveja. E assim seria na Terça, na Quarta, na Quinta... Quando você para e percebe que bebeu todos os dias da semana. Mas você é jovem, tem um bom emprego, e faz uma pós que elevará seu status profissional logo. É inadmissível para si aceitar que pode estar se tornando dependente. E esse é o principal quadro neste país. Dificulta a busca por tratamento. Reconhecer que precisa dele.
A sociedade destrói a integridade de um dependente de cocaína, por exemplo. Discrimina o usuário de maconha. Mas o dependente de álcool é subsidiado pela lei, e causa muitos males às pessoas a sua volta. Comportamento violento, irresponsabilidade e acidentes fatais no trânsito.
O incentivo e o merchandising envoltos na comercialização do álcool é intenso e o consumo é estimulado massivamente.
Para quem gosta, e eu sou um dos que gosta muito, é muito difícil recusar àquela cerveja a menos 5 graus, principalmente em cidades como Foz e Rio de Janeiro.
O principal problema é tornar o consumo de álcool num hábito.
Assunto polêmico e que vale ser discutido sempre. Segue o link do trailler do curta “Longe de Tudo”. http://www.youtube.com/watch?v=v1GeDjyndmU
Bom Café...
Excelente questionamento, Léo.
ResponderExcluirMas ao contrário de você, eu acho que você pode e deve se aprofundar mais nesse tema sempre que puder. Essa é uma questão que precisa estar martelando sempre em nossas cabeças.
Valeu pelo link do filme.
abraço